Nimarie saiu do celeiro com o coração aos saltos. Legolas apaixonado por ela... isso parecia um sonho bom e ao mesmo tempo atormentador. Havia algo que lhe dizia que essa história não daria certo. O seu futuro ao lado do elfo lhe parecia obscuro. Sempre que pensava nele sentia um pesar, mesmo agora que sabia que ele a amava, ela sentia como se fosse um atrapalho na vida do príncipe. Sabia que Thranduil estava muito ocupado com questões sobre as guerras que aconteciam ao norte. Preocupado em manter o seu provo protegido, fechava-se em seu castelo e por muito tempo ficava em reuniões, estudos e reflexões. Nimarie pensou que era certamente por isso que Legolas estava se encontrando com ela nessa semana.

Sem o olhar atendo do pai, o elfo sentia-se livre para ir e vir e para ter com quem quisesse. Porém, a moça intuía que a viagem de Legolas era uma estratégia de Thranduil para afastar os dois. Nimarie pensava em tudo isso enquanto se arrumava para ir ao banquete das estrelas. É claro que ela ia! não queria mais pensar no depois, precisava estar com ele todos os minutos antes que ele se afastasse.

Queria estar muito bonita para a festa. Colocou um vestido que sua mãe usou no dia do casamento com seu pai. Era um lindo vestido branco, com bordados na cor prata. Os ombros ficavam descobertos devido ao grande, porém, delicado decote. Os cabelos, caprichosamente escovados, foram semi presos por uma trança.

_ Minha filha como estás linda! — Falou Eruwaedh ao olhar a filha pelo espelho. Fazendo Nimarie se sentir confiante. A mãe suspirou e continuou: _ ...você é responsável pelo seu destino! faço o meu papel de mãe que é aconselhar-te, mostrar o melhor caminho. Mas se relutas, nada posso fazer pois és dona do teu destino! Bem tu sabes que isso irá em algum momento acabar, e viverás em total tristeza...

_ Mãe de que me vale a eternidade se não posso ter ao menos boas lembranças dos poucos momentos que tive de alegria? Prefiro sofrer uma tristeza de ter que deixar quem eu amei e me amou a uma tristeza de deixar quem nunca tive... Um dia que ele me amar, valerá de toda a eternidade, e a lembrança desse dia será luz. Mãe! se eu me privar, desde já de seu amor, morrei agora... e se eu me entregar, morrei aos poucos, porém feliz... – Nimarie falava isso muito emocionada o que tocou profundamente a sua mãe.

_ Me sentirei eternamente responsável pela sua desgraça minha filha! – Falou Eruwaedh sentando na cama de Nimarie.

_ Que desgraças o amor pode trazer mãe?– Perguntou sentando ao lado de Eruwaedh

_ Temo a fúria de Thranduil minha filha! sabes que ele tem um gênio difícil...

_ Legolas não permitiria que ele fizesse alguma maldade contra nós. Já combinamos tudo mãe! assim que ele retornar, ele irá me pedir em casamento, e se Thranduil não aceitar, fugiremos e construiremos o nosso reino mais ao sul... Nem que precisemos abrigarmos inicialmente na Cidade do Lago...

_ Querida! achas mesmo que Legolas abandonará tudo para seguir com você?! abandonar a sua terra, o seu pai, sua riqueza, seus títulos? Ele não será capaz de enfrentar Thranduil, ele não enfrentaria nem por você nem por ninguém... E tua pobre mãe ficará e lutará sozinha contra um reino todo que me julgará por ser sua mãe?

_ Tu virás junto mãe.... — Nimarie respondeu inocentemente, ao mesmo tempo que a mãe lhe abraçava comovida pelo amor que a filha sentia pelo elfo.

Então Nimarie chorou ao se dar por conta que aquilo que ela e Legolas haviam planejado era muito frágil e possivelmente não se realizaria. _ Mãe, deixa eu acreditar que isso é verdade, e que isso acontecerá, nem que seja por um segundo... nada me importa depois, somente o agora...

– É uma pena que não tenhamos títulos de nobreza para curar tua tristeza minha querida! — Eruwaedh disse baixinho enquanto acariciava a cabeça da filha que estava em seu colo. – _Agora vá! não deixe o príncipe esperando, afinal se ele mesmo te convidou deve estar a tua espera... — Eruwaedh secou as lágrimas de Nimaire com um lenço de tecido. — _ Estás muito linda! não é de estranhar que Legolas tenha se apaixonado!! — As duas sorriram e Nimarie pôs-se a ir para o banquete que a esta hora já deveria ter iniciado. Da janela Eruwaedh seguia a filha com o olhar, pressentia que era tarde de mais, nada mais poderia ser feito...

Enquanto isso a festa já começara nos grandes salões do palácio élfico. Legolas estava um tanto agitado. Não ficava sentado em seu lugar junto a mesa principal, ficava perto da porta como se esperasse ansioso por alguém; fato que não passou despercebido pelo rei.

Thranduil levantou-se da sua cadeira para averiguar por que o vinho estava demorando tanto a chegar, foi então que viu de longe a figura de Nimarie a se aproximar, e em exatamente um minuto que Legolas se distraíra com outros convidados do outro lado do salão. Thranduil aproveitou e aproximou-se rapidamente da moça, o que causou um grande desconforto em Nimarie.

_ Claro... Eis quem faltava! a bela Nimarie!! – Ele falou em um tom irônico olhando a moça com atenção. — _ Estas tão bela que se fosse um ignorante acharia que és uma princesa. Vieste ajudar a servir? Em princípio podes buscar mais vinho para encher as taças dos convidados. Se fizeres um bom trabalho mais a noite te solicito em meus aposentos....

Nimarie corou imediatamente frente as palavras de ofensa que Thranduil lhe dissera. Nunca havia se sentido tão humilhada e envergonhada. Não conseguiu falar nada... As palavras de Thranduil eram desrespeitosas e carregadas de ódio, ela não esperava ouvir isso de um rei o qual conhecia e aprendera a respeitar desde criança. Com os olhos cheios de lágrimas Nimarie encarou o rei com rancor e saiu do salão. Thranduil por sua vez ficou um tanto envergonhado com as palavras que havia falado para a moça, havia sido duro e impulsivo. Por alguns instantes chegou a se arrepender, mas quando viu que Legolas corria em direção a moça, se auto desculpou justificando que o seu comportamento era para proteger o seu filho e próprio reino.

Legolas vira Nimarie quando ela já saia do salão. Correu até ela sem notar o seu pai. Alcançou Nimarie em uma parte aberta do castelo.

_ Ei! aonde pensas que vai? — Legolas falou ao tocar o ombro da moça forçando ela se virar. _ Por que choras meu amor? fizeram algo contra ti?

Nimarie ficou alguns momentos sem saber o que falar para o elfo, se contasse o que ouvira de Thranduil, certamente o elfo ficaria furioso com o pai, então falou simplesmente: _ Me leva daqui Legolas, me leve longe daqui.

_ Está tarde, apesar de eu gostar de uma aventura, não ariscaria você nessa floresta escura... Mas venha já sei onde vamos! Faremos nosso banquete particular! — Ele falou isso com empolgação enquanto puxava a moça pelo braço em direção ao interior do castelo.

Legolas levou Nimarie até a adega de Thranduil. Não havia ninguém lá no momento pois todos os mordomos e guardas estavam envolvidos em servir o banquete, e todo o vinho que seria usado para a festa já havia sido retirado da adega.

_ Trouxe-me na adega do castelo!! Legolas....

_ Façamos uma festa particular! Venha! experimente esse vinho! ele é servido especialmente ao rei. E esse é especial, é da safra inebriante dos jardins de Dorwinion. — Legolas encheu um copo e deu para Nimarie que tomou um gole.

_ É muito forte! — a moça fez uma careta — duvido que consegues tomar esse copo inteiro! — Legolas que adorava uma competição, provou a Nimarie como isso era fácil para ele. Ela tomou pequenos goles enquanto Legolas tomava mais e mais. Em poucos minutos os dois já estavam rindo sozinhos e dançando de um lado para outro em uma festa imaginária. Quem os visse nesse estado, por certo acharia uma cena um tanto ridícula, mas os dois estavam se divertindo como nunca.

Eles cantavam e dançavam abraçados, até que saltitando na dança alegre, os dois se aproximaram do alçapão que servia para os elfos jogarem os barris de vinho vazios pelo rio que passava por baixo do castelo. Essas comportas possuíam um sistema que abria as portas como uma gangorra, e ao fazerem peso de um lado da porta, os dois, em um piscar de olhos, caíram abraçados nas águas do Grande Rio da Floresta.

Submergiram por alguns instantes e quando retornaram a superfície começaram a rir da atrapalhada, para logo ficarem sérios. Ficaram imóveis alguns momentos olhando um ao outro. O elfo segurava firme na cintura de Nimarie e ela por sua vez automaticamente colocou as pernas em seu quadril.

Apenas olhavam-se ainda, com os corações palpitantes, a respiração entrecortada...Legolas por fim mexeu-se, passou sua mão no rosto da moça escorregando-a até a nunca, puxou a sua cabeça de encontro da sua, e procurando os seus lábios beijou–a suavemente. Após esse beijo veio outro com mais ardor, e outro ainda. Eles foram aproximando-se da margem e ainda beijando-se, começaram a despir-se um ao outro. Nimarie não pensava no que estava fazendo, não queria pensar, queria apenas seguir adiante com aquele momento mesmo que aquilo significasse sua morte. Legolas por sua vez estava mortalmente apaixonado pela perfeição da criatura que tinha nos braços. Então inebriados de desejo, uniram-se em um ato de amor, às margens do Rio da Floresta, debaixo do piso da adega do majestoso reino de Thranduil.

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Nimarie sobre o peito de Legolas: