De madrugada, conflitos entre suas emoções e sentimentos. Novamente liga o rádio escutando músicas da década de 50 até 80. Se preparando para sair, coloca sua máscara, luvas e suas armas brancas: face e foice. Não tendo muito que fazer, quando ia desligar o rádio, o locutor de plantão faz comentários que recebeu informações que no mesmo dia que os bandidos tinham apanhado, do outro lado do bairro aconteceu tiroteios e muitos criminosos foram mortos.
Relembrando do que tinha feito quando foi até o bandido que tinha sido solto. Contando que pessoas avistaram uma pessoa mascarada toda com sangue saindo do local das mortes. Escutando aquilo ali, falando para si mesmo sozinho as seguintes perguntas: Qual o meu propósito? Porque eu nasci? Cansado de ouvir tragédias, ainda mais ele tendo causado, desliga e sai da cabana mais uma vez.
Perdidos em pensamentos de qual era seu propósito e o motivo de sua existência caminhando viu pessoalmente pessoas que podiam ser professores usando a mesma vestimenta que ele e diversas de máscaras diferentes, mas com a cor roxa. Não se importando com isso, vai até o bairro mais perigoso da cidade para confrontar os bandidos.
Chegando ao bairro, só colocando os pés, já observa bandidos de moto assaltando um carro. Sem hesitar, encrava a faca nas costas do que estava na parte de trás do motorista e joga-o no chão. Logo em seguida, a pessoa que estava dentro do carro que ia ser roubado acelera e foge. O piloto da moto de capacete sai e atira, mesmo sendo atingindo ocasionando dor no Johnny, ele aguenta usando a foice e insere seu ombro.
Estava tão concentrado no que ia fazer, que não sentia mais nada. Com olhar fixado para os dois, os dois machucados e caído no chão atirando nele. Se aproximando devagar, dá um chute na pistola que para do outro lado da rua e encrava a foice no queixo atravessando pela a cabeça. O outro com ferimentos nas costas disparando de sua arma se levanta, enquanto ele se aproximava ficando a cara a cara. A munição acaba e todo amedrontado pergunta:
— Por que você não morre? –tremendo com a arma na mão.
— Por debaixo dessa máscara... –olha para o chão — Há uma criança triste, com traumas e medo. –levanta a cabeça e olha para o rapaz — E minhas emoções... São a prova de balas. –com os olhos cheios d’água friamente termina.

Depois de ter assassinado o rapaz, pega a pistola do chão que tinha chutado e volta para cabana. Dentro da cabana, volta cansado e ofegante. Com as perfurações das balas doendo. Coloca suas armas brancas na mesa e começa a falar:
— Por que eu nasci? Afinal, qual é a porra do meu propósito? Eu me pergunto todos os dias. Que eu fiz para merecer tanta desgraça. Eu só nasci nessa merda para sofrer? As pessoas nunca se importam umas com as outras. –tira a máscara do rosto põe na mesa e pega a pistola na cintura e atira na própria cabeça.

Já amanhecendo, a poucos metros dali dava para se escutar o som dos disparos, assustando os pássaros das árvores fazendo-os voar. Quando de repente Kimberly do lado de fora começa a correr em direção à cabana. Entrando ver os furos na cabeça e chorando com a arma descarregada na boca. Ela se aproxima devagar e faz ele tirar a pistola da boca. Desesperadamente fala:
— O que você está fazendo?! Meu Deus! –coloca mão na cabeça.
— Eu quero morrer! Não é óbvio?! –com lágrimas no rosto.
— Mas por quê?!
— Eu não sou feliz, só sofro quando tento ajudar as pessoas. Se for eu mesmo, as pessoas criticam, se eu não for também criticam, eu devo fazer o quê? Continua sofrendo e chamar de vida?
— Você tem que pensar positivo, para atrair coisas boas e não negativo.
— Como dá para pensar positivo quando você tem uma família de merda que ninguém dá mínima e ainda na porra da escola é humilhado. E caso revide por se defender se torna vilão. Diga-me vai! Onde pensar positivo quando durante toda a minha vida os únicos sentimentos que conheço são dor e sofrimento. Até quando vou ajudar alguém sou humilhado pela aparência.
— Eu sei disso eu sei como se sente...
— Não, não sabe. Você não passou por um terço do que passei, por acaso já passou fome?
— Não.
— Pois é. Eu já várias vezes. Por acaso tem amigos ou já namorou?
— Sim...
— Então, eu não. Por acaso nos seus aniversários fazem alguma festinha ou dão parabéns? –olha para ela de cabeça baixa. – Nem precisa responder.
— Me desculpa, não sabia que as coisas eram tão difíceis para você.
Voltando a si e se acalmando percebendo o erro diz:
— Na verdade... Eu que peço perdão. Estou cansado de tudo, não quero mais viver.
— Mas você não pode, por causa do Luis.
— Por favor, pare de lembrar-se dele por um momento, você trata ele como se fosse um Deus.
— Não é isso. É que eu acho que ele queria que você fosse assim.
— Eu tenho ódio dele, ele não era todo poderoso afinal. Só quero acabar com meu sofrimento eterno. Só isso.
— Você viu que você fez quando matou todos aqueles traficantes naquele bairro? Você virou um ídolo para as manifestações as pessoas se vestirem de igual a você. Você deu motivo para as pessoas no qual lutar, não é só em greves de professores não. Você as deixa vivas e felizes!
— Se eu faço todos se sentirem vivos, qual será meu motivo de viver? –eles se encaram.
— Eu não sei como responder isso. Mas vou te falar uma coisa, quando você vive pouco com muitos problemas. Os traumas vão construir o caráter. –ela responde e Johnny dá um sorriso e diz:
—Depois de tanta merda... Eu agora entendi... Durante toda minha vida, eu não acreditava na minha existência, depois que morri eu comecei a viver. –Kimberly olha para ele assustado ao falar isso.
— Olha, tenho que ir. Eu trouxe mais comida para você e outra coisinha. –para mudar o assunto e coloca a sacola na mesa.
— Espera aí. Agora que reparei... Como me encontrou? –questionando.
— Google Maps. A tecnologia ajuda muito, e além do mais, nessa floresta não tem muitas cabanas.
— Não entendo, mas obrigado.
— Obrigado por quê?
— Você sempre foi à única que me tratou bem. Me viu como pessoa e não como um monstro.
— Mas você não é.
— É o que eu espero... –ele a leva até a porta.
— Promete que não vai mais tentar se matar? –ainda preocupada.
— Tá prometo... Tchau. –fala sorrindo.
— Tchau –ela responde e ele fecha a porta.

Com a porta fechada, vai em direção à mesa e olha o que tem dentro da sacola. São biscoitos, pães de queijo e uma máscara roxa nova. Ele continua dando um sorriso por achar meio engraçado toda essa situação, vai ao banheiro e toma um banho.