Noiva Em Fuga

23 Capítulo 22 - Ciúmes


Notas iniciais
Olá!!! ^-^ O capítulo de hoje é dedicado à fofíssima Lady Oni pela, também fofíssima, recomendação!! Obrigada!!! Fiquei muito feliz por recebê-la!!! E por último, mas não menos importante, um agradecimento especial à Izzy Meelark, que deu uma ótima idéia, que inclusive foi usada nesse capítulo! Espero que tenha ficado como imaginou. Enfim, aproveitem o capítulo! E comentem, ok!!!

“Está ocupado?”

“Um pouco.”

"Faz tempo que a gente não conversa. Está tudo bem com você?”

“Sim. Tudo.”

“E como andam as coisas com o Izaya?”

Shizuo bufou ao ler a mensagem de Celty. Esse era o motivo de não conversarem muito ultimamente, a dullahan sempre acabava levando a conversa para aquele rumo: Izaya. Ainda tinha dor de cabeça só de lembrar da conversa que teve com a amiga cerca de um mês atrás, ela o bombardeara com perguntas nem um pouco discretas sobre a relação dele com o informante e principalmente sobre aquela bendita foto na banheira.

“Tom-san está me chamando. Nos falamos outra hora.” — enviou a mensagem e guardou o celular no bolso enquanto esperava Tom se aproximar.

– O próximo cara não é tão problemático, pode me esperar aqui embaixo, eu não vou demorar. – ajeitou os óculos e esperou o loiro assentir para então entrar no prédio onde morava o próximo devedor da lista.

Shizuo retirou o maço de cigarros do bolso da calça e pôs um na boca, logo o acendendo e dando uma longa tragada.

– Você não é daqui, é?

A pergunta fez o loiro inclinar um pouco a cabeça na direção da voz e se deparar com uma garota que aparentava ter mais ou menos vinte anos, cabelos curtos, repicados e tingidos de vermelho, usava calça jeans e blusa branca frente única, ambas tão coladas ao corpo que pareciam uma segunda pele, sandálias com salto alto e maquiagem um tanto exagerada para qualquer pessoa com um pingo de bom senso.

– Por acaso está perdido? – ela se aproximava, tentando puxar papo com o loiro – Está esperando alguém? – deu uma volta ao redor do loiro, como se estivesse desfilando – Alguma... namorada? – Shizuo continuou sem lhe dar atenção, mas ela não desistiu – Não vai me dizer que não tem namorada!? – abriu um pequeno sorriso malicioso enquanto se inclinava um pouco para frente, deixando o decote bem à mostra – Um cara tão bonito assim como você... – deslizou dois dedos pelo braço de Shizuo até chegar ao bíceps, onde deu uma apertada de leve – Nossa, como você é forte! – sorriu ainda mais – Deve ter muitas mulheres correndo atrás de você, não é?!

Shizuo deu uma nova tragada no cigarro e jogou a fumaça pra cima. A garota era bonita, claro, não era cego, mas tudo nela gritava problemas e não estava muito afim de confusão. O dia havia sido tão calmo até então...

– Por que não me convida pra tomar um suco, hã? – praticamente se pendurou no ombro do loiro – Poderíamos nos conhecer melhor... – disse num tom bastante sugestivo.

– Desculpe, você não faz o meu tipo. – disse simplesmente e afastou os braços da mulher do seu ombro.

Aquilo não era mentira, não que ele já houvesse tido alguma preferência específica quando se tratava de mulheres, mas já fazia vários meses que uma única pessoa lhe despertava esse tipo de interesse.

– Eu não faço o seu tipo? – ela riu e voltou a pôr as ‘garras’ nos ombros do loiro – Ora, não seja tímido. Prometo que vou cuidar muito bem de você.

– Olha só, moça – pegou as mãos da ruiva e novamente as tirou dos ombros – eu realmente não estou afim de papo.

– Ei, cara! O que está fazendo com a minha namorada?

Shizuo suspirou antes de se virar na direção dos cinco caras mal-encarados que se aproximavam, obviamente membros de uma gangue.

– Tatsumi-kun! – a garota correu para perto do tal Tatsumi – Ainda bem que você apareceu! Eu estava com tanto medo...! – disse com a voz chorosa se agarrando à camisa dele. Atuação digna de uma indicação ao Oscar.

– Seu maldito! – rosnou – Você vai aprender a não mexer com a namorada dos outros! – ergueu a barra de ferro que tinha em uma das mãos e afastou um pouco a garota, logo partindo pra cima do loiro e sendo imitado pelos companheiros.

Shizuo jogou o que ainda restava do cigarro no chão e o apagou com a sola do sapato, levantou a perna em seguida e acertou um chute certeiro no rosto de Tatsumi, o fazendo voar uns bons três metros e se chocar fortemente contra uma parede. O segundo cara foi atingido por um potente soco que o fez perder vários dentes, além de ganhar inúmeros arranhões por ter deslizado por alguns metros no asfalto. O terceiro conseguiu acertar a cabeça do loiro com um bastão de madeira, o fazendo cambalear dois passos para frente.

– Você me acertou, não foi? – passou a mão pelo local atingido, na parte de trás da cabeça e notou um pouco de sangue – Então acho que agora é a minha vez. – sorriu de forma maníaca e arrancou uma placa de “proibido estacionar” que havia ali e usou-a para ‘rebater’ os dois restantes, jogando-os dentro de uma caçamba de lixo, exatos três segundos antes de um caminhão passar e a recolher.

– Seu monstro! – a garota, agora chorando de verdade, socou, inutilmente, o peito do loiro e correu em direção ao namorado desacordado do outro lado da rua.

Shizuo jogou a placa retorcida do chão e ajeitou os óculos que estavam um pouco tortos. Retirou novamente o maço de cigarros do bolso e pôs um na boca, vendo Tom se aproximar enquanto o acendia com um isqueiro.

– Você não perde tempo, hein Shizuo! – assoviou baixo enquanto passava os olhos pelos estragos feitos pelo loiro.

– Algo me diz que tem um dedo daquele verme nisso. – deu uma tragada e assoprou um pouco de fumaça.

– Hã?! Izaya? Você o viu?

– Não, mas tenho quase certeza de que ele está envolvido.

– Achei que tinham parado com isso. – sorriu de canto – Já que agora são oficialmente um casal. – provocou.

– Já disse que não somos um casal! – falou irritado, acabando com metade do cigarro numa única tragada.

–Não foi o que me pareceu naquela foto...! – sorriu, divertido.

– Já disse pra esquecer aquela maldita foto! – rosnou e acabou com o resto do cigarro numa nova tragada.

– Mas o que foi que aconteceu desta vez? – perguntou, ainda com ar de riso.

– Uma garota deu encima de mim, o namorado dela apareceu, ela se fez de vítima, ele e mais uns caras vieram pra cima de mim e arrebentei todos eles. – deu de ombros e acendeu um novo cigarro.

– E onde o Izaya entra nisso? – indagou com uma sobrancelha erguida.

– Ele sempre está metido nesse tipo de coisa. – deu novamente de ombros.

– Oh, já sei! – falou empolgado – O Izaya estava passando por aqui, viu a tal garota se jogando pra cima de você, ficou se roendo de ciúmes e chamou esses caras para acabarem com a festa!

– Tsc. Ciúmes?! – terminou o cigarro e apagou-o com o sapato – Isso é ridículo!

– Ridículo por quê? – arqueou novamente a sobrancelha – Foi você quem disse que ele estava metido nisso.

– Sim, mas não por esse motivo. – fez uma careta.

– Não vejo nenhum outro.

– Ora, pelo simples prazer de me irritar! Sempre foi assim!

– E o fato de o namorado da garota que estava se jogando pra cima de você ter aparecido foi uma coincidência?!

Shizuo deu de ombros. Ele não acreditava em coincidências, mas a hipótese de Izaya ter tido uma crise de ciúmes era ridícula e um tanto absurda! Tudo bem que eles tinham um estranho relacionamento baseado em sexo e se importavam um pouco um com o outro, mas, ciúmes? Isso era um outro nível.

– Se você diz... – Tom também deu de ombros – Vamos fazer uma pausa. O dia está tranqüilo e fazem um ótimo bolo de nozes naquela cafeteria no final da próxima rua.

O loiro assentiu e os dois começaram a andar em direção à cafeteria, não demoraram nem cinco minutos para chegarem lá. O lugar era grande, possuía dois andares e era bastante agradável, além de uma enorme variedade de pães, bolos, biscoitos e sobremesas geladas além do café, obviamente. O primeiro andar estava lotado, mas uma das garçonetes havia dito que ainda havia mesas disponíveis no segundo. Seguiram para lá e Tom logo avistou uma mesa uma mesa, indo em direção à ela, mas parando quando notou que o loiro não o estava acompanhando.

– O que foi, Shizuo? – perguntou ao ver uma veia pulsar na testa do loiro. Não obteve resposta, então seguiu o olhar irritado do outro até uma mesa do outro lado do salão. Izaya estava ali conversando com um homem – Ei, Shizuo, não vá criar confusão, sim?! Eu gosto desta cafeteria, então por favor, não a destrua!

– Não é bem a cafeteria que eu quero destruir! – disse entre dentes e fechou as mãos em punhos quando o homem se inclinou na direção de Izaya e pôs a mão sobre a do informante que estava sobre a mesa.

Tom, que também havia visto a cena, arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto ao perceber que a irritação de Shizuo não era apenas por ter visto Izaya, era por ter visto Izaya com outra pessoa. Ele estava com ciúmes! Pensou em uma série de provocações para dizer ao loiro, mas antes de abrir a boca, Shizuo já havia ido em direção à mesa do informante.

– Como vai, Izaya-kun? – disse num tom estranhamente calmo. Izaya, que estava meio de costas para o loiro e ainda não havia notado sua presença, puxou rapidamente a mão para longe da do homem que o acompanhava e virou-se de frente para Shizuo exibindo seu tão característico sorriso cínico.

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– O que foi, Namie-san? – Izaya atendeu ao celular enquanto andava de forma apressada pelas ruas de Ikebukuro.

– Você se esqueceu do seu encontro com o Kimura-san? Ele já ligou duas vezes pra cá atrás de você. – disse a secretária do outro lado da linha.

– Não, eu não me esqueci, só acabei me atrasando um pouco. Mas já estou indo pra lá. – deu uma rápida olhada para os dois lados da rua e atravessou – E não diga “encontro”, como se fosse algo amigável, são apenas negócios.

– Não acho que ele pense assim. – falou em tom malicioso – Aquele homem está sempre dando encima de você.

– Kimura-san é realmente muito insistente, mas é uma valiosa fonte de informações pra mim. Tenho que aturá-lo.

– Só não entendi por que ele marcou esse “encontro” – deu ênfase na palavra para provocar o chefe – aí em Ikebukuro.

– Acho que ele tinha alguns compromissos por aqui, sei lá, não importa!

– Já imaginou se o Heiwajima aparece bem na hora em que ele estiver te ‘cantando’!? Aposto que o seu namorado ficaria com ciúme e daria uma de macho-alfa! Ah, como eu gostaria de ver isso...!

– Não seja ridícula! Eu já disse que o Shizu-chan não é meu namorado e ele também não faria uma “ceninha de ciúmes” , o mais provável é que ele atire algum poste na minha direção assim que me vir aqui.

– Então é só você que sente ciúmes nessa relação?

– Eu não sinto ciúmes do Shizu-chan! – falou com certa indignação.

Sei...

– Não sinto! – disse com firmeza – Por mim ele poderia estar se encontrando agora mesmo com alguma loira peituda que eu nem me impor... – parou de falar e de andar e estreitou os olhos, focando-os nas duas pessoas há vários metros de distância, no final da rua.

Izaya? – perguntou Namie, estranhando o súbito silêncio do informante.

– Falo com você depois, Namie-san. – e desligou.

Havia acabado de dizer para Namie que não se importaria se Shizuo estivesse se encontrando com alguma loira peituda, mas a realidade não era bem assim. Além de não gostar nem um pouco do que estava vendo, a tal peituda era ruiva e não loira. Viu a mulher se inclinar um pouco na frente do loiro, deixando seu decote exagerado bem à mostra. Uma veia começou a pulsar no pescoço do moreno.

– Quem essa vadia pensa que é? – murmurou irritado dando alguns passos em direção aos dois, mas parando quando seu celular começou a tocar – O que é? – praticamente rosnou, enquanto via a ruiva deslizar os dedos pelo braço de Shizuo.

Orihara-san? Algum problema? – era Kimura.

– Não, nenhum problema, Kimura-san. – tentou controlar a irritação na voz – Só tive alguns contratempos, mas já estou quase chegando.

– Certo, estou esperando.

– Até logo. – e desligou, sem esperar qualquer resposta do outro enquanto praguejava em pensamento. Não tinha tempo para ir ele mesmo acabar com a ruiva vadia, mas a havia reconhecido, era a namorada de Tatsumi Ogawa, membro de uma gangue de marginais que costumava fazer alguns servicinhos pra ele. Discou rapidamente o número que estava na agenda do celular e esperou por alguns segundos.

Orihara-san?! – atendeu Tatsumi.

– Oh, olá Ogawa-kun!

– Tem algum servicinho pra gente?

– Não, não... na verdade tenho uma informação pra você, e como sempre foi tão prestativo comigo, não vou cobrar nada, sim!?

E que informação é essa?

– Já ouviu falar em Shizuo Heiwajima? Pois é, ele está com a sua namorada agora...

– Como é que é?! Eu vou matar esse cara! Onde ele está?– Izaya passou o endereço da rua para ele – Isso fica a uma quadra daqui. Obrigada pela informação Orihara-san. Nós vamos acabar com esse cara!

– Não precisa agradecer. Até mais! – desligou e seguiu para o seu compromisso, ainda vendo Tatsumi e mais quatro caras entrando na rua em que Shizuo e a ruiva estavam – É uma pena eu não poder assistir... – deu de ombros e entrou na rua seguinte, logo chegando na cafeteria que era seu destino e subindo para o segundo andar, onde sabia que Yutaka Kimura o estava esperando.

– Orihara-san! – cumprimentou Kimura, levantando-se de sua própria cadeira e sentando-se novamente quando o informante também se sentou.

– Desculpe o atraso, Kimura-san. – se desculpou.

– Sem problemas. Não me importo em esperar um pouco só para ter o prazer da sua companhia. – sorriu galanteador.

Izaya teve que se segurar para não fazer uma careta. Sempre que tinha que se encontrar com Kimura era assim, o homem não poupava charme para tentar arrastá-lo pra uma cama. Esse tipo de situação não era novidade para Izaya, ele tinha vários clientes que como dizia Namie, “davam encima dele”, ele até flertava com alguns, mas não passava disso. Yutaka Kimura era um caso à parte, não se contentaria com um simples flerte e como Izaya não podia simplesmente dispensá-lo, afinal ele era uma ótima fonte de informações, fazia o possível para contornar as cantadas do homem sem ser rude e sem lhe dar qualquer esperança.

– Bom, vamos ao que interessa, não é, não quero tomar muito do seu tempo. – deu um sorriso mínimo.

– Não precisa ter pressa. Que tal tomarmos um café? – fez sinal para uma das garçonetes.

– Claro.

Fizeram os pedidos e alguns minutos depois a garçonete voltava com duas xícaras de capuccino e alguns pãezinhos de coco com canela.

– Então, Kimura-san... – tomou um gole do café – Sobre aquele assunto...

– Ora, acho que podemos dispensar essas formalidades, não é!? – pôs a mão sobre a do informante que estava sobre a mesa.

Izaya não estava com muita paciência naquele dia e mesmo Kimura sendo um conhecido negociante de obras de arte – legais e ilegais – e tendo contatos bastante úteis ao informante, o moreno estava à ponto de dizer de uma forma nem um pouco delicada que não haveria a remota possibilidade de ele ter a mínima chance com ele, mas antes que fizesse isso, a voz da última pessoa que esperava que aparecesse ali lhe sobressaltou.

– Como vai, Izaya-kun? – Shizuo disse num tom estranhamente calmo, surpreendendo duplamente Izaya, que ainda não havia notado a sua presença e meio que por reflexo, acabou puxando rapidamente a mão para longe da de Kimura, antes de virar-se para o loiro exibindo seu tão característico sorriso cínico.

– Shizu-chan! O que faz aqui?

– Eu ia te perguntar exatamente a mesma coisa. – continuou no mesmo tom de antes. Izaya estreitou um pouco os olhos, aquela falsa calma de Shizuo não era sinal de boa coisa – Já não te disse pra parar de aprontar na minha cidade, pulga?!

– Eu não estou aprontando nada. – se fez de ofendido – Só estou aqui apreciando esse delicioso café. – tomou mais um gole da bebida.

– Por favor, eu peço que se retire. Não vê que está atrapalhando o nosso encontro? – disse Kimura, que até então havia sido completamente esquecido pelos outros dois.

– Oh, encontro é? – irritação começava a transparecer no tom de voz do loiro.

– Um encontro de negócios. – acrescentou Izaya.

– E eu posso saber que tipo de negócios você tem com ele, Izaya?

– Ora, não creio que isso seja da sua conta! – o negociante intrometeu-se novamente.

– O que foi que você disse? – o loiro praticamente rosnou, erguendo-o da cadeira pelo paletó.

– Pare com isso, Shizu-chan. Ele está certo, isso não é da sua conta!

– É claro que é da minha conta!

– Ah, é? Posso saber por quê? – cruzou os braços aguardando uma resposta do guarda-costas.

– Por que... Por que... – por quê? – Por que sim!

– Você está sendo ridículo, Shizu-chan!

– Quem está sendo ridículo é você aqui se encontrando com esse velho! – soltou o negociante e voltou-se para Izaya.

– Eu não sou velho! – reclamou Kimura, mas ninguém lhe deu atenção. Realmente ele não era velho, tinha trinta e oito anos, era considerado bastante jovem em seu ramo de trabalho.

– Já disse que é um encontro de negócio!

– Não foi o que pareceu!

– Ah, e você entende muito sobre encontros, não é?! Deve ter aprendido muito com aquela ruiva peituda!

Shizuo estreitou os olhos.

– Eu sabia. Foi você, não foi, seu verme!?

Izaya arregalou um pouco os olhos ao se dar conta do que havia deixado escapar.

– Não sei do que você está falando! – tentou desconversar.

– Nem adianta tentar desconversar, você já se entregou, Izaya!

– A culpa não é minha se você fica dando trela pra qualquer vadia!

– Eu não fiz nada!

– Não foi o que pareceu! – devolveu a fala usada anteriormente pelo loiro, no mesmo tom irritado e acusatório.

– Será que dá pra-

– FICA FORA DISSO! – o loiro e o moreno disseram juntos, interrompendo o que quer que fosse que Kimura iria dizer e ficaram se encarando, bastante irritados.

– Ih, amigo, é melhor nem se meter...! – disse Tom para Kimura, Ele havia puxado uma cadeira e se sentado ali para assistir de camarote a “briguinha do casal” e ainda havia se apoderado de vários pãezinhos de coco com canela.

Bom, na verdade, não era só Tom que estava prestando atenção naquele “showzinho”, os clientes das outras mesas e também os garçons e garçonetes e até boa parte dos clientes que estavam no andar de baixo, formavam uma platéia razoável ao redor dos dois, que pareciam ainda não terem se dado conta de que eram o centro das atenções.

Os dois permaneceram um bom tempo naquela batalha de olhares, o que era bastante incomum se tratando de quem eram, principalmente por conta de Izaya que não costumava deixar transparecer sua raiva e sempre que isso acontecia, um pequeno beicinho, completamente involuntário, se formava nos lábios do moreno e isso, estranhamente, conseguia desarmar o loiro. Shizuo bagunçou os próprios cabelos com as mãos e respirou fundo para tentar conter um pouco a raiva.

– Vamos sair daqui. – disse para o informante.

– Não vou a lugar nenhum com você! – estreitou os olhos e aumentou ainda mais o beicinho.

Shizuo também estreitou os olhos, segurou o pulso do informante e começou a puxá-lo para saírem dali.

– Me solta, Shizu-chan! Já disse que não vou a lugar nenhum com você – tentou se soltar mas foi inútil.

– Você pode sair daqui andando ou sendo carregado. Escolha!

Izaya bufou e parou de tentar se soltar, deixando-se ser levado pelo loiro e finalmente prestando atenção na pequena platéia que os assistia. Obviamente aos olhos de terceiros aquilo não passou de uma típica briguinha de casal por causa de ciúmes.

– Estão olhando o quê? – rosnou o loiro para ninguém em particular, mas foi o suficiente para que todos rapidamente voltassem ao que faziam antes de pararem para assistir ao “show”, afinal, quem em Ikebukuro não sabia da fama de Shizuo Heiwajima?

Os dois logo saíram da cafeteria e Shizuo não puxava mais o moreno, não era necessário, também não trocaram mais nenhuma palavra durante o percurso até o apartamento do loiro, ambos confusos e perdidos em meio aos próprios pensamentos.

Assim que a porta foi fechada Shizuo prensou o moreno contra ela e o beijou de forma agressiva e faminta, sendo correspondido da mesma forma por parte do outro. Não era como se eles houvessem ido ali para conversar de qualquer forma, aquilo não era um relacionamento, mesmo se parecendo bastante com um, principalmente depois daquela cena lamentável na cafeteria. Era difícil admitir até para si mesmos que estavam com ciúmes, eles não eram um casalzinho apaixonado! Nem um casal eles eram! Não havia uma necessidade de conversarem à respeito, mas havia a necessidade de descarregarem a raiva que ainda estavam sentindo e nada melhor do que uma boa dose de sexo selvagem pra isso.

Quando Izaya foi bruscamente jogado sobre a cama, não vestia nada além da cueca cinza escura. O loiro, que ainda estava de calça, tratou de retirá-la rapidamente, ficando também só de cueca e se deitando sobre o informante. Voltaram a se beijar com urgência, Shizuo apertava com força o quadril e uma das coxas do moreno, deixando a marca perfeita dos seus dedos na pele pálida, enquanto Izaya arranhava com vontade as costas do loiro e puxava os cabelos do mesmo sem nenhuma delicadeza. Shizuo terminou o beijo dando uma forte mordida no lábio inferior do informante, arrancando sangue e passando a língua sobre a pequena ferida, logo deslizando-a pelo queixo e pescoço, onde mordeu, novamente com força suficiente para romper a pele. Izaya não deixou por menos, cravou as unhas curtas com mais força nas costas do loiro e quando teve a chance mordeu-lhe um dos ombros, só afastando os dentes do local quando sentiu gosto de sangue.

A boca do loiro logo desceu para os mamilos do moreno, chupando-os com vontade enquanto se livrava da cueca do moreno e da própria, logo abocanhando a ereção pulsante do informante por breves antes de erguer o próprio tronco e posicionar o membro na entrada do outro, penetrando-o bruscamente e o fazendo gritar. O guarda-costas não esperou que ele se acostumasse com a invasão e começou a estocá-lo, movendo-se com rapidez e brusquidão e se deliciando com os gritos cada vez mais altos de Izaya, que ele sabia não serem exclusivamente de dor, afinal, aquele desgraçado não passava de um masoquista, e já que ele gostava tanto de sentir dor... ele o faria sentir bastante! Puxou o quadril de Izaya de encontro ao seu membro e pôs ainda mais força nas estocadas, sentindo o membro do deslizar com mais facilidade pra dentro do outro, obviamente por conta do sangue proveniente dos machucados que havia causado por tê-lo penetrado tão bruscamente. O informante não mais gritava, mas seus gemidos eram tão altos quanto. Adorava aquela sensação, aquele misto de dor e prazer era algo sublime, extasiante. E se aquele loiro sádico gostava tanto de fazê-lo sentir dor... Por que não?

Uma última estocada, forte e profunda, fez com que Shizuo gozasse dentro do informante, puxando o quadril do mesmo com bastante força e dando uma apertada na glande do moreno e fazendo-o gozar também. Se retirou de dentro dele e se jogou na cama, sentindo uma certa ardência quando suas costas tocaram a colcha, mas não dando a mínima importância a isso.

O silêncio prevaleceu naquele quarto, mesmo depois de já terem normalizado as respirações e descansado um pouco, nenhum dos dois disse sequer uma palavra. Os olhos de Izaya começaram a pesar, estava exausto mas não queria dormir, não ali. Sentiu o braço de Shizuo envolver sua cintura e o corpo do loiro se colar ao seu, fez um certo esforço para virar-se de frente pra ele para mandar que o soltasse, mas ele já estava dormindo, ergueu a mão para afastá-lo de si, mas estava tão cansado que seu corpo nem o obedecia mais, ao invés de dar um belo empurrão no loiro, sua mão pousou suavemente no rosto dele e o acariciou de leve. Os olhos de Izaya piscavam de forma cada vez mais demorada, até ser impossível pra ele continuar resistindo e se entregar ao sono, sua mão ainda permanecendo sobre a bochecha de Shizuo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Mereço reviews??? Bjs!!! *-* !!!