No meio da Guerra

3 Malditos monstros


Notas iniciais
"Mais chances de viver? Em uma guerra? E quem disse que eu quero ajudar? Eu só quero um lar! Uma opção, uma vida melhor! Sem combates, monstros, deuses, ou seja lá o que for... Não quero entrar em guerra! "

DAVID

Era só o que me faltava. Esqueletos. Justo os piores monstros que poderíamos ter encontrado. E ainda eram três. LINDO! E só para zombar da minha cara, ainda estavam de terno. Pareciam representar: Ah olá! Sinta-se honrado, pelo menos irá morrer por monstros de classe!

O único dia que resolvemos montar o acampamento inteiro, O ÚNICO MALDITO DIA, os incríveis monstros resolvem aparecer, nos obrigando a ataca-los como se não houvesse um amanhã (noventa e cinco por cento disso ser verdade).

Parti pra cima de um deles, o que estava com o arco e flecha, enquanto o Alan tirava a parte da arma de seu ombro e a Alex se levantava com uma dificuldade visível. Cheguei às criaturas asquerosas filhas de uma... Enfim, cortei ao meio na cintura uma e decepei a cabeça de outra – o que não adiantou nada, já que se reformavam.

Fui cortando, apunhalando, decepando, girando, driblando, avançando e nunca os vencia. À distância, Alan acertava um monte de vezes o crânio deles com algumas flechas lançadas tão fortes, que elas junto com as cabeças viajavam uns bons metros, e já que paravam longe demoravam a se juntar novamente.

Porém eu sabia que não poderia ficar assim pra sempre, pois o cansaço muitas vezes é o motivo da derrota.

– David! – Alex gritou.

– Que foi? – gritei respondendo e separando o braço de um esqueleto.

– Ainda tem alguma bomba por aqui?

– Bomba...? AH! O fogo grego?

– Tanto faz! Só me diga se tem ou não!

– Tem! Procura ali nos bolsos externos! – disse me esquivando de uma apunhalada voraz.

Com a Alex mexendo na mochila, eu e o Alan continuamos batalhando.

– Algum plano? – ele pergunta para nós dois.

– Sim! – responde a nossa parceira – Escutem! Quando eu falar “já”, vocês corram para qualquer lugar longe dessas... Coisas. Entenderam?

– Espera, tem um problema! – objetou o Alan – vamos destruir todas as nossas coisas! O néctar, a ambrosia, os curativos e armas... Tudo!

– Há como vocês distraírem eles só por uns cinco minutinhos?

– Só! – eu gritei, ironicamente – Ok! Alan, pega sua espada e vem pra cá!

O bom dele é isso, possui várias habilidades de combate. Na hora ele acatou a minha ordem e foi me ajudar. Alex jogava tudo na mala sem se preocupar em organização (ainda bem, senão a mataria, se estivesse vivo pra isso é claro).

Quando se é um meio sangue, dizem que o tempo desacelera à sua volta quando está batalhando, e o pior que pra mim isso acontecia no mal sentido. Minha respiração tornava-se cada vez mais pesada e meus movimentos mais lentos, porém os esqueletos pareciam imortais – nunca se cansavam, nunca desistiam, nunca morriam. Na verdade, era irritante (o que provavelmente salvou minha vida).

Pelo canto do olho, vi a Alex deixando separado um frasco de fogo grego e jogando a mochila com o resto das coisas pra longe.

– Preparados? – ela gritou.

– Acaba logo com isso! – berrei impaciente e exausto.

– Um... Dois... Três... JÁ!

Avancei uma última vez em meu oponente, derrubando-o, e saí correndo na minha velocidade máxima. O Alan também disparou. Depois de uns vinte metros, nos jogamos atrás de alguns arbustos esperando a explosão – que veio.

O chão vibrou. Quando achei seguro o suficiente, espiei por cima das folhas chamuscadas. Os esqueletos sibilavam enquanto eram vencidos pelo fogo grego. E as chamas (de novo) começaram a se alastrar pelo local rapidamente.

­– Temos que sair daqui! – gritei – AGORA!

Alan se encaminhou até a Alex e pegou a sua mochila das suas costas, enquanto eu a puxava pelos braços para ela conseguir se levantar. Com o braço dela se apoiando no meu ombro, corremos o mais rápido que podíamos pela estrada, só paramos ao atingimos o que parecia dez quilômetros, quando encontramos nosso abrigo subterrâneo e entramos, nos protegendo do calor infernal.

Não era muita coisa: um buraco com dois colchões e uma caixa com armas, ambrosia, néctar e comida para emergência.

Acompanhei a Alex até um dos colchões e ela sentou, gemendo um pouco. Todos nós estávamos machucados. Alex, além de sua ferida mais violenta na perna, tinha um arranhão na bochecha e no lábio. Alan acabara de tirar o seu elmo, revelando a sua cabeleira loura chamuscada nas pontas e cortes no queixo e nas mãos. Tinha removido a flecha do seu ombro, que foi capaz de atravessar o peitoral fazendo uma ferida profunda, mas aparentemente ele não estava muito incomodado. Eu estava com câimbra na perna esquerda. E – claro – cheio de cortes nas mãos, nos braços e no rosto.

Pois é... Brincar com fogo não é legal.

Alan foi ver nosso estoque restante na mochila o que mais teríamos, procurando ao mesmo tempo medicamentos e eu fui sentar no outro colchão, suspirando cansado.

– Então – Alex disse – Voltando à pergunta.

– Qual era ela, mesmo? – Alan perguntou, desenrolando um rolo de curativo.

– Daquela história de eu ser grega ou romana.

Ele parou o que estava fazendo e olhou para mim, fazendo uma pergunta silenciosa: como explicar isso? Apenas encolhi os ombros. Se vira – tentei o fazer entender – Valeu! Pareceu responder.

– Bem Alex... Essa é uma questão complicada, porque exige a resposta de várias outras. Como: o que você é? Você é uma semideusa.

– Semideusa? – ela perguntou, não acreditando muito nisso, o que não julguei. – E o que seria ser um semideus?

– Por acaso já teve contato com o seu pai ou com a sua mãe?

A expressão de Alex, antes confusa e duvidosa, se tornou sombria. Ai. Alan tocara no assunto errado – mas era o único jeito de fazê-la entender o nosso mundo.

– Meus pais estão mortos. Nunca vi meu pai e... Minha mãe... Morreu de tumor no cérebro.

– Desculpa ter que falar disso – Alan continuou, cautelosamente – Mas enfim, o seu pai era um deus da mitologia grega. Já ouviu falar em algum deles? Zeus, Apolo, Poseidon, Hades, Ares... Você é filha de algum deles, junto com uma mortal. Semideusa. Metade deus e metade humana.

– Já estudei um pouco sobre mitologia grega no colégio. Mas deuses não existem. Muito menos semideuses. São somente mitos para os gregos explicarem a origem das coisas.

– Sei que não é fácil de acreditar em duas pessoas que acabou de conhecer, mas sim, eles existem. São muito reais no dia a dia de nós, semideuses.

Alex tinha um olhar distante, provavelmente refletindo.

– Então por que eu nunca os vi? Já que algum deles é meu pai, não deveria tê-lo visto?

– Os deuses são meio esquecidos. Nos abandonam em um mundo que vários monstros nos perseguem. Temos que aprender a sobreviver do pior jeito.

– Então... De quem vocês são filhos?

– Eu sou filho de Atena, a deusa da sabedoria e da estratégia de batalha. – Alan falou.

– E eu sou filho de Ares, deus da guerra.

– Ok... – dava para perceber que ela ainda não estava tão convencida. Se existem deuses gregos... Devem existir também romanos. Por isso me perguntaram de qual lado eu sou, certo?

– Correto. – continuei, era a minha vez de falar, poxa. Os deuses têm várias personalidades, hora grega, hora romana. Sua essência nunca está no mesmo lugar, por serem tão poderosos. Mas existem também dois acampamentos cheios de semideuses – o grego e o romano. Porém, estamos em guerra. Tínhamos que ter certeza do que você era, ou senão teríamos que mata-la. Nada pessoal.

– Sua sinceridade é comovente. – ela suspirou – isso é confuso.

– Muito, mas logo entenderá bem, Agora faz parte do seu e nosso mundo. Vamos leva-la para o Acampamento Meio-Sangue. Poderá nos ajudar a combater os nossos inimigos e ter mais chances de viver... – Alan disse, mas foi interrompido.

– Mais chances de viver? Em uma guerra? – Alex perguntou, descrente. – E quem disse que eu quero ajudar? Eu só quero um lar! Uma opção, uma vida melhor! Sem combates, monstros, deuses, ou seja lá o que for... Não quero entrar em guerra!

Comecei a ficar impaciente. O único motivo que a tínhamos aceitado era para ganhar uma aliada. Mas se essa pessoa não colaborasse... Todos os nossos esforços para mantê-la viva até agora não serviriam para nada.

– Caso tenha esquecido, americana, está nos devendo a sua vida. Arriscamos tudo para ter mais uma ajuda, e você só quer relaxar! Vou te dizer uma coisa, a única forma de alcançar a felicidade é lutando por ela, então trate de ser nossa aliada, ou eu mesmo garanto que não saia daqui.

Ela me encarou, com o queixo erguido. Alan olhava fixamente pra mim, do tipo: pra que isso cara? Eu não ligava. Já estava cansado de ser bonzinho. Era um filho de Ares, afinal. Lutar era o meu estado natural.

Bem na hora que Alex foi responder, o ar tremulou à nossa volta. Uma mensagem de Íris se formou, tentando se manter instável.

Notas finais
Continuem com os comentários!! Se não tiver nenhum incentivo, como vou ter vontade de continuar escrevendo?? Espero que tenham gostado!!!!! :D :D