Notas iniciais
olá, amigues
resolvi postar minha primeira (nessa conta) fic. eu escrevi ela há um tempo e tá postada no spirit também.
espero que gostem ♥

— Você poderia tentar ser mais flexível. — disse o garoto de cabelos escuros.

— Eu sou flexível.

Marcus disse, mas era visível que nem ele acreditava no que estava dizendo. Não era flexível, não sentia que deveria ser. Gostava da sua rotina, mesmo que as vezes ela parecesse chata. Além do mais, a noite de filmes era a coisa mais sagrada que ele e Peter faziam, principalmente, durante as férias. Era quase um ritual que os dois vissem algum filme de terror, isso por total influência e inflexibilidade de Marcus.

— Você é a pessoa mais teimosa que eu conheço — Peter revirou os olhos, estava cansado dos mesmo filmes previsíveis, mas não queria arruinar esta tão sagrada noite. — Eu me rendo.

O de olhos azuis sorriu vitorioso para Peter. Ele sempre vencia, não porque tinha o melhor poder de persuasão, ou porque era um garoto birrento. Ele sempre vencia, porque Peter o deixava vencer. Não valia a pena discutir em um momento ritualístico, por causa de uma decisão boba.

— Victory — declarou Marcus.

Escolhido o filme, ambos sentaram no sofá cama da casa de Peter e assistiram tranquilamente, com algumas risadas da parte de Marcus, o tão aclamado terror. No fim, Peter não se incomodou tanto, estar na companhia do seu melhor amigo valia mais do que assistir a um DVD de baixa qualidade. Ele gostava de estar perto. E isso possuía grande valor.

(...)

Uma semana havia passado desde a última noite de filmes. Mesmo estudando juntos — na mesma escola, infelizmente, não na mesma turma —, os compromissos, dentro e fora do colégio, atrapalhavam completamente a comunicação de Marcus e Peter. Os ois rápidos de corredor se tornavam mais comuns, os acenos semi vazios no intervalo e as despedidas práticas no horário de saída, começaram a fazer parte da rotina dos dois. E, por isso, Peter não via a hora do final de semana chegar. Claro, ele tinha alguns quadros recém encomendados para pintar, contudo a noite de filmes se aproximava e essa era a chance para botar o papo em dia.

Peter foi para casa mais cedo, precisou, afinal, os quadros não iriam se pintar sozinhos. Faltou duas aulas e, como havia ido embora, não apareceu no intervalo. Marcus se preocupou, mas ficou tranquilo quando uma colega de Peter contou o porquê dele ter saído tão cedo. Passou a mão pelos seus cabelos azuis, coloridos havia pouco tempo por Peter, e entrou no refeitório. Não gostava muito da comida do colégio, entretanto estava com fome e sem dinheiro. Faria esse sacrifício em nome de sua saciedade.

— Ele não está bem. Está estampado na cara dele, muita coisa acontecendo, muitas encomendas. Você sabe que ele tem pintado quadros para ganhar dinheiro, além de ser babá no tempo livre, hm? — falou uma menina para outra, não tão longe de Marcus, em uma das mesas do refeitório. — Não chame o Peter para sair agora. Ele preza tanto os amigos dele que ignoraria o sono dele por isso.

Instantaneamente, uma pontada de culpa atravessou o peito de Marcus. Eles tinham a noite de filmes, noite que, facilmente, atrapalharia o descanso do amigo. Sentiu-se mais culpado ainda, porque não havia notado o quão Peter estava cansado. A distância entre eles estava impedindo isso. Pensando em seu melhor amigo, terminou de comer seus biscoitos e decidiu: cancelaria a noite de filmes.

(...)

Extremamente cansado, abatido e sujo de tinta, Peter finalizou o último quadro. Deu graças aos deuses, por nenhum dos quadros terem sido grandes demais, ou complexos. A tão esperada noite tinha chegado. Correu para seu quarto para pegar roupas limpas e estava quase no banheiro quando seu celular apitou.

"Oi, cara. Tenho um compromisso do colégio hoje. Acho que a movie night não vai rolar :/. Desculpe"

Era isso que dizia a mensagem que recebera de Marcus. Leu e releu umas cinco vezes, não estava acreditando. A noite de filmes deveria ser a coisa mais importante para os dois. E ele cancelou.

"Sem problemas"

Tinham problemas, todavia não queria atrapalhar os planos do outro. Aproveitou o momento livre para dar uma revisada no assunto de matemática, é claro que acabou dormindo no meio do estudo e só acordou no dia seguinte. No fim das contas, o plano de Marcus havia dado certo. Peter dormira como um anjo, dormira como não dormia fazia um tempo.

(...)

A outra semana chegou, outra depois dessa e mais outra. Em nenhuma dessas houve uma noite de filmes. Marcus estava disposto a inventar qualquer coisa para cancelar e impedir que o sono de Peter fosse prejudicado. Infelizmente, ele não notou que isso estava magoando completamente seu melhor amigo.

— Ele cancelou quatro noites de filmes, provavelmente, está com algum problema. — Peter falou para si, fazendo uma tentativa falha de se convencer que estava tudo bem.

O garoto de cabelos pretos não estava aguentando mais. Ele, que sempre achou que a base de um relacionamento é a conversação, estava estupefato com essa afastamento repentino. A conversa tinha que ser posta em dia. Pegou o celular, meio irritado, e enviou uma mensagem para Marcus.

"Precisamos conversar"

Não ficou surpreso da resposta ser imediata, Marcus sempre se encontrava com o celular na mão. Se ele não respondesse rápido, algo de errado tinha acontecido.

"Ok"

Parecia uma resposta vazia, mas não era. Marcus e Peter eram amigos desde a infância e se entendiam melhor que ninguém. Não precisavam marcar hora ou lugar, porque isso já estava claro na cabeça dos dois. As conversas deles sempre aconteciam no parquinho no qual se conheceram. E era ali que Peter esperarava por ele em toda ocasião.

Um "precisamos conversar" do Peter era muito mais urgente do que qualquer coisa que Marcus estivesse fazendo. Tinha que ser atendido na hora. Não por insistência do moreno, mas porque o de olhos azuis dava prioridade a ele. Lembrava-se que haviam discutido uma vez, por causa dessa prioridade toda. Juntou as coisas e correu em direção ao parquinho, não queria deixar Peter esperando.

(...)

— Hey.

— Por que você tem me evitado? — disse Peter, sem nem mesmo cumprimentar o amigo. — Eu tenho me perguntado o que eu fiz, ou o que deixei de fazer, ou, até mesmo, se você está bem.

— Não estou te evitando, Peter — Marcus se aproximou devagar.

— Marcus, você cancelou quatro noites de filmes. Como não está me evitando?

— Eu só quero o seu bem — o de cabelos azuis olhou para o asfalto — Sei que está sobrecarregado com tudo que tem que fazer, a noite de filmes só te deixaria mais cansado.

— Eu encontro paz e descanso na noite de filmes.

— Você tem dormido melhor sem ela.

— De que adianta dormir e estar com o coração partido? — Peter parou de se balançar e encarou os olhos azuis de Marcus.

— O quê? Você está de coração partido, por causa dos filmes?

— Eu não me importo com a noite de filmes, nunca liguei para qual filme vamos ver, se teremos filmes, ou não. Eu estava lá para estar com o cara que eu amo. Para estar com você.

— O quê? — Marcus estava claramente atônito. Não esperava isso. Não mesmo.

— Eu te amo, Marcus. Não só como um irmão. — o menino do cabelo escuro se levantou.

— Peter... Eu não... — ele não tinha palavras. Só tinha certeza de uma coisa. Não compartilhava os mesmos sentimentos que o amigo. Para Marcus, Peter era um grande irmão. — Sinto muito... Eu também te amo, Peter, mas... Te vejo como um irmão.

— Eu sei — as lágrimas no rosto de Peter desciam tão rápido, parecia que elas tinham vontade própria — Eu sempre soube.

— Peter... — Marcus tentou se aproximar para ajudar o amigo.

— Não. — Peter deu um passo para trás. — Desculpe, Marcus. Eu não posso continuar isso — apontou o dedo indicador para os dois.

Ao dizer isso, Peter olhou para seu melhor amigo, seu primeiro amor, uma última vez. Estavam tão conectados, tão unidos, que ele pensou que pudesse ser recíproco, mesmo que lá no fundo soubesse que os sentimentos de Marcus não eram os mesmos. Ele queria estar com o menino de cabelos azuis para sempre, mas não dava, não mais. Deu outro passo para trás e disse:

— Eu te amo tanto, mas isso está me destruindo.

Notas finais
(eu tenho um segredinho sujo sobre essa fic, se alguém quiser saber....)
é isso, obrigado por ler!
xx gio
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!