No, this is not a phase
1 no, this is not a phase
Notas iniciais
Talvez essa história seja um pouco difícil de compreender, porque quis passar a descoberta e o medo de todo o processo, desde o entendimento até um beijo.
Espero que gostem, me digam o que acham.
Um beijo enorme e boa leitura!
Casamento, um vestido branco, uma igreja cheia de familiares, seu irmão ao seu lado, seu pai completamente doido por entregar sua garotinha, sua mãe chorando no primeiro banco após entregar seu buquê a filha. Seu noivo a esperando no altar. Seus avós orgulhosos.
Era pra ser assim, não era?
Mas ali se encontrava, admirando Rose Weasley, seus cabelos de fogo ao vento, seus olhos azuis esverdeados, seu sorriso aberto logo após dar uma tragada no cigarro mentolado que havia lhe passado, apenas pensando em como faria qualquer coisa para que ela fosse sua garota. Safira só conseguia ter a certeza de que não, não era uma fase.
Estavam no sexto ano do ensino fundamental e tudo girava em torno de saber quem já tinha beijado quem e quem ainda não tinha beijado ninguém. Safira achava que as coisas iam ser mais fáceis, tinha vários garotos de sua classe interessados nela para o desespero de seu irmão, Scorpius. Os dois eram muito reservados, mas por andar sempre com os Weasley e os Potter, tinham aí um grupo de amigos bem amplo.
As férias eram sempre uma loucura, eles costumavam brigar para saber onde seriam os encontros. Quando ela e Scorpius fizeram doze anos, sugeriram dividir e passar dez dias na casa de cada, então passou a ser tudo mais tranquilo. Passavam o início das férias na casa de praia dos Potter, o meio do mês na casa gigante dos Weasley e o final das férias na mansão Malfoy. Seus avós faziam questão de ter os netos e os amigos deles em sua casa, como viviam apenas os dois, a mansão acabou se tornando maior e mais vazia.
No início daquelas férias, estavam todos reunidos na casa dos Potter como sempre e após uma manhã na praia e uma tarde na piscina, James Potter, o mais velho dos irmãos, havia reunido todos em uma roda com a proposta de fazer uma brincadeira. Ficaram empolgados, James era sempre muito criativo.
— Vamos jogar verdade ou desafio!
E começou o burburinho. Safira sabia que Scorpius estava louco para beijar Dominique Delacour, Alvo tinha um crush em Lysander Lovegood e Rose só queria beijar alguém logo para se livrar do fardo de ser bv.
A casa estava mais cheia que o normal, pois as Delacour, os Lovegood, a Parkinson e o Zabini tinham se juntado a eles.
Livia Parkinson e Luke Zabini eram mais próximos dela e de Scorpius, pois seus pais eram amigos desde os tempos de colégio, então sempre que podiam aproveitavam as férias juntos também.
— Como vai funcionar isso? — perguntou Lilian Potter, um ano mais nova que eles, superprotegida pelos irmãos e com isso, a mais rebelde deles.
— É simples, vamos girar a garrafa, em quem parar a ponta dela pergunta e a outra pessoa responde. — começou James, colocando a garrafa no meio da roda. — Os desafios podem ser variados, desde que ninguém fique sem roupa pois não queremos problemas com os vizinhos. A pergunta pode ser qualquer uma, desde que não deixe ninguém desconfortável. Vamos?
Para a tristeza de Albus e Scorpius, Lysander e Dominique já deixaram claro que não iriam participar, apenas observar. Roxanne Weasley disse que iria participar e que faria apenas desafios, Luke e Lívia já estavam se sentando na roda. Safira observou Rose sentar ao seu lado e se aproximar para falar em seu ouvido.
— Será que hoje eu perco meu bv? — disse entusiasmada e Safira apenas reparou nas sardas na pontinha de seus nariz.
— Não aguento mais, até a Lily não é mais.
— Não sei, Rose. Não sei nem se quero participar.
— Claro que você vai participar! Não vai me deixar sozinha, né?
— Não, nunca faria isso. Mas não quero ser desafiada a nada. — deixou claro para a amiga, que apenas assentiu e segurando sua mão, apertou com força.
— Ninguém vai te azucrinar, prometo! — disse Rose, empolgada.
E a brincadeira começou. James desafiou Lily a pular na piscina, Lily desafiou Albus a lamber uma pimenta, Albus fez Scorpius confessar seu crush em Dominique, deixando a garota completamente corada fora da roda. E assim sucessivamente, todos foram cumprindo desafios, como imitar um zumbi na rua, tocar a campainha do vizinho da frente, gritar frases desconexas, coisas bobas até então. E, finalmente, a garrafa parou em Scorpius e Rose.
Os dois eram amigos, mas alimentavam uma rixa desenvolvida nas salas de aula e seguiam para fora dela.
— E aí, Rose, verdade ou desafio? — Safira ouviu o irmão perguntar.
— Desafio, claro. — a ruiva respondeu sem nem pensar, e Safira observou o sorrisinho cínico de seu irmão abrir.
— Desafio você a beijar… o Luke.
E Safira observou a amiga ficar estática por alguns segundos, antes de se levantar e ir em direção a Luke Zabini, puxar o garoto pela mão e o beijar na frente de todos.
Safira ficou se perguntando porque aquilo parecia tão natural para Rose e para ela tão absurdo. Não sentia vontade alguma de beijar um garoto.
— E seu país, quando voltam? — perguntou Rose, tirando Safira de seus devaneios.
— No próximo final de semana, eles decidiram estender as férias.
Draco e Astoria eram incrivelmente apaixonados um pelo outro, mesmo após tanto tempo de casamento. Sempre que podiam os dois tiravam uma nova lua de mel, o que fazia Safira agradecer muito, o trauma de ouvir seus pais transando era algo difícil de esquecer. A garota se questionava se um dia iria ter o que os pais tinham constantemente, principalmente após descobrir sobre sua sexualidade.
Não que fosse impossível ter um relacionamento longo e duradouro sendo quem ela era. Mas crescer num meio hetero era complicado… Viver se questionando havia trago muitas dúvidas sobre seu futuro para a garota. A sociedade, apesar de ter melhorado muito, ainda era extremamente homofóbica e Safira tinha medo, por si e pela garota com que pudesse estar.
— Acho lindo isso, sabia? — continuou Rose. — Falo dessa relação dos seus pais… É muito bonito de se observar, dá pra sentir nos olhares que eles trocam o amor que eles têm um pelo outro.
Safira sorriu, olhando as estrelas que estavam surgindo no começo da noite.
— Eu me pergunto se algum dia terei o que eles tem…
Rose ficou quieta, apenas observando a loira, ali em cima do telhado da casa dos Malfoy. Safira tragava o cigarro e olhava para o horizonte, como se estivesse perdida em pensamentos. E sabia que ela estava, conhecia a amiga o suficiente para isso.
No nono ano do ensino fundamental, Safira estava com 14 anos e após um encontro, péssimo por sinal, que teve com Lorcan Scamander, a garota finalmente teve seu primeiro beijo.
Como poderia descrever? Ela sentia que depois que desse seu primeiro beijo, tudo ia mudar. No sentido de, se sentir especial entre as amigas, poder participar das fofocas, ser mais notada por outros garotos. Mas não passou disso, um beijo.
Suas amigas descreviam os primeiros beijos como algo mágico, um marco na sua vida, sua pré saída da adolescência. Mesmo que a maioria delas dissessem ter sido horríveis.
Poderia ser isso, né? Apenas não houve um encaixe certo na hora do beijo, as bocas não combinavam. Por isso ela não sentiu absolutamente nada.
Lorcan foi um completo de um cavaleiro, perguntou onde ela queria ir, se queria ver um filme ou ir caminhar num parque. Quando chegaram ao local, ele havia estendido uma toalha, o rapaz também havia trago suas comidas preferidas e suco de maracujá, sabia que ela amava. Foi uma tarde agradável, conversaram, riram, era fácil estar com Lorcan.
Na volta pra casa ela começou a ficar aflita, sabia o que ia acontecer e ela queria que acontecesse, precisava resolver isso logo.
— Você está bem? — perguntou o rapaz, que segurava sua mão de uma forma carinhosa.
— Ah, sim, desculpe… Estava pensando em uma coisa.
— Se quiser me falar, estou aqui pra te ouvir.
Mas Safira não falou mais, ela só pensava em como iria acontecer aquilo. Teria um momento? Ele perguntaria? Ou daria algum sinal? Era difícil para ela ter que adivinhar o que a outra pessoa queria, mesmo que no fundo soubesse.
No curto caminho que faziam da praça para a casa de Safira, ela se perguntava se deveria convidá-lo para entrar ou o que poderia passar caso não convidasse. Eles eram amigos, ele iria notar se ela estivesse desconfortável, certo?
Ao chegar na entrada da casa dos Malfoy, pararam diante do portão grande e branco, com uma inicial no meio. Safira achava incrível a forma como a família levava o nome a sério.
— Você gostou do nosso passeio? — perguntou Lorcan, segurando sua mão.
— Eu adorei, foi um ótimo dia, Lorc. Muito obrigada por hoje. — disse sorrindo para o garoto.
Safira era deslumbrante de linda, Lorcan ficou completamente sem ação quando a garota aceitou sair com ele. Os cabelos loiros presos num rabo de cavalo, a maquiagem leve realçando seus olhos verde acinzentados.
Estavam de frente um para o outro e Safira notou o sinal, quando o garoto a sua frente pegou uma mecha do seu cabelo e colocou para trás da orelha, fazendo com que ela olhasse para ele.
— Eu quero muito beijar você, Safi. — disse o garoto, mas soou mais como um pedido.
Então ela percebeu que se quisesse que aquilo acontecesse, era sua vez fazer algo. E se aproximou mais do rapaz, sentindo o perfume amadeirado exalando de sua blusa. Não era um cheiro gostoso e nem o qual ela queria lembrar depois. Mas apenas colocou as mãos na nuca do garoto e o puxou para o beijo.
E não teve nada. Emoção, frio na barriga, nada. Foi um beijo vazio.
— Eu não acho que você deveria querer o que seus pais tem. — começou Rose — Você merece muito mais…
O cigarro agora era apenas cinzas, o vento fazia com que seus pelos ficassem eriçados e ela abraçou as próprias pernas, olhando para o céu a sua frente.
— Obrigada, Rose. — agradeceu Safira, ainda perdida em seus pensamentos.
Rose observou a amiga fazer a mesma posição que ela, mas apoiando a cabeça nas pernas. Safira era absurdamente linda, mas não apenas fisicamente. Era uma mulher dedicada, tudo que fazia, dava sempre o melhor de si. Rose a admirava.
Sempre foram muito unidas e embora Safira nunca houvesse "se assumido", e não que fosse necessário também, ela sabia. A loira nunca havia tentado se esconder e isso só fazia Rose a admirar mais ainda. Só se deu conta do que estava fazendo, quando sentiu os olhos frios de Safira sobre si.
— Desculpe, eu… — começou, afastando a mão do rosto da amiga, onde havia acabado de tirar uma mecha de cabelo que caia.
Safira olhava fixamente para a "amiga" e só pelo olhar sabia exatamente o que se passava pela mente da outra. Ela mesma havia olhado para uma outra Weasley a três anos atrás da mesma forma.
Era período de aulas, então a escola estava cheia de alunos pelos corredores. Hogwarts era um internato, os pais que quisessem que os filhos passassem mais tempo na escola, pagavam para que eles ficassem na escola em tempo integral indo para a casa apenas aos finais de semana. E os Weasley, Malfoy e Potters estavam entre esses alunos.
Haviam acabado de sair de uma aula e Safira ouvia animadamente Rose falar sobre a prima que iria dividir dormitório com elas.
— Sério, Safi, a Roxy é incrível! Ela tem o cabelo cheio e roxo, é cheia de personalidade, muito divertida, vai ser maravilhoso ter ela com a gente.
Safira estava de saco cheio de tanto ouvir sobre todas as qualidades da Weasley que estava sendo transferida para a escola. Já sabia de onde a garota vinha, sobre todas suas cores de cabelo, sobre sua comida preferida, Rose fazia questão de contar tudo em detalhes.
— O tio Jorge quis que ela viesse para mais próximo da família, porque desde que ela se assumiu, começaram a fazer bullying com ela na outra escola.
E de repente, Safira se viu interessada.
— Assumiu? — perguntou, tentando não demonstrar como aquilo havia mexido com ela.
— Sim, ela é bissexual, chegou a namorar uma garota, mas terminaram e tudo acabou ficando pior. — respondeu Rose, justamente dessa vez não se aprofundando. — Mas agora tudo vai ser diferente!
Safira não se lembrava muito de Roxanne, mesmo que se vissem sempre nas férias. Ela não costumava ficar guardando o rosto de quem não estava no seu convívio diário.
Mas, com certeza, aquilo mudou após ter mais tempo com a garota.
Roxanne parecia um furacão, por onde passava era impossível não ser notada. A pele negra, os cabelos cacheados cheios e com uma mexa rocha, os olhos escuros e brilhantes. Era uma garota que sabia se posicionar, transpirava inteligência. E Safira se via absurdamente interessada no que ela tinha para falar.
Haviam tido aula juntas e a próxima, que era separada de Rose que não possuía habilidade alguma com música, havia sido cancelada. As garotas então foram dispensadas, mas como ainda estavam em horário de aula e não podiam ficar perambulando pela escola, se dirigiram ao dormitório.
Safira ouvia atentamente a morena lhe explicar sobre os acordes do violão, enquanto tocava sentada ao seu lado na cama.
— Parece difícil, mas é só porque a professora não sabe explicar direito, se você acertar essa nota… — dizia Roxanne, completamente concentrada nas cordas.
E Safira, que observava atentamente a forma que as mãos delicadas de Roxanne se posicionavam no violão e seus dedos pressionavam a corda, aproveitou os segundos de coragem para perguntar o que tinha curiosidade há muito tempo.
— Como é beijar uma garota? — soltou, fazendo com que Roxanne errasse a nota e parasse subitamente de tocar.
A morena então apenas olhou para a loira sentada ao seu lado com um olhar que transparecia compreensão e abriu um sorriso de lado. Não era uma pergunta que recebia todo dia e nem de qualquer pessoa, sabia que tinha algo por trás daquela curiosidade.
Mas não iria deixar Safira mais receosa do que já parecia.
Colocou o violão de lado e ficou de frente para a de olhos claros.
— Bom… Como descrever? É incrível. — sorriu para Safira, tentando transmitir segurança. — Lábios de garotas são muito macios.
Safira lembrou-se do beijo de Lorcan. Os lábios dele não eram duros, mas também não eram macios. Não havia beijado mais ninguém após aquele dia.
— Você já beijou um garoto? — perguntou a Roxanne, agora que havia começado, já não tinha para onde fugir.
— Sim! A bissexualidade é isso, eu gosto de garotos e garotas. Definitivamente prefiro garotas, mas também beijo garotos.
Safira ficou intrigada, ela já havia beijado um garoto. Será que ela era bissexual?
— Entendi…
A loira ficou perdida em seus pensamentos por um momento. Não sabia muito bem descrever o que estava sentindo. Observou Roxanne a olhando com aqueles olhos escuros como a noite, com aquele sorriso de quem entendia tudo e quis pedir a ela que lhe explicasse tudo. Queria que ela soubesse lhe dizer se tinha algo de errado com ela, mas não tinha coragem.
— Você… — começou Roxanne, a tirando de seus devaneios. — Já beijou uma garota?
Safira sentiu o ar se esvair de seus pulmões por um segundo. Não conseguia encontrar as palavras, então apenas negou com a cabeça.
— Certo… mas tem curiosidade, né?
Mais uma vez, a loira sentiu que Roxanne compreendia tudo. Então apenas acenou novamente e sentiu uma mão sobre a sua na cama. Levantou os olhos para a garota ao seu lado e mais uma vez aquele maldito sorriso estampava o rosto de Roxanne. Porque ela tinha que ser tão bonita?
— Safi, está tudo bem em ter curiosidade. — disse a morena. — Gostar de garotas não é algo errado ou ruim, eu, particularmente, acho incrível. Claro que não é fácil, enfrentar a sociedade para dar a mão a outra mulher, mas definitivamente não é ruim. E claro, não é porque tenha curiosidade que você não seja hetero, essas coisas acontecem e..
— Não acho que seja algo ruim… nem que eu seja hetero. — disse Safira, interrompendo o raciocínio da garota.
Roxanne ficou surpresa pela resposta e sabia que não poderia deixar a loira sair dali com aquela dúvida. Ela mesmo havia sido uma pessoa com dúvidas um dia e sabia o quanto a mente humana era algo de fácil sabotagem. Ela sentia que precisava ajudar Safira, mas nada que falasse, mudaria seu pensamento e menos ainda tiraria sua curiosidade. Então, enquanto ainda segurava a mão de Safira, levantou a outra e colocou os cabelos loiros atrás de sua orelha, fazendo um breve carinho no seu rosto.
Safira olhou diretamente para Roxanne quando sentiu seu corpo inteiro arrepiar, com a proximidade dela e o carinho. Ela sabia o que iria acontecer, não conseguia disfarçar seu nervosismo. Roxanne sorriu para ela e se aproximou devagar, depositando um beijo no canto de seus lábios, como que pedindo permissão para o que viria a seguir. Safira apenas assentiu e fechou os olhos.
Quando os lábios da morena tocaram os seus, ela entendeu o que Roxanne havia falado sobre garotas terem os lábios macios. Sentiu como se fogos de artifício se acendessem dentro de si, uma explosão de sensações. Fechou seus olhos e instintivamente puxou Roxanne para mais perto, aprofundando o beijo, logo sentindo a língua dela pedir passagem.
É, ela não era hetero. Não havia a menor possibilidade.
Safira não conseguiu pensar duas vezes antes de puxar Rose Weasley para um beijo, o qual a ruiva correspondeu.
Toda vez que beijava uma garota sentia o chão sair de seus pés e aquelas milhares de sensações, mas beijar Rose, que sempre tinha sido sua melhor amiga, era completamente diferente. Ela sentia seu estômago cheio de borboletas, sentia como se tivesse acabado de ver o sol em um dia completamente nublado. Os lábios dela tinham gosto de menta, pelo cigarro que fumava a pouco tempo e conseguia sentir o cheiro de morangos que exalava do cabelo dela, aquele perfume que sentia já tinham anos, só que nunca tão perto.
Não poderia mentir e dizer que nunca tinha imaginado como seria beijar a amiga, mas nem de longe se comparava a como realmente era. Os lábios macios, a delicadeza no beijo, a mão tímida em sua cintura.
Como levara tanto tempo para saber que estava apaixonada por Rose?
Não poderia se culpar, na verdade. Rose nunca havia dado sinais de também gostar de garotas e todo o ciúmes que sentia dela achava que era normal. Amigas sentiam ciúmes de amigas, afinal. Devia ter notado que não era normal a forma que sentia. Lembrava de quando Rose teve o primeiro namoradinho e ele havia a traído. Ver Rose chorar doía tanto nela que jurava que poderia matar o garoto com suas próprias mãos. Quem em sã consciência faria uma garota como ela chorar? Aquilo era inadmissível.
Cuidou da amiga após aquele coração partido e todos os outros que vieram a seguir.
Lembrou da formatura, ela queria tanto ter dançado com Rose. Mas ela e o irmão já tinham combinado há muito tempo de ir juntos e Scorpius jamais a deixaria ir sozinha. Teve que observar sua garota dançar com um qualquer idiota que nem sequer lembrava o nome e não conseguia explicar o motivo do odio ao ver ele passando as mãos em volta da cintura da ruiva.
Ela sempre tivera sentimentos pela amiga, apenas não queria ver. Não queria perder a amizade que construía e então dizia para si mesma que era só coisa de momento. Ouviu ao longe a música que vinha do seu celular e riu, desfazendo o beijo.
“I don't wanna be your friend, I wanna kiss your lips
I wanna kiss you until I lose my breath
I don't wanna be your friend, I wanna kiss your lips
I wanna kiss you until I lose my breath”
— Do que você está rindo? — perguntou Rose, completamente sem jeito. — Foi tão ruim assim?
Safira quis rir mais ainda, com a expressão de incredulidade de Rose. Ah, se ela soubesse… Apenas segurou a mão da Weasley, levando até seus lábios e a beijando.
— Rose, esse foi um dos melhores, se não o melhor, beijo da minha vida. — disse, acalmando a garota.
Viu um sorriso surgir nos lábios da ruiva e achou que fosse infartar. Rose não fazia ideia de como era bonita. Passou a mão de leve pelo rosto dela, fazendo um carinho e observando a apoiar a cabeça em sua mão. Não queria que aquela noite acabasse.
Havia pensado tantas coisas antes de chegar até ali, achava que estava ficando louca, que tinha um problema com ela, que não havia nascido para o amor. Até havia pensado que fosse uma fase. Mas ao ver Rose lhe observando com seus olhos azuis, logo após deitando a cabeça em seu ombro, sentia que nada podia lhe impedir de ser quem era.
No mundo, sempre teria alguém para lhe apontar o dedo e dizer que sua forma de amar era errada, que amar outra mulher, sendo mulher, era terrível. Que iria para o inferno por ser lésbica… Mas nada disso mudaria quem ela era.
E não, definitivamente, não era uma fase.
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