Noite sem Fim

91 No encalço de Hideki - parte 2


Em um escritório na filial japonesa de sua empresa, Hank estava reunido com outros empresários a respeito do financiamento da campanha de reeleição de Ryukosei, que era de interesse de todos ali sentados á mesa e naquele momento a secretária de Hank se aproximou dele para falar algo em seu ouvido.

HANK – Com licença, senhores, mas tenho um assunto particular para tratar.

Depois dessas palavras, Hank se levanta e vai até a uma sala adjacente a que estava onde poderia falar com mais reservadamente, pois esses outros empresários não sabiam da extensão da conspiração. Hank atende ao telefone.

HANK – Fale, Elisa.

ELISA – Essa linha é segura?

HANK – Claro que é! Agora me diga que descobriu algo.

ELISA – Eu acho que sim. Estive a noite inteira examinando as apostilas de Yuri que Haruy pegou da casa de Konshu.

HANK – E o que descobriu?

ELISA – Que Yuri não era uma simples obstetra. Ele também tinha treinamento militar.

HANK – E toda essa informação está nessas apostilas?

ELISA – Não, pois se tivesse certamente Hideki teria levado consigo. Eu descobri porque uma das apostilas tinha a logomarca de um projeto militar altamente secreto.

HANK – Coisa do governo japonês?

ELISA – Provavelmente sim. Vai ser um problema ter acesso a essas informações sem levantar suspeitas.

HANK – Problema maior vai ser controlar esse fluxo de informação. (ele respira fundo) – Ok! Ouça o que vamos fazer. Temos que envolver seu marido nisso. Vou agendar uma teleconferência com os outros associados e quero a participação sua e de seu marido.

ELISA – Pode deixar. Eu entro em contato com ele.

HANK – Talvez isso nos ajude a encontrar Hideki.

ELISA – A cada instante fica mais claro que Natsume está por trás disso.

HANK – Concordo.

ELISA – Sim, aguardarei sua chamada.

Hideki coloca o telefone de volta no gancho encerrando a comunicação com Elisa e depois ele usa o interfone para falar com sua secretária e pedir que ela avisasse aos outros empresários que a reunião estava encerrada e enquanto isso, ainda no esconderijo nas montanhas, Natsume observava o corpo inerte de Naraku na câmara de suspensão, que era monitorada por David, cientista americano.

NATSUME – Já tem uma estimativa de tempo para a recuperação de Naraku?

DAVID – Ainda é muito cedo, mas posso garantir que ele estará muito bem quando sair.

NATSUME – Para seu bem, espero que esteja certo. (ela continuava a olhar fixamente para a câmara)

DAVID – E estou. (ele respira fundo para criar coragem de se manifestar) – Posso fazer uma pergunta?
NATSUME – Fale. (ainda olhando para a câmara)

DAVID – Por que a senhora não fugiu com o senhor Naraku para fora do país?

NATSUME – Foram ordens de Naraku. Isso basta. (ela sorri e olha para ele) – Mas eu sei que não acredita em mim. Sei também que é leal á Hank e Elisa e que está só me ajudando porque eles mandaram e também para tentar descobrir algum motivo secreto para a minha permanência nesse país.

DAVID – Então existe um motivo secreto?

NATSUME – Talvez sim, talvez não. Cabe ao senhor descobrir. Com licença.

Natsume sai da sala onde ficava a câmara de suspensão de Naraku e foi para uma sala adjacente enquanto olhava o seu próprio celular o tempo todo como se aguardasse uma chamada e enquanto isso Azuma, depois de estacionar seu carro em frente ao departamento de polícia, sai do veículo enquanto falava com a esposa pelo celular.

AZUMA – Tem certeza que as crianças não vão se assustar com a câmera? (entrando no prédio)

AYUMI – Que bobagem, amor. (ela arrumava a filha) – Eles estão loucos para aparecer. Okko está se arrumando sozinho. (rindo) – Estou arrumando a Yuri.

AZUMA – Estão bem agora, mas na frente das câmeras é outra coisa.

AYUMI – É só uma reportagem sobre Kagome. Acho que das antigas amigas dela, sou a mais parecida, pois também adotei.

AZUMA – Foi bom lembrar-se desse assunto. (entrando no elevador) — Acho prudente não mencionar isso na entrevista.

AYUMI – Eu também acho. Ainda mais com que o fato de eu ser estéril é um assunto particular. Mas acho que a entrevistadora não abordará esse tema.

AZUMA – Tudo bem. Agora tenho que desligar, querida.

AYUMI – Bom trabalho amor. Eu te amo.

AZUMA – Também te amo.

Azuma desliga o celular ao mesmo tempo em que a porta do elevador se abre no andar em que o capitão trabalhava. Mal saiu do elevador, o capitão já foi abordado por Guy.

GUY – Que bom que chegou, capitão.

AZUMA – Guy?! Porque não está com Sango na investigação sobre a morte de Konshu?

GUY – Capitão! O senhor se esqueceu que eu ainda estou a frente do caso do estrangulador das meias de nylon?

AZUMA – É! Tem razão. E por falar nisso como está indo a investigação?

GUY – Mal, porque a Segurança Interna refez os parâmetros de busca pela internet das pessoas que entraram em sites de relacionamento, pois muitos desses cadastros eram falsos. Agora vou ter que trabalhar nisso.

AZUMA – O prefeito não vai gostar nada disso, pois o fato de não encontrarmos esse estrangulador, vai minando sua reeleição. Estou preparado para receber bronca, mas tenho assuntos mais urgentes como o desaparecimento da promotora Midoriko e...

GUY – É exatamente sobre ela que vim lhe falar, capitão. Tenho duas novidades sobre ela. Uma boa e outra ruim.

AZUMA – Então diga.

GUY – A boa é que a Segurança Interna descobriu que a promotora tem um rastreador implantado em seu braço direito.

AZUMA – Essa não é boa, mas sim uma excelente notícia. Assim poderemos localizá-la e...

GUY – Antes de comemorar deve ouvir a novidade ruim. A Segurança Interna descobriu que esse rastreador está sem sinal.

AZUMA – Como assim sem sinal?

GUY – Ele foi destruído ou está fora de alcance, em um lugar que interfira nas ondas eletromagnéticas. (ele exibe um aparelho) — Na segunda opção poderemos encontrá-la se ficarmos bem perto do local com esse dispositivo na freqüência do rastreador da promotora.

AZUMA — Mas como não sabemos onde é, seria como procurar uma agulha em um palheiro. (o celular dele começa a tocar) – De qualquer forma, guarde isso. Talvez seja útil.

GUY – Sim capitão.

Guy se afasta para voltar aos seus afazeres e Azuma atende seu celular enquanto ia para sua sala. Era Sango do outro lado da linha.

AZUMA – Fale Sango. Descobriu algo?

SANGO – Além do que você já sabia só o fato de InuYasha estar trabalhando com a Agência Imperial.

AZUMA – Por quê? Qual a relação?

SANGO – InuYasha sempre acreditou que Myuga foi assassinato, portanto a autopsia dele foi uma farsa. O legista que fez essa autopsia tem ‘digitais’ na casa de Konshu, sem falar que eram cunhados. InuYasha e um agente imperial estão indo para Yokohama, mas não é por isso que estou te ligando.

AZUMA – Então ligou por quê?

SANGO – Quando estava na casa de Konshu, percebi que ao lado do armário tinha uma caixa com os dizeres ‘pertences de Yuri’, mas estava vazia.

AZUMA – Então você acha que esse Hideki ou Gatenmaru ou essa terceira pessoa misteriosa tenha pegado esses pertences?

SANGO – Provavelmente sim. Precisamos investigar mais a vida dessa Yuri. Aposto que ela é a chave para encontrarmos Hideki ou Gatenmaru.

AZUMA – Deixarei essa missão nas mãos de outro detetive, pois Guy está atarefado com o caso do estrangulador. Ele foi obrigado a refazer os parâmetros de busca e o numero de suspeitos aumentou.

SANGO – Entendo. Tem mais uma coisa que quero que esse detetive investigue. Hideki tem um filho chamado Ligun, mas ele está desaparecido a meses. Talvez esteja junto com o pai ou foi seqüestrado.

AZUMA – Pode deixar. Acho que posso cuidar disso.

SANGO – Valeu. Ligo-te se descobrir algo.

Azuma coloca o telefone de volta no gancho para em seguida sair novamente de sua sala para falar com outro detetive e enquanto isso Ryukosei estava andando nos corredores da prefeitura retornando para seu gabinete ao mesmo tempo em que falava com Elisa pelo celular.

RYUKOSEI – Espero que essa teleconferência seja realmente importante, pois cancelei a participação de vários atos públicos.

ELISA – Não a faríamos não fosse importante. É algo que vai te interessar.

RYUKOSEI – Espero mesmo.

ELISA – Você sempre quis participar dessas reuniões. Agora terá sua chance.

Depois de ouvir essas palavras, o prefeito desliga seu celular, pede á secretária que segure todas as ligações e que não queria ser incomodado por nada. Em seguida segue para seu gabinete, se trancando nele. O prefeito liga o computador para participar da teleconferência. Elisa, na casa deles, e Hank, em sua empresa, também participavam da reunião via satélite juntos com os outros vários associados da conspiração, a grande maioria dele fora do Japão.

ELISA – Bem senhores! Devido a gravidade da situação, vamos pular as formalidades e ir direto ao assunto.

*****1 – É bom mesmo, senhora Elisa. Soubemos que enfrentou contratempos em sua missão, assim obrigando a colocar o prefeito na discussão.

RYUKOSEI – Vamos falar sem sutilezas! Vocês incumbiram essa mulher a me fazer acreditar que estariam dispostos a me ajudar na queda da Monarquia.

*****2 – Tem razão senhor prefeito. Não nos importamos com o fato do Japão ser uma Monarquia ou uma Republica, apenas queremos garantir nossos interesses.

*****3 — Com tudo isso revelado vem a questão fundamental. Segundo relatos de Hank, o senhor ofereceu a Naraku uma lista dos operativos que trabalham no Japão. De que lado o senhor está, senhor prefeito?

RYUKOSEI – Estou do meu lado. Assim como todos vocês, estou defendendo meus interesses. Ainda acho que a queda da Monarquia será boa para todos nós. Abrirá a economia. (ele respira fundo) – Estou ajudando Naraku para confundir o Império, deixando-o preocupado com um foragido de alta periculosidade. E enquanto isso, Rakusho, meu secretário de segurança, está cuidando dos tramites. Vocês não acham mesmo que eu acreditei naquela história de que Naraku iria esquecer que eu fui um dos responsáveis pela prisão dele, não? Ele confia em mim tanto quanto eu confio nele.

ELISA – Eu tomaria mais cuidado com Naraku.

RYUKOSEI – Por quê?

ELISA – Eu estive analisando aqueles documentos de Yuri que Haruy conseguiu na casa de Konshu e descobri que ela trabalhava para Kagura dentro do exercito japonês. Haruy descobriu que Hideki mexeu nessa documentação. Seja qual for o trabalho de Yuri, ele é a chave para saber o motivo de Naraku ter feito questão de ficar no Japão.

RYUKOSEI – Mas se for só isso é fácil. É só ver no que Yuri trabalhava no exercito e...

ELISA – Mesmo com nossa influência, não temos acesso a esses dados militares. Pelo menos não sem que o governo saiba. Esse é um dos motivos para sua presença nessa reunião.

RYUKOSEI – Eu não tenho mais acesso a esses dados desde que deixei o Ministério da Defesa para assumir a prefeitura de Tóquio.

HANK – Não pensamos exatamente em você, mas sim em Rakusho. Ele é militar reformado de ultimo grau e, portanto, tem acesso a essas informações.

RYUKOSEI – Isso vai criar um problema para mim.

*****1 – Que problema?

RYUKOSEI – Para ter acesso a algo tão especifico como o trabalho de Yuri no exercito ele terá que ter a patente militar reativada, mas isso só seria possível se Rakusho abandonar o cargo que ocupa atualmente. Ele só faria isso por um bom motivo, que seria colocá-lo a par te toda a operação. Ele vai saber que eu fiz uma aliança com Natsume.

HANK – E daí?

RYUKOSEI – Caso tenha esquecido, foi Natsume que seqüestrou o neto dele, fazendo com que seu genro o levasse para fora do país. Certamente nossa amizade não vai resistir a isso.

*****2 – Isso é besteira e...

RYUKOSEI – Não é besteira! Rakusho antes de ser meu secretário é meu amigo. Amigo há mais de 30 anos. Se nenhum de vocês dá valor a isso, eu dou.

HANK – Tudo bem, Ryukosei, mas tudo isso não muda o fato de precisarmos dessa informação.

ELISA – Isso mesmo. Descobrimos que, muito provavelmente, Hideki esteja querendo vender, para Natsume e Naraku, uma informação muito valiosa contra todos nós.

RYUKOSEI – O serviço de inteligência de vocês é bom?

*****3 – Muito bom. Mesmo sem recursos, Naraku consegue obter vantagens que não conseguimos impedir.

*****2 – Caso não nos ajude, senhor prefeito, o senhor também pode cair. Duvido muito que Haruy descubra onde Hideki está.

*****1 – O filho de Hideki não é um dos poucos aliados que restaram de Natsume? Talvez ele seja a chave para encontrar o pai e...

ELISA – Eu já pensei nisso, mas não é ele. Ainda sim estamos vigiando-o de perto.

RYUKOSEI – Tudo bem, eu vou falar com Rakusho.

Ryukosei desliga a comunicação saindo da teleconferência. O prefeito percebeu que se quisesse a ajuda da conspiração para derrubar a Monarquia, teria que arriscar a amizade com Rakusho. Ele usa o interfone para falar com sua secretária.

RYUKOSEI – Senhorita Muy!

MUY – Pois não, senhor prefeito.

RYUKOSEI – Localize o secretário Rakusho para mim e peça a ele que venha me encontrar.

MUY – Ele deve estar na câmara de vereadores nesse momento prestando depoimento perante a comissão de justiça e...

RYUKOSEI – Apenas faça o que mandei, Muy.

Depois dessa ordem imperativa, Ryukosei desliga o interfone, deixando claro que aquela situação não o agradava e enquanto isso, no Hospital Memorial, Rin tentava segurar a ansiedade de Sara em querer ver o pai até que o médico, responsável pela operação de Sesshoumaru, aparece diante dela.

MÉDICO – Temos boas notícias, senhora. Já retiramos seu marido do coma induzido.

RIN – Mas essa é uma ótima notícia. (ela pega a filha no colo) – Viu, querida? O papai já acordou. (ela beija o rosto da filha)

MÉDICO – O procedimento já foi feito a alguns minutos. Seu marido já está consciente e sem nenhuma seqüela.

RIN – Nós podemos vê-lo agora, doutor?

MÉDICO – Claro que podem. Certamente ele vai gostar.

RIN – Claro. (ela coloca Sara no chão) – Mas antes tenho que ligar para alguém.

Rin mexe da bolsa e tira de dentro seu celular e imediatamente começa a usá-lo para ligar para o celular de Satsuki, que naquele momento estava dentro de um ônibus.

SATSUKI – Alô.

RIN – Oi Satsuki. Eu tenho uma ótima notícia. Seu pai saiu do coma induzido.

SATSUKI – Sério?! Que bom. Depois que resolver algumas coisas, eu volto até aí para vê-lo e...

RIN – Onde você está, Satsuki?

SATSUKI – Estou dentro de um ônibus indo ver algo que Maya falou comigo. Depois vou direto falar com Shippou e depois volto para o hospital.

RIN – Afinal de contas que assunto é esse que Maya falou com você?

SATSUKI – Na volta eu te falo, madrasta. Fale para meu pai que estou louca de vontade de vê-lo e que tenho muitas coisas para contar.

RIN – Ok! Ok! Depois a gente se fala.

Rin desliga seu celular e volta a guardá-lo dentro da bolsa para depois olhar para a filha.

SARA – A Satsuki não vem, mamãe?

RIN – Sua irmã vem mais tarde, querida. (ela segura na mão da filha) – Agora vamos ver seu pai. Tenho certeza que ele está louco para te ver.

Rin e Sara foram guiadas pelo médico, que as levariam até o quarto onde Sesshoumaru estava e enquanto isso InuYasha e Zuko estavam a bordo de um jatinho da Agência Imperial com destino a cidade de Yokohama. O marido de Kagome parecia ansioso. Zuko percebeu isso.

ZUKO – Isso é ânsia por encontrar Gatenmaru?

INUYASHA – Também. (ele esfrega as mãos) – Aquele miserável atirou em mim por trás como um covarde. Se ele sabe de algo ou tem envolvimento na morte de Myuga, eu quero saber.

ZUKO – Vou ser honesto com você. No começo achei essa missão uma perda de tempo, mas agora as evidências e coincidências são demais. Abi estava certa em confiar em você.

INUYASHA – Abi parece que confia muito em você.

ZUKO – Sim. Temos uma história juntos. (ele respira fundo) – Entramos juntos na Agência Imperial, mas ela sempre foi mais competente, chegando ao cargo de chefia pela indicação do próprio Imperador enquanto eu fiquei para trás.

INUYASHA – História juntos?! Houve algo entre vocês?

ZUKO – Prefiro não comentar isso com você. Olhe, não é nada pessoal, mas ela é minha chefe. Falar disso não é algo apropriado.

INUYASHA – Vou considerar isso como um ‘sim’.

InuYasha sorriu depois daquela afirmação. Zuko tentou disfarçar, mas também não pode esconder um sorriso no canto da boca. A relação dos dois estava bem melhor agora que o agente imperial acreditava nas desconfianças de InuYasha sobre uma ligação entre a misteriosa morte de Myuga e a conspiração que libertou Naraku. Naquele exato momento o celular de InuYasha começa a tocar. Ele olha o numero da esposa no visor.

INUYASHA – É minha esposa.

ZUKO – Já sei. É particular. (ele se levanta da poltrona) – Fique a vontade.

Zuko vai para outro compartimento do jato deixando InuYasha sozinho e assim ele pode atender o celular e falar com Kagome, que naquele momento estava na câmara de vereadores.

INUYASHA – Oi, amor. Como estão as coisas?

KAGOME – Está tudo bem. Ainda estou no meio do depoimento de Rakusho, mas ele pediu um tempo para atender um telefonema do prefeito. Por isso tive tempo para falar com você.

INUYASHA – Ora Kagome. Você sabe muito bem que não gosto que fale de política comigo. Isso tudo é muito chato.

KAGOME – Eu sei, mas esse é meu mundo. Não te liguei para falar disso e sim para te dizer que Sesshoumaru já saiu do coma. Rin acabou de me telefonar e achei que gostaria de saber.

INUYASHA – Poxa! Claro que sim. Isso é uma ótima noticia.

KAGOME – Isso é um bom sinal, amor. As coisas estão se ajeitando.

INUYASHA – Infelizmente isso está longe, Kagome. Eu e um agente imperial estamos á caminho de Yokohama para averiguar uma pista. Nada muito concreto, mas fiquei sabendo que Gatenmaru pode estar no meio do caso da morte de Myuga.

KAGOME – Gatenmaru?! Nem posso imaginar como você está se sentindo, mas eu quero que tenha calma e...

INUYASHA – Se seu medo é que eu tenha vontade de me vingar matando Gatenmaru, não se preocupe, pois eu aprendi a lição.

KAGOME – Lição?!

INUYASHA – Há cinco anos eu matei Toutoussai por pura raiva, mas se eu o deixasse vivo ele acabaria preso e talvez contasse mais sobre essa conspiração.

KAGOME – Pode ser, mas isso não importa. Só estou preocupado com o bem estar de nossa família. E por falar em família, eu ainda estou preocupada com o futuro de Shippou.

INUYASHA – Preocupada?! Nosso filho está crescendo. Hoje é o primeiro dia de trabalho integral dele. Ele vai se sair bem.

KAGOME – É isso que me preocupa. Eu gosto do fato do Shippou trabalhar para construir sua família, mas...

INUYASHA – Não me diga que ainda tem esperança de que ele vai mudar de idéia em querer morar sozinho com Satsuki depois que eles se casarem?

KAGOME – E você não?! Eu ainda acho essa decisão dele uma loucura.

INUYASHA – Loucura ou não, é decisão dele e você vai respeitá-la, senhora candidata. (rindo)

KAGOME – Isso! Fica do lado dele. Nós mães sabemos o quanto dói ver um filho partir.

INUYASHA – Não seja melodramática. Ele só vai morar em seu próprio lugar. Estaremos por perto. (ele olha pela janela) – Tenho que desligar. Já estamos chegando. Se tiver novidades, eu te ligo, amor.

KAGOME – Ta! Tome cuidado.

INUYASHA – E eu não tomo sempre? Até mais.

KAGOME – Até.

Depois de falar com o marido, Kagome desliga o seu celular e o guarda na bolsa e nesse momento ela é abordada por seu assessor parlamentar, Tanuki.

TANUKI – Hei, Kagome. Parece que Rakusho vai deixar o recinto.

KAGOME – O que?! (ela se levanta) – Mas o depoimento não acabou. Ainda temos muito para discutir.

Kagome começou a caminhar para um local a tribuna da câmara de vereadores onde Rakusho fazia um discurso tentando justificar sua retirada. Ele não convenceu a maioria dos vereadores, inclusive aliados políticos dele e do prefeito, mas ainda sim, colocando em risco a aprovação do projeto, ele estava decidido a se retirar do recinto, mas é interceptado por Kagome, que queria uma explicação.

KAGOME – O que está pensando que está fazendo, senhor secretário?

RAKUSHO – Já dei as minhas explicações.

KAGOME – O seu chefe brigou por dois anos para aprovar esse projeto e o senhor vai colocar isso em risco e não quer que saibamos os motivos.

RAKUSHO – Esse projeto não é mais da minha alçada, nobre vereadora.

KAGOME – Como não?! Como um projeto que municipaliza a segurança não é de sua alçada?

RAKUSHO – Veja nos noticiários.

Depois dessas palavras, Rakusho se retirou do local deixando Kagome intrigada com tal afirmação, mas ela não tinha a menor idéia do que queria dizer o secretário, então restou a esposa de InuYasha ficar observando Rakusho entrar em seu carro oficial. Já dentro do veículo Rakusho, permanecia calado, pensando e tentando entender o motivo do prefeito em querer que ele deixasse o cargo. Seus pensamentos foram interrompidos pela manifestação do chofer.

CHOFER – Para onde, senhor secretário?

RAKUSHO – Para o gabinete do prefeito.

CHOFER – Sim senhor.

Depois de ouvir as ordens do secretário, o chofer da a partida no carro para sair dali e enquanto isso em sua casa, Miroku, de terno e gravata, descia as escadas até a sala de estar onde estavam Soten e Tamira.

SOTEN – Olha só, Tamira como nosso pai está elegante.

MIROKU – Que bom que gostaram. No meu trabalho a aparência conta. Principalmente no meu caso que tenho que recuperar a credibilidade.

TAMIRA – Credi o que?

MIROKU – Ai Tamira. (dá um beijo na testa dela) – Depois o papai explica para ti, mas agora eu estou com um pouco de pressa. (e depois ele olha para Soten) – E você sabe o que tem que fazer, não?

SOTEN – Já sei! Eu tenho que levar a Tamira para a creche e buscá-la no horário combinado. Como vou me esquecer se o senhor lembra isso a toda hora?

MIROKU – É minha função de pai. (sorrindo) – Qualquer coisa você liga para Sango.

SOTEN – Essa é outra que não perde tempo em lembrar que tenho que levar a Tamira para a creche.

MIROKU – Ah é?

SOTEN – Ela também me disse que o senhor InuYasha estava trabalhando com um agente imperial ou algo assim.

MIROKU – Deve ser o caso da morte do Myuga. Você não chegou a conhecê-lo. Era amigo da mãe de InuYasha. (ele pega uma maleta) – Provavelmente só voltarei á noite então até lá.

SOTEN – O senhor não vai querer estar aqui quando o Nomer aparecer para me levar para sair?

MIROKU – Acho que não vou querer te deixar embaraçada com a minha presença diante desse seu namoradinho.

SOTEN – Ele não é meu namoradinho. Só vamos sair como amigos.

MIROKU – Sei.

SOTEN – Além disso, o senhor não me deixaria embaraçada. O senhor até que é um coroa legal.

MIROKU – Poxa! Coroa legal?! Podia ter dormido sem essa. (ele se afasta) – Até a noite.

SOTEN – Até.

MIROKU – Tchau, princesa. (passando a mão na cabeça de Tamira)

Depois de se despedir das filhas, Miroku sai de casa para depois entrar em seu carro, mas antes que pudesse dar a partida, seu celular começa a tocar. Ele resolver atender imediatamente depois de ver que era o numero do celular de Kagome.

MIROKU – Kagome?!

KAGOME – Sim, sou eu.

MIROKU – Achei que você estaria no meio de um depoimento de Rakusho para a comissão de justiça da câmara.

KAGOME – E estava, mas o secretário resolveu sair depois de receber um telefonema do prefeito. Ele pode ter colocado em risco o projeto dele., mas eu não quero falar disso. Estou precisando de um favor seu.

MIROKU – É algo com InuYasha? Eu soube que ele está trabalhando com um agente imperial.

KAGOME – É verdade, mas não é para InuYasha que estou pedindo ajuda. É para mim mesma.

MIROKU – Estou ouvindo.

KAGOME – Estou indo para a sede do partido trabalhista para uma reunião sobre o futuro da campanha. Queria que você participasse ao meu lado.

MIROKU – Olha Kagome. Acho que isso não é uma boa idéia. Lembre-se que eu te seqüestrei. Isso pode colocar em risco sua campanha.

KAGOME – Não vai colocar, pois os motivos que o levaram a fazer aquilo são públicos. Acho que é o oposto. Sua participação vai ser positiva. Sua expulsão do partido até foi cancelada.

MIROKU – Estou tentando reconstruir minha carreira de advogado. Agora não tenho tempo para participar de política e...

KAGOME – Miroku, por favor. Você conhece bem melhor a máquina desse partido. Tem mais experiência do que eu e Tanuki juntos. Eu te peço como amiga. Ajude-me.

MIROKU – Você sabe que Ungai pode usar isso para te enfraquecer, não é?

KAGOME – Claro que sei, mas ainda sim quero que venha.

MIROKU – Está bem. (ele olha para o relógio) – Eu posso resolver o meu assunto mais tarde. Encontro você na sede do partido.

KAGOME – Ok! Já estou indo para lá.

Depois de falar com o amigo, Kagome guarda o seu celular e vai ao encontro de Tanuki, que a aguardava. Ele também tinha acabado de falar com alguém pelo seu celular.

TANUKI – Como já esperava a reunião partidária foi antecipada devido a saída de Rakusho. Os outros vereadores do partido também participaram.

KAGOME – Então vamos. (eles começam a andar)

TANUKI – Miroku aceitou ir?

KAGOME – Sim. Vai nos encontrar lá.

TANUKI – O que você está tramando? Não acho que chamou Miroku para simplesmente participar de uma reunião.

KAGOME – Na hora você vai saber.

Kagome e Tanuki vão até o carro oficial entrando no banco de trás com destino á sede do partido trabalhista e enquanto isso em Yokohama, Haruy continuava, encostado em seu carro, vigiando, com um binóculo, a entrada da fabrica onde Runy, ex-namorada de Hideki, trabalha. Naquele momento seu celular começa a tocar.

HARUY – Fale.

ELISA – Tive a confirmação de que Hideki tem uma informação importante e que, muito provavelmente, esteja querendo vendê-la á Natsume e Naraku.

HARUY – Que informação é essa?

ELISA – A localização de um lista que Kanna fez de todas as pessoas da operação com nomes e transferências bancárias. Naraku mudou de idéia em fugir do país por causa disso. Com a posse dessa lista ele irá nos chantagear.

HARUY – Isso torna a minha missão mais e...

Haruy não consegue terminar de falar porque é agarrado, por trás, por Gatenmaru que o estrangulou até fazê-lo perder os sentidos. Elisa, sem saber o que estava acontecendo, chamava, sem sucesso, pelo nome de Haruy. Gatenmaru, calmamente, pega o celular no chão e reconhece a voz do outro lado da linha.

GATENMARU – Desculpe, primeira dama, mas Haruy não vai poder atender.

Sem esperar uma resposta, Gatenmaru joga o celular de Haruy no chão, destruindo-o.

Próximo capítulo = Um longo adeus – parte 1