Noite Escura como Vácuo
1 Noite sem Estrelas
Noite escura como vácuo
Agamenon se questionava em seu leito de morte. Sua família o acompanhavam nessa última aventura, em direção ao Mundo Inferior. Mas a pergunta não era Elísios ou da Punição. Seus familiares o contavam memórias, perdões e amores, mas seus olhos só tinham visão para uma coisa. O céu.
Através da janela, ao lado de sua cama, um céu rosado se estendia na imensidão do Oceano, e conforme o céu se avermelhava, ele se questionava. No começo daquele mesmo dia, quando ele ainda se sentia sadio, o Oráculo local lhe comunicou uma profecia vinda de Apolo, comunicada diretamente para ele, objetivada para Agamenon. “O céu não terá mais estrelas”.
Como poderia um céu não ter estrelas? Poderia, talvez, por desejo das Parcas cortarem enfim o fio das estrelas? Poderia, pelo poder da Deusa da Lua, Ártemis bani-las de suas terras? Não. Profecias poderiam ter muitos significados. Poderia, como as estrelas davam luz à noite, o mundo não ter mais esperança? A ideia não era lá melhor que a anterior. Um mundo não poderia simplesmente perder totalmente suas esperanças, Gaia, a mãe terra não podia morrer. Os deuses do Olimpo não permitiriam, e Hades não ousaria. Mas de um jeito ou de outro, as profecias aconteciam. E quando seus olhos escureciam, e de pouco em pouco passavam a ver apenas preto, desolado, Agamenon recebeu uma visão vindo de Hécate. Construções humanas altas, buracos quadrados nessas. Luzes estranhamente fortes e constantes, como o próprio Hélio saindo destes buracos e iluminando um chão duro, sem vida, sem graça e desconfortável. Altas árvores de metal nasciam somaticamente proporcional desta terra infértil e, no seu topo, um fogo sintético queimava da ponta da árvore até tocar monstros de metal com vários olhos brilhantes, reluzentes como a espada do Cézar. O lugar era deserto. Quase nenhuma pessoa visível. De vez em quando, algumas pessoas saiam dessas construções e eram logo devorados pelos monstros de metal, que respondiam com um berro sombrio e desumano. O homem foi derrotado. Depois de anos de conquistas, o homem perdeu para os monstros de metal. O homem perdeu para a espada. E o céu, sem estrelas. Ártemis esperava sozinha, infeliz, acima do mundo, o mundo que ela viu nascer, o mundo que ela viu crescer, o mundo que ela viu destruir. Afinal, era um mundo sem esperança.
Quando a última lágrima quente saiu dos olhos do sábio, a família chorou e lamentou sua morte, o luto desceu sobre os parentes. A cabeça do cadáver caiu para o lado a fim de observar o lado de fora da janela. A noite havia caído.
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