No fundo de minha garganta
1 No fundo de minha garganta
Notas iniciais
No fundo de minha garganta
Guardo palavras,
desespero entalado,
raiva suprimida,
minha língua, cadeado.
Eu quero gritar!
Não posso sussurrar,
tampouco falar,
apenas gritar!
Violentar o ar!
De meus pulmões sairá,
tudo aquilo que me resta, o que me presta,
palavras ao vento, desafio o tempo,
quem aguentará mais tempo,
meu fôlego, ou meus pensamentos...
De raiva passageira, me levo até o mar,
de escritas corriqueiras, até o mais profundo pesar,
da arte, as estribeiras,
as entrelinhas, deve olhar...
Cuidado ao interpretar, o sentido não tem lugar.
Não há cronograma, não há começo ou fim,
tudo que há aqui é raiva, esta que está em seu cessar
desconto no papel toda minha fúria!
A calmaria vem chegando, junto dela a ternura.
Me vejo são, me vejo satisfeito, aliviado
como é bom gritar com o papel,
assim não pareço louco por fora.
Só por dentro.
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