No litoral do eu.
7 No surprises.
Me ordene ir embora
Que eu irei sem pestanejar
Ou me peça para ficar
E estarei parado, como desejar
Mas não me peça para dizer
Não me obrigue falar,
Pois é quando as palavras tomam conta de mim
Que eu me transformo, que eu me destruo
Posso entregar-te a minha carne, em silêncio
Posso fazer de mim um objeto, em silêncio
Controlo o tempo
Manipulo todos os momentos
Em silêncio
Mas quando a minha alma fala
O meu corpo se torna vidro
E há o direito de gritar
E eu grito,
Mas com medo do que irá ecoar
Porque palavras são surpresas
Que possuem o poder da vida e da morte
Você se afoga em remorsos
Se embriaga em bajulações
E quando você as lança sobre o mundo
Torna-se impossível saber como ele ira retornar
Já não me faz diferença se essas surpresas
Serão boas ou ruins
Pois o medo na madrugada do ultimo dia
Engoliu toda a minha vontade de dizer
Que se recompõem em pedaços, mas levará tempo
Até então, não me entrego a devaneios
Não me permito imaginar
Apenas vejo o que meus olhos demonstram
Pois assim não haverá surpresas
E já não há mais espaços para explosões.
Fale com o autor