Noite chuvosa pt 1
1 Capítulo 1 - A escola
A tarde estava fria e escura.
Meio impaciente, tinha certeza que iria chover logo.
E assim se fez.
Ao tocar o sinal para sair da escola estava chovendo muito forte.
Eu havia esquecido meu guarda-chuva e minha mãe havia batido o carro a uns quatro dias, o que a fez deixa-lo no mecânico.
Ela não podia vir me buscar.
Então a única solução era ficar na escola e esperar a chuva passar.
Outras pessoas ficaram junto à mim na escola.
Eu não as conhecia mas a situação fez brotar em mim um sentimento de gentileza, o que me fez puxar assunto com as mesmas.
Eram um casal de gêmeos.
A garota de chamava Gabrielle e o garoto Gabriel.
Sempre achei nomes de gêmeos muito clichê.
A chuva ficava cada vez mais forte e já eram 7:30.
Por sorte havia conseguido falar com minha mãe e ela não deveria estar preocupado com a demora.
— Ei, que tal andarmos um pouco pela escola para nos distrair um pouco?
A idéia partiu de Gabrielle.
Começamos a andar pela escola.
Era uma escola antiga e enorme com varias salas, três andares, estátuas pelos corredores, quadros nas paredes e uma biblioteca farta de livros.
Andávamos conversando e nos divertindo.
Aprendi um pouco sobre os irmãos nesse meio tempo.
Pois bem, entramos na biblioteca, era imensa e repleta de livros.
Gabriel andou e achou uma prateleira recheada de revistas em quadrinhos.
Gabrielle procurou logo algum livro pelo qual tivesse interesse.
Já eu, achei um livro que parecia interessante.
Não lembro o título mas isso não importa.
O barulho da chuva era claro.
Sentamos próximos uns dos outros.
De repente caiu um raio e ouvimos um trovão que soou alto e estrondoso.
As luzes se apagaram e quase que imediatamente Gabrielle gritou de forma aguda e alta.
— vocês estão bem? — perguntei.
— sim, estamos — obtive resposta de Gabriel.
Olhei em volta, estava incrivelmente escuro, tão escuro que eu não conseguia ver minha mão bem diante do meu rosto.
Puxei meu celular e o desbloqueei fazendo-o acender sua luz.
Gabriel estava abraçado com sua irmã e estava tremendo de medo.
Em nossa conversa pelo corredor ele havia revelado seu medo de escuro, o que era meio estranho para um aluno do ensino médio.
Fui focando com a luz do celular nas paredes e prateleiras procurando a porta.
Até que do nada algo surge em meio as prateleiras e os livros.
Era uma estátua de um anjo como as outras estátuas que ficam pela escola.
Estranho, porque não haviam estátuas antes.
— ei, aquilo estava ali antes? — Gabrielle perguntou.
— não, acho que não. — Gabriel respondeu.
Ouvi um barulho, algo havia se mexido.
Foquei com o celular.
E havia mais uma estátua, lembro de ter pensado "que merda é essa?".
— Kevin, aquilo não estava ali antes também, né? — Gabriel perguntou meio temeroso.
— não sei...
Começamos a recuar.
A escuridão era intensa e pequena luz do meu celular não iluminava quase nada, ao longe podíamos ouvir o barulho da chuva que apesar de tudo caía sem parar.
Gabriel tocou a maçaneta sem querer e logo a percebeu.
Abriu a porta e logo corremos para fora eufóricos.
A escola estava mal iluminada e as estátuas nos corredores haviam desaparecido.
— precisamos sair daqui. — Gabrielle disse.
Outro barulho.
Olhamos para trás e havia mais uma estátua parada, imóvel.
Um raio caiu próximo ao prédio da escola e o clarão ficou bem amostra pelas janelas.
Uma luz forte iluminou tudo e foi tão claro que nos fez fechar os olhos por um momento.
Quando abrirmos e olhamos para a estátua vimos que ela estava mais perto.
Começamos a correr pela escola indo em direção à qualquer sala que estivesse aberta.
— o que uma estátua pode fazer demais? — Gabriel parou. — vou fazer alguma coisa.
O garoto correu em direção a estátua.
Outro raio caiu e novamente como da última vez nos fez fechar os olhos.
Quando abrimos vimos a estátua em outra posição.
Com sua mão dentro do abdômen de Gabriel.
Gabrielle gritou e correu para ajudar o irmão.
Não pensei duas vezes e arrombei a primeira porta que vi.
Logo após eu entrar, Gabrielle chegou carregando seu irmão.
— tranque a porta, depressa! — ela disse.
— não dá, está arrombada.
Continua...
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