Noiva Indomável

42 Pessoa De Confiança


Notas iniciais
Olá meninas, como vão? Espero que estejam todas bem. Obrigada pelos recados deixados, como sempre eles são muito importantes para mim. Bem de certa forma, o capítulo é um tanto quanto fofo, e vcs vão saber pq, rsrsrrs. Não sei se vou conseguir postar neste fim de semana, caso não consiga, só na segunda feira, desde já tenham um bom fim de semana, bjs

Depois de colocar um guarda na porta do quarto da esposa, Darcy tomou o caminho do hall.

— Você já esteve com Bennet? — perguntou ao primo.

— Apenas rapidamente.

— O que ele quer?

— O barão não me disse nada. Embora estivesse sóbrio e se portasse de maneira comedida.

Darcy sabia que precisava se preparar antes de encontrar-se com o padrasto da esposa. Necessitaria de todo seu autocontrole para não espancar o homem até transformá-lo numa coisa disforme.

Olhos roxos, lábios cortados, costelas e dedos quebrados... Odiava pensar no que mais o canalha poderia ter feito.

— O que você fará em relação ao barão Wellesley, primo?

Darcy fez uma pausa no meio da escada.

— Suponho que ele tampouco disse o que deseja comigo?

— Não. Apesar de me parecer ansioso para lhe dar as boas-vindas.

— Não lhe parece estranho o barão querer me dar às boas vindas dentro de minha própria casa? Você o considera confiável?

— Não sei. Talvez deseje apenas agradá-lo.

— Não tenho a menor intenção de confiar em ninguém dentro deste castelo até ser capaz de determinar quem é leal a mim. Porém precisarei de alguém que possa cuidar de minha esposa até que se recupere por completo.

— A governanta não serve?

— Catherine De Bourgh seria minha última escolha.

— Bennet?

— Preferiria deixar Lizzy à mercê de um animal selvagem.

— Que tal o barão Wellesley?

— Existe a possibilidade de que seja aliado de George.

— E a filha do barão, lady Anne? Creio que a conhecemos na Feira de Pemberley. Se me lembro bem, a dama pareceu se interessar muito por você.

— Não estou interessado em outra esposa, Nick.

— Não, todavia lady Kitty está aqui. Talvez ela e o pai ainda não saibam de seu casamento.

— Se não sabem, saberão amanhã. Por que você não tenta conquistar a dama? — Darcy o provocou com um sorriso.

— Boa noite, primo.

Os dois se separaram ao pé da escada e Darcy foi encontrar-se com a família de Victor sozinho. Os Lucas eram um jovem casal, educados e bem vestidos. Com certeza mercadores, não camponeses. Uma ideia súbita ocorreu a Darcy, embora ele duvidasse de que a sra. Lucas aceitasse uma posição no castelo. Victor foi o primeiro a falar, a expressão do rosto infantil dividindo-se entre a ansiedade e o nervosismo.

[Charlotte Lucas]

— Eu esperava ver milady, sir. Queria lhe dar a coroa que fizemos e lhe agradecer por...

— Minha esposa está indisposta. Ela sofreu uma queda nos arredores da aldeia, mas estou certo de que se recuperará logo.

— Ela está muito ferida? Dói muito? — Victor indagou aflito.

— Creio que esteja sentindo dor sim, todavia é provável que já se levante amanhã.

— Eu gostaria de lhe dizer, sir, que nós, da aldeia, ficamos muito perturbados ao ouvir notícias sobre a emboscada que lhe prepararam na colina — Lucas falou, dando um passo a frente. — São muitos os homens que gostariam de ajudá-lo a fazer justiça, a punir quem lhe desejou mal e à sua esposa também.

— Seus esforços são apreciados. Tudo o que lhes peço agora é me informar caso alguns dos capangas de George apareçam na aldeia. Talvez um desses possa nos conduzir ao esconderijo de meu primo.

— Sim, Alteza. Também quero lhe dizer que todos nós ficamos muito satisfeitos ao saber que você, sir Darcy, é na verdade Fitzwilliam Wickham, duque de Longthon. Foi Victor quem nos deu a notícia de seu casamento com lady Elizabeth, uma dama generosa, delicada.

— Lady Elizabeth sempre terá minha eterna gratidão e lealdade, Alteza — a mãe de Victor falou, vencendo a timidez. — Nunca vou me esquecer do que fez por meu filho, na feira...

— O povo da aldeia tampouco se esqueceu de sir Fitzwilliam — o marido a interrompeu. — Nunca haviam conhecido um homem, um forasteiro, que se interessasse por seu trabalho, ou pelo resultado das colheitas. O conde jamais se importou conosco, desde que lhe pagássemos em dia. — Lucas falava devagar, escolhendo as palavras cuidadosamente. Afinal, não era todo dia que um simples mercador se dirigia a um duque. Além de tudo, fora escolhido pelo povo da aldeia para agir como porta-voz, portanto sua responsabilidade era grande. — Bem, desde que os soldados do rei vieram prender o conde, as pessoas mais velhas começaram a falar sobre seu pai, lorde Bartholomew, e como tudo costumava ser então. O ânimo dos camponeses melhorou muito depois de descobrirmos que você estaria retomando a posição de lorde de Pemberley.

— Obrigado, Lucas. Agrada-me estar em casa.

— E lady Lizzy? — Victor perguntou. — Quando posso vê-la?

— Creio que amanhã, por volta da hora do almoço. Porém há um problema — Darcy falou, dirigindo-se a sra. Lucas. — Minha esposa precisa da companhia de uma mulher de confiança, com quem possa passar os dias no castelo.

— Oh, Alteza! Sou a pessoa indicada.

— Verdade?

— Oh, sim. Tenho um débito com a duquesa e, com prazer, serei dama de companhia de uma lady tão bondosa e destemida. Não posso nem pensar no que teria acontecido a Victor se ela não o tivesse protegido.

Charlotte Lucas concordou em assumir a posição de dama de companhia na manhã seguinte. Victor obteve permissão para acompanhar a mãe, pois Darcy sabia o quanto a presença do menino alegraria sua esposa. Ansioso para voltar para junto de Lizzy, ele subiu a escada correndo quando, no meio do caminho, deparou-se com Thomas Bennet. O canalha o estivera aguardando escondido nas sombras.

[Barão Bennet]

— Então você não queria me receber, hein? — A voz pastosa indicava o grande consumo de bebida. — Não pode ceder alguns minutos de seu tempo para conversar com o pai de sua preciosa esposa?

— Como você não pode clamar a honra de ser pai de minha esposa, a resposta é não! Saia de Pemberley imediatamente, Bennet. Não há nada que o prenda aqui.

— Não irei embora enquanto não a vir. Não sei por que o rei a mandou chamar em Londres, mas você deve obrigações a mim. Levou-a consigo e se aproveitou de sua inocência. Não tente negar. E não pense que não sei das mentiras que aquela vagabunda andou dizendo...

O punho de Darcy atingiu o rosto do barão, mandando-o pelos ares, impedindo-o de continuar a falar. Apoiando-se na parede, Bennet conseguiu se levantar, um filete de sangue escorrendo pela boca flácida. Sem se importar com o ódio estampado nos olhos do outro, Darcy deu-lhe as costas e saiu dali.

O que não sabia era que alguém testemunhara acena escondido numa alcova.

Sentado junto da esposa, Darcy a observou dormir por alguns instantes. Doía-lhe a alma vê-la tão pálida e vulnerável. Pelo menos conseguira livrá-la do padrasto e mantê-la em segurança. Exausto, despiu-se e entrou na banheira cheia de água quente que os servos haviam colocado diante da lareira. Estava em casa afinal, embora só considerasse Pemberley seu lar porque tinha a esposa consigo.

Não podia imaginar o que seria sua vida sem ela.

De que valeria o título de duque? As vastas propriedades, as riquezas, sem a pessoa a quem queria acima de tudo?

Depois de secar-se e vestir-se, Darcy apagou as velas e deitou-se ao lado da mulher, que continuava a dormir.

— Tomarei conta de você, amor — sussurrou, contemplando o novo anel de sinete. — Estamos em casa agora... um lobo e sua rosa.