Nomeado
1 Nomeado
Notas iniciais
Gosto dela, é rápida e discreta não tem nenhum segredo ou drama. Simplesmente sólida e bonitinha.
Nomeado
Normalmente quando você narra algo, este algo é sobre você. Essa estória não segue essa linha, eu a narro, mas os fatos não são sobre mim, talvez sejam, mas é de forma meio que subliminar, nesse caso, eu narrarei características e pensamentos, que, mesmo sendo meus pertencem a outra pessoa, são sobre outra pessoa.
Para começo de conversa, eu não sou tapado, talvez um pouco metido, mas não tapado. Talvez eu queira apenas que isso tudo não se torne clichê, porque querendo ou não ele é.
Mas continuando. Isso é sobre ele, você pode chamar isso do que quiser, de verdade.
Ele era meu vizinho, eu era do 720 e ele do 721, o dele era alugado e o meu comprado. Ele realmente não fazia o meu tipo, não fazia mesmo, eu não gostava da forma na qual ele andava, como ele se vestia, falava, do cabelo comprido demais, da pele pálida demais. A única coisa que me fez não tirar os olhos de Rodrigo foram seus próprios olhos. Mesmo que seus olhos sejam normais, naquele tom claro de castanho, bem bonitos.
Mas era isso de longe, quando nos encontrávamos no elevador, os cabelos batiam no ombro, negros. Boca pequena e rosada, quase como uma menina, mas seu rosto era extremamente masculino. Queixo quadrado, olhos grandes, nariz longo e arrebitados, e aquelas bochechas coradas que cortavam totalmente o visual masculino que ele possuía. E ainda tinham aquelas roupas largas, como um skatista e aquele jeito que andar contido, quase como se ele não pudesse se mexer.
Ele não tinha se descoberto, ele tinha uma namorada na época, foi bem difícil para ele admitir que ele gostava de mim sabe, admitir que sentia atração por outro homem.
Começou de maneira ainda mais clichê que os opostos se atraindo, ele se trancou do lado de fora de seu apartamento, e estava esperando o chaveiro chegar. O mínimo que eu poderia fazer era deixá-lo entrar, mesmo que só por alguns minutos, para água e banheiro talvez. Mas os minutos se tornaram horas. Sabe quando a conversa flui? A nossa conversa fluiu, e naquelas horas eu percebi o quando ele era bonito e extremamente diferente do que eu pesava que fosse. Ele não era nem de perto um pateta metido a dono do mundo.
Rodrigo era engraçado, tinha opinião, sabia discutir e articular por conta da faculdade de marketing, ele era simplesmente incrível e segundo ele sempre diz, sua aparência era daquela maneira pela falta de tempo para comprar toupas novas, o que sempre me fez rir, mesmo que aquilo não lhe fizesse sentido.
Ele se tornou especial naquele dia, mesmo que eu só fosse perceber isso praticamente um ano depois de nosso primeiro encontro.
O único problema era ela, Raquel era linda, se eu, pelo menos, sentisse um pouco de atração por garotas. Ela era namorada de Rodrigo a três anos, haviam se conhecido na faculdade, e estavam juntos desde o final desta. A garota era exatamente aquilo que eu pensava que Rodrigo seria, metida, arrogante e infantil mas quem dera ela agir daquele jeito perto dele. Eu realmente nunca entendi o que ela tanto queria com ele. Ele não tinha tanto dinheiro assim mesmo que seja inteligente o suficiente para conseguir o quanto ele quiser.
Mas ela estava sempre ali. No começo ela “agia” normalmente, mas depois de um tempo era como se eu fosse uma barata, algo para ela matar.
Eu passava a maioria do meu tempo com Rodrigo, meus dias eram acordar com ele, acompanhar ele durante a manhã, ele ia para o trabalho e eu para a faculdade, ele me buscava no campus e a gente ia para casa, víamos algum filme underground que ele tanto gostava, e acordávamos apenas no outro dia. Haviam pilhas de roupas suas em meu apartamento e milhares de roupas minhas em seu apartamento. Nos sábados ele ia para o curso, eu preparava o almoço, estudava, nós almoçávamos e arrumávamo-nos para ir a alguma baladinha este era o único dia em que ele realmente via Raquel, e no outro dia íamos para casa, dormíamos até as três e depois íamos para a praia. E assim era nossa semana, as vezes rolava um barzinho e ele convidava namorada.
No dia em que eles terminaram, Raquel veio até o meu apartamento onde nós dormíamos já que ele insistia que minha cama era a mais confortável então nós apenas dormíamos ali, juntos. Neste dia deveriam se quatro da tarde de um domingo no dia em que ela foi até lá. Ela bateu à porta por uns dez minutos antes deu realmente tomar coragem para levanta daquela cama. El parecia extremamente nervosa, me empurrou e entrou no apartamento, chamando por Rodrigo.
O moreno usava apenas uma cueca, eu me lembro, ele sempre dormi assim. A loira praticamente foi gritando para cima dele. Sinceramente, eu não prestei muita atenção ao que ela falou, mas hoje em dia sei que ela estava xingando eu e Rodrigo, ela alegava com unhas e dentes que ele a traía comigo, coisa que nunca aconteceu, pra falar a verdade eu e Rodrigo demos nosso primeiro beijo meses depois. Na verdade ele nem sabia que eu era gay, e ele descobriu semanas depois.
Sabe quando parece que o destino faz de tudo para que você e aquele alguém fique um com o outro na hora certa, foi exatamente oque aconteceu comigo e Rodrigo. Ele descobriu que eu era gay por causa de Allan. Eu havia reconhecido Allan no final de semana em que Rodrigo fora viajar com seus pais. Allan era um velho amigo, aquele amigo que você encontra quase que nunca, mas nesse curto espaço de tempo você simplesmente parecem um casal de muito tempo, eramos eu e Allan. Mas daquela vez fora diferente.
Allan e Rodrigo se davam extremamente mal, sério, parecia que a cada minuto que eu saia da sala os dois iriam se matar, o clima era extremamente pesado. E aos poucos deixei de falar com Rodrigo, na verdade nossa amizade parecia algo proibido, nós fazíamos as mesmas coisas do tempo em que nós conhecemos, mas em segredo. Era ridículo, eu mal conseguia dividir minha cama com Allan sem pensar em como Rodrigo estaria sem mim. Tinha dias que eu apenas saia de meu apartamento, com Allan ali, e ia para o apartamento de Rodrigo, dormir com ele. Era como uma traição mas sem sexo.
Aquilo terminou depois de algum tempo, Allan, como Raquel, alegava que eu estava traindo o com Rodrigo. E hoje em dia eu concordaria com ele.
Desde aquele dia eu e Rodrigo nós afastamos. Parecia que havíamos voltado a estaca zero, nós ainda falávamos um com o outro, mas em ocasiões mais raras do que tudo. Nossa turma havia se tornado apenas uma, então sempre que saiamos cruzávamos um com o outro sem nem perceber. Era quase como se tivéssemos brigado.
Ele havia mudado desde a última vez que eu havia o visto, o cabelo que sempre fora comprido estava cortado, mesmo que de certa maneira ainda comprido, numa franja. Suas roupas não eram mais largas e velhas, longe disso. De certo modo eu preferia ele antigamente, aquele me parecia outra pessoa, totalmente diferente, mas o que eu havia aprendido com Rodrigo era não julgar pelas aparências.
E foi o que eu fiz. No dia seguinte eu tomei meu café´e fui bater a sua porta. De certo modo eu esperava que a única coisa que me prendesse a ele fosse o que me prendeu pela primeira vez. E novamente eu me tornei cliché e a falar apenas de mim, mas sempre com ele. Eu esperava que aqueles olhos nunca me deixassem.
E foi ai que me deu o clique, eu percebi o que estava na minha frente, literalmente. Me peguei olhando para Rodrigo, o cabelo agora curto estava puxado para trás extremamente molhado a ponto de gotas grosas descerem pelo seu rosto, eu me lembro muito bem, até hoje. Ele vestia uma de suas velhas camisetas, e um short qualquer, descalço, me lembro de olhar para ele de cima a baixo, e entender o porque dele ser especial, eu nunca havia percebido mas ele era extremamente puro.
-Oi? — ele disse, mas como uma dúvida do que outra coisa, quase como se perguntasse o porque de eu estar ali.
-Oi Rodrigo. — eu sorri, era quase como se meu corpo tivesse se impulsionado sozinho. Deixei minha mão sobre o peitoral magro dele e o empurrei para dentro de sua própria casa.
Eu ria, quase que gargalhava, tinha alguma coisa naquele garoto que me era extraordinário. Ele me observava como se eu fosse um maluco.
Fazia três meses que eu não trocava uma palavra com ele além de “oi” e “tchau”, e naquele momento eu estava no meio de sua sala rindo de algo que apenas eu achava engraçado, quase como se eu estivesse drogado.
-Você chegou a alguma resolução sobre tudo isso?- eu perguntei, com um sorriso no meu rosto.
Sabe aquela sobrancelha erguida de “eu não estou entendendo nada”, ele estava com aquela expressão.
-Sobre esses últimos meses, o que você conseguiu concluir sobre nós dois?
Seu corpo tremeu, era como se aquilo tudo fosse uma meio resposta. O observei se sentar em seu sofá. Sempre me perguntei como ele pagava o aluguel daquele lugar. Hoje eu sei a resposta, sabe aquilo que eu disse sobre Rodrigo ser um filhinho de papai? Ele era, os pais dele eram donos do prédio todo, ele trabalhava pelo simples desejo de o fazer.
Me sentei ao seu lado.
-Eu já sabia. Eu percebi no momento em que você trouxe aquele carinha aqui pela primeira vez. Eu morri de ciúmes, você tem noção disso, eu tinha que ouvir aquele filho de uma puta se gabando do quanto era bom comer você – ele disse, seus olhos estavam fixados em um ponto, na distância. Aquilo me pegou de surpresa. -Sinceramente, eu travei uma luta interna comigo mesmo, com quantas garotas eu fiquei nesses últimos meses. Deus! — ele exclamou, finalmente me olhando. É como um espasmo, como se eu acordasse, quando eu acordo nada do meu velho mundo faz sentido algum. E difícil de descrever, como uma chama que se alastra de forma pavorosa.
-Como você nomearia então? -eu disse.
Ele estava com os olhos em mim, depois de muito tempo, e aquela era a melhor sensação.
-Primeiro admiração, depois amizade, paixão e amor. — Ele disse, quero esclarecer que estávamos centímetros um do outro. Eu via os desenhos que formava o castanho de seus olhos, pequenas linhas verdes, que percorriam por toda a extremidade marrom clara. — não tem como ser nomeado.
Os lábios de Rodrigo são macios, ficam avermelhados facilmente, coisa que eu adoro fazer. A língua dele é ágil, com seus dentes sempre, ele insistia em mordiscar meus lábios, mas aquilo quase fazia eles sangrarem. Aquela primeira vez não tivera lábios cortados.
Aquele beijo era ansioso, eu sentia meu coração sair do meu peito. Ele pois a mão em minha cintura enquanto a outra brincava insistentemente com os fios curtos do meu cabelo. Ele mordeu meu lábio inferior depois daquele beijo e me olhou sorrindo. Ri da cara de idiota dele e o puxei para mim. Minha mão subiu aquilo que ele nomeava como camiseta e a retirou.
Mesmo que Rodrigo fosse magrinho, ele era extremamente mais forte do que eu, mais alto, mais tudo. Observei o músculo por baixo da pele. Observei ele de baixo até em cima, estudei a pele pálida demais para um carioca que era a minha perdição de ali em diante, eu sabia disso.
Ele e olhava de forma quase que faminta, deixei seus dedos percorreram o meu pescoço e desceram até a barra da minha camisa. Cada movimento seu fazia meu coração parar. Ele retirou minha camiseta e empurrou meu corpo para trás depois disso.
-Eu nunca fiz isso com um cara, eu acho que eu não faço ideia do que eu estou fazendo. — ele massageou meu rosto, delineando meus lábios, descendo meu pescoço, passando os dedos no local, local que ele decidiu marca, seus lábios em meu pescoço fizeram com que toda aquela excitação que eu estava sentindo se multiplicasse de forma extremamente irregular, peguei a mim mesmo gemendo, enquanto ele chupava meu pescoço de forma alastradora, sentia como se todo o meu mundo dependesse daquilo, eu podia sentir meu pau ereto se roçando com o seu, por cimado tecido enquanto o primeiro cara que eu realmente amo beijava e chupava toda a extensão de pele entre meu pescoço e quadril. Ele sorriu enquanto mordiscava a pele do meu pescoço, e me beijou. Desceu a boca dele sobre meu tórax, lambendo meus mamilos no processo e para me fazer contorce mais ainda os morder para finalmente parar de me masturbar por cima do tecido.
Ele manteve seus olhos em mim, como se procurasse uma rejeição, algo que nunca veio.
Rodrigo manteve seus olhos em mim enquanto abria os botões do meu short e retirou o que pela primeira fez lhe fez lamber os bissos apenas em pensar naquilo em sua boca. Ele sorriu de lado, enquanto me masturbava bem devagar, praticamente uma tortura enquanto mantinha seus olhos no meu amiguinho.
Aconteceu de repente, ele pois seus lábios na cabeça e deixou a língua tocar a ponta da mesma, provando o que deveria ser meu suposto pré-gozo. Ele era bom naquilo, sua boca era quente e carnuda, ótima era tão boa.
Em pouco tempo em rebolava sobre seu corpo magro, aquela sempre foi e sempre será a melhor sensação que eu já senti. Fazer sexo com alguém que você realmente ama, sentir a boca dele na minha. O resto daquilo é como um desmaio, mesmo que eu me lembre de tudo, nunca compartilharia com ninguém.
Eu e Rodrigo ficamos juntos por cinco anos, nessa época nós fomos morar juntos, e conheci seus pais ele conheceu os meus. Foi a época que mais brigamos. E nós simplesmente ficamos bem por anos. E nós estamos juntos até hoje, oito anos, é tanto tempo e passou tão rápido. E eu trabalho todo dia para poder ficar ao lado dele.
Eu ainda amo ele e ele ainda me ama. Não importa o quanto sejamos diferentes, nós eramos uns dos outros antes mesmo de nos conhecermos.
Notas finais
Deixem comentrios, bons e ruins. Obrigado.
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