Noiva Em Fuga
6 Capítulo 5 - Até que a morte os separe
Notas iniciais
A perseguição seguia num ritmo bastante intenso pelas ruas de Ikebukuro. Embora agora Izaya pudesse correr mais rápido por ter se livrado dos sapatos, ainda havia o vestido de noiva que deixava seus movimentos um tanto quanto limitados. Era realmente um milagre ainda não ter sido pego ou acertado por Shizuo.
– IZAYAAAA! – arremessou um caixote de madeira que estava largado no chão, não o acertando por muito pouco – FIQUE PARADO PRA QUE EU POSSA TE ESMAGAR, MALDITO!
– Não devia dizer uma coisa dessas, Shizu-chan! – disse num tom falsamente magoado – Mal nos casamos e você já quer ficar viúvo?! – fez bico e o olhou de forma repreensiva.
O loiro rangeu os dentes de raiva, arrancou uma placa de ‘‘proibido estacionar’’ e sorriu cinicamente.
– Pela primeira vez na vida você disse algo interessante! – e arremessou a placa.
Izaya conseguiu abaixar-se à tempo, um segundo à mais e ele teria dito adeus à esse mundo. A placa que havia passado a milímetros de sua cabeça, estraçalhou quase que totalmente o tronco de uma árvore à alguns metros de distância. Desta vez Shizuo estava com tanta raiva que poderia realmente matá-lo se chegasse perto o suficiente e não simplesmente dar-lhe uma surra e lhe expulsar à pontapés de Ikebukuro. E isso, estava deixando o informante cada vez mais empolgado.
O informante acelerou o passo, tentando aumentar a distância entre ele e a besta furiosa que o estava perseguindo. Shizuo era rápido, mas Izaya sempre fora mais. Não era à toa que ainda estava vivo depois de anos de perseguição! Curvou rapidamente à esquerda para fugir de um carrinho de supermercado voador e parou subitamente. Era uma rua sem saída.
– Mas que merda! Quantas ruas sem saída existem nessa droga de cidade!? – praguejou.
Virou-se para sair dali o mais rápido possível antes que Shizuo aparecesse, se o loiro o encurralasse ali seria o seu fim! Acabou pisando em uma garrafa que estava jogada no meio da rua e se desequilibrou, caindo e batendo as costas com força no chão de pedras irregulares. Gemeu de dor e tentou se levantar, foi difícil, mas conseguiu. Infelizmente não foi rápido o suficiente.
– Ora, ora... o que temos aqui! – disse o loiro na entrada da rua – Cansou de fugir e resolveu se entregar, foi? Prometo que será bastante doloroso! – estalou todos os dedos das mãos.
O informante olhou rapidamente ao redor, procurando por uma possível rota de fuga. Quando encontrou, olhou para o guarda-costas e sorriu de canto.
– Me entregar? Aqui? Não sabia que tinha esse tipo de fantasia... – abriu um sorriso malicioso – Shizu-chan, seu pervertido!
– Izaya! – disse entre dentes, dando um passo à frente.
– Sim, querido? – falou debochado, dando um passo para trás.
– Eu vou te transformar em carne moída, seu desgraçado! – mais um passo – Vou te bater tanto que seus ossos vão virar farelo! – e continuou dando passos vagarosos em direção ao informante, que recuava à mesma medida.
– Que agressivo, Shizu-chan! Que tal o divórcio? É bem mais civilizado, não acha?
– Não quero o divórcio. – sorriu de canto – Prefiro o “até que a morte os separe”!
– E pensar que tivemos momentos tão felizes desde que nos casamos... – suspirou pesaroso e jogou uma garrafa em Shizuo, a mesma na qual havia tropeçado.
Shizuo ergueu o braço em frente ao rosto por puro reflexo, não sentiu quase nada com o impacto, mas sabia que alguns dos cacos haviam cortado – superficialmente – sua pele. Procurou pelo informante e o encontrou subindo rapidamente pelas escadas de incêndio de um prédio quase no final da rua. Correu até lá e puxou a escada com força, desprendendo-a completamente da parede e obrigando o informante a entrar por uma das janelas do quarto andar para se salvar.
O loiro praguejou por tê-lo deixado escapar, mas então franziu o cenho, reconhecendo aquele prédio. Como pudera ser tão distraído?!
~*~
Izaya pretendia subir até o terraço e de lá saltar para o prédio ao lado, a distância era de três metros de um à outro, ambos com cinco andares. Saltar de um prédio à outro, mesmo com aquele vestido, não era quase nada pra ele, que já havia feito coisas bem mais absurdas e bem mais perigosas para escapar de Shizuo. O único problema era se conseguiria ou não, distrair o loiro por tempo suficiente para que pudesse subir os quatro lances de escada até lá. Bom, provavelmente não, mas iria tentar de qualquer jeito!
Jogou uma garrafa em Shizuo – a mesma na qual havia tropeçado, havia a pegado do chão quando percebeu a presença do ex-barman, quando ainda se levantava – e aproveitou esses segundos de distração do loiro para subir rapidamente pelas escadas de emergência. Já estava no terceiro lance de escadas quando Shizuo puxou fortemente aquela estrutura de ferro, desprendendo-a completamente da parede de cima à baixo. Izaya conseguiu se jogar pela janela de um dos apartamentos, que estava aberta. Acabou se embolando na cortina e caindo de cara no chão, demorou um certo tempo até que ele conseguisse se soltar e se levantasse, olhando rapidamente ao redor, procurando por qualquer sinal de outra pessoa.
Para a sua sorte, parecia não haver ninguém no apartamento. Ótimo! Pelo menos não precisaria tentar explicar por que um homem vestido de noiva havia entrado num apartamento do quarto andar pela janela! Aliás, nem tinha tempo pra isso! Shizuo a uma hora dessas provavelmente já teria dado a volta na rua e estava na entrada do prédio o esperando para surrá-lo até a morte! O jeito era se manter no plano original e chegar ao terraço, desta vez por dentro.
A porta do apartamento estava destrancada, então foi fácil sair dali.
“Que tipo de pessoa sai e deixa a porta e a janela abertas?!” – pensava o informante divertido. – “ Deve ser alguém interessante! É uma pena eu não ter tempo de descobrir isso agora!” – lamentou.
Havia uma porta no final do corredor com a palavra “terraço” pintada à mão, correu até lá e forçou a maçaneta, estava trancada, praguejou enquanto tentava abri-la à base de chutes, sem qualquer sucesso. Voltou para o apartamento e olhou pela janela de todos os cômodos em busca de uma rota alternativa e acabou achando. Havia uma pequena área de serviço que era gradeada do meio ao teto, se a escalasse por fora, chegaria facilmente ao terraço e para sua sorte, a janela do quarto ficava bem próxima à grade.
Se empoleirou na janela e inclinou um pouco o corpo, tentando alcançar a grade. Mal seus dedos a tocaram e foi bruscamente puxado para dentro do quarto, caindo dolorosamente no chão.
– Onde pensa que vai, Izaya-kun?
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