Noiva Indomável
7 Uma Promessa
Notas iniciais
[RECAPITULANDO]
Darcy sobrevivera ao ataque fatal, mas Margrethe Fitzwilliam Darcy não lhe dirigira a palavra uma única vez nesses últimos vinte anos. Nem mesmo dera a impressão de se dar conta de sua existência.
Não importava que ela houvesse se refugiado num mundo interior e que não falasse com ninguém. O que doía era saber que sua sobrevivência não dera à mãe qualquer esperança, qualquer partícula de felicidade. Sua vida não significara nada para ela.
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— Fitzwilliam.
Embora cochilasse confortavelmente, Lizzy ouviu a voz de um soldado que agora cavalgava ao lado de ambos. Entretanto não deixou transparecer que acordara. Preferia pensar sobre a necessidade imediata de escapar e esperar por William nas proximidades de Meryton.
Precisava observar os arredores enquanto avançavam, para que soubesse voltar quando fosse à hora. Porém era difícil prestar atenção. Sentia-se zonza e o olho direito latejava tanto que dava a impressão de que iria saltar da órbita.
Também não entendia por que o soldado chamara Darcy de Fitzwilliam.
— Logo estará escura — o cavaleiro alto e negro falou, com um sotaque que denunciava ascendência estrangeira — A velha criada está quase caindo da sela.
Lizzy reprimiu o impulso de virar-se para ver como Bridget estava se saindo.
— Vamos parar daqui a pouco — Darcy anunciou afinal, como se custasse a se convencer de que não era mesmo possível continuar. — Mande dois homens à frente para escolher um lugar adequado onde acamparmos.
Ele devia estar com uma pressa terrível de chegar a Londres para ficar tão irritado com aquele pequeno atraso, Lizzy concluiu em silêncio.
Afinal, cavaleiros não precisavam descansar também? Não sentiam fome?
Entretanto Darcy não dava impressão de estar cansado, ou faminto. Parecia ter a resistência de um animal.
Embora não o desejasse, os braços fortes ao seu redor, segurando-a para impedi-la de cair, faziam-na sentir-se segura. Talvez mais tarde conseguisse pensar em escapar, em voltar para onde William pudesse encontrá-la. Exausta, Lizzy tomou a cochilar, voltando há acordar algum tempo depois, ao ouvir novamente a voz de Darcy.
— Ontem à noite havia uma mulher em Meryton.
A princípio ela se surpreendeu, achando que o cavaleiro lhe dirigia a palavra. Mas antes que pudesse retrucar, notou que o soldado alto e louro continuava a cavalgar ao lado de ambos. Assim, fingiu dormir.
— Depois de levarmos Elizabeth Bennet para Londres e eu acertar as contas com George, voltarei para encontrá-la — Darcy comentou.
— Quem é essa tal mulher?
— Não sei. Porém ela era... interessante. Intrigante.
Percebendo faltar palavras ao outro, o soldado riu.
— Nunca o vi tão perturbado, primo. Mulheres têm caído aos seus pés durante anos, entretanto você...
— Não desta vez. Foi estranho. Ela era diferente.
Darcy soava realmente confuso e Lizzy experimentou uma estranha satisfação ao constatar que de fato o afetara. Não conseguia pensar em qualquer outro homem, à exceção de William, que a tivesse julgado interessante e muito menos atraente.
Por outro lado, a ideia de Darcy voltando a Meryton à sua procura era alarmante. Aquele cavaleiro musculoso não era tão delicado e gentil quanto William.
— Qual era o nome da bela do lago?
— Ela não me disse.
— Parece-me promissor. Presumo que não seja a charmosa e sedutora Lady Edith — o outro completou com uma risada, antes de continuar, sério: — Ouça Fitzwilliam, é bem provável que se passem vários meses até termos terminado nossos negócios. Você acha que ela o estará esperando?
— Que diferença faz se estiver me esperando, ou não? Farei com que seja minha.
No mesmo instante o sentimento de satisfação se extinguiu no peito de Lizzy.
Como ousava Darcy presumir que ela cairia aos seus pés tão logo tornasse a vê-lo?
Contendo a irritação, cerrou os dentes para não falar nada. Jamais conhecera alguém tão convencido. Aquele homem acreditava que o fato detê-la beijado uma vez lhe dava direitos sobre sua pessoa. Ele nem sequer a conhecia! E nunca chegaria a conhecê-la.
— Então não sabe de quem se trata?
— Não, Charles. Ela se recusou a me dizer como se chamava.
— Talvez, se você a descrevesse, a pequena lady Elizabeth poderia saber quem é.
— Talvez.
— Acho melhor manter os pensamentos voltados para Pemberley, primo, não numa esposa em potencial. Além do mais, não podemos nos esquecer de lady Annegret. Afinal; sabemos que deverá se casar com ela.
— Esposa? — Darcy riu friamente. — Não mencionei esposa nenhuma.
Charles riu também e Lizzy conteve uma explosão de fúria.
Quantas mulheres esse tal de Darcy se julgava no direito de ter?
Quando soubesse que era ela a mulher do lago, com certeza... Não, jamais lhe daria chances de descobrir sua verdadeira identidade.
A raiva era tanta que já não conseguia fingir dormir.
— Ah, lady Elizabeth está acordando — Charles anunciou ao vê-la se mover, inquieta. — Você descansou bem, minha lady?
— Razoavelmente.
— É difícil tirar conclusões a seu respeito sob essa camada de sujeira e esses trapos que a cobrem, entretanto sua voz não me parece a de um acriança. Pensamos que viríamos buscar uma menina. — Charles observou-a com maior atenção, tentando distinguir as feições femininas.
— Tem razão. Não sou uma criança. — A irritação que a consumia era óbvia agora.
— E você espera que acreditemos estar lidando com uma mulher adulta? — Darcy riu como se a ideia fosse absurda, ridícula.
— Não espero nada de vocês. Exceto uma viagem indesejável a Londres.
— Ah, então a jornada a incomoda — Charles sorriu condescendente.
— Como está Bridget? Ela não tem o hábito de montar. Deve sentir-se exausta.
— A velha criada está mesmo muito cansada. Porém não tardaremos a parar.
— Como vocês pretendem cuidar da segurança durante a noite? Dizem que é perigoso viajar por essas estradas.
— Por favor, minha lady. — O tom de Darcy soou debochado. — Nove de meus homens estão presentes e todos odiariam ouvi-la duvidar de suas habilidades de guerreiros.
— Nove? Você tem apenas nove homens?
— E o suficiente. Agora chega de conversa.
A maneira rude como Darcy se impunha encheu a de ressentimentos. Ele não tinha nenhum direito de lhe dar ordens.
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