No time to die

2 Now, i’m lost in paradise


Notas iniciais
Hello, Hello! Espero que estejam se cuidando e que gostem da leitura. Lembrem-se de lavar bem as mãos e fiquem em casa (Quem puder) Beijocas da Nini

Três Dias Depois

Desci as escadas da forma mais silenciosa o possível. O sol entrava pelas janelas e iluminava a casa toda. Não havia sinais da megera Paola e nem de Will. Escutei vozes da cozinha.

— Mas você não acha que é muito tempo? Jamais hospedamos alguém mais do que dois meses- Escutei Soraya dizer, aproximei-me para escutar melhor. Fiquei do lado da porta para que ninguém me visse.

— Sim, eu sei, porém é um caso delicado e vai demorar para o julgamento acontecer, até lá precisamos mante-la aqui. Vai que ela sabe de mais alguma coisa e se sente confortável para contar- Ouvi a voz de Jack. Revirei os olhos, é claro que ele não estava sendo bonzinho atoa, meu pai estava certo quando dizia que nada é mais suspeito do que bondade alheia.

— Eu não confio naquela garota, ela tem alguma coisa horripilante! — Exclamou Soraya.

— Sem julgamentos, pelo amor de Deus. Soraya, você desconfiaria dela se não soubesse os crimes que o pai cometeu? Outra coisa, o criminoso em questão é o pai, não ela- Rebateu Jack. Hora de atrapalhar a conversa.

— Bom dia senhor e senhora Steves- Saudei entrando na cozinha. Ambos assustaram-se, mas responderam minha saudação.

— Bom Dia Anne, não escutei você se aproximando — Disse Soraya com um sorriso falso no rosto, apenas sorri de volta.

— Precisamos ter uma conversa séria Anneliese, mas antes tome seu café, estarei esperando no meu escritório- Disse Jack, antes de sair da cozinha, provavelmente tinha algo com o julgamento do meu Pai.

— Então, como tem sido os seus dias?- Perguntou Soraya colocando o café em uma caneca e me servindo.

— Nada demais, ainda é complicado, parece que toda vez que eu fechar os olhos para dormir, vou acordar com o cheiro de panquecas que meu pai fazia de manhã, mas quando abro os olhos não há nada exceto aquela luminosidade toda que vem da janela- Comentei e beberiquei meu café. Soraya parou o que estava fazendo e me encarou.

— Ele era um bom pai?- Perguntou séria. Afirmei com a cabeça, ela suspirou e virou-se de costas para lavar algo na pia. -Bom, se a luz te incomoda, podemos colocar uma cortina no quarto, o que acha?- Perguntou tentando parecer animada. Sorri ao perceber que ela tinha mordido minha isca. — Honestamente, eu adoraria- Respondi. Ficamos em silencio por alguns minutos antes dela colocar um prato com ovos fritos na minha frente. Agradeci, mas Soraya definitivamente não se sentia confortável comigo, pois logo saiu da cozinha, deixando-me sozinha.

— Bom dia Lizzie- Saudou Will entrando na cozinha, com mochila e tudo. — Não está atrasado? — Perguntei. Will confirmou com a cabeça, pegou o prato de ovos e comeu.

-Hey isso era meu — Protestei tentando pegar o prato de volta, mas Will era mais alto e mais forte. Por fim, desisti e deixei ele comer. Bebi o resto do café em um gole e coloquei a caneca na pia.

— Bom, tenho que encontrar seu pai agora, no escritório, sabe o que é?- Perguntei para o Will.

— Provavelmente é uma consulta, meu pai faz com todos os acolhidos em situações parecidas com a sua, para saber se está tudo bem ou se você pretende se matar daqui a dois minutos- Explicou enquanto limpava a boca com um pano de prato.

— Está mais para saber se você pretende nos matar enquanto dormimos, lixo urbano- Ironizou Paola entrando na cozinha. Apesar da acidez em seu comentário, achei mais verdadeiro que o de Will. Paola parecia aquelas populares da escola que odeia todo mundo, provavelmente uma carente de atenção que necessita humilhar os outros para poder sentir-se melhor. Decidi que ela não merecia meus argumentos, enquanto ela abria geladeira eu saía da cozinha. Quanto mais fugisse dela, melhor.

Respirei fundo, acalmando meus pensamentos, eu precisava ser esperta nesse momento, bati na porta suavemente, a porta se abriu e apareceu um Jack sorridente. — Entre Anneliese, sente-se, por favor- Pediu apontando para uma poltrona de couro marrom no centro do escritório. Sentei-me e ela parecia bem confortável, do lado direito havia uma pequena mesinha redonda com uma jarra d'água e um copo vazio do lado.

-Bom Anneliese, teremos esse tipo de conversa algumas vezes durante a sua estadia aqui, precisamos manter você bem e estável até o julgamento, sei que você está passando por uma situação muito difícil, mas estou aqui com você, pode contar comigo- Explicou de maneira amistosa enquanto sentava na poltrona a minha frente e pegava um pequeno caderno e uma caneta.

— Você está comigo até o julgamento- Comentei, o lembrando de que todo o seu discurso não passava de demagogia barata. Ele não se importa comigo como queria aparentar. Acho que ele percebeu, pois seu sorriso gentil sumiu do rosto.

— Como se sente com tudo isso que aconteceu? — Perguntou se preparando para anotar minha resposta.

— Uma sensação esquisita, um dia estou na minha casa me preparando para ir a escola e no outro, acordo na casa de uma família desconhecida. Levaram meu pai, tomaram a minha casa... A sensação é de que tem alguém controlando a minha vida e esse alguém não sou eu — Respondi, sentindo uma fúria sair do meu coração.

— Como se sente com as acusações contra seu pai?- Perguntou estreitando os olhos um pouco.

— Bem, são acusações, ele pode se livrar dessa ainda, quer dizer, eu espero que se livre — encostei-me mais nas costas da poltrona.

— Você quer que seu pai se livre mesmo tendo cometido todos aqueles crimes?- Perguntou sentando na ponta de sua poltrona.

— Primeiro, são acusações, ele não pode ser declarado culpado até que realmente provem que ele é. Meu pai é a minha única família, tudo gira em torno dele. Depois daqui eu vou para onde? Morar debaixo da ponte ou algo assim, por que não tenho como me manter, não tenho como manter aquela casa que você viu — Respondi, sentindo meus olhos marejarem. Jack suspirou. — Tudo bem, você alguma vez viu alguma atitude estranha em seu pai?- Perguntou Jack, concentrado em minha resposta.

Seis anos atrás

Acordei com um barulho muito alto vindo do porão, papai deveria estar trabalhando ainda, levante-me da cama e olhei para o lado de fora, estava começando a amanhecer. Desci as escadas e caminhei até o porão. — Quem é você?- Perguntei assim que abri a porta e vi uma mulher ensangüentada e acorrentada, a mulher veio correndo na minha direção com os braços esticados mas a corrente pesada a puxou e ela caiu no chão. — Me ajuda, me ajuda! Tira-me daqui, por favor!- Implorou a mulher com os seus longos cabelos tampando o rosto que parecia estar ensangüentado, a lâmpada do porão estava acesa, mas não iluminava o suficiente para saber quem era. — ANNELIESE O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?- Escutei meu pai gritar furioso, pulei assustada e comecei a chorar, ele nunca havia sido agressivo. —Eu te disse para ficar longe do porão-Ele me puxou pelo braço para longe do porão e me colocou na cama para dormir.

— Não- Respondi tranquilamente. Mas senti meu corpo gelar.

— Tem certeza?- Jack estava disposto a arrancar tudo de mim.

— Sim, certeza absoluta. Ele fazia coisas normais que pais solteiros fazem, fazia meu café, me levava para a escola quando eu era criança- Exemplifiquei, ficando irritada com aquela conversa.

— E sua mãe? Você tem avós? — Perguntou Jack mudando o rumo da conversa. Ajeitei-me na poltrona, me sentindo mais confortável.

-Bem, meu pai me contou que minha mãe morreu no parto, e que meus avós maternos me culpavam pela morte dela e não quiseram me conhecer e meus avós paternos faleceram antes do meu nascimento- Respondi. Jack ficou em silêncio por alguns minutos.

-Bom, é isso por hoje Anne, posso te chamar assim?- Perguntou gentilmente, afirmei com a cabeça. Levantei-me da poltrona em silêncio, saí da sala com a cabeça pesando. Era difícil falar de família já que para mim, meu pai era única família. Eu precisava saber como ele estava, e Jack não me contaria, para me proteger, mas se meu pai estiver precisando de mim...

Onde eu conseguiria informações sobre ele? Desci as escadas correndo quando me dei conta que só haveria um lugar que falariam dele detalhadamente. Parei na sala e olhei ao redor, procurando alguém, mas parecia que eu estava sozinha, avistei o jornal do dia em cima da mesinha de centro, o peguei rapidamente, o rosto do meu pai estampava a primeira pagina “SERIAL KILLER, PEGO DENTRO DE CASA"

Tom Silver foi acusado de assassinar mais de quarenta vitimas, durante dezesseis anos, curiosamente é a idade da filha dele. Ele vivia em uma casa afastada da cidade, apenas com a filha que aparentemente não tem nenhum envolvimento com os crimes. Ainda não há detalhes sobre a prisão, mas Tom está sendo devidamente cuidado por um dos maiores advogados do estado, um fato curioso para um homem que morava em uma casa pobre.

Advogado caro? Quem estava pagando? Em outra folha, havia fotos das vitimas, havia mulheres, homens, gays... Esquisito, não havia traços que ligassem uma vitima à outra. Continuei olhando, Senti meu sangue gelar quando vi uma mulher de cabelos longos ensanguentados, meus olhos marejaram, minhas pernas fraquejaram...

Era ela, a mulher que vi no porão.

Notas finais
Lembrando que a historia tem uma playlist. https://open.spotify.com/playlist/37O4tEiSUtVXK3ue15J78z?si=X6lihJHqQ72uZTw0hqaXdw
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.