Notas iniciais
Ola como vão? Aqui vai mais um capítulo, espero que gostem... Por favor comentem sobre ele para que eu saiba se está bom ou não, mesmo assim agradeço a todas que estão acompanhando, att.

[RECAPITULANDO]

Ao chegar aos arredores da aldeia, parou um instante para passar um pouco de lama no rosto e nos braços. Se, por acaso, um dos homens do barão a abordasse, haveria uma boa chance de ser confundida com uma das camponesas. Senão, toda a gente de Netherfeild sofreria as consequências de seu ato, pagando um preço alto nas mãos de lorde Thomas pela rebeldia da enteada.

Suspirando baixinho e rezando para que seu plano tivesse dado certo, Lizzy embrenhou-se no pequeno bosque.

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Infelizmente, a velha égua parecia ter planos próprios. Depois de tomar o rumo das terras do antigo dono, Myra se deparara com um obstáculo. O riacho que deveria atravessar estava muito cheio devido às chuvas recentes. Assim, dera meia volta e retomara aos estábulos de lorde Thomas. Sem a distração proporcionada pelas pegadas do animal, os homens do barão não tardaram a encontrar quem buscavam. De fato, Lizzy fora muito ingênua ao não considerar o óbvio. Claro que a aldeia seria o primeiro lugar onde iriam procurá-la.

Por que não havia subido numa árvore para despistá-los? Nunca ninguém cogitaria em procurá-la nas alturas. De qualquer maneira, era uma longa jornada até Londres, Lizzy pensou sem se deixar abater, enquanto era arrastada de volta para casa. Muita coisa podia acontecer antes que chegasse à cidade. Esboçaria um plano que lhe permitisse encontrar-se com William.

― Oh, minha menina, minha pobre menina ― Bridget choramingou ao vê-la ser jogada de maus modos no meio do pátio. ― Estive tão preocupada sem saber...

― Cale-se, mulher — lady Edith ordenou zangada. Sua vida já havia sido estragada o bastante pela simples existência da enteada para ainda ter que aguentar choramingos de uma velha babá. Virando-se para Lizzy, continuou: ― Vejo que você se vestiu de acordo com sua posição, Elizabeth.

Mary e Lydia levaram a mão à boca para disfarçar os risinhos. Embora tivesse consciência do estado lastimável em que se encontrava, Lizzy recusava-se a melhorar a aparência apenas para agradar a terceiros. Endireitando os ombros, ergueu a cabeça, orgulhosa. Seu orgulho e senso de humor eram as duas únicas coisas que ainda não haviam lhe arrancado. Encontrava coragem ao pensar que logo William iria levá-la dali. Se seu verdadeiro pai não houvesse morrido, teria crescido protegida, cercada de carinho.

― Onde está aquela miserável? — Lorde Thomas rugiu, entrando no pátio. O brilho cruel dos olhos embaçados não deixava dúvidas quanto às suas intenções.

Lizzy manteve-se firme, mesmo quando a mão pesada do padrasto a atingiu com violência na face. O golpe feriu-lhe os lábios e a fez cair no chão. Porém ela logo ficou de pé e começou a correr. Doía-lhe a alma ouvir as risadas debochadas que a perseguiam e passos em seu encalço. Os homens do barão iriam agir como de costume, feito animais encurralando a presa até cansá-la. Então a arrastariam de volta para o chefe e assistiriam impassíveis, às cenas de brutalidade que se seguiriam.

Desta vez lorde Thomas apenas a deixara com um olho roxo, apesar de o golpe quase tê-la feito perder os sentidos. Por sorte, alguém a puxou para dentro do quarto e trancou a porta antes que os outros pudessem pegá-la. Vários minutos se passaram antes que Lizzy se desse conta de onde se encontrava, a cabeça ainda zonza.

― Oh, minha menina querida ― Bridget murmurou, lágrimas grossas deslizando pelas faces enrugadas. ― O que ele fez com você desta vez? Se minha Meghan estivesse viva, nada disso estaria acontecendo.

Lizzy abriu o olho direito, o esquerdo deformado de tão inchado, e fitou a serva.

― O que aconteceu? — indagou num murmúrio. Quase não conseguia mover os lábios, que continuavam a sangrar.

― Você deve ir com os soldados do rei. Pelo menos assim estará a salvo da fúria do barão. Ficará livre desse demônio de uma vez por todas.

― Mas William...

― William não virá buscá-la, você não percebe? Não consegue compreender? ― a aia argumentou exasperada. Não era a primeira vez que tentava convencer a jovem dama da realidade dos fatos. ― Claro que gosto muito daquele rapaz, mas ele já partiu há muito tempo. Não é possível que a imagine esperando-o, depois de três anos sem lhe mandar uma única notícia, nem uma palavra.

― Oh, Bridget, minha cabeça está doendo. ― Não queria pensar na possibilidade de William jamais retornar para buscá-la. Também não queria pensar em Darcy levando-a embora dali.

― O maldito a acertou feio desta vez. Vamos, menina. Você deve ter confiança no futuro. Henrique Hereford era um homem justo. Ouvi dizer que o filho herdou o caráter do pai. Portanto não é possível que o rei Henrique V lhe deseje mal.

Apoiada em Bridget, Lizzy conseguiu levantar-se. O raciocínio da serva era lógico, porém impossível não ser dominada pela apreensão ao ouvir sons que indicavam a aproximação de cavaleiros.