Noites Sombrias
55 O Ataque
Notas iniciais
Levi acabou adormecendo no sofá, enquanto assistia um filme com Raven. A vampira, então, o cobriu com um cobertor. Os olhos da loira brilhavam toda a vez que olhara para o rapaz. Raven não havia notado que deixara a luz da cozinha acesa, então, levantou-se para desligá-la. Ao chegar na cozinha, ela percebeu por um momento, um vulto passando pela janela. Desconfiada, desligou a luz e voltou para a sala.
Ao voltar, ela logo correu para trancar a porta, mas a mesma foi destruída. A vampira caiu para trás com o impacto. Ela, então, avistou três rostos, sendo dois deles, desconhecidos.
–Quem são vocês?! — Perguntou
–Não lembra-se de mim, linda?! Sou o Patrick. — Disse ele, encarando a garota no chão. — Vim procurar a tal bruxa, que ressuscitou os mortos. Tenho contas para acertar com ela.
–Eu não sei quem é você. Mas por favor, saia dessa casa.
O vampiro olhou para seus dois companheiros, confuso. Só então, deu-se conta de que a garota realmente não lembrava-se de nada. Até por que, ele a viu morrer na guerra de Collsville.
–Você não lembra-se de nada?! — Perguntou Patrick, recebendo um gesto de negação com a cabeça da vampira. Ele então, se aproximou. — Eu era seu grande amigo. Eu lhe tirei da guerra, para te salvar.
–Mas... A Ana Júlia e o Levi disseram que eu morri.
–Eles mentiram. Você nunca morreu. Só bateu forte com a cabeça, por isso não lembra-se de nada.Mas eu posso lhe dar as respostas para as perguntas que você tem. Basta fazer um favorzinho para mim.
–Que favor?!
–Diga-me, você consegue entrar em qualquer lugar, correto?! — Perguntou, desta vez recebendo um gesto positivo com a cabeça, vindo da garota. — Então eu tenho um trabalhinho para você.
–E como eu sei que posso confiar em você?!
–Por que, na verdade, eu sou seu irmão. E só quero me vingar das pessoas que mataram a nossa família.
Neste momento, Levi acordou e percebeu a presença de Patrick e dos outros dois. Rapidamente, ele tentou atacar Patrick, foi surpreendido com um golpe do rapaz que acompanha o vampiro, fazendo-os serem lançados pela janela e caírem no quintal.
Raven se assustou, e tentou correr para socorrer seu grande amor, mas Patrick segurou seu braço.
–Acalme-se querida, lembre-se que ele é um mentiroso.
–Me solta. Eu não quero ir com você. -Gritou a vampira.
–Péssima escolha. Christanny...
A garota, que acompanhava o vampiro segurou a cabeça de Raven, com suas mãos. Seus olhos ficaram em um tom amarelado.
–Você vai esquecer dessa luta e fazer tudo o que Patrick mandar. Agora, preste atenção, na sua missão. -Disse a garota.
Do lado de fora, só podiam ser ouvidos os latidos dos cachorros. Levi e o discípulo de Patrick travavam uma batalha de corpo a corpo. Levi atacou o garoto, que bateu com muita força em uma árvore, quebrando-a. Levi viu Raven saindo da casa, junto com Patrick e Christanny. Ele tentou ajudá-la, mas foi pego pelo rapaz o qual lutara, que abriu suas asas e levantou vôo. Após um olhar de Kristanny, o rapaz simplesmente quebrou o pescoço de Levi, jogando-o no chão novamente e seguindo seu mestre.
***
Rin chegou ao parque de diversões. Ela estava acompanhada de James. Logo na entrada do parque, ela percebeu que aquela noite, seria longa.
–Me desculpem, vocês não podem entrar. — Disse o bilheteiro.
–Por que não?! — Perguntou a garota.
–Não me leve a mal, mas você é uma daqueles esquisitos, e não quero problemas, então...
–Eu não sou mais bruxa. Eu sou humana...
James levantou a mão, como um modo para fazer Rin se acalmar. Ele daria conta da situação.
–Escuta aqui, seu saco de banha ridículo. Você sabe quem eu sou?! Eu sou James Glinston, o filho do prefeito dessa cidade e se você não calar a boca e nos deixar entrar imediatamente, eu mando meu pai fechar essa espelunca. — Disse James, com toda a educação possível.
–Me desculpe Entrem, por favor.
Rin olhou para James, admirada. O modo como ele falou, sem levantar o tom de voz. Infelizmente, embora os seres tivessem sido aceitos na sociedade, muitas pessoas ainda tinham preconceito com tais. Será que se eles soubessem que James é um vampiro, ainda assim, o respeitariam?!
–Roda gigante?! — Perguntou o rapaz.
–Prefiro montanha russa. Quer dizer, se você não tiver medo, é claro. -Debochou a garota.
–Eu sou um vampiro e você acha que eu tenho medo de montanhas russas?! -Perguntou le, recebendo um sorriso da garota. — O último que chegar é um bobão.
James correu na frente, sendo seguido por Rin. A garota estava sorrindo e até quase alcançando o jovem, até perceber algo muito estranho. Uma nuvem negra, com um buraco embaixo dela. James perguntou á ela se estava tudo bem.
–O que é aquilo?! — Perguntou
–Aquilo o que?!
–Aquela nuvem, com aquele buraco embaixo.
–Rin, não tem buraco nenhum ali. Vamos.
A garota assentiu e voltou á correr até a montanha russa, mas ainda ficou confusa.
***
Em SandVille, os grupo de busca por Nathalie parou para descansar, enquanto Iran, ainda tentara entrar na cabeça da garota. Christian estava sentado, longe dos outros, bebendo água. Ana Júlia caminhou até o rapaz e se sentou ao seu lado.
–O que foi?! — Perguntou
–Por que acha que tem alguma coisa?!
–Você está longe dos outros e eu sei que não é por causa do Iran.
–Eu prefiro assim. Não tem por que se apegar á esses meros mortais, se depois eles vão embora.
–Você não devia aproveitar o tempo enquanto eles estão vivos?!
–Você não sabe quantas pessoas eu vi morrer, quantos eu tive que enterrar. A dor é horrível e eu não quero passar por ela, novamente.
–Na verdade, eu sei bem como é essa dor. -Respondeu Ana Júlia, conseguindo fazer com que Christian olhasse para a mesma. — Eu vi minha família inteira ser morta por vampiros. Tive que enterrar uma amiga extraordinária, que já deu a vida por mim. Eu nunca encontrei nenhum remédio para amenizar a dor que eu senti e sinto até hoje.
–Sabe o remédio para isso?! Eliminar o que causou isso.
–E foi o que eu fiz.Por muitos anos, esperei para reencontrar o maldito vampiro que matou minha família e quando finalmente o encontrei, eu simplesmente o matei. Sem chance dele se explicar. -Lágrimas começaram a cair dos olhos de Ana Júlia. -Como eu vou saber, se ele não matou a minha família para salvar a dele?! e se ele tivesse filhos?! Eles estariam perguntando por que o pai deles nunca voltou para casa. Perder a minha família só me deixou mais forte. Mas matar aquele vampiro, me deixou culpada. Por que provou que eu sou igual á ele ou talvez pior. Se eu o considerava um monstro, o que eu sou?!
A bruxa abaixou a cabeça, para disfarçar seu choro. Christian a abraçou e deixou que ele fizesse de seu colo, travesseiro, enquanto o anjo limpara suas lágrimas.
–Eu hipnotizei uma cidade inteira, para ter companhia. Amigos leais, pessoas que eu poderia confiar. Uma família. Mas sabe qual é a diferença?! Eles me idolatram. Só que essa idolatração é falsa, é um jogo que eu mesmo criei para me sentir melhor. O amor que eles sentem por mim, não é real. Mas o amor que eu sentia pela minha família, era. Engraçado, nunca contei isso a ninguém. Talvez por que não tinha para quem contar.
–Mas agora tem. Serei a sua ouvinte, com quem você sempre poderá contar, quando precisar. Desabafar.
–Eu nunca desabafo. -Respondeu Christian
–Bem... Mas foi o que acabou de fazer...
Iran se aproximou dos dois, assustando a bruxa quando apareceu, por ter caminhado lentamente até eles.
–Estou atrapalhando alguma coisa?! — Perguntou o bruxo.
–Na verdade, sim. -Respondeu o anjo
–Isso não é problema meu. Consegui entrar na cabeça de Nathalie, mas ainda não consegui localizá-la.
–Como era o lugar em que ela estava?! — Pergunta Ana Júlia.
–Parecia ser um hotel. Ela estava em um quarto e a vista da janela dela era uma cafeteria.
–Hotel Skretch. Fica entre a saída de SandVille e a entrada da outra cidade. -Disse Christian
–Legal, e como fazemos para chegar lá?! Vamos voando?! — Perguntou Iran.
–Não. Nós vamos voando. Você vai de carro.
Christian retirou seu casaco e segurou na cintura de Ana Júlia. Abriu suas enormes asas e levantou vôo.
–Eu tenho medo de altura. -Disse a bruxa.
–Não se preocupe. Eu sou seu anjo da guarda. -Respondeu o rapaz, sorrindo para a garota.
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