Noite Chuvosa
1 Capítulo 1
A noite era regada pelos relâmpagos. A mulher estava ali, sentada diante de sua escrivaninha, rabiscando qualquer coisa. Benzeu-se após terminar o que escrevera. Fechou com um selo real, da corte à qual pertencia.
Dori me
interimo adapare dori me
Ameno ameno lantire
lantiremo
dori me
Ameno
omenare imperavi ameno
Dimere dimere mantiro
mantiremo ameno
Omenare imperavi emulari ameno
Omenare imperavi emulari ameno
Levantou-se da cadeira e foi trocar de vestes. De seu lindo vestido azul profundo, para sua roupa da morte. Era hora de não ser apenas uma dama. Era hora de ser... Ivy. Não queria mais ter de fazer o que faria hoje. Seria pedir demais que essa dor se fosse?
Os relâmpagos furiosos, iluminaram a silhueta de seu corpo nu sobre a janela aberta. Seus lábios vermelhos, curvaram-se num sorriso sádico. Era como se cada vez que se vestisse daquela maneira, todas as suas lembranças de moralidade fossem suprimidas. Quando fazia aquilo, não era ela mesma...
Ameno
ameno dore
ameno dori me
ameno dori me
- Condessa Isabella Valentine! – aquela voz não lhe era um bom aviso. Era sua morte, prisão... Era mais um assassinato para sua lista das trevas. – Estou aqui em nome do Vaticano, da Santa Igreja Católica e do Papa. Devo levá-la comigo pois sabemos que praticas a arte das trevas.
Aquele era o bispo Archibald Brightwert. Caíra nas graças da Rainha e do Papa, depois de supostamente ter levado à eles, o horrível demônio que absorvia as almas das pessoas. Mais tarde sendo conhecido como Cavaleiro Índigo. Obviamente, aquele que fora morto como tal título, não o era. Mas eles ainda não haviam descoberto isso.
Ameno dom
dori me reo
ameno dori me
ameno dori me
dori me am
Ameno
omenare imperavi ameno
Dimere dimere mantiro
mantiremo ameno
Omenare imperavi emulari ameno
Omenare imperavi emulari ameno
Sem dizer nenhuma palavra, apenas surgiu a silhueta, agora vestida, da britânica. Valentine, separou-se em alguns pedaços e cortou as gargantas dos guardas que acompanhavam o homem. Os corpos caíram, um a um, deixando apenas o bispo em pé. Nesse instante, a mulher deu-lhe um golpe. Não lhe fora muito possível ver onde este fora acertado. E se envolvendo numa capa saiu da própria casa. Levantou a cabeça quando na rua. Mais um raio no horizonte, revelou as lágrimas nos olhos de uma mulher que jurara à si mesma, não mais tirar vidas.
Ameno
ameno dore
ameno dori me
ameno dori me
Ameno dom
dori me reo
ameno dori me
ameno dori me
dori me am
- Minha dor jamais terá fim... – disse o homem caindo ao chão. Exausto pelo tempo que andara. Sonolento demais para continuar, mas sabia que não deveria dormir. – Ah... – Doía-lhe a cabeça... Os braços, as costas... E principalmente o peito. Estava carregando mortes de inocentes dentro dele.
Ainda tinha a marca que seu erro havia lhe provocado... A enorme garra demoníaca.Esta, estava rumando ao peito. Onde já começara a se instalar um pequeno olho semi-desenvolvido. Olho daquela espada infernal.
- Quem sou eu? O que sou eu? – perguntara-se em voz alta. Entretanto, era quase certo de que nenhum ouvido poderia ter escutado voz tão leve devido ao tamanho cansaço.
Ameno
ameno dore
ameno dori me
ameno dori me
Ameno dom
dori me reo
ameno dori me
ameno dori me
dori me am
Uma movimentação em meio ao seu refúgio. Eram passos. Passos de um sapato com saltos. Uma mulher... Ali? Seu campo de visão lhe deu logo o paradeiro do barulho advindo do início do lugar no qual se escondera.
Seus olhos estavam tão embaçados que não poderia reconhecê-la, ainda que soubesse quem ela era. Esta, ao passar pelo corpo dele parou-o, observando durante alguns instantes.
- “Será que este é o anjo da morte que veio levar-me? Seria em boa hora...” – pensou o cavaleiro.
Confusa, a mulher voltou a seguir seu caminho. Estava tão preocupada com seus perseguidores que o fato de Valentine ter vibrado em sua bainha, e o braço monstruoso dele, não lhe atingiram a mente.
- Olhem, ela matou mais um! – gritaram ao longe.
Eram mais guardas que se prontificaram a perseguir a dama de cabelos claríssimos. Por alguma razão, sentiu-se na obrigação de fazer algo a respeito. O homem conhecido como Siegfried Schtauffen, que agora, era metade de um mal, levantou-se com dificuldade, junto com sua arma.
ameno dore
ameno dori me
ameno dori me
Estava ali, em vias de atrasar aqueles homens para defender a honra de uma mulher em fuga. Aquela, era uma atitude que ele tomaria sempre. Levantou a arma e afastou à todos com golpes secos da parte deslaminada de sua Requiem. E a chuva começou a cair.
Ameno dom
dori me reo
ameno dori me
ameno dori me
Ameno dom
dori me reo
ameno dori me
ameno dori me
Depois de ver todos desmaiados, voltou a seguir seu caminho. Sendo molhado e abençoado pela chuva divina. Era o perdão de Deus que lhe umedecia a pele alva. Mas estava certo de que jamais esquecer-se-ia daqueles olhos azuis que protegera.
Ao longe, perto de uma cidade, a mulher estava ligando as peças em sua mente.
Passara por Nightmare e sequer o atacara... Mas... Aqueles olhos angelicais, cor de esmeralda, certamente não lhe lembravam nada ao Cavaleiro Índigo. Sacudiu a cabeça e seguiu seu caminho, precisava encontrar-se com a única que poderia livrá-la de tal destino horrível de morrer para a Igreja, Elisabeth, sua amiga de infância. A Rainha de seu país.
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