Noiva por engano
4 Jogo
Notas iniciais

Noiva por engano
Capítulo 4
Por Teylla
O amor construído sobre a beleza morre com a beleza. (John Donne)
She's like the wind — Patrick Swayze
Sakura não demorou muito para chegar em casa, graças a Deus tinha que apenas experimentar aquele vestido e não tirar medidas novamente. Entrou no seu quarto e viu que Nichols não estava lá, provavelmente deveria estar com Shizuka.
Se jogou em sua cama e ficou pensativa.
Se casaria amanhã com um completo estranho.
Sua irmã era a única que devia conhecê-lo, era estranho estar se passando por ela na frente de algumas pessoas, uma hora ou outra chegava até se confundir, mas nada que causasse muitos problemas.
Teria que deixar Nichols em casa antes do jantar, para que não ocorressem problemas a mais. Sua cabeça estava bagunçada como um mar de tormentas, não conseguia planejar seus próximos passos e nem como agiria após o casório.
Sakura ergueu-se e decidiu entregar logo o pequeno para sua mãe. Desceu as escadas com uma certa pressa e procurou Nichols pela casa toda. Avistou-o brincado com Shizuka, o sorriso estampado no rosto a deixava feliz e sentiu um aperto no coração de ter que deixá-lo ir.
— Nichols! — chamou Sakura.
Nichols virou-se rapidamente com o mesmo sorriso alegre e correu até ela.
— O que foi? — perguntou inocentemente.
— Vamos para casa, irei te levar para sua mãe, ela deve estar preocupada com você — respondeu Sakura.
— Hm... — Nichols ficou pensativo. — Tudo bem... — disse triste.
— Não se preocupe Nichols, eu te buscarei mais vezes! — prometeu.
Logo os olhos que tinham um ar triste, brilharam de alegria. Sakura ao notar passou a mão no cabelo dele, bagunçando-o.
— Shizuka, por favor, vá pedir para arrumarem a carruagem e chame minha mãe — ordenou.
— Claro Srta. Haruno — disse e se foi.
— Você quer conhecer alguém muito especial para mim? — perguntou Sakura com um sorriso dócil estampado no rosto.
— Claro — respondeu como se fosse óbvio.
— Então vamos. — Segurou a mão de Nichols e subiu as escadas.
Sakura estava começando a odiar fazer aquele percurso e todo dia ver sua irmã ali, acabada. O pior não era isso, era ver que a mesma tinha o mesmo rosto.
Era horrível.
Muitas vezes havia se pegado sonhando no lugar da irmã, um pesadelo de fato.
Todavia não poderia deixar de vê-la, amava muito sua irmã apesar do desconforto que tinha, havia prometido que não desistiria dela e faria de tudo para cumprir essa promessa.
Chegaram no quarto e sua irmã estava do mesmo jeito, não mudou nada.
— Uau! Ela é a sua cara! — Nichols disse abismado.
— Não é? Ela é minha irmã — Sakura falou com orgulho.
— Sua irmã? — perguntou se aproximando da cama. — Mas... Ela está um pouco acabada, não é?
— Ela está doente Nichols, seriamente doente — respondeu triste.
Nichols percebeu e fez um bico.
— Apesar de serem iguais, suas personalidades devem ser diferentes, não é? — indagou. Nichols era esperto, lembrava de ver uma mulher que nem essa deitada, mas sabia bem que não era a Sakura.
— É... acredito que sim — respondeu.
— No caso você — Apontou para a Sakura e fez um sorriso angelical. — Deve ser a boa e ela — Apontou para Sena. — A má! — Fez uma careta.
Sakura riu. — Nichols seu espertinho. — Bagunçou o cabelo dele. — Vamos descer, a carruagem já deve estar pronta — disse.
Sakura desceu e pegou um pedaço de bolo para dar pra Nichols. Entraram na carruagem junto com Mebuki.
O loiro estava se divertindo enquanto comia todo feliz da vida. Parecia que era uma criança que havia ganhando um montão de doces.
Muitas vezes Nichols sofreu na vida, nunca foi tão bem tratado como na casa dos Harunos. Passava muitas noites com frio e fome, sem direito à um banho decente, sempre andava sem rumo pelas ruas grotescas de Londres.
Não é que sua mãe fosse uma pessoa ruim, mas...
— Nichols, quando chegar perto de sua casa me avise, tudo bem? — perguntou Sakura olhando para ele.
— Sim! — respondeu animado.
Entraram na mesma rua que haviam encontrado Nichols, mas dessa vez não tinha tantas crianças na rua e Sakura agradeceu por isso. Porém, o cheiro desagradável continuava.
Os casebres — muitas vezes bagunçadas — estavam com as janelas fechadas e algumas abertas, indicando que os cidadãos estavam se movimentando por ai.
Entraram em rua mais aberta, e Nichols ficou atento.
— É ali! — Nichols apontou para uma casa maior que carregava o nome de “Lady’s Marmadele”.
— Ali? — Sakura perguntou como se tivesse alguma coisa errada.
Passou milhares opções na cabeça da rosada até chegar à conclusão de que Nichols não deveria estar mentindo.
Sakura pediu para o cocheiro para em frente da casa e saltou com Nichols e Mebuki. Estava receosa de se aproximar, o que diriam se a vissem ali dentro? Estava na cara do que aquele lugar era e não gostou nem um pouco de saber que seu loirinho vivia ali.
Entraram e logo avistaram uma mulher alta com um corpo bem avantajado, usava um vestido apertado que mostrava o volume dos seus seios.
— Olá... o que moças como vocês gostariam de estar fazendo aqui? — perguntou um pouco surpresa.
— Estamos procurando a mãe do Nichols — respondeu Sakura ao puxar Nichols para mais perto.
— Ah... Então vocês estão procurando a Suzanne? — indagou.
— Sim — agora quem respondeu foi o próprio Nichols.
— Desculpa, mas ela está em trabalho — retrucou.
— Eu estou nem ai que ela está trabalhando, apenas mande-a descer — ordenou Sakura.
— Quem você acha que é para falar assim comigo, hein mocinha? — perguntou cerrando os olhos.
— Ninguém que você deva se preocupar, apenas chame-a, por favor — respondeu.
— Um minuto — disse ríspida e saiu.
Logo apareceu com uma mulher muito bonita ao lado, seu cabelo loiro dava uma vivacidade aos seus olhos cor de avelã, a mesma era parecida com o Nichols.
— Nichols! — disse surpresa e alegre, correu até o filho e o abraçou com força. Afastou-se para olhá-lo face a face. — Onde você estava?! Eu fiquei preocupada! Você não sabe o quanto eu fiquei rodando essa cidade atrás de você, meu filho! — Lágrimas sinceras desciam dos olhos claros e escorriam pela pele bem limpa da mulher.
Sakura sentiu um aperto no coração, a mãe dele era o que a mesma imaginava; uma prostituta.
Ficou comovida com a cena, Suzanne realmente amava muito o seu filho.
— Suzanne... será que nós poderíamos conversar? — Sakura perguntou.
— Claro... mas quem é você? — Suzanne parecia que só agora havia se dado conta da presença de mais duas mulheres.
— Ela é uma pessoa muito legal mamãe! — Nichols respondeu por Sakura.
— Sou Sakura Haruno — respondeu.
Sakura e Suzanne foram para um lugar reservado para conversarem.
— Suzanne, ontem eu cuidei do seu filho... Ele estava largado na rua e eu fiquei muito preocupada — começou a falar. — Pelo que eu conversei com ele, o mesmo disse que odiava o que você fazia e o quanto sofria muito com isso... Sei que esse é o seu modo de vida e o modo que você encontrou para sustentar os dois, mas... Tem empregos melhores! — tentou convencê-la.
— Me desculpe Srta. Sakura, mas... Você nasceu em um berço de ouro, eu não tive esse privilégio, engravidei cedo e foi a pior coisa que pude ter feito... Quer dizer, não a pior coisa... porque ela me deu o Nichols e ele é realmente um garoto adorável! Porém eu não tinha uma condição financeira boa, já fui demitida de tantos lugares bons, até que não tive opção, eu não faço isso porque eu quero! — disse entre lágrimas.
— Suzanne... Por favor, não chore! — pediu com o coração na mão. — Eu... — não sabia o que dizer.
— Não Srta. Sakura, você tem que me ouvir! — Secou as mãos molhadas na borda do vestido — um tanto curto — que usava. — Eu sei o que você deve estar pensando de mim, uma prostituta qualquer, mas EU NÃO QUERIA SER ISSO QUE EU SOU! — gritou no final. — Eu amo o meu filho Srta., ele é tudo para mim! Eu faço isso porque tenho que sustentá-lo!
— Suzanne... Eu sei que ama o seu filho, eu acredito nisso! Eu apenas lhe peço que não desista do que pode ser melhor para você, um dia o sol baterá na sua porta, acredite nisso!
— Quem iria querer uma mulher imunda que nem eu Srta.? — Levantou a cabeça para conter as lágrimas.
— Mamãe! — Nichols apareceu no meio das duas correndo e abraçou Suzanne.
Sakura sorriu docemente ao ver a cena e olhou para Suzanne.
— Eu... tive uma ideia Suzanne, não se preocupe! Eu irei te chamar para me ver um dia — disse confiante.
— Vai me chamar? Para quê Srta.? — perguntou Suzanne desconfiada.
— Você irá descobrir na hora certa, agora... eu tenho que ir — respondeu. — Nichols — chamou-o calmamente. — Estou indo agora e espero que proteja sua mamãe.
— Pode deixar, farei isso. — Nichols abraçou Sakura e a mesma bagunçou seu cabelo novamente.
— Até mais! — Acenou para os dois.
Ao chegar à porta do bordel encontrou sua mãe de cara fechada.
— O que houve mamãe? — perguntou Sakura enquanto andava.
— Aquela mulher... — respondeu com raiva.
— O que ela fez? — arguiu arqueando a sobrancelha.
— Ficou me encarando, não gostei dela!
A rosada deu algumas risadas e entraram na carruagem.
Chegaram na mansão um pouco depois, seu pai estava correndo de um lado para o outro no hall de entrada.
— Papai? O que foi? — perguntou Sakura preocupada.
— Até que enfim chegaram! O seu noivo vai chegar daqui á algumas horas Sakura! Você nem sabe o nome do rapaz — respondeu desesperado.
— O quê? Que horas são? — perguntou surpresa.
— Tarde! Isso não importa agora! — respondeu. — Eu quero que grave isso, o nome do seu marido é Sasuke Uchiha.
— Sasuke Uchiha? — perguntou para si mesma.
— Sim, agora vá se arrumar! — ordenou.
— C-Certo — concordou.
Seu pai estava apressado e nervoso, talvez estivesse com medo que nem ela. Parando pra pensar, não sabia direito como ela agia com Sasuke, e com certeza seu pai também não. Resmungou para si mesma e se perguntou como Sena agiria.
Talvez sedutora?
Arrogante?
Dócil?
Havia tantas opções, e nem ao menos sabia se a mesma gostava do noivo. Decidiu optar pela opção da sedutora e era isso que ia fazer.
Sim, seria sedutora com Sasuke Uchiha.
Kizashi andava de um lado para o outro mandando os empregados da mansão arrumarem uma coisa ou outra, o cardápio era bem chique e logo estaria pronto.
Mebuki se aproximou do esposo e deu um selinho no mesmo.
— Marido... será que a Sakura conseguirá agir quem nem a Sena? — perguntou preocupada.
— Eu espero que sim meu amor... Eu espero... — respondeu preocupado.
— Shizuka! — gritou Kizashi ao ver a mesma passando.
— Sim Sr. Haruno? — perguntou.
— Por favor, ajude Sakura a se arrumar para o jantar de hoje à noite.
— Claro Sr. irei agora mesmo — disse e foi para o quarto da mesma.
— Que Deus esteja conosco hoje querido — disse Mebuki orando.
— Que ele te ouça meu amor — retrucou.
* * *
— Srta. Sakura, você está deslumbrante! — disse Shizuka contente com o resultado.
— Muito obrigada Shizuka — agradeceu com um sorriso.
Sakura estava com um coque frouxo, porém bem arrumado. Seu vestido cor azul escuro a fazia se destacar, havia colocado um pouco da anágua, todavia nada de exagerado. Olhou-se no espelho da penteadeira e viu como estava linda, não importa que homem fosse se encantaria com o resultado.
Havia levado algumas horas se arrumando e decidindo que vestido usar, um tamanho processo. O azul que trajava continha adornos dourados e era bastante brilhante, ajudava a realçar o seus olhos cor de esmeralda.
— Acredito que já é hora de descer Srta. Sakura, você quer ajuda? — perguntou Shizuka cooperando.
O coração de Sakura batia sem parar ao imaginar se encontrar com Sasuke, será que ele acreditaria que ela era Sena e não uma farsa?
— Não precisa Shizuka, mas muito obrigada — respondeu com um sorriso.
Sakura saiu do quarto e desceu as escadas cuidadosamente, hesitou ao ouvir uma voz masculina diferente vindo da salinha e imaginou se seria Sasuke, suas pernas começaram a ficar bambas, como uma garota que fica nervosa ao ver o seu amor. Porém, esse não era o caso dela, era o oposto.
Never let me go — Florence and the machine
Procurou se acalmar e imaginar pássaros voando, respirou fundo e lembrou-se de Sena, se ela fosse a irmã, não ficaria nem um pouco nervosa. Desceu a escada confiante e escutou o mordomo falar seu nome.
— Sr. Haruno, ela chegou — avisou o mordomo.
Sakura ignorou seu nervosismo e por incrível que pareça não travou e nem cambaleou, apesar de seu corpo querer desabar ali mesmo.
— Olá — disse e logo seu olhar pousou no homem sentado ao lado de seu pai de cabelos escuros, era muito bonito de uma maneira quase poética a seu ver. Os cabelos negros estavam um pouco mais compridos e as feições finamente esculpidas. Seus olhos cor de esmeralda se encontraram com os olhos profundos e negros como carvão. Sua roupa escura não tinha muitos adornos, porém, ainda assim ele ficava elegante. — Sr. Uchiha.
Ao ver o sorriso que quase abriu nos lábios carnudos e sexys do rapaz concordou que ele era o seu futuro noivo. Seu coração acelerou de uma maneira que achou que iria desmaiar ali mesmo quando percebeu que ele estava andando até ela.
— Srta. Sena, como vai? — Sasuke não havia usado o sobrenome, o que significava uma coisa.
Eles eram próximos, bem próximos.
Um erro cometido.
Sakura resmungou para si mesma quando percebeu o seu erro e a forma que a mesma ia se denunciar. Quase o consertava dizendo que seu nome era “Sakura”.
Fique calma Sakura, hoje você é Sena Haruno pensou Sakura.
Ao pensar que agiria de forma sedutora, ficou feliz ao lembrar que seu vestido era decotado. Para provocá-lo, curvou-se e fez uma reverência a ele dando uma melhor visão de seu busto.
Sorriu ao ver a expressão maliciosa que o mesmo tinha feito.
Mais um ponto.
Logo, Sasuke fez o mesmo.
— Faz um tempo que eu não te vejo nas festas mais badaladas de Londres, aconteceu alguma coisa Srta. Sena? — perguntou arqueando a sobrancelha.
Pensa rápido Sakura — Ah... Estive fazendo alguns trabalhos voluntários... — disse e seu coração parou quando viu a feição de “peguei você” que Sasuke tinha feito.
— Trabalhos voluntários, Srta. Sena? Mas não era você que odiava fazer essas coisas? — perguntou com uma certa arrogância.
Merda, merda, merda...
— Eu realmente... odeio fazer trabalho voluntário, mas foi a pedidos, não pude recusar, insistiram tanto — mentiu.
Se você acha que me engana, está muito enganada pensou Sasuke.
— Entendo... Mas achei também que você era do tipo que não importa o quanto insista não faz mesmo assim, afinal... Você só faz o que quer — retrucou com a sobrancelha arqueada.
Ele não vai acreditar em mim, tenho que tirá-lo da minha cola pensou Sakura.
— Mas dessa vez eu tive pena dessas pessoas e decidi fazer — sibilou.
— Sr. Uchiha, por favor nos acompanhe, o jantar está pronto — Kizashi se pronunciou, salvando a pele de Sakura.
— Claro Sr. Haruno — Sasuke concordou e foi até Kizashi.
Quando Sakura se viu sozinha por um minuto se jogou com tudo no sofá vermelho da salinha.
— Ele quase descobre... eu tenho que ser cuidadosa. Aquele homem... é o demônio! — resmungou para si.
Apressou os passos para alcançar sua mãe antes de dar a vista da grandiosa sala de jantar. A mesa grande cheia de adornos dourados era justamente para momentos especiais como esse, quase não vinha aqui. O lustre de cristal era grande e bonito. As cadeiras confortáveis estavam totalmente arrumadas.
Sentou-se em qualquer parte da mesa e Sasuke sentou-se à sua frente.
— Srta. Sena, pelo que me recordo você odeia sentar aqui — Sasuke murmurou só para Sakura ouvir.
Lembrou-se de que sua irmã só gostava de sentar perto da porta.
Droga! Se é assim que você quer, eu entrarei no seu jogo Sasuke Uchiha.
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