Noites De Outono
4 You're always on my mind
Notas iniciais
Longos mil e noventa e cinco dias se passaram, exatos três anos desde que conheci a garota que roubou meu coração. Continuamos mantendo contato por e-mail, mas sempre que podia eu ligava rapidamente, às vezes no meio da noite, para dizer “eu te amo” e consequentemente ouvir também; eu queria poder dizer pessoalmente, queria poder sentir o doce toque dos seus lábios nos meus, suas mãos nas minhas, olhar nos seus olhos e chama-la de “minha pequena”. Quase que todas as noites, antes de dormir, eu penso na Amber e se ela esta feliz, se sente minha falta ou se simplesmente pensa em mim. Sinto que encontra-la esta bem além de um simples sonho, sei que se tornara realidade; não importa aonde nem como, nossos corações irão se encontrar seja nessa ou na próxima estação.
O inverno ainda sorria para nós, britânicos; a neve caia lentamente e formava um fino tapete branco na calçada vista pela janela do restaurante, o sol de meio-dia cintilava nos flocos que brilhavam como se fossem pequenos diamantes caindo do céu. Do lado de fora crianças corriam enquanto seus pais conversavam com amigos, casais andavam de mãos dadas e amigas conversavam sem parar enquanto contemplavam o dia. Fiquei admirando os casais e desejando estar no lugar deles com a minha Amber.
– Zayn! — Liam me acordou do meu breve, mas desejado sonho. – Não vai comer não?
– Vai? Diz que não – Niall olhando para mim com cara de cachorrinho – Eu ainda quero comer mais.
– Você não comeu nem a sua comida – Harry disse apontando para o prato do Niall
– Mas eu sei que vou continuar com fome. – Niall riu e todos riram junto.
– Triste noticia para você Horan, eu vou comer. – dei a primeira garfada e voltamos todos a almoçar.
Almoçar como os meninos sempre foi bem divertido, tirando o fato de que o Liam chorou porque a garçonete não quis lhe dar um garfo, sempre teve muita risada e uma conta bem alta devido a grande quantidade de comida que o Niall consome; ainda tento entender como ele come tanto.
Logo que saímos do restaurante Harry decidiu nos levar ao parque Hyde, uma grande área verde cortada por um escuro lago; local de beleza exuberante, ponto de encontro de muitos britânicos e turistas. Enquanto andávamos nos encantávamos com tamanha beleza que exalava das arvores em harmonia com a grama verde e seu fino lençol formado pelos flocos de neves que caiam vagarosamente, a felicidade dos casais e crianças reunidos para brincar, a graça dos pedalinhos e das carruagens que transmitiam calma para que neles andasse e para quem via. Decidi sentar em um banco próximo ao lago Sinuoso, coloquei as mãos no bolso do meu trench coat preto e fechei os olhos apenas aproveitando o momento.
– Om namah shivaya oomm nama shivaya... Om namah shivaya oomm nama shivaya.
– Por favor, pode parar? – falei abrindo os olhos o suficiente para ver que era o Louis. Ele estava sentando com as pernas cruzadas, mãos estendidas em cima dos joelhos em pose de meditação.
– Om namah shivaya oomm nama shivaya…
– LOUIS! – gritei encarando-o – cala a boca!
– Não, Louis protesta! – falou em tom alto me encarando enquanto ouvia a risada baixa dos outros rapazes – Vamos meditar Zayn, vamos la! Você precisa relaxar.
– Já estou relaxado, obrigado. – levantei e caminhei ate a beira do lago, não estava de bom humor. Senti uma mão tocar meu ombro direito, era Liam.
– Sabe, quando estávamos viajando em turnê mundial todos os dias eu sentia falta dela e desejava estar com ela, mas nosso amor só aumentou com o tempo e quando nos reencontramos foi o melhor momento a minha vida. Assim como eu reencontrei a Danielle você ira reencontrar a Amber, apenas deixe o tempo agir.
– Mas você sabia quando ia vê-la novamente, eu não sei. Esse é o problema. – abaixei a cabeça, meu coração agora estava gritando de tanta saudade. Senti Louis se aproximar a minha esquerda, Liam saiu e Harry tomou seu lugar, logo Niall se aproximou também.
– Quando você menos esperar ela estará do seu lado de chamando de “meu amor”. – Louis, apesar de ser criação, sabe dar bons conselhos. Todos no abraçamos, exceto Liam que estava falando ao telefone; provavelmente com Danielle.
– Vamos parar antes que eu chore – disse Niall provocando risadas, ele sempre foi sensível.
Senti meu celular virar em meu bolso, peguei e vi que era uma ligação da minha garota. Sorri e olhei para os meninos, surpreso.
– Não vai atender não? – perguntou Harry – anda, atende logo!
– Alo – falei quase em voz. — Amber?
– Malik! Que saudade meu amor.
– Eu também estou morrendo de saudade, quando vamos nos ver novamente?
– em 60 segundos.
– Como assim? – perguntei surpreso.Ela esta em Londres?
– olha para trás.
Imediatamente virei e fiquei procurando-a, mas logo meus olhos a encontraram; vestindo um vestido branco com estampa floral, um cardigã vermelho e uma sapatilha nude, seu cabelo preso em um meio rabo-de-cavalo preso com um delicado laço rosa. Não sei como, mas sei que ela estava apenas alguns metros de distancia. Com um sorriso no rosto ficamos nos encarando apaixonadamente por alguns instantes, até que lembrei como mover minhas pernas e comecei a andar em sua direção, quase que no mesmo instante ela fez o mesmo; meus passos tomaram velocidade e quase dei por mim já estava correndo, quase voando. Então, inacreditavelmente, nossos corpos se tocaram e nos abraçamos calorosamente enquanto lembranças passavam em minha mente como um filme: o primeiro olhar, o primeiro “oi”, o primeiro encontro, o primeiro abraço e o primeiro beijo; seu sorriso, sua risada, o encontro, a despedida. Tudo agora não importava, eu a tinha em meus braços e agora para sempre. Dei-lhe um beijo no rosto e, logo em seguida, encontrei seus lábios. Esse beijo foi diferente de todos, foi mais apaixonado, mais possesivo e mais carinho; senti uma de suas mãos acariciarem minha nuca e a outra entrelaçar seus dedos com os meus; senti meu corpo se arrepiar com seu delicado toque. Eu nunca havia lhe contado o quando estava feliz por poder chama-la de “meu amor”, eu nunca havia dito que ela estava sempre na minha mente; ela me fazia perder o chão, a noção do tempo e espaço, de repente não existia mais ninguém além de nós dois, são dessas pequenas sensações que amor surge, de pequenos atos, pequenas palavras. Encostei a minha testa na dela e, sussurrando, disse:
– Eu te amo minha princesa.
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