Noiva Em Fuga

17 Capítulo 16 - Preocupado? Não mesmo!


Notas iniciais
Olá, olá!!!!!
O capítulo de hoje é dedicado à AkiTeru, que fez uma recomendação maravilhosa da fic! OBRIGADÃO!!!!!!!!!!

– Finalmente, hein! – Namie desviou momentaneamente a atenção de seu computador para provocá-lo – Estava começando a achar que o Heiwajima tinha te deixado paraplégico!

Izaya descia as escadas devagar, com uma mão no quadril e vez ou outra fazendo uma pequena careta de dor. Havia passado os últimos dois dias praticamente sem sair do quarto, sendo que em um deles, mal conseguiu se levantar da cama. Shizuo havia realmente acabado com ele desta vez e se não fosse pelo seu pequeno estoque particular de medicamentos específicos para aquele tipo de coisa, provavelmente ainda estaria estirado na cama!

– Sua preocupação me comove, Namie-san. – pôs a mão sobre o coração, para enfatizar o tom de sarcasmo.

– A “festinha” de vocês deve ter sido muito boa... a julgar pelo estado em que ficaram aqueles lençóis. – encarou o chefe com uma sobrancelha erguida – Tive que mandar incinerá-los.

– Nossa festinha foi realmente... ótima! – fez uma nova careta de dor ao se sentar em sua cadeira, ela era bem confortável, mas sua bunda ainda estava bastante dolorida.

– Quer um chá, um café ou... talvez uma almofada? – perguntou com ar de riso.

Izaya lhe lançou um olhar irritado, mas acabou estendendo a mão para aceitar o objeto oferecido.

– Quero um chá também!

A morena riu e lhe entregou a almofada antes de ir para a cozinha preparar o chá. Izaya pôs a almofada na cadeira e se sentou novamente, agora bem mais confortável, e ligou seus computadores, logo entrando no chat de bate-papo, precisava urgentemente saber das novidades!

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Kanra-san: Oláááááá´!!!!!!!! Kanra-san chegou!!!!!!!!!!!!!!!

Kanra-san: Sentiram a minha falta?

Setton-san: Olá!

Saika: Como vai!?!

Tanaka Taroh: Olá!

Tanaka Taroh: O que houve com você nos últimos dois dias?

Setton-san: Você não tem entrado no chat ultimamente.

Saika: Aconteceu alguma coisa?

Kanra-san: Nada demais...

Kanra-san: Só estive descansando um pouco.

Tanaka Taroh: Está doente?

Saika: Ouvi dizer que muita gente está ficando resfriada ultimamente.

Setton-san: É verdade!

Kanra-san: Não era bem um resfriado, mas tive que ficar um tempo de cama pra me recuperar.

Tanaka Taroh: Que chato, hein!

Saika: Espero que esteja bem agora.

Setton-san: Deveria chamar um médico.

Kanra-san: Já estou melhor.

Kanra-san: Logo, logo estarei pronta* pra outra!

Kanra-san: Do que estavam falando?

Tanaka Taroh: Sobre o Shizuo-san.

Kanra-san: Shizuo Heiwajima???!

Saika: Parece que ele foi atacado por alguns arruaceiros.

Setton-san: Com certeza ele está bem!

Setton-san: Não é à toa que o chamam de “o mais forte de Ikebukuro”!

Tanaka Taroh: Eu soube que ele foi ferido.

Kanra-san: Ferido? Como?

Tanaka Taroh: Acho que foi esfaqueado.

Saika: Sério?!

Kanra-san: Dizem que ele é um monstro... uma facada não iria matá-lo!

Setton-san: Concordo!!!

Setton-san: Menos com a parte do monstro!!!

Tanaka Taroh: Ouvi dizer que foram várias.

Saika: Será que ele está bem?

Tanaka Taroh: Não o vi por Ikebukuro hoje e acho que também não o vi ontem.

Kanra-san: Mas isso não significa que ele tenha morrido!

Setton-san: É claro que não!!!

Saika: De qualquer forma, espero que ele esteja bem.

Kanra-san: Quando isso aconteceu?

Tanaka Taroh: Dois dias atrás, eu acho.

Tanaka Taroh: Não sei ao certo.

Setton-san: Vou sair. Tenho que fazer uma coisa.

Saika: Até mais!

Tanaka Taroh: Tchau!

Kanra-san: Acho que também vou sair.

Tanaka Taroh: Hm?!

Tanaka Taroh: Você também?

Saika: Tchau.

Kanra-san e Setton-san saíram do chat.

Tanaka Taroh: Acho que eles ficaram preocupados.

Saika: É.

Tanaka Taroh: Hm.

Saika: Vou sair também. Até mais!

Saika saiu do chat.

Tanaka Taroh: Todos me abandonaram!!???

Tanaka Taroh saiu do chat.

Sala de bate-papo vazia.

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Izaya franziu as sobrancelhas enquanto terminava de tomar seu chá. Shizuo não era alguém que se podia ferir com facilidade, aquilo provavelmente não passava de um boato, mas ele, como informante, sabia perfeitamente que todo boato tinha um fundo de verdade. Pôs a xícara vazia sobre o pires e pegou alguns papéis que Namie havia lhe entregado, eram informações sobre alguns casos de seqüestro que estavam relacionados com tráfico de órgãos.

Nos últimos dois meses haviam sido onze casos em toda a área metropolitana de Tóquio, as vítimas eram na maioria, homens solteiros com idade entre vinte e três e trinta anos. Shizu-chan tem vinte e cinco... Franziu as sobrancelhas. Por que raios estava pensando em Shizuo?

Os corpos das vítimas haviam sido encontrados cerca de três dias depois de seu desaparecimento. Ele não estava pelas ruas de Ikebukuro hoje... mas isso não significa que ele esteja desaparecido! Alguns com vários hematomas espalhados pelo corpo e outros com ferimentos feitos por objetos cortantes, além da ausência da maioria dos órgãos internos. Objetos cortantes... Facas.

Deixou o relatório de lado e passou as mãos pelo rosto, seria impossível se concentrar naquele assunto agora. Por que diabos, tinha que ficar pensando naquele loiro? Não era como se estivesse preocupado com ele. Não mesmo! Era apenas sua curiosidade de informante falando mais alto ao se deparar com uma possível vítima! Só isso! Até por que, seria uma maravilha se fosse verdade, já que desde que se conheceram, começaram a desejar avidamente a morte um do outro, afinal, eles se odiavam, não é? Deu um pequeno impulso em sua cadeira e começou a girar devagar, ficou girando, girando, girando... até Namie bater um livro com força em sua mesa, chamando a atenção do moreno.

– Estou indo. – disse simplesmente, pegando a bolsa e a pondo no ombro.

– Já ?! – franziu as sobrancelhas e olhou as horas, 18:03, ficou surpreso, havia ficado “viajando” por quase três horas – Até amanhã, Namie-san!

– Amanhã é sábado, eu não trabalho. – disse com uma sobrancelha erguida.

O moreno ficou surpreso de novo. O dia seguinte já era sábado? Namie ainda lhe lançou um olhar estranho antes de se virar e sair pela porta, sem dizer qualquer outra palavra. Izaya se espreguiçou um pouco e se levantou, indo até a cozinha. Não havia comido nada depois do almoço, mas também não estava com muita fome, preparou um sanduíche rápido e um pouco de chá verde, voltando para sua mesa e pegando novamente os relatórios para analisar enquanto comia.

Desta vez, o informante conseguiu se concentrar melhor no trabalho, embora vez ou outra, seus pensamentos o levassem à um certo loiro aparentemente desaparecido. Fez algumas ligações para certos contatos e pesquisou algumas coisas na internet, quando deu por si, já eram quase onze horas da noite. Pôs os papéis numa pasta e os guardou na primeira gaveta da mesa, depois, desligou seus computadores e seguiu em direção às escadas, fazendo uma nova careta de dor enquanto subia.

“Shizu-chan ainda vai me deixar paraplégico!” – pensou divertido, para logo em seguida ficar irritado por novamente estar pensando naquele loiro estúpido!

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***

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Izaya afofou o travesseiro – pela terceira vez – e deitou-se, se remexendo na cama – pela sétima vez – à procura da posição mais confortável para dormir e fechou os olhos... só para abri-los novamente, exatos dois minutos depois. Não estava conseguindo dormir. Nem mesmo o longo banho relaxante na banheira havia sido de grande ajuda. Bufou irritado e sentou-se na cama, acendeu o abajur e pegou o celular sobre o criado-mudo, discando rapidamente um número que já sabia de cor, mesmo só tendo discado apenas outras duas vezes. A cada toque, Izaya ia ficando cada vez mais irritado e embora nunca, jamais, fosse admitir, também estava um pouco, bem pouco mesmo, preocupado com o loiro.

– Atende logo, Shizu-chan! – mais alguns toques e a chamada caiu na caixa-postal – Será que esse idiota está dormindo? – tentou ligar de novo, mas o resultado foi o mesmo – Dane-se! – largou o celular de qualquer jeito sobre o colchão e deitou-se novamente, passando a encarar o teto por vários minutos até finalmente se dar por vencido – Eu não vou conseguir dormir... – suspirou – Pelo menos não até ter alguma notícia daquele imbecil!

Levantou-se da cama e tirou o pijama, vestindo roupas casuais que costumava usar no dia-a-dia, pegou o celular e saiu do quarto. Iria chamar um táxi para levá-lo até Ikebukuro, precisava saber o que havia acontecido com Shizuo, não que estivesse realmente preocupado, era apenas... curiosidade, ele dizia pra si mesmo.

– É bom que você esteja à beira da morte, Shizu-chan! – resmungou enquanto descia as escadas – Se você me ignorou de propósito... Eu vou cuidar para que você realmente morra!

Pegou as chaves, que ficavam sobre a mesinha de canto ao lado da escada, e abriu a porta, dando de cara com o loiro prestes a tocar a campainha. Primeiro, Izaya ficou aliviado pelo fato de o loiro estar vivo e no segundo seguinte, com raiva, também pelo fato de o loiro estar vivo. Estava prestes a despejar dúzias de ofensas sobre o guarda-costas quando reparou na grande quantidade de sangue nas roupas dele.

– O que aconteceu com você? – o puxou para dentro do apartamento e fechou a porta.

– Você mandou aqueles caras irem atrás de mim? – segurou o informante pela gola da camisa.

– Claro! – disse num misto de sarcasmo e irritação – Eu realmente não tenho nada mais importante pra fazer do que ficar mandando gente pra te atacar!

Shizuo estreitou os olhos, mas acabou soltando o moreno. Devia estar ficando louco ou então a perda de sangue estava afetando o seu cérebro, mas, desta vez, acreditou que o informante realmente não tinha nada a ver com a história.

– O que aconteceu? – Izaya perguntou de novo e dessa vez, Shizuo teve certeza que a perda de sangue o estava afetando, por que achou ter percebido uma pontinha de preocupação na voz do moreno.

– Uns caras me atacaram do nada, bateram na minha cabeça com alguma coisa e depois enfiaram uma faca na minha barriga. – começou a andar em direção ao sofá.

– Nem pense em sentar no meu sofá assim, todo sujo de sangue, Shizu-chan! – pegou a mão do loiro e o puxou em direção à escada.

– Pra onde está me levando? – os olhos do loiro se fixaram momentaneamente na mão de Izaya, que segurava firmemente a sua.

– Você precisa de um banho pra se livrar de todo esse sangue. – continuou segurando a mão do loiro até chegarem ao banheiro – Não demore muito. Seus cortes ainda estão sangrando. – e saiu do banheiro, deixando o outro sozinho.

Shizuo tirou as roupas ensangüentadas e as colocou num canto, logo entrando no Box e ligando o chuveiro no morno, não gostava de banho muito quente, a água provocava uma pequena ardência em seus cortes, nada mais que um pequeno incômodo pra ele. Terminou o banho rapidamente e se secou com uma toalha, sujando-a um pouco de sangue ao encostá-la nos cortes, vestiu novamente a cueca, que era a única peça que não estava suja de sangue, e pegou uma outra toalha para enrolar na cintura. Quando entrou no quarto do moreno, ele já o esperava com uma pequena maleta branca de primeiros socorros e fez sinal para que Shizuo se sentasse na cama.

– Continue contando o que aconteceu. – disse o moreno, já começando a desinfetar os cortes, que felizmente , não eram muito grandes e não precisariam de pontos.

– Eu fiquei um pouco tonto por causa da pancada na cabeça e eles aproveitaram pra me cortar algumas vezes. – o loiro ia contando o que aconteceu, mas seus olhos não perdiam um movimento sequer do moreno, que estava bastante concentrado no que fazia. Era fascinante o cuidado que Izaya estava tendo com os seus machucados, realmente não esperava que algum dia o moreno fizesse algo assim por ele – Quando viram que aquilo não era suficiente pra me derrubar, eles saíram correndo e eu fui atrás. Consegui pegá-los, um a um, o último conseguiu vir até Shinjuku antes que eu o alcançasse e lhe desse uma surra.

– E por que veio aqui? Meu apartamento não é um pronto-socorro! – cobriu os ferimentos do braço com gaze e os enfaixou, logo começando a cuidar dos do abdômem.

– Jura? Você quase me enganou, bancando a enfermeira. – provocou.

– Não estou “bancando a enfermeira”! Só estou evitando que você suje ainda mais meu apartamento com esse seu sangue não-humano! – Shizuo riu – Por que não foi até o Shinra?

– Aqui era mais perto. – deu de ombros.

Isso não era totalmente verdade. Do local onde havia surrado o último cara até a casa de Izaya, tinha mais ou menos a mesma distância que de lá até a casa de Shinra. Na verdade, se pegasse um atalho, a distância até a casa do médico seria ainda menor, e também poderia muito bem ter ligado para Celty pra que ela fosse buscá-lo! Nem ele sabia ao certo o porquê de ter ido até o informante, bom, havia a possibilidade de ele ter mandado aqueles caras o atacarem e também haviam aquelas chamadas perdidas em seu celular, tinha quase certeza que aquele número pertencia à Izaya, mas só as havia notado quando já estava em frente ao prédio em que o informante morava.

– Por que me ligou?

O moreno hesitou por um segundo antes de terminar o último curativo.

– Quem disse que eu te liguei?

– Tem duas chamadas perdidas no meu celular. Por que me ligou?

– Se quisesse realmente saber, deveria ter atendido! – fez birra e começou a guardar as coisas de volta na maleta e quando ia se levantar, o loiro o derrubou sobre a cama e subiu encima dele, prendendo seus braços contra o colchão.

– Diga!

– Sai de cima de mim, Shizu-chan! – nem tentou se soltar, já que seria inútil.

– Não até você me dizer o motivo de ter me ligado.

Izaya estreitou os olhos ao notar o pequeno sorriso, quase imperceptível, nos lábios de Shizuo. O cretino estava se divertindo as suas custas!

– Eu estava entediado. Peguei um número qualquer e liguei. – deu de ombros e focou o olhar num ponto qualquer do teto.

– Duas vezes seguidas? – perguntou com uma sobrancelha erguida.

– Não gosto de ser ignorado!

– Eu estava ocupado. – beijou o pescoço do informante – Surrando aqueles idiotas. – mordiscou a orelha dele – mas eu não estou te ignorando agora. – lambeu toda a extensão do pescoço e assoprou – Estou?

– P-Pára, Shizu-chan... – gemeu quando o loiro mordiscou aquela área – Eu não vou transar com você.

– Por que não? – contornou os lábios do moreno com a língua – Eu sei que você quer...! – deslizou a língua para dentro da boca do moreno e o beijou, movendo a língua de forma lenta e provocante, fazendo o informante gemer em meio ao beijo e depois voltando a mordiscar o pescoço dele.

– É sério, Shizu-chan...

Shizuo parou o que fazia e ergueu o rosto para encarar o moreno.

– Por quê?

– Eu ainda estou dolorido por causa da última vez e não quero ficar paraplégico! – fez beicinho.

Shizuo riu. Ultimamente isso vinha acontecendo de forma quase involuntária quando o moreno resolvia agir igual a uma criança. Era quase... fofo.

– Não ria, seu idiota! – falou irritado – Eu mal consegui me levantar da cama por quase dois dias! – conseguiu soltar os braços e os cruzou em frente ao peito, aumentando ainda mais o beicinho. Shizuo riu de novo e o beijou.

– Você fazendo essa cara, me dá ainda mais vontade de te comer. – sussurrou no ouvido do moreno.

Izaya conseguiu empurrá-lo, fazendo-o cair de costas na cama e se levantou. Seu rosto estava um pouco corado e sua respiração ofegante.

– Eu não estou fazendo cara nenhuma! – lhe lançou um olhar irritado e foi até o guarda-roupas, pegando uma sacola de tamanho médio e a jogando de qualquer jeito para o loiro antes de sair do quarto com a maleta de primeiros-socorros em mãos.

Shizuo abriu a sacola e reconheceu o conjunto azul de moletom que havia sumido do seu armário há algum tempo. Se livrou da toalha que ainda estava em sua cintura e vestiu as roupas, logo voltando a se deitar na cama.

Izaya demorou para voltar, havia jogado fora as roupas ensangüentadas de Shizuo e aproveitou também para limpar o rastro de sangue que o loiro havia deixado em seu querido apartamento. Estava muito puto e pronto para dizer poucas e boas para aquele loiro folgado, mas quando voltou para o quarto, o encontrou completamente adormecido em sua cama. Se aproximou dele, pronto para sacudi-lo ou então empurrá-lo para o chão, mas seu rosto estava tão tranqüilo e relaxado... Shizuo não tinha uma expressão assim quando estava acordado. Suspirou e foi trocar de roupa, voltando a vestir o pijama e em seguida deitando-se ao lado do loiro, cobrindo-os com um edredom antes de desligar o abajur, deixando o quarto completamente escuro e não demorando a também se entregar ao sono.

Notas finais
*Lembrando que Kanra-san é um nick feminino, e o Izaya realmente se passa por mulher no chat!

Espero que tenham gostado do capítulo! Comentários são suuuuper bem-vindos!!!!!! *-* !!!