Nora Fulkert - Um conto de amor na Terra Média
16 Na escuridão
Nimarie vagava fora do pensamento e do tempo, sentia-se perdida em lugar úmido e sombrio.Ouvia gritos e gemidos mas não via criaturas vivas. Cada dia era tão longo como a eternidade e o chão lodoso por vezes trazia galhos secos lhe arranhavam o corpo enquanto ela caminhava. De vez em quando aves sinistras cruzavam o céu que estava coberto por espessas nuvens que impediam a entrada do sol. Raios anunciavam uma chuva que não vinha. A escuridão havia lhe pegado. Cansada, deixou-se cair de joelhos no solo pantanoso. Foi então que viu uma luzinha branca no chão movimentar-se com o vento.Esperançosa, correu até ela, que mais lhe parecia uma vela na escuridão. Era uma delicada flor de Elanor, igual a que Legolas havia lhe presenteado quando criança, encheu o coração de esperança, ao subir o olhar pode ver a alguns metros de si, uma cena, que lhe modificou seu espírito por completo:
Em um lindo jardim, Legolas radiante brincava com um pequeno menino em seus braços, enquanto era abraçado por uma menininha a qual ele dividia o mesmo amor e atenção. Era uma linda cena, de amor entre o pai e os filhos. No colo de Legolas as crianças acenaram felizes, enquanto ele lhe sorria docemente. Nimarie profundamente emocionada, deixou a cabeça pender sob o peito por alguns segundos. Ao levantá-la novamente a cena era outra, pode ver uma porta élfica entreaberta, que parecia dar acesso a um quarto. Com o coração repleto de esperança, ergueu-se e foi até a porta.
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Legolas por sua vez, continuava na casa dos parentes no Vale do Anduin. A negociação com o tio e primos seguia tranquila, acreditava que na próxima semana já poderia iniciar sua viagem de volta para Mirkwood. Após um banquete que foi oferecido em sua homenagem, Legolas retirava-se para os seus aposentos quando foi chamado pelo tio Wilferin, que estava em uma sacada do palácio.
_ Querido Legolas! — Saudou – _ Thranduil o educou muito bem, possui muita inteligência em suas decisões e pude perceber que é também solidário com seus parentes. Você possui a bondade e os olhos de Wilwarin! – Colocou a mão no ombro de Legolas e falou em um tom que transparecia a sua emoção: _ Sua mãe ficaria orgulhosa!
_ Obrigada meu tio... — Legolas sempre emocionava-se ao lembrar de sua mãe.
_ Sei que ela ficaria feliz também se uníssemos nossas famílias novamente. Eu e seu pai poderíamos fazer um acordo... minha filha Mirimiel gostou muito de te rever. Creio que te estima muito a sua companhia...
_ Eu também estimo muito a prima Mirimiel como uma amiga querida! Tenho certeza que poderemos manter a amizade mesmo distantes.
_ Suponho então, que você já possui preferência por alguma pretendente! Posso saber quem é a estimada de Thranduil? — Legolas ficou totalmente sem graça frente a indireta do tio, mas falou calmamente:
_ Desculpe-me tio, mas para Mirimiel posso dar somente a minha amizade sincera. — Ao terminar a frase, Legolas pode perceber um vulto de alguém que se ocultava nas sombras sair em disparada. Pela reação do ouvinte escondido, supôs (acertadamente) que era Mirimiel.
Dito isso pediu licença para se retirar. Sentiu-se constrangido com os questionamentos de Wilferin. Foi até o seu quarto, e deitou-se pensando na decepção que causara na prima. Porém o pensamento em Nimarie logo dominou a sua mente, estava com saudades, como ela estaria? daqui alguns dias ela receberia as suas cartas... sorrio ao imaginar a moça lendo as palavras que havia escrito. Como a amava! como gostaria de estar em sua companhia, retirou do bolso da blusa o embrulho onde guardava seu tesouro. Abriu o tecido e carinhosamente passou os dedos nas mechas de cabelo que estavam em seu interior. Foi então, que sentiu uma brisa leve tocar o seu rosto, e com ela veio o perfume inconfundível da sua amada. Ergueu o tronco e surpreso viu a figura luminosade uma mulher entrar em seu quarto.
_ Nimarie! — Ele balbuciou ao reconhecer a silhueta da mulher. Envolta por uma luz angelical, ela caminhou até ele com um doce sorriso, sentou-se ao seu lado na cama, e lhe deu um beijo apaixonado. Legolas fitou a moça com profundo amor e emoção, ela nada falava apenas o olhava com os olhos embargados. _ Meu amor! Ouviste meu chamado... veio consolar o meu coração... — Nimarie, passou a mão no rosto de Legolas, sorriu bondosamente e falou serena:_Melinyes Legolas! (eu o amo Legolas!) Entregaram-se novamente em um beijo apaixonado, o elfo debruçando-se por cima dela, deitava-a lentamente em sua cama. Ao fitá-la novamente Legolas percebeu uma mancha de sangue tingindo o vestido branco em seu peito. Assustado, rapidamente afastou a roupa de Nimarie procurando a causa, ao encontrar a ferida, a moça modificou a sua aparência serena, tornou-se extremamente pálida, demonstrando profunda agonia e dor, sumindo imediatamente, ao mesmo tempo que Legolas gritava por seu nome.
Extremamente agitado Legolas procurou por Thiedhel. O encontrou alimentando os cavalos, ordenou: _ Thiedhel! Prepare nossos cavalos! vamos partir imediatamente!
_ Mas senhor! Não terminastes ainda o assunto com teu tio. Se partirmos teremos que voltar em outro momento.
_ Preciso voltar Thiedhel! Nimarie precisa de minha ajuda. — Ele virou-se decidido a despedir-se do tio quando o amigo lhe chamou:
_ Legolas! Como sabe que ela precisa de sua ajuda? — Legolas parou e virou-se para responder:
_ Ela me procurou... — Disse meio confuso. — _ Ela veio até mim e estava ferida....
_ Esta baseando-te em um sonho? O Senhor não aprovaria essa sua decisão...
_ Não foi um sonho e Nimarie não me procuraria se não fosse realmente necessário... Ela estava agonizando de dor, e havia uma ferida que não consegui identificar o que provocou. Ela se foi, antes que eu conseguisse examinar...– Legolas virava-se novamente decidido, porém parou quando Thiedhel falou:
_ Permita-me meu amigo impedir-te de voltar! É por isso que aqui contigo estou! O Senhor me enviou pois sabia que seu amor por Nimarie poderia atrapalhar nos negócios, fazendo que a saudade lhe apressasse o retorno.
_ Ele enviou um espião para viajar meus passos? — Legolas estava um tanto ofendido, mas no íntimo admitia que a vontade de estar com a amada lhe apressava as negociações, seu pai estava certo!
_ Não! ele enviou um amigo para cuidar de ti! — Thiedhel falou isso colocando a mão sobre o ombro de Legolas, e continuou em um tom amigável: _ Nimarie está bem! a saudade está lhe provocando fantasias! Além do mais terás toda a eternidade para viver ao seu lado...
Legolas por fim tranquilizou o amigo, comunicando-o que ficaria mais alguns dias até conseguir concluir o tratado para o comércio entre os reinos. Era a primeira vez que seu pai lhe confiava um negócio, não poderia decepcioná-lo. Em seu íntimo, porém, ainda estava a pressa, agora ainda mais intensa do que anteriormente. Ele pressentia que algo havia acontecido em Mirkwood, e Nimarie precisava dele. A ansiedade típica dos humanos começou a transtornar a sua juventude élfica.
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