Noctívago
15 XV
Notas iniciais
Labaredas conflagravam diante de seus olhos, impetuosas. Os gritos eram sobrepostos pelo som omnidirecional do crepitar do fogo. A fumaça e a fuligem poluíam seus sentidos, queimando seus olhos e pulmões.
Então, um caminho sem obstáculos se abriu: Daichi o perseguiu cambaleando. Ouviu uma voz familiar chamando por ele, premente, e ele passou a correr, acelerando até poder enxergar Yui: mas foi só alcançá-la para vê-la sendo levada à força por uma multidão. Ela deixou cair o amuleto que sempre levava, e ele se tornou a única lembrança material que tinha dela.
Daichi acordou com um sobressalto, sentando-se bruscamente na cama. Esfregou os olhos, sentindo o suor frio na pele e o coração em descompasso.
Ele quase não notou que havia um gato preto encarando-o com os olhos ambarinos, ao lado da cama. De alguma forma, isso o ancorou ao presente, impedindo-o de refletir demais sobre seus pesadelos, e sobre o peso de realidade que eles carregavam.
— Oh, Daichi, você acordou — Sugawara cumprimentou, ao passar pela porta de seu aposento. Sua expressão estava mais séria que o normal; tampouco parecia livre de preocupações. — Bom dia.
Daichi decidiu efetivamente não deixar as experiências oníricas abalá-lo. Tinha o que fazer ali, agora.
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