Noiva Indomável

23 Um Banho de Água Fria


Notas iniciais
Olá meninas e anônimos como vão? Espero que esteja bem, aqui vai mais um capítulo para vocês e espero que gostem. Por favor comentem sobre o que estão achando da fic, para aquelas que já comentam meu muito obrigada, bjs e att.

[Recapitulando]

— Mas como a condessa soube quem era eu?

— Porque você é a imagem perfeita de seu pai, meu filho.

— Se é assim, por que George não o reconheceu também? — Charles indagou curioso.

— Talvez, depois de vinte anos, George não acreditaria ser possível um dos filhos de Bart Wickham retomar dos mortos. — Atentamente, o marquês examinou o anel de sinete. — Trata-se mesmo do brasão de Bartholomew. Caroline o tinha guardado?

— Sim. Escondido num nicho, na parede do quarto.

— Nossa missão será ridiculamente fácil — Maguire exclamou sorrindo, depois de ler partes do pergaminho manchado. — Quando partiremos para Londres?

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Lizzy não havia visto Darcy, ou qualquer um dos soldados, desde a chegada ao castelo. Sentia falta da presença daquele cavaleiro soturno e mal podia esperar o momento de tomar a encontrá-lo.

Não iria permitir que continuasse a ignorá-la. Tudo era muito injusto. Logo quando Darcy começara a tratá-la com cortesia, acabara beijando-a. Agora não apenas a frágil amizade de ambos ficara ameaçada, como se sentia completamente perdida, atordoada por emoções conflitantes.

As circunstâncias em que se achava eram muito difíceis. Palavras não podiam descrever a dor que a perda de Bridget lhe causara. Com frequência descobria-se à beira das lágrimas e não tinha ninguém com quem partilhar o sofrimento, pois Darcy erguera uma barreira intransponível entre os dois, fazendo questão de mantê-la à distância.

Depois de vestir-se para o jantar, Lizzy desceu a escada que conduzia ao salão principal. Lá descobriu Darcy conversando com outro homem, perto da lareira de pedra.

— E então, Fitzwilliam — o desconhecido falou, brindando-a com um sorriso, — nem você nem meu pai me disseram nada sobre a beleza dessa dama. — Tomando a mão de Lizzy entre as suas, ele a beijou galante.

— Não creio que seu pai já a tenha visto — Darcy retrucou seco, o olhar fixo em William Philips, filho do marquês. — Permita-me apresentar-lhe lady Elizabeth Bennet, protegida do rei Henrique e noiva de sir William.

— Sir William Collins?!

— Sim, meu lorde — Lizzy afirmou.

Como ousava Darcy mencionar o nome de William agora, a não ser para lembrá-la da duplicidade de seu próprio comportamento?

— Eu o conheço. Um ótimo soldado. Desejo-lhe felicidades. A propósito, meu irmão Robert está em Londres com a esposa e o filho. Talvez você possa...

— Ah, aí está você, lady Elizabeth! — Era Mary Maguire acabando de entrar no salão de braços dados com o marido. — Vejo que já foi apresentada a William. Sir Fitzwilliam, seu primo Charles jantará conosco, não é? A cozinheira preparou um jantar especial e...

— Querida — o marquês a interrompeu —, por que você não providencia os cálices de vinho? Parece que William se esqueceu.

Assim que providenciou as bebidas para os cavalheiros, lady Mary deu um jeito de retirá-la de perto dos cavalheiros, sem lhe dar tempo de falar com Darcy.

Lizzy havia planejado falar com Darcy durante o jantar sobre a maneira fria como ele a vinha tratando nos últimos dias, porém entre as atenções de William e as conversas intermináveis de lady Mary, não encontrou oportunidade de abordá-lo.

Quando a refeição terminou, os homens se retiraram imediatamente.

— Para onde foram todos? — ela perguntou à anfitriã, enquanto ambas subiam a escada para os quartos. Já estava tarde e lady Mary bocejava sem parar.

— Quem pode saber? Homens gostam de andar por aí e checar a segurança. Meu marido sempre verifica se os sentinelas estão alertas e em seus postos antes de se recolher para a noite. — Ao pararem diante dos aposentos de Lizzy, a marquesa lhe desejou boa-noite.

— Se você não for capaz de dormir, a cozinheira deixou um jarro de vinho doce sobre a mesa, perto da lareira. Ajuda a acalmar os nervos e relaxar depois de um longo dia de viagem.

— Obrigada. Seguirei sua sugestão se necessário.

Bastou fechar aporta do quarto, para Lizzy ter certeza de que não conseguiria conciliar o sono. Ansiosa para deixar o confinamento das quatro paredes, desceu em busca de um cálice de vinho doce.

Depois de servir-se de uma dose generosa, sentou-se numa das enormes poltronas perto do fogo, envolta pelo silêncio. Mais do que nunca, estava determinada a dizer a Darcy, logo na manhã seguinte, como se ressentia por estar sendo ignorada. Afinal, não era criança e merecia, no mínimo, ser tratada com alguma cortesia. Seria bom para ambos esquecerem a cena perto do riacho, e muito melhor se Darcy não mencionasse mais o nome de William.

Será que ele não conseguia entender como era difícil estar noiva de um homem e desejar outro?

Lizzy tomou um segundo cálice de vinho e, por fim, começou a relaxar. O fogo lhe esquentava a pele e o álcool lhe aquecia o sangue. Logo, cochilava confortavelmente na poltrona, enroscada feito uma gatinha. Assim, não percebeu quando os homens retomaram e se retiraram para seus aposentos, deixando apenas Darcy no salão.

Excitado demais para dormir, ele pensava como tivera sorte ao decidir procurar Maguire. Utilizando uma lente de aumento, o marquês fora capaz de estudar o pergaminho que continha provas irrefutáveis contra George e Clarence. Lorde Maguire também se prontificara a acompanhá-lo a Londres e a apresentar o caso ao rei, insistindo para que providências fossem tomadas no sentido de esclarecer o crime e corrigir as injustiças feitas. Logo teria o título de volta e veria George punido pelos danos causados à sua família.

Para um homem sem futuro, Darcy descobria-se subitamente com toda uma vida pela frente. Claro que, ao recuperar Pemberley, teria uma série de problemas a resolver.

O castelo necessitava de reparos urgentes e tanto o administrador quanto a governanta deveriam ser demitidos. Os aldeões não estavam nem contentes, nem prósperos, com a situação. Quem poderia saber quantas atrocidades haviam sido praticadas durante os anos em que George governara? Seria possível descobrir o paradeiro de Calleb Prest, antigo administrador de seu pai?

Aquele homem o ajudaria imensamente a colocaras coisas nos eixos, pois sempre fora honesto e respeitado pelos camponeses. Sim, teria muito trabalho a fazer quando retornasse ao seu antigo lar.

Mais uma vez Darcy tornou a se perguntar se em vista dos acontecimentos recentes, o avô insistiria no casamento com Annegret, tentando se convencer de que não tinha a menor importância à identidade da mulher a quem se unisse.

Precisaria de uma condessa para Pemberley e de herdeiros também. Assim, tanto fazia uma esposa escolhida pelo avô quanto outra qualquer. O problema era que não conseguia esquecer o toque de Lizzy, a doçura dos lábios macios, a maneira como suspirava de prazer em seus braços.

Até conhecê-la, jamais havia considerado a possibilidade de se envolver emocionalmente com a futura esposa. Sempre julgara isso uma tolice, algo que servia apenas para tornar um homem vulnerável. Annegret era uma boa candidata a condessa. Apesar da timidez, com certeza se transformaria numa esposa exemplar, obediente e previsível.

Um suspiro suave interrompeu o curso de seus pensamentos. Ao virar-se, Darcy deparou-se com Lizzy, adormecida, a cabeça apoiada num braço, às pernas encolhidas sob o corpo. Sabia o quanto ela estava irritada com seu comportamento, aliás, com razão. Nos últimos dias, se recusara a lhe dirigira palavra e até lhe atirara o nome de William na cara, quando tinha consciência de que ela se sentia culpada por haver traído o noivo.

Entretanto não lhe restava outra alternativa a não ser tratá-la dessa forma abominável, ou estaria correndo sérios riscos de se envolver sentimentalmente com uma mulher, algo que jurara nunca deixar acontecer.

Iria levá-la para Londres e entregá-la aos cuidados do rei, depois trataria de resolver os assuntos referentes à Pemberley sem qualquer distração. Tão logo recuperasse o título, começaria a reparar os estragos feitos por George nos últimos vinte anos. No momento certo, se casaria com Annegret, ou com qualquer outra dama tranquila e maçante.

Devagar, Lizzy abriu os olhos, percebendo a presença de Darcy.

— Você deveria estar na cama — ele observou muito calmo.

— Eu não estava cansada.

— Entendo.

— Pelo menos, para variar, você está falando comigo. — A voz macia exsudava sarcasmo. Silêncio. Lentamente se arrumou na poltrona e ajeitou o véu sobre os cabelos — Você percebe que nesses últimos três dias não me dirigiu mais do que vinte palavras?

Darcy apanhou o cálice vazio deixado sobre a mesa e o contemplou por um instante. Tinha a impressão de que lady Elizabeth bebera um pouquinho além da conta.

— É muito indelicado de sua parte me ignorar assim, Fitzwilliam. Até o barão Bennet me prestava mais atenção.

Vendo a expressão do rosto viril se tornar ainda mais sombria, Lizzy soube tê-lo atingido ao compará-lo ao padrasto.

— Você está zangado comigo? — ela insistiu, temendo havê-lo ofendido. — Fiz algo que...

— Não — Darcy retrucou gentil, não querendo feri-la mais. — Venha, deixe-me ajudá-la a ir até seu quarto.

— Talvez eu não esteja necessitando de ajuda.

Ele sorriu. Podia lidar melhor com uma audaciosa e insolente Elizabeth do que com mulher magoada por seu comportamento insensível. Com passos incertos, Lizzy pôs-se a caminhar na direção da escada. Se Darcy pretendia tratá-la com indiferença, então não precisava se dar ao trabalho de observar as regras de etiqueta, segundo as quais o cavaleiro devia sempre acompanhar a dama. Não precisava dele e não o queria ao seu lado.

— Bem, de qualquer forma irei com você, pois o caminho para meu quarto.

— Não se incomode comigo, sir. Sou perfeitamente capaz de.... — Lizzy tropeçou nos degraus e teria rolado escada abaixo se Darcy não a segurasse pela cintura. Então ele a tomou nos braços e esmagou a boca carnuda com a sua, sem lhe dar chance de se afastar. Lizzy obedeceu ao comando da língua imperiosa e entreabriu os lábios, rendendo-se. A intensidade do momento foi tal, que ela sentiu os joelhos vergarem-se. Numa reação instintiva, ergueu os braços e o enlaçou pelo pescoço, exultante.

O abandono com que se entregava àquele beijo a assustava, todavia não tinha forças para resistir, ou se reprimir.

Darcy já a havia beijado antes, porém o efeito dessa carícia explosiva sobre seus sentidos era, agora, simplesmente devastador. Trêmula, sentia-se arder, dominada pela paixão. A boca de Darcy parecia devorá-la e enquanto suas línguas se contorciam, ela por fim compreendeu que o desejava, de corpo e alma. Queria ser tocada, acariciada.

Lentamente, as mãos dele se fecharam ao redor dos seios túrgidos, os dedos longos massageando os mamilos eretos até fazê-la gemer de prazer.

Darcy sabia que precisava se obrigar a parar antes que fosse tarde demais, antes que chegassem ao ponto de onde não havia retomo. Entretanto o gosto de Lizzy o embriagava, o calor dela o consumia. Iria enlouquecer de tanto desejo, sabendo não haver futuro para ambos. Elizabeth era protegida de Henrique e ele foi designado para guardá-la, não para seduzi-la.

Não quando William e o rei os aguardavam em Londres. Não depois de já haver decidido manter-se distante. O que estava acontecendo entre os dois naquele momento era apenas um erro, uma perda momentânea de controle. Precisava pensar no bem-estar de Lizzy. Precisava considerar a existência de Pemberley.

E ainda havia o compromisso implícito com Annegret. Apelando para um resto de autocontrole, Darcy afastou-se. Vendo os lábios macios inchados por causa de seus beijos, ansiou carregá-la de volta para perto da lareira e possuí-la. Essa urgência tão completamente desconhecida acabaria em desilusão. Não havia dúvida de que os olhos de Lizzy refletiam o mesmo desejo que ardia em suas veias.

Precisava pôr um ponto final naquilo tudo. Agora. Ela nunca poderia ser sua, não quando William a esperava.

Ele engoliu em seco, então sorriu para disfarçar a angústia que ameaçava sufocá-lo. Depois a beijou sensualmente na mão.

— Eu... tenho uma desculpa para meu comportamento grosseiro dessa noite, garota. Suponho que há muito tempo não me deite com uma rapariga.

Chocada pelas palavras cruéis, Lizzy o esbofeteou com força e virando-se, subiu correndo a escada sentindo-se humilhada até a alma. As cegas, encontrou a porta de seu quarto, trancou a porta e atirando-se na cama, tapou a boca com a mão para abafar os soluços que a sacudiam.

Oh, céus, só esperava que Darcy não a ouvisse chorar. Rapariga, fora do que ele a chamara? Ou seria prostituta? Nunca mais o permitiria chegar perto dela outra vez.