Noites de tormentas sem fim
1 Capítulo 1 - O Anjo Psicopata
Meu nome era Nadjha.
Nunca entendi por qual razão meus pais me deram esse nome, só sabia que algum dia descobriria, e descobri. Quando minha mãe engravidou, ela resolveu ir a igreja, parece que o padre tinha ficado possuído ou algo assim, mas ele dissera as seguintes palavras enquanto seus olhos ficavam vermelhos:
"Em seu útero, carregas um anjo. Seu nome é Nadjha, mandada a terra para dar informação ao seu Deus. Nem o meu, nem o seu, o dela. Seu nascimento trará grande alegria e sua existência grande devastação. Cuide dela e a afaste de repulsivas pessoas, aquelas que são impuras perante a Bíblia."
Como sei disso ? A morte me disse. Minha mãe nunca entendera tais palavras e o que havia acontecido, mas tratou de seguir o que o tal padre disse. Nasci saudável, com olhos de uma cor em particular, não eram verdes e nem castanhos, eram de um tom amarelado e meus cabelos eram pretos como o carvão. Cresci dentro da igreja louvando a um deus sem nome, apenas "Deus", e seguindo tudo que minha mãe dizia. Sempre fui a típica "garota exemplar" e ela nunca me disse um "não" pois nunca precisei ouvir um. Nunca fui mimada, nem rica, cresci em uma casa de dois andares construída por meu avô em torno de 1980. Nela tínhamos 4 quartos: de meus pais, meus avós, meu e o de visitas. Eu nunca fui consideravelmente "normal", sempre fui a pequena sonâmbula que perambulava pela casa dizendo coisas macabras e brincando de bonecas com fantasmas, mas meus pais nunca ligaram para isso, para eles, eram apenas amigos imaginários e pesadelos sem nexo.
Conforme cresci, meus cabelos assumiram uma cor um tanto quanto particular, ficaram brancos e meus olhos bem amarelos. Meus pais me levavam a médicos mas eu não tinha doença alguma, então eles simplesmente aceitaram. Nunca dei problemas senão algumas gripes, arranhões nos joelhos entre outros cortes por brincar na rua com os garotos da minha sala e escalando árvores. Todos sempre acharam que eu era lésbica, até eu achava isso, pois nunca usei roupas de grife e nem "na moda", afinal, o que é "moda" ? Vejo essa palavra como uma desculpa da sociedade para fazer as pessoas se vestirem iguais. Sempre andei com meninos e as meninas me achavam estranha, como se já não bastasse meus cabelos e meus olhos de cores um tanto quanto especiais, eu não tinha lá tantos amigos, muito menos amigas.
Como tudo no mundo, o tempo passou e com ele, eu cresci. Tinha 13 anos quando mudei de escola e conheci o Tyler. Sempre tive notas boas, uma boa vida e uma boa família, tudo que eu precisasse e até mais, tive alguns luxos por ser filha única. Tyler era novo na cidade, e havia se mudado para a casa ao lado da minha. Era grande e tinha um belo portão vermelho, igual a sangue. Não sei a razão, mas vermelho sempre me atraiu. Seus cabelos eram negros como a noite e seus olhos castanhos. Não tinha o físico perfeito e usava óculos maiores que o rosto, era mais alto que eu e sempre com um sorriso na cara, acho que isso me atraiu. Nos tornamos amigos e 3 anos depois, namorados. Meus pais aprovavam pois o conheciam bem, as famílias se tornaram muito amigas durante esses 3 curtos anos. Mas em um certo dia, conheci melhor meus "amigos imaginários".
Era um dia normal de verão, eu estava na minha cama lendo um livro e ouvindo uma de minhas playlist's quando recebi uma mensagem de um dos amigos de Tyler, Anthony:
"E aí, platinada, beleza ? Os créditos do Ty acabaram e ele pediu pra eu te convidar, tamo dando uma festa aqui na minha casa, cola aí"
Marquei a página que estava lendo e parei minhas músicas. Vesti meu jeans favorito e uma camiseta com as mangas não tão curtas, coloquei meu coturno e fui. Ao chegar, Anthony disse que ainda estavam acabando de arrumar as coisas e Tyler me chamou ao quarto. Sem saber de nada, acabei indo.
Começamos a nos beijar e ele me empurrou para a cama, pedi para que parasse mas ele não me ouviu. Chegaram seus amigos e ele me prendeu na cama. Tirou minhas roupas, trancou as portas e fechou as janelas. Lá estava eu, nua na cama de um amigo dele com todos em volta. Me senti como um brinquedo na prateleira, começaram a tocar em meu corpo e a usa-lo como queriam. Me penetraram e eu gritava por ajuda mas os pais de Anthony tinham viajado. O que mais me causa dor é que meu melhor amigo, Gabriel, estava na casa quando cheguei, mas não quando aquilo estava acontecendo. Ouvi ele batendo a porta e berrando meu nome enquanto eu pedia socorro, os amigos de Ty haviam o trancado na sala, com a porta da frente trancada, a porta para a cozinha com o cachorro que mais parecia um lobo e a outra porta, a do quarto. Quando acabaram tudo aquilo, nos ameaçaram de morte caso contássemos a alguém. Passaram-se 3 semanas, meu rendimento escolar mudou, minhas roupas de cores normais se tornaram pretas assim como minha alma, meus olhos amarelos se tornavam vermelhos a cada vez que eu olhava para Tyler e seus amigos, e Gabriel não me abandonava por um minuto sequer, sempre me ajudava e entrou na mesma onda. Passei a estudar as artes das trevas e não foi difícil me tornar uma bruxa, a cada coisa que lia, como por exemplo, a função de um feitiço e seu nome, não precisava ver como o fazer, só fazia sem nem entender como era possível.
Ao longo do tempo, meus olhos ficaram tanto amarelos quanto vermelhos, eram quase como listrados dessas cores, e meus cabelos começaram a ficar diferentes, gélidos como a neve, e minha pele, quente como o fogo, mas aquilo não era o suficiente. Certa noite, a morte me visitou. Ela me esclareceu tudo, e me disse quem eu era e a razão de meu nome, ela havia possuído o padra naquele dia e dito a meus pais o meu futuro sem dar pistas. Nos tornamos amigas, até demais, e ela me ensinou tudo que eu precisava saber. 27 de Novembro de 2018, Tyler resolveu dar uma festa pelo seu aniversário de 17 anos e chamou a todos, menos a ex esquisita e o amigo dela, então fiz o que qualquer pessoa faria: invadi.
Com meus poderes, consegui hipnotizar a todos, subi em uma mesa e todos seguiram minhas palavras: amarraram meu ex e seus amigos um por um e colocaram a minha frente. Bem devagar, fui os torturando: passando folhas de papel entre os dedos e espremendo limão, amarrando-lhes as genitais, raspando suas cabeças, depilando seus corpos, e, por fim, os matando. Cortei-lhes os pescoços de um modo que os fizesse sentir uma dor infinita, até que morressem. Queimei os corpos e joguei as cinzas sob a casa, tirei todos os outros de dentro da casa e incendiei-a. No dia seguinte, todos se perguntavam o que havia acontecido com aquela casa mas ninguém sabia, os policiais interrogaram a todos mas ninguém soube a resposta.
Só eu, a morte, e Gabriel.
E claro, meu Deus, Mefistófeles.
Fale com o autor