Noir Game

1 Capítulo Único - The Rain Never Stops...


Notas iniciais
Bem pessoal, agora é 03:26 da madrugada de Terça-Feira, tenho que ir pro colégio amanhã e eu aqui, escrevendo uma one-shot dramática xD

Bem, esta fic foi inspirada por uma música:

(http://www.youtube.com/watch?v=3YRtIFziESI)

LOVE IS NOT ENOUGH - NINE INCH NAILS

Letras, se quiserem ver: (http://letras.terra.com.br/nine-inch-nails/139672/traducao.html)

O carro que o personagem dirige/dirigia é este:

http://wallpapers-diq.com/wallpapers/17/Cadillac_Sixty_Special_1948.jpg

Eu já estava atrás dela faz meses.


Esse ar calmo e sensual que ela tem já enganou muitas pessoas. Muitos tentaram confiar nesses olhos azuis, no fim, eles os conduziram à morte.


Ela entrou no meu carro subitamente, não nos falamos em nenhum momento, voltei à dirigir em meio a noite tempestuosa daquela cidade obscura e corrupta. Eu olhava para o seu corpo, ela vestia uma calça jeans, uma blusa regata e um sobretudo negros. Havia um colar prateado envolta de seu pescoço, a única coisa brilhante além de seus olhos azuis. Sua boca era demasiada vermelha, uma cor provocante, eu não parava de imaginar quantos homens a beijaram... E morreram.


Chegamos a um motel vazio, pedi um quarto no final do pátio. Era raro haver pessoas naquele lugar, a maioria estava nas ruas, brigando por territórios e leis concebidas pela violência. A polícia não comanda porra nenhuma, é um bando de corruptos aceitando dinheiro de gangues, e em troca, o território e suas próprias leis garantidos.


Ela não tinha dito sequer uma palavra até entrarmos no quarto escuro do motel, a placa em neon do lado de fora brilhava, molhada pela chuva, a luz avermelhada atravessava a janela e batia na parede do quarto.


Quando eu menos esperava, aquela mulher me agarrou e me jogou contra a cama, eu não pude fazer nada. Se eu fizesse algum movimento, ela poderia suspeitar e descobrir a pistola na minha mala. Ela avançou pelo meu corpo, seus lábios se aproximaram dos meus. Não resisti, beijei-a logo.


Aquela seria sua última noite naquela cidade imunda.


Após uma longa hora fazendo amor, eu me levantei da cama e fui até o banheiro levando a mala. Ela se levantou rápido e colocou suas mãos em meu peito nu, então encarando os meus olhos. Enquanto os seus brilhavam, ela sussurrou algo para mim.


"Obrigada."


Eu apenas sorri e continuei meu caminho ao banheiro.



Tranquei a porta e abri a mala, nela havia várias roupas, tirei todas e abri um fundo falso. Peguei a pistola Heckler & Koch Mk23, era uma arma negra como a noite, fria como a morte. Peguei também o supressor e o enrosquei na arma. Coloquei a munição, uma a uma, no carregador da pistola e puxei o slide ao enrolar a arma em uma toalha, de modo que não fizesse muito barulho.


Com a bala na câmara da arma, fiz a minha barba e deixei a pistola em cima do balcão, apoiei meus braços na pia e olhei para o ralo e mergulhei em devaneios. Será mesmo que ela matou tantos assim? Será que ela quer me iludir assim como fez com os outros? Ela era uma típica femme fatale. Seria meio clichê, mas se apelidassem ela de "Viúva Negra" eu não estaria surpreso. Então a vida estaria em seu tom de ironia e humor negro contra nós, seres humanos, novamente.


Na superfície branca e molhada da pia, uma gota de sangue se fez presente, se espalhando pela textura até descer ao ralo. Olhei para mim mesmo no espelho, a lâmina que eu usei para fazer a barba tinha me cortado. Aquela gota de sangue foi uma bênção. A partir dela me lembrei das pessoas que ela assassinou, muitas delas próximas a mim. Coincidência?! Eu não estaria surpreso se ela estivesse me caçando, e provavelmente hoje ela teria sua recompensa.


Não, não usarei esta arma. Aquele olhar...



...Seria um desperdício jogar toda a minha investigação fora com o suspiro de uma pistola silenciosa. O meu jeito de concluir um caso é diferente... É barulhento, é violento... É lindo. Vou por um ponto final nisso tudo. Hoje e agora.



Me vesti e saí do banheiro e ela já exibia seu belo corpo nu na minha frente enquanto vestia suas roupas. Ajeitei meu sobretudo e caminhei com a mala até a porta, ela me parou novamente.


"Por favor, me prometa que nos veremos de novo." — Disse ela.


"Eu prometo que nos encontraremos novamente."


Da manga do meu sobretudo, o gás foi lançado em direção àquele rostinho bonito. Ela caiu inconsciente na cama, exibindo um Colt Detective prateado. Vadia. Então era isso o que planejava desde o começo, e eu que achei que poderia ser melhor com você. De qualquer forma, este era o meu objetivo. Depois de umas duas garrafas de uísque, a bomba já estava plantada.


Fechei a porta do quarto de motel e a tranquei. Entrei no meu Cadillac e fiquei com as mãos no volante, pensando no que estava prestes a fazer. O mais irônico de tudo é que ela tinha feito amor com o seu assassino. Ela assinara sua própria sentença de morte em um motel gelado, em uma noite gelada, em uma cidade obscura.


Dei a ignição e saí desfilando com o carro. Não importava o que acontecia, a chuva nunca parava. Aquele ruído alto de chamas e vidro se quebrando ecoou atrás de mim. O quarto de motel estava tomado por fogo, queimando tudo o que encontrava pelo caminho.


Eu parei o carro no pátio do motel e olhei para trás, a chama continuava se alastrando rapidamente. Virei à esquina e peguei a estrada, eu apenas via no retrovisor a fumaça subindo. Finalmente o caso estava resolvido. Nesta cidade, sem uma arma, sem violência, sem sangue derramado... Não existe justiça. Sempre foi assim. Sempre será. O Inferno deve ser melhor que esta cidade, tenho certeza disto.


Agora que terminei o meu último objetivo, só me resta me render à ela. Eu já sabia de todo o seu esquema para me matar. Ela sabia que eu iria me entregar à ela. Ela sabia que eu não conseguiria resistir, que eu iria sucumbir ao seu poder de sedução, mas parecia que ela tinha sentido algo verdadeiro por mim... Ou era uma ilusão, assim como os outros? Aquele pequeno dispositivo piscava no banco traseiro do carro, aquele era o meu fim, e o mais estranho... Eu estou feliz.


* * *


O pequeno Cadillac preto foi consumido pelas chamas enquanto ainda andava pela estrada. Sua carcaça em chamas atingiu uma placa verde na beira da estrada, e continuou ali, parado, queimando.


A tintura da placa foi se desfazendo, se queimando. As palavras "Dark River — Volte Sempre!" começaram à ser invadidas pelo pretume das chamas. No meio de toda aquela escuridão da estrada. Havia apenas um único ponto luminoso. Apenas uma única fonte de calor naquela noite gelada.

And the rain never stops...

And love is not enough.


Notas finais
Gostaram?! XD Se sim, por favor, deixe um review, se não, deixe também dizendo o que não gostou.

(Essa fic faz parte do mesmo universo criado por mim em Rainy Nights)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!