Nodame Cantabile - Affettuoso ma non troppo
3 Lição III - Recomeço
Notas iniciais
Nodame havia finalmente recebido alta do hospital, ela ainda estava um pouco debilitada, porém Chiaki estava prontamente a esperando para leva-la até a casa dele. Isso porque ele já imaginava a bagunça colossal que encontraria caso fosse até o apartamento dela.
– Para onde você está me levando, senpai? A minha casa fica em outra direção. – comentou fazendo aquele biquinho, enquanto observava pela janela do carro a beleza matutina da cidade.
– Você verá. – respondeu cheio de mistério e sucinto. Estava focado no que estava fazendo. Dentro do carro tocava uma peça para piano chamada “Clair de lune” de Claude Debussy. A música ajudava amenizar o peso do silêncio e fazia com que a jovem pianista se distraísse, até mesmo caísse no sono.
Chiaki às vezes quando podia olhava de relance para Nodame que estava “no carona” dormindo serenamente. Sem perceber quando a suave atmosfera da Clair de lune foi substituída pela sonoridade poderosa da Fantaisie Impromtu de Frédéric Chopin.
O trânsito estava um pouco ruim o que poderia ser incomum para aquele horário, mas era um fato conhecido por todos que a cada dia que passava mais e mais pessoas compravam carros auxiliando no crescimento do caos urbano. Ironicamente começou a tocar Rhapsody in Blue de Gershwin.
O maestro temperamental deu uma leve risada ao se lembrar de tantas referências e significados aquela música poderia ter. Lembrou-se de quando ela foi muito bem utilizada com trilha sonora de um curta-metragem sobre a rotina de uma cidade grande em Fantasia 2000, quando a orquestra S a executou no festival da faculdade...
Ele gostava da música e suas variações que não pareciam ser a mesma música quando chegava próximo dos dez minutos, ele lembrava dos momentos que tiveram juntos. Era uma das várias músicas favoritas do casal, o que era estranho constatar que nunca a executaram e isso fez Chiaki pensar em uma suposta desculpa em se manter conectado com Nodame durante e depois de sua recuperação.
A música chegava próximo ao fim com o seu ar alegre e o trânsito começava a andar. Chiaki pegou alguns caminhos alternativos para fugir de outra suposta e provável retenção economizando tempo. Chegando à sua casa de férias, quando sempre estivesse de volta ao Japão, ele estacionou o carro dentro da garagem e pensou por um instante ao olhar Nodame acordá-la, porém ficou com pena e se questionou quais eram as chances de conseguir tirá-la do carro e carrega-la até o seu quarto onde ela ficaria descansando confortavelmente sem acordá-la? Eram razoavelmente altas, não custava tentar.
Ele abriu a porta do carro com cuidado, tirou o cinto de segurança dela, se posicionou de tal forma que pudesse equilibrar o peso dela e que permitisse tirá-la sem que batesse a cabeça dela, chegava a hora da verdade, inicialmente teve um pouco de dificuldade para tirá-la do carro, pois estava sendo extremamente cuidadoso, tirando-a foi caminhando lentamente até entrar na casa pela garagem onde havia uma porta que dava pra cozinha. Ela era ampla, estava arrumada, louças lavadas e organizadas.
Havia uma pequena mesa com duas cadeiras ao olhá-las teve um leve devaneio ao imaginá-lo junto com Nodame tomando café da manhã. Passando pela cozinha chega-se a sala, ela tinha um ar sóbrio que combinava com o jeito “clean” do maestro, nela havia uma ampla mesa de oito lugares, à esquerda do cômodo ficava a sala de estar com algumas poltronas, sofás e televisão estrategicamente colocados, à direita havia uma escada que dava o segundo andar, onde ficavam o banheiro e os quartos sendo que um deles estava sendo utilizado como sala de instrumentos, onde se encontrava o piano, violino e o resto de seu material de trabalho como musicista.
Subir as escadas não foi fácil, degrau por degrau era uma sensação de alívio que faltava menos que faltava antes. Caminhou pelo corredor até chegar em seu quarto. A porta estava fechada, liberou uma das mãos para girar a maçaneta assim abrindo a porta, o quarto também estava arrumado, as paredes eram pintadas numa cor pastel, as cortinas eram brancas, a cama era de casal, a roupa de cama também combinava com os tons do quarto.
Ele a deitou em sua cama suavemente pegou um cobertor a cobriu e beijou sua testa e murmurou algo baixo. – Descanse. – Ao sair do quarto fechando a porta lentamente, ele foi até a cozinha deixar a comida preparada pois sabia que assim que ela acordasse ela estaria faminta. Ele preparou vários daqueles pratos de comida italiana que ela adora comer. Enquanto esperava alguns pratos cozinharem, lembrou-se que não comprou os remédios receitados pelo médico, então, ele pegou o telefone e ligou para a farmácia e os pediu.
O tempo que faltava para a comida estar pronta foi o mesmo que levou o entregador chegar. Cansado e um tanto suado decidiu que tomaria um banho rápido.
Enquanto isso, Nodame dormia profundamente e sonhava...
Sonhava que caminhava com Chiaki por um campo florido de mãos dadas enquanto riam e sorriam um pro outro.
O céu estava limpo com poucas nuvens no céu, porém de súbito uma tempestade se aproximava... Começou a ventar e... Muito! Fazendo com o que os dois soltassem as mãos e fossem levados longe um do outro.
– Chiaki-Senpaaaai! – Gritou Nodame com o braço e mão esticados tentando alcançar seu amado.
Ela ouvia ao mesmo tempo vozes, essas mesmas vozes diziam que ela não ficaria com Chiaki, isso nunca iria acontecer. Ela ficaria eternamente correndo atrás dele e ele fugindo.
– Chiaki! Senpaaaaaaaaai! – Continuava a gritar em plenos pulmões. Inutilmente.
Chiaki havia terminado de tomar seu banho, estava apenas de toalha quando ouviu Nodame gritar por ele. Não pensou duas vezes em entrar no quarto e acudi-la. Abriu a porta do quarto e viu que ela estava tendo um pesadelo. Aproximou-se e constatou que estava suando frio. Aproximou-se e a chamou, tentava tirá-la daquele sofrimento. – Nodame, Nodame!
Ela acordou abruptamente, confusa. Olhou para os lados sem compreender o que estava acontecendo ou onde estava, percebendo a presença de seu Senpai no quarto ao seu lado, apenas o abraçou. Ele retribuiu o abraço.
– Seja lá o que tenha acontecido, já passou. – comentou, tranquilizando-a como uma criança.
– Eu fiquei com tanto medo... Foi tão horrível. – disse apertando o abraço.
– Não perca seu tempo lembrando-se de coisas ruins. – fez uma pequena pausa. – Como pesadelos.
– Chiaki-senpai, eu acho que me sentiria melhor caso visse o que tanto esconde debaixo dessa toalha. – disse num tom brincalhão fazendo seu famoso biquinho
– Idiota!! – gritou a empurrando para longe de si e andando rapidamente, trôpego até o banheiro colocar sua roupa. – Irei me vestir e servir a comida. Ela está pronta.
Como esperado, ela estava faminta. Sabe-se lá quando foi a última vez que ela teve uma refeição de verdade. Ele a observava com ar de satisfação, sentia-se prestigiado ao vê-la comer sua comida daquele jeito. Pensou em quando iria aborda-la sobre seu comportamento suicida, porém lembrou-se do que Kuroki disse e pensou melhor fingir que não sabia. Depois que ela comeu o suficiente para uma turma de colegiais, Chiaki levou até ela um dos remédios para ela tomar.
– Tome. Isso irá te fazer bem, o médico receitou. Disse que você precisa repor umas vitaminas para fortalecer seu organismo antes de tomar os remédios para pneumonia.
– Não quero. Odeio xarope. – disse desviando o rosto da colher.
– NÃO PERGUNTEI SE VOCÊ QUERIA TOMAR O REMÉDIO SUA DESMIOLADA INCONSEQUENTE, TOME ESSA DROGA AGORA! VOCÊ VAI TOMAR POR BEM OU POR MAL! – Esbravejou enquanto pulou na direção dela a imobilizando e apertando seu nariz para força-la abrir a boca, enquanto ela se debatia.
– NOOOOOON – Respondia tentando manter a boca suficientemente fechada .
Estava próximo do fim da tarde até então se acreditava que o casal estava as sós. No entanto... Eles estavam sendo seguidos por um paparazzo desde o hospital. O mesmo abutre estava fotografando em todos os ângulos que ele pudesse o que se passava dentro da casa, principalmente aquele momento dantesco. Será que era pedir demais um pouco de privacidade?
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