Noiva Em Fuga

24 Capítulo 23 - Feliz natal


Notas iniciais
Olá meus amores!!!! O capítulo de hoje, além de ser enorme, é um capítulo especial de natal!!! Espero que gostem e considerem como sendo o meu presente para vocês. O capítulo é dedicado à SWEER, que recomendou linda e maravilhosamente a fic! Muitíssimo obrigada, linda!!!! Fiquei muito feliz com cada palavra!!! ^---^ Desejo à todos um feliz natal e um próspero ano novo! Leiam as notas finais!

Quando Izaya chegou em casa na manhã seguinte, deu de cara com Namie já o esperando, com uma sobrancelha erguida e um sorriso sarcástico nos lábios. Suspirou e revirou os olhos, era óbvio que não viria boa coisa, pediu que ela lhe fizesse um chá enquanto tomava um banho quente e trocava de roupa.

A primeira coisa que havia feito assim que acordara, ainda com a mão no rosto de Shizuo, foi tomar um banho para se livrar do sangue e sêmen secos, presentes em várias partes do seu corpo dolorido e cheio de marcas. Jogou um cobertor qualquer sobre o loiro ainda adormecido e saiu de lá, a temperatura havia caído bastante durante a noite e talvez até nevasse no final do dia, chegou em casa praticamente tremendo de frio, por isso o novo banho quente.

Não demorou a descer para enfrentar seu inferno particular, também conhecido como Namie, e de alguma forma ela já sabia todos os detalhes do que havia acontecido no dia anterior, inclusive o que ele havia feito quando viu a ruiva peituda se jogando encima de Shizuo. Se bem que com o tanto de pessoas que haviam presenciado a cena ridícula na cafeteria, não era algo tão surpreendente ela já estar sabendo, a essa altura todos em Ikebukuro e nas proximidades já deviam estar sabendo! Nem é preciso dizer que o informante teve que aturar as piadinhas maliciosas dela pelo resto do dia, ela estava tão empenhada em perturbá-lo que nem saiu para almoçar, pediu que entregassem a comida ali e continuou a provocá-lo.

– Vai passar o natal com o seu namorado? — deu ênfase na última palavra.

– E você? Vai passar com o seu? Oh, é mesmo, você não tem! — devolveu a provocação.

– Não preciso de um.

– Já desistiu de viver seu tórrido romance proibido com Seiji-kun?

– Por acaso vão ter algum jantar romântico, só os dois? — ignorou o que ele disse sobre Seiji e continuou cutucando o informante com vara curta.

– Você está realmente querendo ficar desempregada, não é?! — mordeu um dos pãezinhos de melão* que Namie havia lhe comprado para o lanche. Ela deu de ombros e sorriu de forma um tanto sarcástica enquanto colocava os cotovelos sobre a mesa e apoiava o queixo sobre as mãos entrelaçadas — Você não tem trabalho pra fazer não, hein? — tomou um gole de chá e terminou de comer o pãozinho.

– Não. Sou muito eficiente e já terminei tudo o que tinha pra fazer hoje. — sorriu de canto — Só me resta te perturbar por mais... — olhou as horas no relógio — duas horas e quarenta e três minutos.

– Não seja por isso! Pode ir!

– Oh, é o espírito natalino que se faz presente?!

– Namie... — disse em tom de aviso e ela ergueu as mãos em sinal de rendição.

Ela logo arrumou suas coisas para ir embora e quando já se aproximava da porta, virou-se novamente para o chefe.

– Já ia me esquecendo, quando fui a Ikebukuro buscar aquele pra você encontrei aquele cara do Rússia Sushi, Simon, ele disse pra você aparecer por lá hoje. Parece que vai ter um cardápio especial, já que é véspera de natal. — deu de ombros — Bom, o recado está dado!

– Que tipo de cardápio especial?

– Não sei e não dou a mínima. — analisou as próprias unhas — Então, tchau! Divirta-se com o seu namorado e eu só volto na segunda! — girou a maçaneta e abriu a porta.

– Não me lembro de ter te dado folga na quinta e na sexta.

– Vou estar ocupada nesses dias. — disse simplesmente — Já organizei sua agenda e todos os papéis que possa precisar, estão na última gaveta da sua mesa. Como eu disse, sou muito eficiente!

– E modesta também, não é?! — Vou ser bonzinho desta vez, ok?! Mas não se acostume!

A morena apenas arqueou uma sobrancelha e foi embora. Izaya voltou sua atenção para a tela do computador e continuou a ler alguns e-mails que havia recebido, entre eles um de seu pai.

"Feliz natal, filho. Espero que tenha criado um pouco de juízo desde a última vez que conversamos. Não se esqueça do almoço em família amanhã. Sua mãe te mandou um beijo."

Seu pai era assim, sempre que precisava falar algo, ao invés de simplesmente telefonar ele mandava esses e-mails curtos e objetivos.

Almoço em família... Embora seus pais e suas irmãs ainda morassem em Ikebukuro e ele fosse constantemente até lá, não se encontrava com a família há um bom tempo, havia falado com as irmãs duas semanas atrás, quando elas ligaram para informar o que iriam querer ganhar de presente. Izaya não estava no clima para reuniões familiares, aliás, nunca esteve, sempre gostou de observar, não de interagir e sua família não era lá muito interessante. Seu pai, Shirou, era contador e sua mãe, kyouko, era enfermeira, ambos eram pessoas normais, tinham empregos normais e uma vida absolutamente normal com as gêmeas e na opinião de Izaya, isso era completamente entediante!

Desligou o computador e se espreguiçou antes de levantar da cadeira e levar a bandeja com a louça suja do seu lanche para a cozinha e lavá-la, logo subindo as escadas de dois em dois degraus e indo tomar banho. Iria dar uma passada no Rússia Sushi, não iria perder um cardápio especial no seu restaurante favorito!

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***>>>***

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– Oh, Izaya! Pensei que não viria. — disse Simon, recepcionando os clientes na porta do restaurante.

– E perder o cardápio especial de hoje?! — sorriu de canto e foi entrando no restaurante, mas Simon o segurou pelos ombros e o guiou por um pequeno corredor ao lado do balcão — Pra onde está me levando, Simon? — perguntou, estranhando aquela atitude.

– Você precisa trocar de roupa primeiro. — respondeu o negro.

– Hã?! — foi praticamente empurrado para dentro de um pequeno cômodo e uma sacola de tamanho médio foi jogada em suas mãos.

– Sua secretária disse que essa caberia em você.
Izaya estreitou os olhos. Se Namie estava envolvida não era sinal de boa coisa. Abriu a sacola e olhou o que havia dentro.

– Isso é alguma piada da Namie-san?

– Piada? — perguntou confuso — É natal! Dennis-san gostou da idéia de ter um papai-noel no restaurante hoje e... — o informante o interrompeu.

– Deixe-me adivinhar... Você comentou isso com a Namie-san e ela disse que eu adoraria me fantasiar com isso, e ficar a noite inteira rodeado de crianças barulhentas. Acertei? — perguntou retoricamente. Quando visse Namie, iria esquartejá-la com seu canivete!

– Exatamente. — sorriu o garçom.

– Lamento, Simon, mas isso não vai acontecer!

O sorriso do negro se foi e ele ficou sério. Começou a falar sobre como as crianças gostavam do natal e ficavam felizes só em ouvir falar em papai-noel, falou que não era nada bom deixar uma criança triste e muito menos fazê-la chorar, contou sobre os horrores da guerra e seguiu nessa linha de discurso até convencer Izaya, ou melhor, até vencê-lo pelo cansaço. Aturar crianças barulhentas não devia ser pior que ouvir os sermões de Simon! Trocou suas roupas pelas que estavam na sacola e cruzou o salão atrás de Simon, indo até onde havia uma enorme cadeira vermelha ao lado de uma árvore de natal cheia de enfeites e pequenas lâmpadas coloridas que piscavam o tempo todo, mas a estrela no topo estava bastante torta.

– Simon, aquela estrela está parecendo um pedaço de lata retorcido!

– Ah, foi o Shizuo! Ele se irrita muito fácil.

– Como é ?! Shizu-chan está aqui?! — Izaya estancou no lugar, passando os olhos rapidamente pelo local. Ainda não estava muito afim de encontrar o loiro.

– Está. Ele também vai... — o informante o interrompeu novamente.

– Se o Shizu-chan está envolvido, acho melhor eu ir embora... Sabe como é, né... Shizu-chan não vai ficar muito feliz em me ver aqui em Ikebukuro — começou a dar alguns passos para trás — eu vou acabar provocando ele, ele vai jogar alguma coisa em mim e depois de alguns minutos o restaurante vai estar completamente destruído... -acabou trombando com alguém.

Do jeito que era sortudo, Izaya teve certeza de que havia acabado de esbarrar no loiro. Virou-se e constatou que estava certo, se encararam por breves segundos antes de o moreno cair na gargalhada.

– Você está ridículo, Shizu-chan! — e continuou rindo, fazendo uma veia pulsar na testa do loiro.

– O que está fazendo aqui, verme? — disse entre dentes, se segurando para não jogar uma mesa em Izaya — Pare de rir, sua hiena! Você também está ridículo!

Era verdade, os dois estavam um pouco ridículos. Shizuo estava vestido de rena, usava uma espécie de macacão marrom feito de um material que se assemelhava bastante à pêlos, pantufas e luvas fofinhas, ambas do mesmo material que a roupa. O rosto do loiro estava completamente pintado, não uma pintura qualquer, era uma daquelas artísticas, comuns em festas infantis e festivais e em sua cabeça, havia uma espécie de tiara com os chifres. Estava uma perfeita rena! Já Izaya, estava fantasiado de elfo, a roupa era de um tom de verde nada discreto com pequenos adornos vermelhos e dourados, as meias de listras horizontais verdes e brancas ficavam bastante à mostra dentro dos sapatos verdes e pontudos e ainda havia o gorro, também verde.

Izaya sabia que também estava ridículo, quem não estaria com aquela roupa? Mas Shizuo estava em um outro nível, chegava a ser irônico, o homem que era considerado a violência em pessoa, usando uma fantasia tão... fofinha. Seria impossível para Izaya olhar para aquela rena enfurecida e não rir!

– Quero ver se você vai rir depois que eu arrebentar todos os seus dentes! — desta vez pegou uma cadeira e foi novamente impedido de bater em Izaya.

– Sabe, Shizu-chan, — o moreno havia finalmente parado de rir, mas ainda exibia um sorriso cínico nos lábios — até que você ficou bem, vestido assim... deveria usar mais vezes.

– Ora, seu... ! Eu vou te socar até te transformar em purê de elfo!

– Parem com isso. — Simon disse sério, novamente ficando entre os dois — Vocês estão assustando as crianças. — falou num tom de voz que deixaria qualquer pessoa normal com medo, mas estamos falando de Shizuo e Izaya...

O moreno apenas arqueou uma sobrancelha, divertido e o loiro, depois de olhar em volta e ver algumas crianças com os olhos arregalados, tentou controlar um pouco a raiva e rosnou algo como "Vou esmagar a pulga depois".

– Oh, certo, agora que tal irmos ver o papai-noel? — sugeriu Simon, voltando ao bom humor de sempre e conseguindo a atenção das crianças, que concordaram empolgadas e seguiram o garçom até o simpático velhinho de roupa vermelha, que agora estava sentado ao lado da árvore de natal.

– Nem pense que vai escapar desta vez, Izaya. — Shizuo rosnou baixo, ganhando um sorriso sarcástico como resposta.

O restaurante não estava cheio, ainda era cedo, mas já havia um número razoável de crianças ao redor do papai-noel e também da rena, o que deixava o loiro bastante desconfortável, não que não gostasse de crianças, ele apenas não sabia exatamente como lidar com elas. Izaya se divertia com o desconforto do outro, mesmo ele próprio não estando numa situação muito melhor, sendo rodeado por crianças inquietas e barulhentas. Como alguém em sã consciência pode querer ter filhos?!, era o pensamento mais freqüente na cabeça do moreno.

Com o passar das horas o restaurante foi ficando lotado, mas para o alívio de Shizuo e Izaya, o número de crianças foi diminuindo aos poucos e agora, não havia nem meia dúzia.

– Moço? — uma menininha de aproximadamente quatro anos puxou a manga da blusa de Izaya para chamar-lhe a atenção.

– Sim?

– Você é o que? — perguntou com sua curiosidade infantil.

– Um elfo. — respondeu simplesmente.

A menininha franziu as sobrancelhas, em sinal de confusão.

– Tem certeza?

– Por que a pergunta? — arqueou uma sobrancelha, estranhando a conversa da menina.

– Meu irmão disse, — apontou para um garoto, que devia ter cerca de treze ou quatorze anos, em uma das mesas no lado esquerdo do salão — que você era uma mistura de esquilo esq- equisq- equiquistelético com uma árvore de natal! — explicou, pondo as mãozinhas atrás das costas e se balançando sobre os próprios pés.

– Como é que é? — arqueou uma sobrancelha perante a ofensa.

– Meu irmão disse, que você... — a menina iria repetir tudo o que havia dito, mas o riso alto do loiro desviou sua atenção.

– Esquilo... esquelético... — disse o loiro em meio ao riso. Havia escutado toda a conversa até ali.

Izaya estreitou os olhos para o loiro, mas logo voltou-se para a menininha.

– Eu não sou um esquilo, nem esquelético e menos ainda uma mistura de um com uma árvore de natal!

– Árvore de natal...! — a risada de Shizuo já havia se tornado uma gargalhada, chamando a atenção de todos os outros clientes que estavam ali e irritando ainda mais o informante.

– Shizu-chan, isso não tem a menor graça! Pare de rir!

Olhar para a expressão irritada de Izaya só fez com que o loiro risse ainda mais.

– Mas... — a menina tentou dizer algo, mas Izaya, já com pouca paciência, cortou sua fala.

– Eu sou um elfo, ok! Nada de esquilo ou árvore de natal! Aliás, nem elfo de verdade eu sou! Já cansei dessa brincadeira! — puxou uma cadeira próxima e se sentou.

A menina, com certo esforço, puxou uma outra cadeira e empurrou-a até ficar bem próxima à que Izaya estava sentado e subir nela com um pouco de dificuldade para ficar da altura do informante.

– Não fica triste não. — pôs uma das mãozinhas sobre o ombro do moreno, como se o estivesse consolando. Izaya arqueou uma sobrancelha — Você pode ser um sapo! — o moreno revirou os olhos ante aquela insistência infantil — Aí com um beijo, você vira um príncipe! — e lhe deu um beijo estalado na bochecha.

Izaya ficou momentaneamente sem reação, bastante surpreso com a atitude da garotinha. Ela ainda lhe ofereceu um largo sorriso que deixava suas covinhas em evidência, antes de descer da cadeira e ir de encontro a família, que já se preparava para deixar o restaurante. Era a primeira vez que um dos seus preciosos humanos o surpreendia e isso era deveras interessante, talvez devesse prestar mais atenção em crianças pequenas...

– Então quer dizer que com um beijo você vira príncipe? — a fala lenta e maliciosa praticamente sussurrada no ouvido do informante e seguida por uma leve mordiscada na ponta da orelha, fizeram surgir um leve tom rosado nas bochechas de Izaya, que estava um pouco distraído por conta da garotinha e nem percebeu a aproximação perigosa do loiro. O moreno logo se recompôs e voltou a exibir um sorriso sarcástico nos lábios.

– Pois é, Shizu-chan, alguns nascem para serem príncipes e outros nunca vão passar de meros protozoários...!

– Quem você está chamando de protozoário? — o loiro estreitou os olhos.

– Oh, quem será? — alargou ainda mais o sorriso.

– Não me provoque, pulga. — disse entre dentes — À menos que queira ganhar alguns ossos quebrados. — ameaçou.

– Que agressivo, Shizu-chan! — fez bico — Onde está o seu espírito natalino?

– Foi embora assim que você apareceu!

– Que cruel! — choramingou, falsamente ofendido — Sabe, Shizu-chan... — novamente o sorrisinho sarcástico se fez presente — você ficou uma gracinha com essa fantasia de rena.

– Izaya... — falou em tom de aviso, que foi obviamente ignorado pelo moreno.

– Vai se fantasiar de cupido no dia dos namorados? E que tal um coelho na páscoa? — continuou provocando, vendo uma veia pulsar na testa do loiro — Me mande as fotos, sim, vou querer dar umas boas risadas! — mal acabou de falar e teve que se abaixar para não ser atingido por uma mesa.

– Vamos ver se você vai rir depois que eu te arrebentar inteiro! — pegou a árvore de natal e jogou-a na direção do informante, que desviou.

– Acho que Shizu-chan está perdendo o jeito, essa não passou nem perto.

– Então fique parado pra que desta vez eu acerte! — e jogou outra mesa, que foi pega por Simon antes que chegasse ao alvo.

– Shizuo, Izaya, não briguem! — disse o pacifista, se colocando entre os dois.

– Sai da frente, Simon, ou eu vou te esmagar junto com a pulga. — rosnou Shizuo.

– Brigar não é bom, Shizuo. — o garçom argumentou.

– É, Shizu-chan...! — Izaya concordou, sorrindo de forma mais cínica que antes.

Shizuo conseguiu driblar Simon e quase pegou Izaya, mas o moreno era escorregadio e conseguiu se esquivar do ataque do loiro e correu para fora do restaurante, sendo seguido pelo guarda-costas enfurecido.

– Eu vou te esfolar vivo, seu maldito!

– Pra isso vai ter que me pegar primeiro, Shizu-chan! — gritou animado, acelerando o passo.

Chegava até a ser cômico, um elfo sendo perseguido por uma rena raivosa que arremessava latas de lixo e máquinas de venda automática. Algumas pessoas até chegaram a parar para tirarem fotos.

A perseguição durou horas, quando Izaya finalmente conseguiu despistar Shizuo e seguir para Shinjuku já era quase meia noite, até pensou em atrair o loiro para o seu apartamento ou então ir até o dele para terminarem bem a noite, mas acabou deixando pra lá. Não demorou para chegar ao prédio em que morava, felizmente aquela fantasia ridícula de elfo tinha bolsos e havia posto seu celular, o canivete e as chaves neles. Pôs a chave na fechadura e destrancou-a, logo girando a maçaneta e empurrando a grande porta que dava acesso ao hall de entrada do prédio, deu um passo a frente mas acabou dando outros dois para trás quando seus cabelos foram puxados com força.

– Nossa brincadeira ainda não acabou, Izaya- kun. — o tom de voz de Shizuo era baixo, perigoso e por que não dizer, bastante sedutor — Eu disse que você não ia escapar.

– Oh, então Shizu-chan ainda quer brincar?! — fez um corte no braço do loiro, forçando-o a soltá-lo e deixando que um sorriso malicioso brincasse em seus lábios — Sabe, Shizu-chan... a gente podia brincar de algo bem divertido no meu apartamento... — disse em tom sugestivo, arqueando uma sobrancelha e prendendo o lábio inferior entre os dentes.

Shizuo levou um segundo para entender o que Izaya havia proposto e seria hipocrisia se ele negasse que estava pensando exatamente o mesmo, embora ainda quisesse surrar o informante. Por que não fazer os dois?

– Mais divertido do que fazer você gritar de dor?

Izaya sorriu, as próximas horas seriam prazerosamente dolorosas pra ele.

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***>>>***

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– Mais... hmm... forte, Shizu-chan...! — Izaya pedia entre gemidos e ofegos.

– Calado, verme! — disse o loiro, mas acabou atendendo ao pedido do outro e pondo ainda mais força nas estocadas.

Assim que as portas do elevador se fecharam os dois já estavam bastante empenhados num beijo de tirar o fôlego. Shizuo não perdeu tempo em prensá-lo contra uma das paredes metálicas e atacar os lábios finos e macios do informante como se estivesse ansiando por aquilo há bastante tempo, Izaya retribuiu com igual entusiasmo, rodeando o pescoço do loiro com os braços e a cintura com as pernas. Quando chegaram no andar do moreno, as mãos do loiro o apalpavam em todos os lugares possíveis dada a posição em que se encontravam, e continuaram daquele jeito até chegarem ao quarto do moreno e se despirem daquelas fantasias com uma rapidez impressionante.

– Sh-Shizu-chaannn... — o moreno gemeu alto o nome do loiro quando sua próstata foi acertada pela quarta vez consecutiva, fazendo-o gozar pela terceira vez naquela noite.

O loiro continuou se movendo até ele próprio também gozar, mas não saiu de dentro de Izaya, esperou que suas respirações se normalizassem um pouco e fez com que as pernas do informante rodeassem sua cintura, puxou-o para o colo e se sentou com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Foi Izaya quem iniciou o beijo, embrenhando uma das mãos nos fios loiros já completamente bagunçados e fazendo pequenos movimentos com o quadril, afim de excitar novamente o outro. Shizuo gemeu em meio ao beijo e apertou com força o traseiro do informante quando seu pênis voltou a ficar ereto, ergueu um pouco o quadril de Izaya, o incitando a se mover enquanto massageava o membro do moreno até que ele também ficasse duro de novo.
Izaya começou a se mover lentamente e depois foi acelerando os movimentos, ele gostava daquela posição, gostava de ver o olhar nublado de prazer do loiro, seu rosto suado e levemente corado pelas atividades que estavam praticando, a boca entreaberta que deixava escapar gemidos de puro deleite... Era extasiante saber que era o causador daquelas reações. Ver o loiro sentindo prazer, lhe dava um prazer ainda maior.

Em dado momento os olhares de ambos se conectaram, foi como se tudo ao redor deles tivesse parado, havia algo ali, algo que não existia antes ou pelo menos não havia sido percebido até então. Izaya intensificou os movimentos e mordeu fortemente o lábio inferior quando sentiu um jato quente em seu interior e logo chegou ao ápice, sujando tanto o seu abdômen quanto o do loiro no processo.

– Precisamos de um banho. — o loiro disse depois de um tempo.

– É. — o moreno concordou, apoiando a testa no ombro dele.

Os dois estavam exaustos, Izaya bem mais, claro, visto que o loiro tinha uma resistência quase sobre-humana . O guarda-costas se retirou de dentro dele, fazendo com que sêmen escorresse pelas pernas cheias de marcas de mordidas e chupões do informante, se levantou com ele no colo e seguiu para o banheiro, ligando o chuveiro e entrando embaixo do jato quente, deixando que a água lavasse toda aquela sujeira de seus corpos.

Depois do banho Shizuo secou a ambos, tendo um cuidado especial ao enxugar os cabelos do moreno, eles eram finos e macios, gostosos de se tocar. Izaya, pela primeira vez não reclamou por estar sendo tratado daquele jeito, era bom, relaxante e Shizuo o tratava com tanto cuidado...

Os lençóis sujos foram retirados e enrolados num canto qualquer enquanto Izaya ia até o guarda-roupas e pegava uma sacola grande, arremessando-a para o loiro que a pegou por puro reflexo e pegando um pijama limpo para si. Shizuo abriu a sacola e retirou um embrulho azul escuro cheio de corações vermelhos de dentro.

– Esse embrulho ridículo é coisa da Namie-san. — Izaya falou, virando-se de costas para esconder o leve rubor em suas bochechas e começando a vestir o pijama.

Shizuo desfez o laço e abriu o embrulho, havia um conjunto de moletom azul claro dentro.

– O-Obrigado. — o loiro agradeceu e Izaya apenas assentiu com a cabeça, ainda sem se virar. Shizuo logo começou a vestir suas novas roupas, estava de cueca, afinal, não iria voltar a vestir aquela fantasia de rena, de preferência nunca mais! — Eu... também comprei um presente pra você. — falou um tanto constrangido, virando um pouco o rosto quando Izaya voltou a ficar de frente para ele — Mas está no meu apartamento. — continuou — Não achei que veria você hoje.

Os olhares novamente se encontraram e eles ficaram em silêncio por algum tempo, ambos com os rostos corados e sem saber exatamente como agir. Izaya pigarreou e quebrou a conexão de olhares, indo rapidamente para a cama e deitando-se de lado, puxando o edredom até o pescoço. Shizuo fez o mesmo, ficando os dois de costas um para o outro, ambos exaustos, mas não conseguindo simplesmente dormir. Depois de vários minutos Izaya suspirou e virou-se na cama, dando de cara com o loiro que pareceu ter pensado o mesmo que ele. Foram breves segundos se encarando sem dizerem nada até que Shizuo se inclinou um pouco para frente e colou seus lábios nos do informante, movendo-os calmamente e em perfeita sincronia, fazendo com que um calor gostoso se espalhasse por seus corpos. Shizuo abraçou o corpo do informante pela cintura e o trouxe para mais perto, terminado o beijo com um singelo selinho e intensificando o abraço quando Izaya se aconchegou junto ao seu corpo.

– Feliz natal, Shizu-chan. — disse baixo, escondendo o rosto contra o peito do loiro para disfarçar o rubor que se espalhou por suas bochechas só por ter dito aquela simples frase.

– Feliz natal. — foi a resposta, seguida de um beijo suave no topo da cabeça do informante.

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Izaya foi acordado pelo insistente som da campainha sendo tocada de forma quase ininterrupta. Amaldiçoou mentalmente aquela infeliz pessoa, odiava ser acordado, e tentou ignorá-la voltando a fechar os olhos, mas não deu muito certo, o som alto da campainha parecia ressoar cada vez mais alto em seus ouvidos. A pessoa, seja lá quem fosse, pelo visto não admitia ser ignorada.

Tentou se livrar do abraço do loiro com cuidado para não acordá-lo, mas foi impossível, o guarda-costas o prendia tão firmemente entre os braços que Izaya mal conseguia se virar na cama, que dirá se levantar dela! Cutucou o loiro nas costelas, mas ele nem se moveu, chamou-o várias vezes enquanto o chacoalhava, mas nem sinal de que ele iria acordar tão cedo. Ficou irritado e isso somado ao mau-humor por ter sido acordado pela campainha, que inclusive ainda tocava, praticamente lhe despertou um instinto assassino. Aproveitou que estavam quase na beirada da cama e empurrou Shizuo com toda a sua força, fazendo-o cair no chão e soltá-lo no processo.

O loiro acordou um pouco assustado com o impacto, estava um pouco desnorteado e confuso pelo sono, mas logo somou dois mais dois e soube exatamente o que havia acontecido.

– Por que fez isso, verme? — perguntou irritado, se levantando do chão e voltando e voltando a se deitar na cama.

– Se você ainda não percebeu, a campainha está tocando.

– E ao invés de ir atender você decidiu me empurrar da cama?

– A culpa é sua por não ter me soltado antes. — deu de ombros e se levantou, indo atender a porta enquanto pensava em meios bastante dolorosos de se torturar alguém.

Abriu a porta pronto para amaldiçoar quem quer que fosse, mas as ofensas ficaram presas na garganta quando viu quem era, ou melhor, quem eram.

– Feliz natal, querido! — lhe desejou — Ainda de pijama, Izaya? Estava dormindo até agora? — a mulher de cabelos tão negros quanto os de Izaya e olhos castanho-escuros entrou no apartamento cheia de sacolas sem esperar por um convite do dono da casa.

– Como vai, Izaya? — cumprimentou o homem de cabelos castanho-escuros levemente grisalhos, ao adentrar o recinto.

– Bem. O que estão fazendo aqui?

– Não recebeu o e-mail? — perguntou Shirou.

– Sim, mas...

– Presumi que você não iria, então viemos até aqui. — sua mãe o interrompeu — Exijo um almoço de natal em família! — disse firme. — Meninas, levem essas coisas para a cozinha. — mandou e foi prontamente obedecida pelas gêmeas, que cumprimentaram brevemente o irmão mais velho.

Izaya suspirou e fechou a porta que ainda estava aberta, sua mãe era teimosa e quando queria algo, geralmente conseguia.

– Você estava dormindo até agora? O que andou fazendo a noite inteira? — Kyouko perguntou com uma sobrancelha erguida — E o que é isso no seu pescoço?

Izaya automaticamente levou a mão ao pescoço, lembrando-se imediatamente da forte mordida que Shizuo havia lhe dado naquela área.

– Isso não é nada. — disse num tom desinteressado, torcendo para que o loiro tivesse voltado a dormir, por que se ele aparecesse ali seria no mínimo constrangedor.

– Você está com alguém? — aquilo soou mais como uma afirmação do que como uma pergunta.

– Eu não diria isso. — desconversou.

– Ei, pulga, quem era na... porta? — Shizuo arregalou os olhos e parou no meio da escada quando viu quem eram as pessoas com Izaya.

Um silêncio quase sepulcral se instalou na sala pelo que pareceu serem horas, se estivessem em algum lugar ao ar livre, Izaya tinha certeza que uma bola de feno teria passado voando por eles em algum momento. Foi Mairu, a mais nova das gêmeas, que resolveu acabar com aquele silêncio tenso.

– Feliz natal, Shizuo-san! — Kururi meneou a cabeça, como se dissesse "Faço minhas as palavras dela".

– Hm... Feliz natal. — disse um pouco sem jeito — Como vão, Sr e Sra Orihara?

Shizuo conhecia os pais de Izaya, assim como o moreno também conhecia os pais dele, na época do colégio os pais de ambos eram constantemente chamados na escola por conta das brigas dos dois.

– Estamos bem, Shizuo-kun. — respondeu Shirou, indo se sentar no sofá e começando a ler o jornal que havia trago. Aparentemente não estava chocado ou escandalizado com o que poderia significar a presença do loiro ali, ou então, estava apenas ignorando o óbvio.

– Confesso que não esperava encontrá-lo aqui, Shizuo-kun. — Kyouko lhe ofereceu um pequeno sorriso — Vai ficar para almoçar conosco, não é?!

– Bom, eu...

– Ótimo! — nem esperou por uma resposta dele e voltou-se pra o filho — Vá se trocar, querido, você vai me ajudar com o almoço. — e rumou para a cozinha.

Izaya estranhou um pouco a atitude dos pais, ou a falta dela, mas não questionou, apenas seguiu para o quarto e voltou alguns minutos depois de roupa trocada e foi ajudar a mãe. Shizuo ficou bastante desconfortável com aquela situação, mas depois acabou relaxando e foi assistir desenhos animados com Mairu e Kururi enquanto Shirou ainda estava entretido na leitura do seu jornal.

O almoço não demorou a ficar pronto e seguiu relativamente normal, já que Shizuo não estava nem um pouco à vontade naquela situação, ele não conseguia agir como os Orihara e simplesmente ignorar a estranheza daquilo.

– Vocês realmente não se importam? — Shizuo não conseguiu segurar a pergunta quando a família de Izaya anunciou que já estavam indo embora. Ele havia se prontificado a ajudar a mãe do moreno a tirar a mesa e agora estavam os dois sozinhos na cozinha.

– Digamos que tivemos muito tempo para nos acostumarmos com a idéia.

– Como assim? — perguntou confuso.
Kyouko lhe ofereceu um meio sorriso enigmático e deixou a cozinha, indo se despedir do filho e logo indo embora. Shizuo continuou lá, pensando nas palavras dela por algum tempo.

– Não se esforce demais, Shizu-chan, seu único neurônio pode acabar explodindo. — provocou.

– E que tal se eu explodisse a sua cabeça? — ameaçou, ganhando um riso sarcástico do outro. — Estou indo pra casa. — virou-se para deixar a cozinha mas foi impedido por Izaya que segurou a manga de sua blusa.

– Você não precisa ir agora. — o moreno pareceu um pouco surpreso pelas próprias palavras, mas não voltou atrás — Você não deve ter nada pra fazer mesmo, não é? — tentou soar desinteressado, mas falhou miseravelmente.

Passada a surpresa inicial, Shizuo sorriu de canto.

– Claro, não tenho nada pra fazer mesmo.

Notas finais
*pão de melão é um pão doce típico japonês, é macio, redondo e assemelhasse a um melão por sua aparência, mas tipicamente, não tem sabor de melão.* Só pra avisar, o próximo capítulo provavelmente só será postado daqui a duas semanas, ok, também preciso de férias!!! Bom, é isso, até o próximo capítulo!!! Bjs!!!