No teu olhar
6 Capítulo 06 - Ela diz e você faz
Notas iniciais
— Majestade, nós não o encontramos em lugar algum. – Disse um dos guardas, dando um passo para trás, prevendo a fúria da rainha.
— Isso é ridículo! Estamos em uma propriedade fechada, seu imbecil! Edward tem de estar em algum lugar. – Vociferou, fazendo o guarda assentir e sair outra vez.
— Mamãe? – Renée ouviu a voz e apertou as têmporas. Não tinha mais energia e os problemas mal haviam começado. – O que está acontecendo? – Alice perguntou adentrando a sala.
— O que aconteceu? – Repetiu a pergunta, com a voz tingida de raiva. – Aconteceu que seu irmão é um irresponsável. Os Denali estão prestes a chegar e ele resolveu sair em busca de alguma aventura.
— Onde você acha que ele pode estar? — Perguntou.
— Eu não sei. Se soubesse iria busca-lo, não acha, Alice? – Indagou. – Eu só espero que não esteja onde eu imagino. Porque se estiver, acredite, o castigo de ontem será brincadeira se comparado com o que eu farei.
~*~*~*~*~*~*~*
Alice caminhava entre as árvores do fundo do castelo, sempre olhando para trás, procurando por alguem. Estava sozinha. Ela caminhou por mais alguns metros, até o avistar.
— Sabia que o encontraria aqui. Apenas não sabia se estaria sozinho. – Declarou se sentando, enquanto o irmão olhava para o pequeno lago.
— Agora sabe onde eu estou. Vai contar para a rainha?
— Quer dizer a mamãe. Ela é sua mãe também, Edward. – O corrigiu, ganhando uma olhar de repreensão.
— Você não tem vergonha de sempre seguir as ordens dela? De nunca questionar? – Indagou.
— Isso não é... – Começou, mas ele se levantou furioso.
— Ah, por Deus Alice! Renée diz pula, e você pergunta a altura! – Rugiu. – Afinal, a santa Renée nunca está errada, não é?
— É fácil para você dizer, não é? – Questionou. – Questionar as regras. Quase natural, não é? É o príncipe herdeiro e primogênito. O homem. Nunca viveu nas sombras de alguem. Não sabe o que é ter que ser perfeito, porque se não for, não será escolhido para um bom casamento. Afinal, quem seria louca a ponto de não querer ser a princesa a e tornar rainha? Não terá de ser escolhido! É você que escolhe. – Rugiu, furiosa, fazendo Edward se sentar.
Eles estavam sentados lado a lado, ambos em silencio, quando Edward finalmente suspirou.
— Desculpe. Nunca pensei em como isso tudo é injusto com você, irmãzinha. – Se desculpou e ela assentiu.
— Está tudo bem. Apenas não diga que eu faço o que ela quer porque eu quero. – Respondeu tocando seu ombro, fazendo Edward estremecer e apertar os olhos. – O que foi?
— Nada. Está tudo bem. – Respondeu respirando entre os dentes, se afastando de seu toque.
— Edward? O que você tem? – Questionou pressionando seus ombros, o fazendo gemer de dor.
— Eu não... Afaste as mãos... – Sibilou, fazendo com que ela o soltasse com um olhar assustado. – Não consigo agüentar mais. Me ajude com a camisa, Alice. – Pediu e ela assentiu tocando seus ombros. – Com cuidado, por favor.
A camisa estava colada ao corpo e cada vez que Alice a puxava, os olhos de Edward se apertavam mais e seus punhos se fechavam.
— Devagar!- Pediu, respirando fundo.
Ela diminuiu a velocidade e foi o mais delicada que pôde, finalmente se livrando do pano.
Os ombros dele relaxaram, mas ela não. Alice levou as mãos a boca, impedindo que um grito de horror saísse. Ao dar a volta, olhou em direção as costas do irmão. Havia um corte próximo ao ombro que ainda sangrava, mas não era ele que prendia sua atenção.
Cicatrizes.
Por toda a extensão de suas costas, haviam cicatrizes de todas formas e tamanhos. Algumas mais velhas e meio apagadas com o tempo, ma outras tão claras que ela pensou terem surgido há pouco tempo.
Se recuperando do choque, Alice olhou para o lago e depois para a barra do vestido. Sem pensar duas vezes, o puxou, rasgando um pedaço e o molhando.
Voltou em direção ao irmão, que mantinha os olhos baixos. Ambos calados, concentrados em suas tarefas. Ele na de não se mover e ela na de limpar o sangue.
— Isso pode arder. – Declarou e ele assentiu.
— Não é como se fosse a primeira vez. – Retrucou, apertando os olhos e trincando os dentes enquanto ela limpava.
Algum tempo depois, ambos estavam sentados a beira do lago, com os pés na água.
— Olhe só para nós, o futuro do reino. Eu, um príncipe descalço, com a camisa ensangüentada e cheio de cicatrizes e você, uma princesa com vestido rasgado. – Brincou e ela negou.
— Isso não tem graça. Desde quando isso acontece? – Questionou o olhando.
— Não que eu tenha contado, mas da primeira vez eu devia ter uns dez anos. Fico feliz com a sua surpresa em descobrir esse lado dela. – Disse, se referindo a rainha.
— Por que? – Indagou confusa.
— Porque isso significa que você não conhece esse lado da nossa mãe e que suas costas estão limpas. – Explicou, tentando sorrir, mas falhando.
— Isso não faz com que eu me sinta melhor.
— Não disse que faria. Isso faz com que eu me sinta melhor. Não sou um completo inútil.
— Você não é inútil de jeito nenhum. – Ralhou. – Por que ela fez uma coisa dessas? Por que ela se quer pensaria em fazer algo assim? Você não é nada menos que gentil e bondoso! Por que ela tem te machucado assim, Edward? – Questionou com a voz embargada pelo choro.
— Não chore por mim, irmãzinha. Ela e eu temos opiniões diferentes e ela não suporta perder.
— Perder o que? – Indagou.
— Ela quer que eu me case com Irina, mas eu não posso. Simplesmente não posso.
— Irina seria uma boa esposa. Por que não lhe da uma chance? Não é como se você amasse alguem. – Desdenhou, mas ao olhar para o irmão, viu refletido em seus olhos a verdade. – Ohh. Então você ama alguem.
— Perdidamente. E as ameaças de Renée a afastaram de mim. Eu não quero perde-la, mas tenho medo do que pode acontecer se eu seguir com isso adiante.
— O que de pior ela pode fazer? Ela é nossa mãe, Edward.. – Respondeu e ele negou.
— Não é comigo que estou preocupado, Alice. É com ela! Eu não sei do que Renée é capaz e não estou disposto a descobrir. Eu a amo o suficiente para mante-la segura. Ela tentou se afastar de mim, mas eu insisti.
— Você foi atrás dela? – Questionou.
— Sim. Então Renée descobriu e a ameaçou. Eu tive que me afastar. Apenas a ideia de que ela machuque Bella ou alguem que....
— Bella? – Quetionou. – Bella, minha dama de companhia? É por ela que está apaixonado?
— Vai dizer que ela não é digna também? Porque se disser, está conversa acaba agora mesmo.
— Não seja bobo. Somos amigas. Ela é uma boa moça. Pobre, é verdade, mas muito boa. Posso ver porque se apaixonou. – Declarou suspirando. – Você a deixou?
— Que outra escolha eu tinha? – Questionou olhando para o lago, quando ouviu gritos.
— Edward? – Ouviu Jasper, chefe dos guardas e seu melhor amigo, chama-lo. – Edward?
—O que deu em você, Jasper? Por que essa gritaria? – Indagou apanhando a camisa.
— Você precisa voltar agora mesmo. – Declarou, mal se dando conta de que não estavam sozinhos. – A rainha deu falta de uma gargantilha e mandou que revistassem os aposentos de todos.
— E o que tem isso? – Edward perguntou se levantando.
— Encontraram o colar. Nos aposentos de Bella. Os guardas a levaram e não há nada que eu possa fazer. Foi ordem da rainha. – Cuspiu as palavras, fazendo o sangue de Edward sumir do rosto. Eles a levaram e não havia nada que pudesse fazer.
Talvez um príncipe não tivesse tudo aquilo que desejara afinal.
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