Notas iniciais
Atendendo a pedido, aqui está um capítulo um pouquinho maior.

Passaram-se alguns dias.

A família San Roman estava reunida para tomar seu café da manhã.

— Pai? – Estrela chamou a atenção de Estevão. – Eu queria que o senhor contratasse o Carlos na sua empresa.

— Carlos? – Ele já se alarmou. – Aquele seu colega da faculdade?

— Esse mesmo, ele é um ótimo rapaz, mora sozinho e está desempregado.

Estevão percebeu os olhos da sua garotinha brilhar ao falar do rapaz, mas como pai sabia que o que ela sentia por ele estava longe de ser amor. – Tudo bem minha filha, eu faço por você.

— Obrigada paizinho. – Ela o abraçou. – Agora tenho de ir, vou a uma entrevista de emprego.

— Mas você não já está trabalhando na empresa? – Ângelo a questionou.

— Sim, mas não é isso que eu quero fazer. Estou indo tchau.

— Papai porque a Estrela não sossega em um lugar. – Heitor estava frustrado. – De tanto escolher ela vai acabar em lugar nenhum.

— Heitor filho, sua irmã é um pouco mimada e não sabe o que quer da vida, e ela puxou uma característica muito forte da sua mãe, se ela não quer, não há nada que a faça mudar de ideia.

— Porque só a Estrela que puxou a mamãe? – Desde criança ele ouvia do seu pai e algumas vezes das suas tias que Estrela era igualzinha a sua mãe em algumas atitudes, mas não ele. Todos creem que Estrela e Ângelo sofreram mais com a ausência da mãe pelo fato de serem ainda pequenos, porém ele também sofria, não se lembrava muito dela, mas o abraço era algo que nunca poderá se esquecer.

— Olha só papai. – Ângelo ria. – O amadurecido Heitor está com ciúmes.

— Não ria do seu irmão. – Era nessas horas que Estevão se enchia de culpa pela mentira. – Você também puxou a sua mãe meu filho. Enquanto Estrela absorveu o impulso, empatia, gênio e até os ciúmes dela você ficou com a confiança, a inteligência para gerencias os negócios, e também é muito seguro do que quer.

Heitor se emocionou, mas não daria o gosto para o seu irmão rir mais dele e escondeu o sentimento.

— E eu pai? – Foi a vez de Ângelo perguntar

O que responder para o seu filho não biológico? Se nem ao menos sabia de qual das suas tias era a mãe dele?

— Chega desse assunto não acham? – Alba já estava farta.

— Mas porque tia? – O mais novo dos San Roman queria saber.

— Porque vocês já estão atrasados, vamos todos, AGORA.

E assim o assunto foi encerrado.

Eu estava analisando os currículos para alguns cargos que estavam em aberto na minha prataria, quando um nome me chama a atenção.

— Estrela.

O cargo que ela estava concorrendo é para Estágio na área de criação e confecção.

— Estou vendo que já encontrou. – Vivian estava encostada no batente da porta. – Chegou ontem e decidi chamá-la.

— Fez bem. – Ela sorriu para a morena na sua frente. – Eu faria de tudo para ter meus filhos mais perto de mim, ainda não tive a oportunidade de estar perto deles, o Estevão quer esperar um pouco para assumir o nosso acordo por causa do término com a Ana Rosa. – Disse com nojo.

— Já que você tocou no assunto. – Seus olhos brilhavam em malicia. – Estava louca pra te perguntar, sabe aquele dia que você saiu? Como foi?

— Difícil. – Suspirou. – Mas nada daquilo que está imaginando.

— Ah Maria! – Ela se sentou. – Como não imaginar? Você saiu toda arrumada, para encontrar uns amigos e o seu ex marido e não voltou pra casa.

— Eu só não voltei porque aquele idiota do Estevão me dopou.

— Ele... Ele abusou de você? – Vivian estava assustada. – Maria temos que ir ao médico e depois a polícia.

— Ele não abusou de mim Vivian.

— Ah entendi. – Voltou a sentar. – Vocês fizeram e você estava com um fogo que ele teve que te dopar, eu falei 20 anos na seca dá nisso.

— VIVIAN. – Maria estava encabulada. – Eu fiquei nervosa pelo estresse e acabei desmaiando, o Estevão chamou o médico que recomendou um calmante e como ele sabia que eu não iria tomar colocou no meu suco sem me dizer e acabei ficando por lá mesmo.

Vivian olhou bem nos olhos da Maria. – Incrível de como ele te conhece tão bem.

Maria revirou os olhos. – Vamos começar as entrevistas?