Nobody Knows
2 Sem volta
Notas iniciais
– Filho... Filho. Filho! — Ouvi sentindo um leve empurrão em meu ombro esquerdo. Abri os olhos encarando minha mãe que apontou para a janela do avião. — Chegamos...
Olhei para a pequena janela podendo avistar a cidade e um pouco afastada da mesma, um edifício feito de pedras e com torres que lembrava um castelo.
– Lá será sua nova escola. — Disse com um sorriso de incentivo.
– E meu, infelizmente, novo lar. — Resmunguei revirando os olhos. Olhando para mim e com uma expressão de desgosto minha mãe disse:
– ... Nós já conversamos sobre isso! É uma oportunidade unica e especial de trabalho pra mim você sabe! E quanto ao colégio vai ser bom para você fazer amigos. Não vou mais discutir esse assunto! — Melhor eu desistir e tentar me adaptar de vez...
Descemos do avião e fomos pegar nossas malas. Minha mãe ficaria num apartamento provisório que o novo trabalho dela providenciou e eu iria direto pro carrasco.
[...]
A paisagem começa a mudar... De algumas casas, prédios e comércios a altas árvores e alguns animais. Continuo encarando, de modo tedioso, a paisagem que se segue ao longo da estrada. Até que sinto algo gelado em minha mãos, olho e vejo que a mão de minha mãe se encontra por cima do objeto metálico e frio.
– Isso é... Isso é pra você... — Ela retira as mão de cima e tenho a visão completa do objeto.
– Um colar? — Pergunto sem entender nada. Como assim um colar?
– Não é um simples colar filho... É um medalhão... Era o medalhão do seu pai, lembro que ele não o tirava por nada... — Respondeu provavelmente lembrando-se das cenas e com os olhos enchendo-se se lágrimas. — E agora... Quero que fique com ele...
Olhei para o medalhão e envolvendo em minha mão e abracei minha mãe. Abracei silenciosamente permitindo que uma lágrima escorresse por meu rosto.
– Não se preocupe... Eu vou ficar bem. Eu prometo... — Desfiz o abraço para encarar seus olhos já vermelhos. — Nós ainda poderemos nos ver nos feriados e finais de semana... — Sorri simplesmente para tentar confortá-la.
– Tem razão meu filho... Tem razão...
– Chegamos senhora. — A voz firme do motorista do táxi se fez presente. Olhei para a janela novamente e pude constatar o imponente lugar a frente. Seus grandes portões davam a impressão de que no momento em que eu entrasse ali seria engolido e nunca mais sairia.
Mas não sou supersticioso. Abri a porta do carro dando novamente um abraço em minha mãe e colocando rapidamente o colar em meu pescoço. Peguei minha mala de viagem onde continha tudo que iria precisar. Olhei para trás novamente e disse:
– Não se preocupe! — E acenei para minha mãe que acenava de volta com o carro já em movimento em direção novamente a cidade.
– Pois é... Agora somos só eu e... Eu. — Olhei para os lados observando a paisagem verde.
Bem... Agora sou só eu e eu mesmo, aliás, sempre foi. Caminhei em direção ao portão assustador procurando uma campainha ou interfone. Até quando ouço o mesmo ranger e começar a se movimentar olho atentamente entrando no colégio. Já do lado de dentro olho para trás onde o portão se fecha! É! Não tem mais volta!
Viro o rosto novamente para frente e me assusto com o que me deparo.
– Você deve ser Edward Sparks. Sou o faxineiro chefe desse lugar e estou aqui para orienta-lo até seu dormitório. — O homem vestia um uniforme e segurava uma vassoura. Não era muito velho, mas podia se notar marcas de expressões em seu cansado rosto.
– S-sim sou eu! Sim senhor! Pode me chamar de Edward. — Disse nervosamente batendo em continência... Mas acho que isso foi desnecessário.
– Certo Edward... venha comigo. — Disse após revirar os olhos e começar a andar. Olhei para um lado e pro outro não vendo mais ninguém, se eu não for vou acabar me perdendo.
– Espera! — Disse alto suficiente para que ouvisse e corri em sua direção arrastando a mala pelo longo caminho de pedras que levava até a entrada do local.
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