Notas iniciais
Ola meninas, como vcs estão? Espero que bem, como eu já havia comentado semana passada, estou na minha semana de provas, então não conseguirei postar com tanta frequência como eu geralmente faço, mas aqui está mais um capítulo e espero que gostem, bjs.

[RECAPITULANDO/

Naquele momento Elizabeth entrou no salão, escoltada por um lacaio. De repente, Darcy já não ouvia mais nada do que Charles ou George diziam. A inesperada transformação de lady Bennet o deixara assombrado. Apesar de ainda manter os cabelos cobertos por um véu comprido, pela primeira vez a via trajando roupas femininas. O vestido de veludo verde era elegante em sua simplicidade, realçando o contraste da pele escura do rosto e das mãos pequeninas. Subitamente ocorreu a Darcy que Elizabeth tinha o porte de uma duquesa.

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A fala só voltou a Darcy quando se viu obrigado a apresentar Elizabeth a George. Ela limitou-se a inclinar a cabeça, num gesto carregado de realeza. Então apoiou a mão de leve no braço que o conde lhe oferecia e se deixou conduzir até a mesa principal, Charles e Darcy seguindo-os logo atrás.

Não lhe passou despercebida à maneira como Darcy a fitava, atordoado ao constatar que ela era mesmo o que se dissera ser. Uma mulher. Adulta.

— Seu encanto ilumina minha casa, lady Bennet — George a elogiou, fazendo-a sentar-se à sua direita. Embora estivessem acomodados um pouco mais adiante, Charles e Darcy podiam escutar grande parte da conversa. Elizabeth lhe parecia tão vulnerável e pequenina, o rosto e os lábios, que Darcy cerrou os punhos para conter a angústia de sabê-la o tipo de vítima preferida por George.

— Muitos meses já se passaram desde que Pemberley pudesse apreciar a beleza de uma dama com seu charme — Darcy ouviu o primo dizer.

— Nossas condolências pela perda de sua esposa.

Um dos barões ofereceu.

— Oh, sua esposa morreu recentemente? — A voz de Lizzy revelava preocupação.

— Sim. Clarisse morreu em novembro, pobre coitada.

O nome 'Clarisse' a fez ficar atenta.

O que mesmo que Vilma dissera sobre a castelã?

Darcy não foi capaz de detectar nem um traço de emoção na maneira como o conde se referia à jovem esposa morta. Qualquer homem normal teria procurado demonstrar algum sinal de tristeza pela perda ocorrida seis meses atrás. George, entretanto, se debruçava sobre Elizabeth com avidez e ainda não lhe soltara a mão.

— Que coisa terrível, meu lorde. Foi repentino?

A piedade estampada nos olhos de Elizabeth era evidente. Apesar de saber que seria impossível para ela perceber a verdadeira natureza do caráter do primo imediatamente, Darcy irritava-se ao vê-la tratá-lo quase com simpatia.

— Não. Minha esposa esteve doente durante meses. Problemas de estômago.

Notando a forma insensível como seu anfitrião abordava o assunto, parecendo mais preocupado em devorar a comida, Lizzy aborreceu-se. Embora sua experiência de vida se limitasse a Meryton, sabia que alguma expressão de pesar teria sido apropriada. Já não tinha dúvida de que o conde de Pemberley não passava de um homem frio e desprezível.

Os convidados não tardaram a perceber o exagerado interesse que George demonstrava por lady Bennet. Ninguém sabia por que a dama estava sendo levada para Londres, ou que tipo de ligação teria com o rei. Mas especulava-se que Henrique a tomara sob sua proteção e que pretendia lhe arrumar um marido. Darcy nada fez para impedir que os rumores se espalhassem, ele mesmo não sabendo por que o rei a mandara buscar. Também, se acreditasse que Elizabeth estava sob a guarda de Henrique, era bem provável que George a respeitasse e mantivesse certa distância.

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Lizzy sentia-se exausta quando o conde, finalmente, a acompanhou até a porta de seus aposentos. Não queria mais nada a não ser livrar-se daquela presença desagradável.

— Um petisco tão delicioso você é — ele murmurou de repente, enlaçando-a pela cintura, o hálito nojento fazendo-a sentir náuseas.

— Meu lorde, solte-me. Agora.

— Você me agrada, jovem tentação. O que devo fazer para atraí-la?

Com um arranco, ela se desvencilhou das mãos que insistiam em agarrá-la e estava pensando em tomar uma atitude mais drástica quando sir Fitzwilliam, de súbito, apareceu no corredor, segurando um castiçal e cambaleando de leve. Ao chegar perto dos dois, perdeu o equilíbrio e esbarrou, com força, no ombro do conde. Admirava-a que o cavaleiro agisse tão desajeitadamente, quando sempre o vira mover-se com elegância e destreza.

— Desculpe-me, meu lorde — Fitzwilliam falou, a voz lenta e pastosa. — Ótimo vinho. Bela festa.

— Para trás, animal!

— Por favor — Lizzy se interpôs entre os dois, antes que o conde desembainhasse a adaga. Precisava encontrar depressa uma maneira de evitar um confronto. — Meu acompanhante apenas exagerou um pouco no consumo de seu ótimo vinho, depois de um longo dia de viagem. Permita-me ajudá-lo a chegar aos aposentos que lhe foram reservados para que não cause mais embaraços.

Tomando o castiçal da mão de Fitzwilliam, ela o segurou pelo braço, afastando-o do conde.

— Venha comigo, sir. — Uma olhadela rápida para trás, a certificou de que George não os seguia. — Idiota pomposo — murmurou aliviada. — Qual é seu quarto? — perguntou depois de alguns segundos, mal conseguindo sustentar o cavaleiro alto e musculoso.

— Esse aqui. Não, talvez seja mais adiante — ele respondeu devagar, apoiando-se com força no ombro de Lizzy. — Outra vez você tem o cheiro de rosas, garota.

Surpreendia-a que Darcy percebesse o aroma. Sempre se banhava com um sabonete perfumado, à base de extrato de rosas, porém nunca imaginara que alguém fosse notá-lo.

— Aqui. — Fitzwilliam encostou-se na porta do quarto que cedeu imediatamente ao peso do corpo atlético. Todavia, por algum milagre, os dois não caíram. Pelo contrário, ele se encarregou de sustentá-la, segurando-a firme pela cintura. Lentamente, Fitzwilliam abaixou a cabeça, os lábios de ambos quase se tocando. Como se presa de um encantamento, Lizzy entregou-se ao momento. Sabia ser loucura, mas ansiava sentir o toque daquela boca outra vez.

Um pingo de cera quente em sua mão foi o que a trouxe de volta à realidade, fazendo-a pular para trás.

— Você consegue se equilibrar sozinho agora, ou devo chamar alguém para ajudá-lo?

— Por que eu precisaria de ajuda? — Não havia mais nenhum traço de embriaguez na voz profunda.

— Por quê...? Você não está bêbado, não é? — Então o nobre cavaleiro estivera brincando com ela o tempo inteiro.

— Claro que não, garota. Nunca bebo muito. — Darcy jamais fingira estar embriagado antes, por isso procurava se convencer de que fora impelido a seguir George e Elizabeth apenas porque prometera ao rei protegê-la. Depois de observar os olhares cheios de desejo que o primo lançara a lady Bennet durante todo o jantar, achara melhor não deixá-la só, na companhia de uma criatura sem escrúpulos.

— Seu... seu mentiroso! — ela gritou, olhando ao redor na esperança de encontrar algum objeto com o qual pudesse atingi-lo. Sem ver nada por perto, saiu do quarto quase correndo. Entrando em seus aposentos afinal, Lizzy fechou a porta cuidadosamente para não acordar Bridget. Sentia o sangue latejar nas veias, mas não sabia se era de raiva, ou de medo pelo que poderia haver acontecido, caso o beijo se consumasse.

Teria sido reconhecida como a mulher do lago?