Noiva Indomável

33 Recuperação Milagrosa


Notas iniciais
Olá meninas, aqui estou eu com mais um capítulo para vcs, obrigada pelo recado que me deixaram, eles são importantes para a minha pessoa. Espero que gostem do capítulo apesar dele ser pequeno, mas pretendo postar mais amanhã,bjs

Darcy mal tinha consciência do que acontecia ao seu redor. Em certos instantes, parecia que alguém o estava ferindo com ferro em brasa no peito, em outros, era a perna que latejava loucamente.

Porém, sabia que Lizzy permanecia ao seu lado e isso era tudo o que importava. Houve um instante em que as lágrimas dela caíram em seu rosto. Tentara confortá-la, contudo faltaram-lhe forças para dizer, ou fazer alguma coisa.

A luz do amanhecer ainda não era suficiente para iluminar o quarto, e ele encontrava dificuldade para enxergar quem conversava com a esposa, embora reconhecesse a voz de William Collins.

— Aposto que agora você está arrependida por não ter se casado comigo — o cavaleiro disse baixinho.

— Com você, William? Já há algum tempo compreendi que você seria um péssimo marido. Não, nunca antes estive tão satisfeita com minha escolha. Se ao menos o Senhor o poupasse...

Os momentos de lucidez eram poucos, enquanto Darcy lutava contra a febre e a infecção. Lizzy temia vê-lo ceder à gravidade dos ferimentos, apesar do otimismo do médico.

Na tarde do quarto dia, ajoelhada junto à cama do marido, ela esteve a ponto de se entregar ao desespero. Fechando os olhos, implorou ao Senhor pela recuperação do homem a quem amava. Mesmo tendo uma longa história de preces não atendidas, agarrava-se à crença de que seria ouvida desta vez.

Profundamente imersa na oração, escutou uma voz estranha, distante.

— Você parece à imagem da ira divina.

Ela virou-se para o lado, tentando enxergar quem falara, porém estava sozinha com o marido no quarto. Confusa, limpou as lágrimas e sentou-se. Sem dúvida alguém entrara ali sem seu conhecimento.

— Ira divina, pois sim — resmungou, não vendo ninguém. Talvez fosse apenas sua imaginação, produto da fatiga extrema.

— É verdade, Lizzy. O que a preocupa?

Virando a cabeça rapidamente na direção do som, Lizzy descobriu-se olhando para Darcy. Os olhos dele estavam abertos e límpidos, o cenho franzido, o primeiro ato consciente dos últimos três dias.

— O que me preocupa? — ela repetiu atônita.

— Você esteve chorando. — A voz soava fraca, os olhos cinzentos a fitavam gentis. Com as costas das mãos, Lizzy limpou uma nova enxurrada de lágrimas.

Sim, pelos céus, estivera chorando. Aliás, isso se tornara corriqueiro desde que o conhecera.

— Chorando? Eu estava aterrorizada, sem saber se você sobreviveria.

Ouvindo vozes no quarto, Charles e Edward entraram apressados, parando imediatamente diante do olhar fulminante de Darcy. A conversa com a esposa estivera chegando a um ponto interessante. Pensara ser possível descobrir por que ela andara tão aterrorizada diante da possibilidade de perdê-lo.

— Charles! — Lizzy exclamou, vendo o cavaleiro na companhia de sir Edward, Alfred e Ranulf. Com certeza o grupo os escutara conversando.

— Que aconteceu, milady?

— Darcy está consciente! — Ajoelhando-se junto à cama do marido, ela tomou a mão forte entre as suas.

— Qual o problema com minha esposa? — Darcy perguntou aos homens. — E por que meu peito dói tanto?

— Então não se lembra, primo? O rei foi atacado quando deixava a festa de seu casamento — Charles esclareceu. — Você, e vários outros, caíram prisioneiros de uma emboscada, num dos corredores do palácio.

Embora tentasse se lembrar dos fatos, nada lhe vinha à mente com muita clareza. Recordava-se da festa... bela Elizabeth... o ataque ao rei... Lizzy chorando... Lizzy deitada ao seu lado, abraçando-o?

Ele procurou se sentar, porém a esposa o impediu, segurando-o pelos ombros.

— Solte-me, mulher — Darcy protestou, surpreso diante da firmeza feminina. — Não vou ficar na cama por mais tempo.

— Você ficará sim, até recuperar as forças.

Darcy sorriu diante da expressão decidida da esposa. A aparência delicada escondia uma determinação férrea.

— Então você ousa dar ordens a um duque do reino?

— É um direito e um dever da esposa, Alteza — Edward brincou. — Talvez seja até o objetivo dela.

— Entendo. — Darcy fitou seus homens que, obviamente, apoiavam aposição de Lizzy.

Só não conseguia imaginar como, em tão pouco tempo, ela conseguira dobrá-los à própria vontade.

— E desde quando você, Edward, ainda solteiro, se tornou um especialista em esposas?

Charles completou divertido.

— Ela não saiu deste...

— Charles! — Lizzy interveio. — Você poderia mandar alguém avisar ao rei que meu marido recobrou a consciência? — Embora seu coração pertencesse a Darcy, não se sentia capaz de assumir a verdade agora, diante de todos, sem saber como ele receberia a informação. Temia ser rejeitada.

— Quer dizer que serei mantido prisioneiro aqui dentro, até minha esposa resolver o contrário.

— O médico do rei é quem determinará quando você poderá se levantar da cama e se mover livremente — Lizzy o corrigiu gentil, percebendo o quanto aquela imobilização forçada o devia incomodar. — Lorde Blackmore esteve cuidando de você desde os primeiros momentos.

— Blackmore?

— Sim, o médico particular do rei.

— E não você, esposa? — Darcy indagou meio brincalhão, meio sério, a voz profunda fazendo-a estremecer. — Você não cuidou de mim?

A intensidade dos olhos cinzentos fixos nos seus perturbou-a tanto que, por um instante, hesitou, sem saber como reagir.

— Sua esposa é quem o manteve vivo, primo — Charles acabou por dizer.

Durante vários minutos marido e mulher apenas se fitaram, esquecidos de tudo ao redor. Finalmente, Darcy rompeu o silêncio.

— Sua intenção é me matar de fome, então?

— Matá-lo de fome? — Alguns segundos se passaram antes de Lizzy voltar à realidade. — Oh, sim, claro, você deve estar faminto.

— Como um urso.

— Charles, você poderia cuidar disso? — Lizzy pediu. — Tenho certeza de que em algum lugar de Westminster será possível encontrar alguma coisa adequada para um homem doente comer.

— Não — Darcy protestou. — Traga-me algo decente. Nada de mingau, ou papinhas.