Noiva Indomável

38 Uma História Sobre a Família


Notas iniciais
Ola meninas como vão? Gostaria de dar as boas vindas a Lili Swan por começar a acompanhar a fic e pelos comentários, alias quero agradecer a todas que comentam e acompanham, até mesmo aos fantasmas, bem deixa de lero lero e vamos a hitória, bjs

— Fale-me sobre Pemberley — Lizzy pediu, dividindo a sela de Janus com o marido, feliz entre os braços fortes que a rodeavam.

— Nasci em Pemberley. — Nunca antes ele se sentira à vontade para falar do passado, ou de sua família, com quem quer que fosse. Porém descobria-se ansioso para abrir a alma a Lizzy. De uma maneira indefinida, seu passado pertencia agora a ela também. E assim que lhe contasse tudo, talvez conseguisse fechar aquela porta para sempre. — Era o filho mais novo de Bartholomew e Margarethe Wickham. John, o primogênito, era seis anos mais velho do que eu e havia também Martin, que morreu de uma doença dos pulmões aos doze anos. Na ocasião, eu devia ter uns seis, sete anos. Minha mãe deixou a Inglaterra após a morte de Martin, para passar um tempo com os pais. John e eu não parecíamos capazes de confortá-la e tampouco nosso pai, embora eu fosse muito novo na época para entender o que se passava, ou muito do que aconteceu.

Durante meses a depressão de Margrethe, devido à morte de Martin, foi se acentuando até chegar a um grau insuportável. Preocupado com a saúde mental da mulher e achando que lhe faria bem mudar de ares, Bartholomew resolvera mandá-la para Bremen, na esperança de que, sob os cuidados dos pais, ela conseguiria se recuperar mais rapidamente. O plano poderia ter dado certo, se não fosse pelo que acontecera a Bartholomew e John no caminho para Bremen, muitos meses depois. Então o destino de Margrethe fora para sempre selado. Ela nunca conseguiu sair do estado de profunda prostração em que caíra, passando os vinte anos seguintes praticamente vegetando.

— Mas sua mãe tinha você, não tinha? Sua sobrevivência não lhe deu motivos para...

— Não. Minha sobrevivência não teve importância.

Durante algum tempo eles cavalgaram em silêncio. Lizzy só conseguia pensar no marido, ainda menino, sofrendo a perda do pai e irmãos, precisando partilhar a dor extrema com a mãe.

Entretanto Margrethe se fechara num mundo interior, onde não havia espaço para o filho. Naquele instante ela jurou que estaria sempre ao lado de Darcy, apoiando-o. E aos filhos que teriam juntos.

— Quem foi o responsável pela emboscada que resultou na morte de seu pai e irmão? A identidade do criminoso foi descoberta?

— O marquês de Maguire, aliado e amigo de meu pai, tentou investigar o ataque e os rumores que se seguiram à tragédia. Mas o rei o desencorajou. Henrique V estava vivendo uma fase bastante insegura na época, tendo que abafar revoltas e ameaças constantes. Vários anos se passaram antes que Henrique soubesse em quem confiar. Mesmo assim, não podia ter muita certeza da lealdade daqueles que o cercavam. Maguire me disse ter certeza de que Clarence e George Wickham estavam por trás da emboscada, embora não pudesse provar. Até que eu lhe mostrei o anel e o pergaminho encontrados no quarto de Caroline. Quando meu pai e os filhos partiram para a Alemanha, houve uma tentativa de assassinato contra o rei. O matador de aluguel, contudo, conseguiu escapar, quando o plano fracassou. Entretanto, ao fugir, deixou cair uma bolsa contendo algumas moedas de ouro e uma carta com o velho brasão dos Wickham. Foi o bastante para convencer Henrique de que o conde de Pemberley tinha atentado contra sua vida. Para completar, Bartholomew havia saído da Inglaterra, portanto, fugido, temendo que a tentativa de assassinato falhasse. Um dos escribas de seu irmão, em Westminster, conseguiu decifrar o que estava escrito no pergaminho. Maguire já havia reconhecido a assinatura e o brasão de Owen Glendower, um galês inimigo de Henrique IV. O problema eram as palavras, desbotadas e distorcidas, quase impossíveis de serem lidas.

— E o que diziam?

A voz de Darcy soou fria.

— Na carta, Glendower meramente parabenizava meu tio Clarence e o filho, George, por terem planejado dar cabo de Henrique e ainda obter o título de conde no processo. Fora um golpe de gênio fazer com que Pemberley caísse nas mãos de Clarence, além de jogar a culpa sobre os ombros de Bartholomew. Tommy Tuttle havia sido uma boa escolha para executar o serviço.

— Tommy Tuttle!

— O homem contratado para matar o rei. Nunca consegui localizar Tuttle — Darcy falou —, porém alguns de seus companheiros de crime ainda continuam perambulando por Londres. Soube apenas que Tuttle tinha ligações com os galeses, pois ninguém parecia muito disposto a falar sobre as atividades envolvendo Glendower vinte anos atrás.

— Então você não precisou de Tuttle para confirmar suas suspeitas diante de Henrique?

— Não, apesar de eu haver desejado apresentar cada prova obtida. Todavia, descobri que Tuttle não sabia ler.

— Não devia ser uma grande surpresa, Darcy. Não são poucos os que não podem ler.

— Não, não foi uma grande surpresa. Por outro lado, por que uma criatura analfabeta iria carregar consigo instruções por escrito de como matar o rei, além de possíveis rotas de fuga? Por que, convenientemente, deixar cair no chão uma bolsa com o bilhete e o dinheiro do pagamento?

— Hum... Suponho que Henrique acabou concluindo que seu pai foi vítima de um complô, sendo acusado injustamente?

— Sim. Foi o que aconteceu.

— E quanto a George agora? E Caroline?

— Bem, quanto a Caroline... Nós sempre presumimos que ela houvesse feito parte do plano.

— Nós?

— Meu avô e eu. Meu avô se chama Rupert e mora em Bremen.

Então Bridget estivera certa. Darcy era neto de um príncipe.

— Quando Hugh me levou para a abadia, depois do ataque...

— Hugh?

— Hugh Dryden. Você o conhece, Lizzy. Ele me acompanhou a Meryton.

Sim, claro que se lembrava de Hugh, um soldado valente e reservado, alguns anos mais velho do que Darcy.

— Foi Hugh quem salvou minha vida e me levou para a abadia de São Lúcio, depois do ataque no caminho para Bremen. Eu não teria sobrevivido sem sua ajuda. Meu avô imediatamente suspeitou de que Clarence e George fossem os responsáveis pelas mortes de meu pai e irmão. — A voz de Darcy vibrava de emoção, porém ele seguiu em frente. — Eu era muito jovem para entender o que acontecera na época, porém, quando cheguei a uma certa idade e comecei a falar sobre voltar para a Inglaterra, meu avô me falou de suas suspeitas.

— E por isso que você passou a usar o nome de seu avô ao voltar para a Inglaterra?

— Sim. Eu não podia retomar afirmando ser Fitzwilliam Wickham, herdeiro de Pemberley, não é? Meu avô nunca chegou a acreditar, realmente, que eu conseguiria provar a culpa de George. Todavia, como não sou seu herdeiro, ele não se incomodou muito a me ver partir da Alemanha. Quanto a Charles... Bem, Charles tampouco foi um de seus netos favoritos. O velho Rupert vai ter um ataque quando for informado de que Charles é agora visconde.

Lizzy sorriu, mesmo sem entender por que o velho príncipe alemão ficaria irritado ao descobrir o sucesso dos netos.

— Meu plano era servir bem a Henrique e lhe conquistar a confiança. Depois então eu iria para Pemberley e tentaria encontrar uma maneira de expor George. Nunca me passou pela cabeça que Caroline poderia apresentaras provas de que eu necessitava. Aliás, dizia-se que ela havia morrido anos atrás. Porém você a viu e não se tratava de um fantasma.

— Não. Caroline era de carne e osso.

— Quer ela estivesse, ou não, envolvida na conspiração contra minha família, está claro que me reconheceu ao chegarmos a Pemberley.

— Acho que a velha dama queria me dizer que você era o herdeiro legítimo, mas só falava em charadas. Talvez fosse louca.

— Por algum motivo, Caroline queria ver George destruído. Não posso pensar em nenhuma outra razão para haver mandado me entregar o anel de meu pai. De fato, John Philips acredita que Caroline tem sido mantida como prisioneira dentro do castelo.

— Fico me perguntando se alguém sabe da existência daquela passagem secreta — Lizzy comentou estremecendo.

— Duvido. Passei os nove primeiros anos de minha vida dentro de Pemberley, explorando cada centímetro do castelo, e fiquei surpreso quando você me contou sobre a porta atrás da tapeçaria.

— Que será que aconteceu com ela?

— Francamente, estou mais interessado no que possa ter acontecido a George.

— E Hugh? Onde ele tem estado nessas últimas semanas?

— Em Pemberley. Mantendo meu primo George sob cerrada vigilância.