Notas iniciais
Olá meninas, aqui estou eu mais uma vez, como eu disse aqui está mais um capítulo para vcs, estou tentando colocar a imagem dos personagens que participaram das varias versões de Orgulho e Preconceito (tá certo que alguns não são, mas isso é o de menos) espero que gostem, mais uma vez obrigada pelo comentários. E tbm pelos anônimos que tbm acompanham a fic, bjs.

[Henrique V]

Arundel Fins de maio,1421

Henrique V ficou satisfeito ao ver o marquês de Maguire. Aliás, o monarca andava de muito bom humor. O recente casamento com Catherine de Valois estava se provando uma união satisfatória e as vitórias na França haviam lhe angariado apoio e respeito em casa. Assim, sentia-se inclinado a tratar velhos amigos com generosidade, e lorde Maguire sempre fora um dos mais fiéis.

O velho marquês provara sua lealdade em vários períodos de crise do reinado de Henrique IV e continuara a apoiá-lo incondicionalmente.

A presença de sir Fitzwilliam também foi apreciada. O rei pôde, então, ficar a par dos detalhes da jornada de Elizabeth Bennet, embora ouvisse com pesar notícias sobre a morte de Bridget.

Henrique recebeu um relatório completo de tudo o que acontecera, inclusive do ataque sofrido pelo grupo após a partida de Pemberley.

— Como a dama se comportou durante a breve batalha? — o rei indagou alarmado. — Ficou ferida?

— Não, Majestade. Apesar de ter se envolvido no conflito.

— Como assim?

— Lady Bennet escapou sem ser vista — Darcy explicou com um sorriso, — e depois de montar em seu cavalo, à maneira masculina, atirou pedras nos bandidos com um estilingue. Posso lhe garantir que possuía uma mira certeira.

Henrique não escondia o assombro. Nunca soubera da existência de damas capazes de manejar uma arma e muito menos que se envolvessem em batalhas, expondo-se a perigos mortais.

— Conte-me mais sobre Lady Elizabeth — ele ordenou, intrigado tanto pela história quanto pelo evidente fascínio que essa mulher parecia exercer sobre Darcy.

O pedido o surpreendeu, pois presumira não haver nada a respeito de Lizzy que o rei não soubesse. Aparentemente, não era esse o caso.

Por que será que Henrique mandara buscá-la, se mal a conhecia?

Gostaria de poder perguntar, porém, apesar da amizade que os unia, não lhe cabia ignorar o protocolo e questionar as razões por trás das atitudes reais.

Estivera preocupado com Lizzy há dias, presa no palácio entre as damas de companhia da rainha, cuja vida se resumia a alimentar intrigas da corte.

Sentia-se grato ao marquês de Maguire por apresentá-la à nora, lady Camille. Embora tivesse desejado, desesperadamente, vê-la, não o fizera, convencido de que não seria bem-vindo depois da cena desagradável acontecida entre ambos. Com certeza, a essas alturas, Lizzy já estaria junto de William Collins.

Darcy contou ao rei tudo o que descobrira a respeito de Lizzy durante a viagem. De como administrara Meryton sozinha, da maneira rude como era tratada pelo padrasto, docarinho com que cercara Bridget em seu leito de morte, de como agira com diplomacia para evitar que Victor Lucas fosse punido por George Wickham.

Não apenas as histórias envolvendo a jovem dama intrigavam Henrique, mas também o comportamento incomum de sir Fitzwilliam. Aquele nobre alemão sempre lhe parecera tão contido e reservado, tão frio e destituído de paixão, nunca se deixando fascinar por mulher alguma. Sem dúvida Elizabeth Bennet tivera um efeito significativo sobre o cavaleiro e gostaria de saber mais sobre isso.

O rei reprimiu um sorriso enquanto reconsiderava alguns de seus planos e opções iniciais, especialmente no que dizia respeito à lady Bennet. Havia muita coisa a ser feita antes de partir para a França e gostaria de deixar certos assuntos resolvidos na Inglaterra.

— Fale-me sobre a aparência dela.

— Na verdade, acho que nunca a vi realmente, sir — Darcy murmurou pensativo, passando as mãos pelos cabelos rebeldes. — Quando nos encontramos pela primeira vez, lady Bennet usava roupas típicas de camponês, calça comprida, túnica e um gorro na cabeça. O rosto e as mãos estavam cobertos de lama, um dos olhos muito inchado e o lábio inferior cortado. Assim, não foi possível analisar a aparência dela.

— Imagino que, eventualmente, a dama tenha lavado o rosto?

Claro que Lizzy lavara o rosto, Darcy pensou, um calor súbito inundando-o. Que será que o rei queria saber? Que os olhos dela eram tão verdes quanto a esmeralda mais pura? Ou que a pele sedosa tinha o brilho do cetim?

— Ela tem uma covinha no queixo similar à sua, Majestade — Darcy falou abrupto. Tudo o que desejava agora era poder mudar de assunto. — Possui uma aparência agradável, embora eu nunca a tenha visto com os cabelos descobertos. As roupas largas que costuma usar também não revelam as formas do corpo. Não é muito alta e se acomoda perfeitamente na minha sela.

Então o cavaleiro estava mesmo enfeitiçado, Henrique concluiu. Muito interessante. Aquela breve conversa deixara claro que lady Elizabeth simplesmente o tinha nas mãos.

O rei sentia-se satisfeito com Fitzwilliam. Não apenas por haver levado Elizabeth Bennet em segurança até Londres, mas também pela constante lealdade demonstrada à Coroa. Há anos planejava recompensá-lo pelos serviços excepcionais e agora, diante do novo detalhe envolvendo Elizabeth, era bem possível que conseguisse resolver duas questões de uma só vez.

[Lorde Maguire]

— E bom vê-lo, Maguire — Henrique falou, virando-se para o marquês que permanecera em silêncio durante o relatório de Darcy. O velho nobre estava tão intrigado pelo que acabara de ouvir quanto o rei. — Vimos seu filho durante a coroação da rainha Catherine.

— Sim, Sua Majestade. Meu filho e a esposa ficaram muito felizes em poder dar as boas-vindas a Catherine. Nós todos lhes desejamos felicidades, sir. Agora, quanto aos meus motivos para pedir essa audiência... — Lorde Maguire colocou os papéis e as provas sobre a mesa, ante o olhar interessado do rei, e começou a argumentar em favor de Darcy.

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Palácio de Westminster

Lizzy deparou-se com William numa manhã ensolarada, enquanto caminhava pelos jardins. Na verdade, praticamente caiu sobre o cavaleiro. Sentindo-se solitária e deprimida, ela decidira enveredar por uma das alamedas menos movimentadas, na esperança de que a mudança de cenário pudesse animá-la. Um pequeno riacho corria no final do jardim e sob a sombra de um velho carvalho, havia um banco de madeira, onde poderia sentar-se.

Notando uma pequena variedade de ervas que cresciam à beira do riacho, em meio aos arbustos, parou para investigar, pensando que talvez pudessem ter uso medicinal.

Foi ao abaixar-se para examiná-las melhor que acabou tropeçando nos pés de alguém. Pelo visto William e sua companheira estavam tão ocupados, tão entretidos com os encantos mútuos, que não perceberam a presença de Lizzy nas imediações até ser tarde demais.

[William Collins]

William sentou-se abruptamente, pronto para ralhar com a intrusa, quando, de repente, compreendeu de quem se tratava. Apenas então lady Catheryn Hayward, uma das damas da corte, sentou-se também, esforçando-se para tirar tufos de grama dos cabelos e da roupa. Embaraçada, ela corou e sorriu, sem ter outra alternativa a não ser enfrentar a situação desconfortável.

— Que surpresa! — William exclamou, enrubescendo e brindando-a com um sorriso sem graça.

— Como vai? — ela retrucou distante.

Surpreendentemente a situação não a abalava nem um pouco e tampouco lhe despertava a menor emoção.

Ali estava William, enfim. Nos braços de Catheryn Hayward, uma tola idiota e detestável, sempre choramingando. E ali estava ela, Lizzy, frente a frente com William e sem ter nada para dizer.

Imaginara que fosse se atirar nos braços dele quando tornasse a vê-lo, ansiosa para contar-lhe sobre Bridget, sobre o chamado inesperado do rei...

— Ouvi dizer que você estava aqui, Lizzy.

O rosto de feições regulares tinha se tornado ainda mais bonito nos últimos três anos, porém em nada a atraía. Notando as faces afogueadas e os lábios inchados de Cathryn, começava a entender os comentários maliciosos que corriam entre as damas da corte. Também se dava conta deque os sentimentos que acreditara nutrir por William no passado estavam mortos e enterrados.

Ele pertencia àquelas mulheres, não a ela. E, francamente, não se importava à mínima.

— Há quanto tempo você está de volta? — Lizzy perguntou.

— De volta a Londres?

— Sim?

— Oh, bem, há alguns meses, suponho. Vários dos cavaleiros vieram antes, na companhia do rei.

— Você deve ter andado muito ocupado aqui, no palácio...

— De forma alguma. Sua Majestade nos deu um longo período de licença, depois dos meses passados na França. E bom tornar a vê-la.

— Eu... nós imaginamos que você voltaria para Northumberland. — Era estranho. Devia estar chateada por William não ter ido à sua procura, entretanto experimentava apenas um enorme alívio por não haver ficado oficialmente noiva daquele conquistador barato.

— Não, não pretendo voltar para o norte a menos que seja obrigado. Prefiro Londres. — O sorriso sedutor deixava claro quais eram os interesses que o prendiam à capital.

— Entendo. — Lizzy lançou um olhar rápido para Catheryn que, de costas, procurava ajeitar o corpete do vestido. Escutara rumores de que William estaria cortejando lady Alice e agora o descobria às voltas com Catheryn.

Que tipo frívolo ele era. Sem dúvida não levara a sério a promessa que haviam feito um ao outro e tampouco agira com responsabilidade em relação à família. Seu dever teria sido ao menos visitá-los. Ou mandado notícias ao pai idoso. Tanto descaso a irritava.

— Lizzy...

— William — Catheryn choramingou. — Acho que está na hora de você me levar de volta. Mamãe ficará preocupada.

— Daqui a um momento, Kate. Por que você está aqui, Lizzy? Por que o rei mandou chamá-la?

— Não sei. Ainda estou aguardando-o regressar a Westminster.

— Ouvi dizer que Henrique estará de volta dentro de quatro dias. — Catheryn recomeçou a puxá-la pela manga, ansiosa.

— Bem, creio que devo acompanhar a dama ao castelo.

— Adeus, William.

— Adeus, não. Com certeza tomaremos a nos ver.

Observando-os afastarem-se, Lizzy pensou que talvez devesse se sentir indignada, porém William continuava a ser o que sempre fora: descuidado, inconsequente.

Agora que olhava para trás, concluía que nunca o vira mostrar sinais de responsabilidade, ou de compromisso. Por que acreditara que uma criatura tão desmiolada fosse levar a sério a promessa de um noivado futuro? Sentia-se aliviada, sim. Por outro lado, tinha a impressão deque à única certeza de sua vida cessara de existir.

Notas finais
o que acharam do flagrante de William? Rsrsrs ele literalmente foi pego no pulo não é? rsrsrrs