Noiva Em Fuga
8 Capítulo 7- O dia seguinte
Notas iniciais
Shizuo acordou com o sol batendo no rosto. Fechou novamente os olhos e foi abrindo-os aos poucos, tentando se acostumar com a claridade.
– Merda! Esqueci de fechar as cortinas.
Olhou as horas no relógio que ficava encima da cômoda e ficou surpreso, já passava das duas da tarde, não se lembrava de já ter dormido tanto antes e nem tão bem. Pôs as mãos embaixo da cabeça e olhou pro teto lembrando-se do que havia acontecido na noite anterior.
Havia acabado de sair do trabalho e dera de cara com aquela pulga maldita andando calmamente por sua cidade, não perdeu tempo em partir pra cima dele e logo tinha início mais uma perseguição pelas ruas de Ikebukuro. Sorriu e balançou a cabeça de leve ao se lembrar de toda aquela confusão na qual havia se metido, ainda era difícil acreditar que havia mesmo se “casado” com Izaya, tudo bem que não passava de uma apresentação, mas ainda assim era algo tão... surreal. Principalmente por conta de um certo informante usando um vestido de noiva, que por sinal, ficou muito bem nele.
– Eu não acredito que pensei isso!
Balançou novamente a cabeça e passou a mão esquerda pelo rosto, logo em seguida franzindo o cenho e olhando para ela vendo que ainda usava a aliança fajuta daquele casamento encenado. Ainda continuou olhando pra ela por alguns segundos antes de tirá-la e jogá-la de qualquer jeito sobre o criado-mudo e nisso, seus olhos se desviaram para um amontoado de tecido branco no canto do quarto. O vestido de Izaya.
Foi impossível não se lembrar de quando o moreno havia tirado aquele vestido, ele havia sido tão sexy, tão sedutor. Nunca antes em toda a sua vida havia imaginado que a visão de um homem se despindo pra ele fosse ser algo tão excitante. Mas como havia dito ao informante, aquilo era uma exceção, não conseguia se imaginar tendo interesse em qualquer outro homem além de Izaya, e isso era algo um tanto perturbador.
Alguns anos antes Shinra havia dito que todo aquele ódio que eles diziam sentir um pelo outro na verdade não passava de de desejo sexual reprimido e que tudo se resolveria quando os dois fossem pra cama e acabassem com toda aquela “tensão”, sim por que ele tinha certeza que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Obviamente que depois de dizer aquilo Shinra teve seu nariz quebrado e duas costelas partidas, achou mais sensato e fisicamente mais seguro não dizer mais em voz alta o que achava de toda aquela animosidade entre os dois.
Desejo sexual reprimido.
Aquelas palavras soavam tão absurdas... Mas de acordo com a noite anterior, podia-se dizer que havia muita verdade nelas. Só de se lembrar da sensação de se enterrar naquele corpo esguio e ouvi-lo gritar de dor e gemer de prazer, a textura e sabor daquela pele, vê-lo arquear o corpo e jogar a cabeça pra trás enquanto mordia o lábio inferior com força suficiente para arrancar sangue...
– Oh, droga! – murmurou irritado, havia se excitado por causa de uma mera lembrança.
Levantou-se da cama e foi até o banheiro, precisava urgentemente de um banho gelado. Ligou o chuveiro e deixou que a água quase gelada escorresse pelo corpo, na esperança de que isso fosse o suficiente pra que sua excitação fosse embora. Mas isso não aconteceu. Gemeu em frustração e encostou a testa no azulejo frio enquanto fechava os olhos. Péssima idéia. Isso só fez com que mais imagens da noite anterior inundassem sua mente.
O toque suave dos dedos de Izaya deslizando pelo seu corpo, a massagem lenta e torturante na parte interna de suas coxas, o dedo dele deslizando por toda a extensão de seu membro...
Levou uma das mãos até o pênis completamente duro e começou uma masturbação inicialmente lenta, mas que foi ficando cada vez mais rápida à medida em que suas próprias lembranças também se intensificavam. Não foi preciso mais que alguns minutos pra que ele gozasse.
Terminou de tomar banho e se enxugou um pouco, terminando por enrolar a toalha na cintura e sair do banheiro indo até a cozinha e se servindo de um copo de leite e um prato de biscoitos de chocolate. Ainda mastigava um biscoito quando voltou para o quarto, fazendo o possível para não olhar para certas partes do local que o fariam se lembrar de coisas que ele definitivamente não queria lembrar e ver aquela cama ainda bagunçada o faria se lembrar nitidamente dessas tais coisas e não era isso o que ele queria naquele momento. Tirou toda a roupa de cama — com os olhos seguramente fechados — e pôs pra lavar, depois juntou o vestido de Izaya com o terno que havia usado e colocou-os num saco de lixo, iria jogar na caçamba de lixo mais próxima mas então se lembrou que aquilo fazia parte do figurino e havido sido caro e como Reiko havia dito: “Se você estragar essa roupa, eu mesma arranco o seu fígado!”, suspirou e pôs o saco na parte de cima do guarda-roupa, se algum dia encontrasse aquela maluca novamente devolveria a ela, mas o mais provável era que acabaria jogando aquilo fora uma hora ou outra.
Vestiu suas típicas roupas de barman e pegou um maço de cigarros encima da cômoda, levou um à boca e o acendeu com um isqueiro, logo colocando ele e o maço nos bolsos da calça e saindo do apartamento, desta vez se lembrando de trancar a porta.
Iria aproveitar o resto do seu dia de folga pra caminhar um pouco, precisava arejar um pouco a mente e parar de pensar no quanto a noite anterior havia sido deliciosamente prazerosa.
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