Noiva Em Fuga
5 Capítulo 4 - O casamento - parte 2
Notas iniciais
“Merda!” – esse foi o primeiro pensamento de Izaya ao se deparar com uma multidão de pessoas fantasiadas, todas perfeitamente acomodadas nos inúmeros bancos da “igreja”. Mas essa nem era a pior parte, o problema mesmo estava no altar, à cerca de uns vinte metros de distância.
Vinte metros. Essa era a distância entre Shizuo Heiwajima e Izaya Orihara. A Distância que provavelmente seria a diferença entre continuar inteiro ou ser desmembrado por aquele monstro de cabelo tingido!
O loiro parecia desconfiado, mas como ainda não havia partido pra cima, Izaya deduziu que seu disfarce ainda não estava totalmente arruinado. Ainda estava bem perto da porta, poderia muito bem dar meia volta e sair correndo, Shizuo talvez demorasse algum tempo pra entender o que estava acontecendo e isso daria ao informante uma boa distância como vantagem. O problema era que não conseguiria fugir tão rápido quanto gostaria usando aquele vestido e aqueles sapatos!
Sua outra opção era ficar, provocar Shizuo e ter alguma idéia mirabolante para escapar da surra, ou pelo menos, torcer pra que seus ossos permanecessem intactos.
Nenhuma das duas opções era muito vantajosa para o moreno, mas como não havia outro jeito, teria que se arriscar e torcer para que os únicos dois neurônios de Shizuo, dessem curto-circuito!
~*~
Shizuo viu a noiva caminhar lentamente em direção ao altar e arqueou levemente uma sobrancelha. Era a mesma pessoa que havia visto, cerca de meia hora atrás e que o deixara desconfiado de que pudesse ser o informante tentando escapar, mas o simples fato de ela estar ali, só podia significar que não era Izaya, certo?! Era a conclusão mais lógica à se chegar, mas, por outro lado, se tratando de Izaya, Shizuo esperava por qualquer coisa!
Não ficaria surpreso se o informante tivesse se fantasiado de noiva só pra passar despercebido no meio daquela multidão e então, quando achou que poderia ser descoberto, deu um jeito de se esconder e acabou indo parar no meio daquela encenação só pra despistar. Só não contava, é claro, que Shizuo também fosse estar ali e pra não estragar o disfarce – ou por fetiche, nunca se sabe – decidiu continuar com aquela palhaçada, contando com o fato de que Shizuo seria facilmente enganado!
É claro que isso era apenas uma suposição do loiro. Provavelmente Izaya já estava à quilômetros de distância e aquela noiva que vinha em sua direção, era realmente uma mulher!
Mas ainda assim....
~*~
Érika precisou de todas as suas forças para conter um grito de puro êxtase quando viu Shizuo passar pela porta vestido de noivo.
– Aquele é Shizuo Heiwajima?! – Walker estava realmente surpreso – Não sabia que ele participava da convenção!
Érika sequer escutou o que ele disse, estava ocupada demais observando atentamente cada passo constrangido que Shizuo dava em direção ao altar. Alguns minutos depois, a porta se abriu novamente e foi a vez da noiva passar por ela. Num primeiro momento, ela parecia apreensiva e pronta pra fugir dali, mas depois, pareceu se acalmar e começou a andar em direção ao altar ao som da marcha nupcial.
– Está tudo tão perfeito! – disse com um brilho intenso nos olhos – Nunca imaginei que o Shizuo-san pudesse interpretar tão bem!
Estava tudo realmente muito parecido com o mangá. A mesma expressão chocada do noivo ao se deparar com uma igreja lotada, seus passos constrangidos e rápidos até o altar, sempre aparentando ter uma ínfima esperança de que aquilo tudo fosse um pesadelo. E a noiva , que pareceu estar pronta para fugir quando finalmente descobriu quem era seu noivo. Estava tão perfeito, que nem parecia ser uma encenação.
– Os atores escolhidos para a apresentação desse ano são incríveis! – disse uma garota fantasiada de coelho negro, ao seu lado. Os olhos dela brilhavam tanto quanto os de Érika.
– Hmhum! – ela concordou, sem tirar os olhos da “cerimônia”.
~*~
– E pelos poderes de Greyscow! Eu...! Érrr... desculpem. Fala errada! – deu uma risadinha sem graça e pigarreou – E pelos poderes a mim investidos, eu os declaro marido e mulher! Podem se beijar!
– QUÊ? – os noivos berraram em uníssono.
Nenhum dos dois havia prestado atenção na cerimônia, cada um perdido em seus próprios pensamentos. As únicas palavras que ambos ouviram do “padre” foram: “ Estamos aqui reunidos ... ... ... ... ... Podem se beijar!” e só!
Shizuo já tinha certeza absoluta de que sua noiva era na verdade, Izaya. Não que o informante tivesse mostrado o rosto ou dito qualquer coisa, simplesmente sabia. Só não tinha feito nada – ainda – por que queria ver até onde iria a cara-de-pau do moreno, estava curioso pra saber o que ele faria para escapar da surra, que com certeza levaria! O loiro podia não estar cego de raiva e também se fazendo de desentendido, mas ainda tinha ganas de esfolar o informante. E tinha que admitir, era divertido estar um passo à frente do outro. Agora entendia o porquê de Izaya gostar tanto de perturbá-lo, e concluiu que por isso, nem ele e nem Izaya eram pessoas muito normais!
Já Izaya, estava com a mente ocupada tentando bolar um plano mirabolante para sair dali sem ser descoberto por Shizuo, mas ainda não tinha tido idéia alguma. Tudo bem que contava com a lerdeza do loiro, mas aquilo já era absurdo! Levando em conta o fato de que Shizuo parecia farejá-lo toda vez que punha os pés em Ikebukuro e agora, estavam os dois ali, à menos de meio metro de distância e o loiro não dava o mínimo indício de tê-lo reconhecido. Aquilo era estranho. Muito, muito estranho. Será que ele já havia descoberto o seu disfarce e estava se fazendo de bobo apenas para pegá-lo desprevenido? Não, não... Seria algo esperto demais pra alguém tão idiota quanto Shizuo! Tentou novamente se concentrar em algum plano, mas aquelas últimas palavras do padre haviam-no trago de volta à realidade.
Os dois ficaram igualmente chocados num primeiro momento, mas depois, Shizuo pareceu relaxar um pouco e sorriu de canto, fazendo com que Izaya estreitasse os olhos.
“Ele sabe! Sabe que sou eu e está me fazendo de bobo!” – concluiu em pensamento, surpreso e irritado ao mesmo tempo – “Eu não deveria ter te subestimado, Shizu-chan! Mas você também não deveria me subestimar!” – sorriu maldoso e deu um passo à frente, ficando quase colado ao loiro.
Shizuo se surpreendeu com a aproximação do outro, mas nem teve tempo de pensar no porquê, pois Izaya rapidamente levantou o véu que cobria seu rosto – o desgraçado sorria cinicamente — , puxou-o pelo paletó e o beijou! Na boca! Na frente de todas aquelas pessoas! O loiro congelou, chocado com tamanha ousadia do moreno.
Izaya se aproveitou da total falta de reação do outro e saiu correndo porta à fora, mas não sem antes sorrir para a “platéia” e jogar o buquê, numa saída um tanto quanto dramática, que resultou numa salva de palmas. O barulho repentino serviu para despertar Shizuo. Ele rilhou os dentes, cerrou os punhos e ficou vermelho de raiva.
– I-ZA-YAAAA! – deu o seu grito de guerra e partiu atrás da noiva fujona, o que resultou em uma nova salva de palmas bem entusiasmada.
– Apesar de ele ter gritado Izaya ao invés de Misaki, foi tudo tão perfeito! – disse uma garota vestindo um uniforme de empregada.
– Tudo igualzinho, como no mangá! – concordou uma outra, usando uma roupa ninja.
O buquê jogado por Izaya havia quicado na cabeça de Érika e caído no colo de Walker, mas ela nem sequer percebeu, estava ocupada demais tentando conter a enorme quantidade de sangue que jorrava de seu nariz.
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