Noiva Indomável

11 Chegada a Pemberley


Notas iniciais
Olá meninas como estão? Aqui vai mais um capítulo espero que gostem. Muito obrigada pelos recados, eles são importantes para a minha pessoa, bjs

[RECAPITULANDO]

— Quando foi à última vez que um dos cavaleiros foi vê-la?

— Bem, há vários anos. Não creio que nosso novo rei tenha mandado alguém até agora.

— Você disse que lady Elizabeth ajuda o barão a administrar Meryton. É verdade?

— Não exatamente. De fato, ela faz tudo sozinha. O barão Bennet não toma conhecimento do que acontece em sua propriedade.

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Não havia dúvida de que lady Elizabeth se preocupava imensamente com o estado de saúde da serva. Durante toda a jornada de duas horas ela se mostrou impaciente, desmontando tão logo entraram no pátio do castelo Pemberley e correndo para junto do cavalo de Charles.

— Tudo ficará bem agora, não se preocupe — Lizzy falou, ajudando Bridget a desmontar e amparando-a pelo braço. Era óbvio que a velha precisava de descanso. Então dois homens, Hugh Dryden e Chester Morburn, mandados à frente por Darcy, saíram do castelo.

— Meu lorde, a governanta nos informou de que George Wickham só estará de volta ao anoitecer — Chester os avisou. — Mas, apesar da ausência do conde, a sra. De Bourgh já providenciou aposentos e provisões. Creio que lady Elizabeth e a sra. Bridget dividirão um mesmo quarto. Há outros convidados hospedados no castelo, por causa da Feira de Pemberley, que começa amanhã.

Fitzwilliam parecia preocupado e pouca atenção prestou ao relatório do soldado. Todavia, não passou despercebido a Lizzy o olhar trocado entre ele e Hugh. Depois de deixar os cavalos no estábulo, o grupo seguiu para o castelo. Percebendo a dificuldade extrema de Bridget para caminhar, Darcy a tomou no colo e subiu os degraus de pedra que conduziam ao salão principal.

Lizzy nunca havia visto uma construção tão magnífica. Se não fosse pelo estado de saúde precário da serva, teria ficado ali parada, admirando a beleza daquela verdadeira fortaleza.

O salão principal tinha as paredes decoradas com ricas tapeçarias, e estandartes coloridos tremulavam dependurados do teto. A luz da tarde, filtrada através dos vitrais coloridos, criava desenhos delicados no chão. Porém, um olhar mais atento revelava as cores desbotadas dos estandartes e focos de sujeira espalhados pelos cantos. Um odor azedo emanava de sob as mesas e bancos, provavelmente resultado de restos de comida deixados pelos cães.

Quando se casasse com William, e fosse dona da própria casa, não permitiria tamanho desmazelo. As tapeçarias estariam em bom estado e a limpeza dos aposentos seria impecável, assim como fazia questão de manterem Meryton. E teria flores. Vasos e vasos de flores. Tais condições de negligência num castelo de tal beleza eram imperdoáveis.

Catherine de Bourgh (EMILY BLUNT)

— Sir Fitzwilliam, presumo? — Uma mulher, mais velha do que Lizzy, trajando vestido cinza e avental, aproximou-se. Os cabelos estavam cobertos por uma touca branca, realçando o rosto ainda bonito, com poucas linhas ao redor dos olhos claros. Embora Fitzwilliam respondesse ao cumprimento com um breve aceno de cabeça, Lizzy podia sentir a hostilidade do gesto, apesar de não entender o motivo. Afinal, acreditava estarem sendo bem tratados até agora, exceto pela ausência do conde. E, com certeza, qualquer assunto que Fitzwilliam tivesse para tratar com George Wickham poderia esperar até a hora do jantar.

— Sigam-me. Sou a sra. De Bourgh, governanta de lorde Pemberley — A mulher não escondeu o desagrado diante da aparência doentia de Bridget.

— Senhora, existe por aqui um jardineiro, ou alguém familiarizado como uso de ervas medicinais? — Lizzy indagou enquanto subiam a escada que conduzia aos quartos.

— O que ela tem? Espero que não seja nada contagioso, ou fatal.

— Apenas um resfriado. Vou precisar de...

— E quem é você? — A voz da governanta indicava desagrado. — Avisaram-me da chegada de um emissário do rei, escoltando lady Bennet. — Olhos frios a examinaram de alto a baixo, cheios de arrogância.

— Você está falando com lady Elizabeth — Charles interveio.

— Não há tempo para conversas superficiais agora. — Lizzy exclamou exasperada. — Por favor, faça o jardineiro vir à minha presença, ou mande-o trazer pétalas de prímula e raiz de íris. Ou qualquer outra coisa que sirva para fazer baixar a febre.

A governanta cerrou os lábios, fitando-a com desaprovação.

— Mas minha lady...

— Por favor, faça como estou dizendo. Minha prima está muito doente e preciso cuidar para que se recupere o quanto antes.

Por fim, a sra. De Bourgh abriu a porta de um quarto, fazendo sinal para que o pequeno grupo entrasse. Charles se apressou a acender as velas sobre a cômoda para espantara escuridão, enquanto Fitzwilliam, gentilmente, depositava Bridget sobre a cama. Assim que a governanta se retirou, Fitzwilliam indagou a Lizzy:

— Então a criada é sua prima?

— Bem, uma prima distante. — De repente ela se sentiu intensamente perturbada pela presença máscula, a lembrança do beijo que haviam trocado lhe vindo à mente com uma clareza espantosa. Darcy era tão atraente e viera em auxílio de Bridget com tanta naturalidade.

— Ela é prima de segundo grau de minha mãe. Descendente de nobres.

— Chega. — Fitzwilliam ergueu a mão. — Creio já saber mais sobre sua família do que eu gostaria.

Notando o brilho furioso nos olhos de Lizzy, Charles achou melhor intervir.

Charles

— Você tem tudo de que precisa no momento, lady Elizabeth?

— Sim, claro — ela retrucou, odiando-se por Darcy fazê-la sentir-se inadequada como uma criança.

— Então até mais tarde, minha lady. — Charles as deixou-a a sós com Bridget.

Darcy já havia saído momentos antes sem se despedir. Dali a instantes o jardineiro chegava acompanhado do padre residente no castelo, que afirmava possuir conhecimentos sobre o uso de ervas medicinais. Uma vez que a prescrição do sacerdote não diferia muito do que Lizzy pretendera ministrar a Bridget, ela não opôs resistência às sugestões recebidas.

Os homens mal tinham acabado de sair quando criadas entraram, trazendo baldes de água quente, prontamente despejados na banheira de madeira. A mais jovem das duas reavivou o fogo que ardia na lareira, enquanto tagarelava.

— Um banquete especial está planejado para essa noite, milady. Duvido de que a sra. De Bourgh tenha se dado ao trabalho de lhe dizer algo a respeito.

— Vilma! — a outra serva a repreendeu. — Não cabe a nós ficar espalhando histórias sobre a governanta. Claro que ela iria contar sobre a festa.

— Annie, você sabe tão bem quanto eu que aquela adora maltratar uma verdadeira dama. Lembra-se de como costumava atormentar a pobre lady Clarisse?

— Contenha essa língua, sua tola! Ou acabará sendo posta no olho da rua.

— Como eu ia dizendo, milady — Vilma virou-se para Lizzy, ignorando o aviso da companheira —, haverá uma grande celebração essa noite, no salão principal, para comemorar o início da Feira de Pemberley. Todos os barões da região estarão presentes. E suas esposas também. Claro que milady irá querer se apresentar da melhor maneira possível.

— É uma pena o hematoma em seu olho, todo amarelado agora. Acho que não tem jeito de escondê-lo.

— Não tem problema. Obrigada. Podem deixar que eu cuido de tudo sozinha. — Lizzy despachou as criadas, querendo ficar a sos com a prima se ter que ouvir a tagarelice delas.

Com tantos convidados no castelo, certamente serviço era o que não faltaria a ambas. Certificando-se de que Bridget dormia tranquila, os remédios enfim fazendo efeito, ela entrou na banheira, os pensamentos voltados para as palavras de Vilma.