Notas iniciais
Olá, pessoas, espero que gostem. Esse capítulo é só uma introdução, e prometo que os próximos serão maiores. Divirtam-se!

Estava arruinado! Estava arruinado! O Natal estava arruinado!

E Noel? Ah, Noel era o vilão!

Um velho barbudo entrando nas casas de crianças e dando presentes? Pedófilo, estranho. Isso depois de passar um ano julgando as ações dessas crianças. Além de bizarro era moralista!

O Papai Noel não passava de uma lenda e a cada ano que se passavam, as cartinhas sob as árvores ficavam mais e mais escassas. Ninguém mais acreditava no bom velhinho que presenteava as crianças boas no Natal. Ao ponto em que o velho, com uma crise existencial – foco no “crise existencial” -, mal conseguia acreditar em si mesmo e decidiu ter uma conversa séria com seu bom e velho amigo Javé.

“Ora, meu velho, você não tem um filho?”, perguntara Javé, o que não fazia sentido, porque ele era onisciente, onipotente e onipresente e já deveria saber daquilo.

Nicolau não sabia o ponto da pergunta. Ele queria que Javé simplesmente estalasse os dedos e resolvesse seu problema... mas aparentemente, isso não aconteceria. Javé tinha um gosto para o dramático e sempre optava pelo caminho mais longo.

“Nicolas”, o velho retrucou, pensando no garoto que o esperava em casa.

Javé sorriu.

“Mande-o pra Terra. Ele vai ver como os jovens funcionam hoje em dia e vai pensar num plano de marketing perfeito. Vai por mim, vai dar certo.”

Javé não tinha motivos para enganar Nicolau, mas ainda assim o velho tinha algumas dúvidas. Que ele se lembrava, as coisas não tinham dado muito certo quando Javé enviou seu primogênito para o mundo dos humanos. Além disso...

“Você não pode simplesmente estalar os dedos e resolver meus problemas?”

Javé sorriu, e se desintegrou em fumaça, sua risada preenchendo os ouvidos de São Nicolau em um claro e zombeteiro “não”.