Notas iniciais
Olá, Como vocês estão? Gostaria de agradecer por TODOS os comentários, acompanhamentos, favoritos, visualizações... Vocês me deixaram muito feliz mesmo e não sei como agradecer por isso. Queria dar uns recados também: _ Sei que a fanfic vai avançar muito tempo, mas fiquem tranquilos que tudo que aconteceu nesse meio tempo vai ser explicado mais a frente _ Quem for detalhista vai perceber algumas coisas não muito comuns a vampiros clássicos ou estranhar um pouco, esses detalhes também vão ter hora certa pra ser explicado, se vocês quiserem chutar nos comentários eu respondo se acertaram ou não. _ Sim eles são vampiros clássicos mas ao mesmo tempo eu fiz a minha própria releitura eu fiz umas mudanças porque a história é minha e fim AHSUASHAUSAHSUAS _ Espero continuar agradando vocês Boa leitura!

Noite de quarta-feira, 28 de março, 21:00h – Nova Iorque

Já se passavam das 20h quando trancou a porta de seu consultório no décimo quinto andar de um prédio comercial localizado na 76 com a Quinta.

Andou pelos corredores exageradamente iluminados e — há muito — desertos. Quase sempre era a última pessoa a deixar o edifício, muitas vezes era quem trancava o local para Joseph, o porteiro.

Apertou o botão do elevador e pôs-se a esperar pelo mesmo que iniciava sua lenta e barulhenta subida. Após dois segundos já batia o pé contra o chão branco-amarelado de mármore e cantarolava uma música qualquer para conter a impaciência.

Quase dois minutos depois o som indicando que o elevador chegara ao seu andar soou, entrou no mesmo e – de modo mecânico, para não perder o costume – inspirou e aspirou lenta e repetidamente o ar para preparar-se psicologicamente.

Precisava encenar, era de extrema importância que mantivesse a postura quase esnobe e indiferente até seu apartamento localizado a exatas 19 ruas dali.

Ao pensar na multidão de pessoas lá fora indo e vindo, sua garganta secou completamente e sentiu uma desconfortável coceira na gengiva. Levou uma das mãos ao pescoço e pressionou levemente, em seguida respirando fundo novamente. Tinha de ser controlar.

Culpou-se o dia inteiro por ter esquecido a pequena bolsa térmica em cima do balcão da cozinha. Além de ter ficado sem suprimentos o dia todo, iria também ter de jogar fora aqueles caros e preciosos saquinhos, pois eles não estariam em condições de uso depois de um dia inteiro sem um acondicionamento adequado.

Logo a porta do elevador se abriu e ela iniciou sua longa jornada.

‘Péssimo dia para resolver vir a pé para o trabalho’ pensou.

Percorreu outro enorme corredor que dessa vez era decorado com um carpete marfim e as paredes cor de pêssego, continha aqui e ali alguns jarros de flores apoiados em cima de um projeto cafona de coluna grega de cor branca.

Virou a esquerda no fim do corredor.

– Boa noite Joe, até amanhã. – Falou com certa dificuldade e com passos apressados.

No estado em que se encontrava podia muito bem avançar em cima dele ali mesmo. Sem ao menos se importar com o fato de que qualquer um que passasse na calçada e olhasse pela porta de vidro seria testemunha da cena grotesca.

– Boa noite Srta. Carter. – Respondeu sorridente o porteiro.

Ela sentiu um leve aperto no peito.

Joseph era como um pai para ela, desde que chegara a essa cidade. Sentia-se mal em tratá-lo com frieza nessas situações, pois geralmente ficava algum tempo jogando conversa fora com o velho senhor antes de ir para casa. Mas era um mal necessário. Em todo caso, no dia seguinte iria se redimir com ele com uma boa conversa matinal e com um presente para Alissa, a netinha de Joe. Desde que conhecera a menina automaticamente apaixonou-se por ela. Apesar de ter graves problemas mentais, a pequena sempre tinha um sorriso no rosto.

Admirava Alissa nesse ponto, mesmo com todas as dificuldades e limitações a criança de pouco mais de quatro anos sempre estava feliz e contagiando o mundo com sua presença. Diferentemente de si própria, que ainda não aceitava sua condição mesmo depois de muitos anos.

Pôde perceber que a rua estava mais apinhada de gente do que o normal para uma noite de quarta-feira. Revirou os olhos de raiva e respirou profundamente uma ultima vez. Não podia arriscar-se a ficar tentada pelo cheiro de alguém, tinha que resistir ao instinto de farejar a melhor vitima em potencial.

A mulher empurrou a porta de vidro enquanto trincava os dentes e prendia a respiração.

Hesitou por um momento e depois decidiu que era melhor ir pelo Central Park, durante a noite o movimento era pouco, não ficaria tentada e a vegetação acobertaria um pouco qualquer cheiro.

Quanto mais se misturava em meio às árvores, mais relaxado seu corpo ficava.

Tirou os sapatos de salto e bico fino sentindo a sensação reconfortante da grama úmida de orvalho sob seus pés. Correu a máxima velocidade em direção a Rua 95. Seu instinto lhe guiava parque adentro sempre alertando-a quando se aproximava de alguém, a obrigando a se desviar de seu caminho...

Esses poucos momentos de liberdade em que podia ser ela mesma, desfrutando das sensações simples que tanto amava a completavam por alguns instantes.

Passado alguns poucos segundos já estava em frente à esquina da Quinta com a 95. Calçou novamente seus saltos, retomou sua postura e o mais depressa possível se dirigiu ao suntuoso prédio domiciliar naquela esquina.

Por mais discreta e ágil que estivesse tentando ser, sua presença não passou despercebida.

– Anna! – Exclamaram.

Ela parou sua caminhada na hora e fez uma leve careta xingando baixo. Aprumou-se e com um leve sorriso no rosto, dirigiu-se a pequena barraca de cachorro-quente.

– Fala Josh. – Respondeu educada.

– Como você está? Faz muito tempo que não para aqui nem pra conversar muito menos comer alguma coisa.

– Me desculpe, eu ando muito atarefada essas semanas. – Disse meio sem jeito.

– Pois é, quase não te vi esses dias.

Era óbvio que Josh queria que ela ficasse ali, jogando conversa fora, mas a cada segundo que passava sentia-se mais e mais agoniada.

– Olha, eu queria ficar aqui conversando, mas preciso fazer o relatório de um paciente. Desculpa.

– Tudo bem – A cara de decepção no rosto de Josh era evidente. – Leve pelo menos um cachorro-quente.

– Estou sem dinheiro – Retrucou rápido demais, deixando um clima desconfortável no ar.

– Cortesia minha, eu insisto.

Ela pôs-se a esperar que o amigo montasse o mais monstruoso e completo sanduíche para ela. — Vai levar?

– Comer agora.

Pegou o cachorro-quente das mãos do homem, acenou um adeus animado até demais e saiu depressa. Mais um pouco e estaria tudo bem.

Largou o sanduíche em uma lixeira qualquer e andou os poucos passos que faltavam até o hall de seu prédio.

Sorriu e relaxou o corpo contra a parede, tinha conseguido.

Ainda tomada pelo momento de felicidade, foi quase saltitante como uma menininha de treze anos do térreo até seu apartamento na cobertura.

Estava satisfeita consigo mesma, apesar de tudo manteve a compostura e não quebrou seu juramento.

Destrancou a porta e largou sapatos e a bolsa em um canto qualquer, colocar as coisas no devido lugar não era sua prioridade no momento. Dirigiu-se a bancada da cozinha e pegou a pequena bolsa que havia esquecido. Nesse momento ela gostaria de estar em prantos, mas já havia se acostumado com essa situação.

Os pequenos saquinhos estavam completamente estragados, a maioria havia coagulado ou ressecado.

– Sua idiota – Dizia para si mesma – Acabou de jogar milhares de dólares pelo ralo!

Jogou a bolsa térmica com todo seu conteúdo dentro da lata de lixo.

Andou até a geladeira e pegou três novos pacotinhos, derramando todo o conteúdo dentro de um enorme copo.

Sua gengiva voltou a formigar, porém dessa vez não se conteve, deixou seus caninos alongarem-se levemente até ficarem pontiagudos.

Não pôde deixar de sorrir pela sensação de êxtase que a dominava ao satisfazer as necessidades de seu corpo, mesmo que detestasse a criatura que havia se tornado.

Limpou o pequeno fiapo vermelho que escorria no canto de sua boca e pôs-se a fazer suas tarefas.

Mesmo que não fosse algo necessário, gostava de realizar tarefas domésticas, era um modo de continuar em contato com seu lado humano e não acabar enlouquecendo.

Ao fim de seus afazeres, tomou um longo banho quente – outro hábito que mantinha pelo simples desejo de se sentir viva – e vestiu roupas confortáveis de algodão por cima do corpo úmido.

Saiu do banheiro e veio andando pelo corredor enquanto amarrava os longos cabelos castanhos em um coque no alto da cabeça.

Duas portas depois virou a esquerda entrando em seu escritório pegando toda a papelada em cima da mesa e antes de sair do cômodo, uma pasta verde na prateleira ao lado da porta na qual se lia escrita “quinta-feira”.

Largou tudo em cima da mesinha da sala afastando-se somente para servir-se de uma taça de vinho e pegar o controle remoto da TV. Ligou a mesma no canal de notícias e pôs-se a trabalhar.

Organizou em pilhas separadas as informações de cada paciente. Sorriu ao perceber que cada resma era bem grossa. Como tinha – literalmente – todo tempo do mundo, sempre procurava buscar o máximo de informações possíveis sobre a pessoa. Tarefa que não era complicada, pois conseguia manipular qualquer um sem grande dificuldade.

Abriu a pasta e foi depositando cada resma no horário em que o paciente correspondente seria atendido. Percebeu que o horário das 13h estava vago. Até duas semanas atrás era Lana quem ocupava essa vaga, que acabara se suicidando do mesmo modo que eliminava todas as vítimas de seus ataques psicóticos.

No dia seguinte a vaga seria preenchida e ela estava doida para poder dar o máximo de si parar ajudar a próxima alma perdida que caíra em suas mãos.

Assim que encostou as mãos no envelope pardo contendo as informações do novo paciente, o noticiário – que sempre passava coisas inúteis – chamou sua atenção.

“... visto a menina vagando pela cidade de Nova Iorque.

Não sabem como explicar a situação, mas todas as testemunhas afirmam que se trata exatamente da mesma pessoa.

Charlotte Sanders desapareceu por volta dos anos de 1953 em Vancouver, Canadá, onde residia em uma casa com seus pais, cujos paradeiros ainda não foram identificados.

A história desses desaparecimentos sem explicação acabou ao longo dos anos se tornando uma lenda urbana. Muitos dizem ter visto o fantasma da menina e de seu pai vagando em diversas partes do mundo...”

– Eu já vi essa menina antes... – Disse baixo para si mesma, tentando se lembrar de onde a figura lhe era familiar.

– Essa foto minha está horrível, não deviam ter publicado. – Uma voz exclamou atrás dela.

Anna assustou-se com a voz desconhecida. Virou o corpo em direção à sacada de seu apartamento, e encostada ao batente da porta, se encontrava a mesma menina das fotos na TV.

Abriu a boca para perguntar o porquê de ela ter invadido sua casa sem mais nem menos. Mas então percebeu que por trás do sorriso irônico, ela estava com dor, muita dor. Reparou lentamente na menina.

Não tinha muito mais que 18 anos, seus cabelos eram negros e ondulados até a cintura e alguns fios estavam grudados nos braços e rosto. Estava toda suada e com sangue seco em várias partes do corpo e da roupa. Os olhos estavam quase negros e tinha certeza de que acabara de ver na TV que eram azuis. Charlotte era uma de sua raça.

Levantou rapidamente, pegando a menina em seus braços e a levando para o banheiro onde deu uma ducha de água fria e limpou os ferimentos – que para não terem cicatrizado ainda pelo tempo que demonstravam ter, ela fora brutalmente torturada. Vestiu a menina com um de seus vestidos largos de seda e correu para a cozinha onde pegou várias de seus pacotinhos e, diretamente da sacola plástica ela despejou o líquido denso na boca de Charlotte.

Instantaneamente ficou evidente uma melhora no aspecto geral: os cabelos ficaram brilhosos, a íris saiu do negro para um tom arroxeado, os arranhões mais superficiais desapareceram...

Pouco depois a menina desmaiou com um leve sorriso estampado em seu rosto.

Anna respirou aliviada, agora só restava saber o que levara a menina naquele estado deplorável até sua casa.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Deixem suas opiniões! Ficarei feliz em ler seus elogios ou críticas. Beijoooos ;*