A vida de Legolas estava movimentada. Enfim a jornada do anel havia terminado e ele poderia novamente voltar para casa. Foi recebido em Mirkwood com muita alegria, levou consigo o amigo anão Gimli afim de que ele pudesse conhecer a sua terra, a sua gente. Mas não havia ninguém que o esperava mais do que Tauriel, a sua noiva.

Os festejos duraram dias, e a alegria do retorno somava-se a alegria do fim da guerra. Em breve ele viajaria para Gondor a fim de presenciar o enlace de Aragorn e sua bela Arwen. E o seu casamento também logo se realizaria, já que os noivos estavam esperando as flores da primavera que tornariam o dia ainda mais belo. Inicialmente Thranduil se opôs ao matrimônio dos dois, mas com o tempo identificou em Tauriel um espírito valente e sincero, comprometida em fazer Legolas feliz. Havia apenas uma preocupação que assombrava a sua alma apaixonada: Nimarie. Ela sabia que Legolas nunca se esqueceu do primeiro amor, e mesmo todos acreditando na sua morte ele sempre insistia na minúscula possibilidade de ela estar viva.

Por algumas vezes Tauriel o apanhava olhando enternecido uma pequena flor branca envolta por um tecido, e isso a incomodava pois sabia do zelo com que o elfo tratava aquele objeto, devido as lembranças que trazia de Nimarie. Foi até com uma certa surpresa que viu o príncipe ajoelhado aos seus pés pedindo para que ela fosse a sua esposa.

Já fazia cinco dias que Legolas havia retornado de sua jornada. Estava em um animado jantar, quando um elfo entrou apressado no salão. Tauriel do outro lado do salão, viu de longe quando o elfo com um semblante sério tocou o ombro de Legolas, fazendo-o seguir apressado. Ela os seguiu nas sombras até uma antessala vazia, escondida por uma parede pode ouvir o motivo pelo qual o príncipe fora chamado:

_ Tens certeza? — Dizia ele aparentando nervosismo

_ Sim Legolas, era ela... Vimos com nossos próprios olhos!

_ E onde? Onde ela está?

_ Está vivendo em Belfalas, já faz muitos anos...

_ Belfalas... como não pensei em Belfalas antes... as gaivotas de Belfalas... — Disse ele pensativo.

_ ...a conhecem por bruxa elfíca... – Legolas ouviu com atenção o que Álfezos disse, deu alguns passos em direção a janela, depois de alguns segundos de reflexão deu um longo suspiro e falou:

_ Providencie meu cavalo Álfezos, partirei ainda essa noite.

_ Assim o farei! — Disse o elfo já saindo para fazer a sua tarefa

_ Álfezos! — Chamou o príncipe. _ Não preciso lhe dizer que isto também deve ser mantido em segredo... — O elfo só balançou a cabeça afirmativamente e novamente se pôs a caminho da sua tarefa. Legolas saiu depois de alguns segundos, estava tão aturdido com a notícia que não notou a presença de Tauriel que encostada na parede, ouvia tudo com profunda tristeza.

Legolas, quando ficou sabendo da possível morte de Nimarie, assim que pode despachou em segredo dois guardas de confiança que durante anos varreram a Terra Média na esperança de encontrar a moça. Eles tinham ordens para não pararem de procurar, e assim o fizeram por durante trinta e dois anos, até que a encontraram em Belfalas, uma cidadezinha próxima do mar, e povoada de gaivotas e outros pássaros silvestres.

O elfo caminhava apressado em direção ao seu quarto. Precisava pegar algumas coisas, as facas, o arco, uma capa e a flor... Ele havia mudado muito nesses anos, aprendera muita coisa sobre a vida e sobre si mesmo, tornara-se mais calmo, mais confiante, mais maduro, mas ainda não conseguia domar a explosão de sentimentos quando se tratava de Nimarie. Um misto de empolgação e incertezas lhe transitavam na alma. O coração batia forte e descompassado com a simples ideia de encontrar novamente a amada. A mente lhe questionava sobre o depois, o que faria quando a encontrasse? Como seria? E Tauriel... Se ele a encontrasse seria somente para pedir desculpas, e auxiliá-la se ela estivesse precisando. Sentia-se na obrigação após tê-la julgado por anos, ela deveria ter sofrido muito nas mãos de Sauron, ele precisava ouvir a sua história, saber dos seus motivos, das suas escolhas. Todos esses pensamentos passavam como flechas por sua mente, ele tinha pressa, não podia mais esperar.

_ Finalmente você conseguiu Legolas! — Disse Tauriel, surpreendendo Legolas que mais uma vez não percebera a presença da noiva. Ela não parecia ter vindo repreendê-lo, sua voz era suave, e seu olhar bondoso: _ Quando todos acreditavam que ela havia morrido, você foi o único a dizer que ela estava viva. Você nunca desistiu...

–--

_... você nunca desistiu — falou Tauriel

–---

_ Tauriel, eu...

_ Não Legolas! — Interrompeu-o com doçura. _ Eu sempre soube que você a amava! Não se preocupe comigo, não serei entrave nenhuma para esse amor que sobreviveu a tantas tormentas! — Ela falou isso colocando as mãos sobre o rosto do elfo, que se emocionara com a atitude sublime de Tauriel.

_ Tauriel, isso não é o fim... eu pedi para que sejas a minha esposa, e continuo querendo que seja! — Ele segurava em seus braços, fazendo com que ela o olhasse nos olhos.

_ Legolas nós dois sabemos que você não voltará! e você é tão livre agora como já foi um dia... — Ela disse isso ao mesmo tempo que lágrimas silenciosa lhe escorriam na face. _ Eu te liberto de qualquer comprometimento, de qualquer sentimento de culpa que possa vir a sentir, te liberto para ser feliz, mesmo sabendo que essa liberdade te afastará de mim... — Neste momento ele a abraçou forte, e os dois ficaram assim por alguns segundos. Ele beijou a sua testa. Estava profundamente emocionado e por isso não pode falar nada, apenas dispensou para ela um olhar de agradecimento, um olhar que ela jamais esqueceria. _ Vai! — Disse ela esforçando-se para sorrir, ao mesmo tempo que ele deixava o local apressado para ir de encontro de Nimarie.

Ele não quis companhia para a sua viagem, não era necessário, eram tempos de paz, e ele aproveitaria a solidão para refletir. As armas que levava era para prevenir qualquer desagradável encontro que poderia ter com algum povo remanescente de Sauron. Gilim, seu amigo estava passando uma temporada em Lórien, e voltariam a se encontrar em Gondor, para o casamento de Aragorn.

_ Legolas! Vais realmente cometer essa loucura? — Disse Thranduil em tom de repreensão, ao mesmo tempo que Legolas subia no cavalo.

_ Loucura Ada, foi não ter seguido meu coração desde da primeira vez que ele me mostrou a direção! — O príncipe falou isso com firmeza, olhando dos olhos do pai, para logo depois sair num galope apressado.

Thranduil sabia que Legolas não desistiria com a sua intervenção. Há algum tempo havia descobrido que o filho nunca havia desistido da busca, mas preferiu permanecer calado após ouvir os conselhos do mago Gandalf. _ Que seu caminho seja virtuoso... meu filho!– Disse num sussurro, embargado pela emoção, enquanto via o filho ganhar distancia sobre o cavalo veloz.

–---

Depois da conversa com Ferguros, Nimarie entrou em casa com o semblante triste e preocupado.

_ Nimarie, o que aconteceu? — Perguntou Thakurli preocupada com a fisionomia da moça.

_ Ferguros... Ferguros foi embora!

_ Oh! — Thakurli levou a mão na boca, jamais esperava essa notícia.

_ Eu pedi para ele ficar, mas não adiantou....

_ Mas... mas por quê? Vocês estavam tão felizes...

_ Ele disse que viu dois elfos de Mirkwood que procuravam por mim... Legolas está vindo me buscar Thak... — Disse ela com um sorriso, enquanto lágrimas silenciosas caiam. Essa segunda notícia fez Thakurli sentar-se em uma cadeira, ainda com a expressão de surpresa ela disse:

_ Como você sabe que ele virá?

_ Eu apenas sei... — Ela falava como se estivesse em um sonho. Estava triste pela partida de Ferguros, pois afinal gostava muito do meio elfo, mas, em contrapartida, estava em estado de torpor com a ideia de um reencontro com Legolas. _ Esperei tanto por esse momento, que cheguei a acreditar que ele nem aconteceria, e agora quando está prestes a acontecer, eu tenho medo... Como se eu fosse novamente atrapalhar o destino grandioso de um príncipe.

_ O que dizes Nimarie?! Não podes pensar assim... ele já te conhece suficientemente bem, sabe das suas virtudes e defeitos, e se virá mesmo assim é por que deve acreditar em algo maior que supere essas diferenças entre os dois. Ainda mais tem as crianças... ele ficará radiante ao saber.

_ Eu não sei Thak, e se ele me julgar por ter separado ele dos filhos por durante tanto tempo? E se ele me questionar o por que eu não o procurei?

_ Nimarie! Não é comum você sentir medo, ainda mais agora! Além do mais, ele sabe que é tão cheio de erros assim como você. Você não escreveu sua história sozinha... todas as escolhas que fez, todas as renúncias foi por amor, foi pensando nele! Eu devo confessar que nunca acreditei que haveria um reencontro, os elfos são rigorosos com os seus costumes e crenças, é uma raça orgulhosa, por vezes até frios. Mas Legolas me provou que posso estar equivocada na minha percepção, pois tenho certeza que quando vocês se reencontrarem não haverá espaços para julgamento somente para o amor! — Thak falava aquilo com tanta doçura e carinho que a amiga a abraçou e chorou copiosamente. As crianças, que agora tinham três anos, entraram no local no mesmo instante, então Nimarie as colocou no colo e falou com um sorriso emocionado:

_ O pai de vocês está chegando!

Então os dias seguiram longos, mas cheios de esperança e luz.

Notas finais
Comentem meus amores!