Notas iniciais
Olá pessoal, eu vou postar o terceiro para não ficar muita pouco coisa. Espero de verdade que gostem!

Minha cabeça doía mais que o normal, eu não conseguia pensar em nada a não ser em Ana, não estava em condições de abrir os olhos, não sentia meu corpo, mas precisava proteger a Ana.

– Calma, não se mexa, você precisa descansar. — Ouvia sua voz doce sussurrar perto do meu ouvido.

Aos poucos fui abrindo os olhos, eu não podia ficar parado.

– Ana? — Resmunguei.
– Oi Ben, não precisa levantar agora. — Eu estava deitado na mesma cela que ela enquanto ela limpava o sangue que escorria sobre minha testa.
– Temos que voltar para casa. — Minha visão não estava totalmente nítida, mas ouvia Ana choramingar. — Vai ficar tudo bem.

* * *

– Acorda garoto! Levanta, vai. — Ouço uma voz masculina me chamar enquanto chutava minhas pernas.
– Oi. — Me sentei um pouco tonto, mas com a visão boa.
– O governador Griffiths deseja ver você e sua irmã.
– Cadê ela?!
– Já está lá, levanta logo.

Fui acompanhado por um dos guardas daquele lugar, ele parecia sério, concentrado, também de óculos escuros e parecia ter uns dois metros de altura.

– Vai demorar para chegar? — Perguntei quebrando o silêncio daquele lugar.
– Acho bom você ficar calmo. — Disse o guarda mal-humorado.
– Okay.

Minhas mãos estavam acorrentadas, e já estavam, aquelas correntes grossas apertando demais meus pulsos. Eu não entendia aquele lugar, parecia ter tanta paz que me dava medo. Um lugar de execução de pessoas não deveria ter esse aspecto limpo e suave como aquelas paredes brancas que as vezes pareciam degradê indo do branco para o bege. Eu não sabia o que esse governador queria comigo e com a minha irmã, mas estava preocupado com o que poderia acontecer.
Paramos em frente a maior porta que já tinha visto naquele lugar e o guarda abriu, na mesma hora que ele abriu eu olhei Ana, também acorrentada de frente para um palco que tinha sete homens sentados, como em um tribunal. A sala era enorme e a luz do dia invadia a janela refletindo sua luz no lindo e grande lustre que ficava no centro da sala. Em cada lado do palco havia duas grandes colunas e as tribunas brancas assim como o resto do local.

– Que bom que você chegou Joseph, pensei que havia deixado esse jovem escapar. — Disse o portador da mesa central, deveria ser o governador Griffiths. Joseph deveria ser o guarda de dois metros de altura.
– Aqui está ele senhor. — Joseph me colocou do lado de Ana e saiu da sala.

Eu olhei para Ana e ela estava triste, não me olhava mais no olho. Eu queria poder dar um abraço nela, mas não conseguiria envolve-lá em um abraço acorrentado.

– Bom, já que estão todos aqui, quero ouvir de você, Benjamin Wood. Onde ficou esse tempo todo? Quem era seus pais, e como nunca te achamos? — Ele parecia curioso, seus olhos verdes e esbugalhados parecia ter quarenta anos, seus cabelos já estavam ficando grisalhos. Ele me fitava mesmo com a Ana fazendo barulho com as correntes.

– Fiquei em um esconderijo com a minha irmã um pouco longe da guarda. Meus pais eram Elena e Charles, morreram faz alguns anos. — Eu não conseguia falar dos meus pais sem ter um impacto emocional.
– Continue... Como não te achamos? — Disse impaciente.
– Não me acharam porque não trabalham direito, certamente.
– Nossos guardas são muito bem treinados sr. Wood. — Disse ele com tom de superioridade.
– Não o suficiente para nos achar. — Disse Ana se intrometendo.
– Hum. Mas aqui estamos nós, vocês devem saber que temos um programa para a salvação de todos nós, que começou a muito tempo...
– Não é a salvação de todos nós. — Disse Ana o interrompendo.
– Querida Anastásia, eu gostaria de continuar o discurso. Posso? — Seu tom era preeminente e agudo. Ana não o respondeu.
– Vocês precisam passar pela nossa máquina de última geração, ela vai filtrar tudo de ruim que há em vocês e para sempre vocês serão felizes, como todos esses cidadãos — Disse dando ênfase no "para sempre"
– Eu prefiro morrer. — Disse Ana estressada.
– Ana, fica quieta. — Sussurei.
– O que disse Benjamin? — Perguntou o senhor Griffiths.
– Não, não aceitamos. — Afirmei.
– Mas é lei, pense bem. Isso será melhor para vocês dois. Olhem para vocês, tão maltratados, magros, famintos. — Eu estava faminto.
– Se passar pela máquina fosse bom, você passaria também. — Retruquei.
– Você sabe que alguém precisa tomar conta de vocês, por isso não utilizei...
– Não continue com seu papo fácil, nós não aceitamos, eu vejo nos seus olhos que está mentindo, só quer ter o mundo em suas mãos, sem se preocupar com pessoas que podem tomar atitudes corajosas e te vencer. — Aquele homem estava corrompido pela mentira. Na mesma hora ele chegou para trás e apertou um botão que ficava em cima da sua mesa, de modo nobre, como um rei.
– Você sabe que existe consequências a quem não aceita, certo? — Perguntou.
– Sim. — Respondi.
– E você, Ana? — Perguntou.
– Vai se catar! — Disse Ana.

Quando olhei para trás dois guardas se aproximaram e pegaram eu e Ana pelo braço.

– Levem-nos. Deixe eles na mesma cela, na sala de controle. Até semana que vem eles vão mudar de ideia. — Riu sarcástico.
– Vamos!
[...]

Fomos carregados até a sala onde estávamos. Ana estava impaciente, não conseguia ficar quieta, estava transtornada.

– Ana. Não vai adiantar ficarmos assim, temos que planejar alguma coisa. — Disse pensativo.
– Não Benjamin, você não está entendendo, ele vai deixar a gente apodrecer aqui até a gente não aguentar de fome e nos entregar.
– Eu fiquei pensando por que ele não nos obrigou a passar pela máquina? — Perguntei.
– Porque quem não passar por ela é dado como indivíduo de má fé, eles querem tirar nossos desejos, nossas vontades, e se não conseguirem isso vão sair ganhando de qualquer forma. Eles estão matando! Benjamin, você sabe quantas pessoas morrem por dia nesse lugar?!

Por um momento perdi toda a visão que tinha sobre Anastásia ser minha segunda mãe e vi que ela sofria muito mais por tentar ser para mim o que ela precisava pra ela. Ela perdeu a cabeça e começou a falar como uma adolescente de dezenove anos. Foi aí que eu vi que agora era a minha vez de acalmá-la

– Anastásia!
– Oi.
– Senta aqui.
– Oi?
– Agora. — Ela deitou e apoiou a cabeça no meu colo e eu comecei a passar a mão meu seu cabelo grande e ruivo. — Lembra quando você fazia drama para a minha mãe pra ela deixar você sair com ela? Você chorava, batia o pé e nunca funcionava, e só então, quando você se acalmava ela te pegava no colo e te levava lá fora. É assim que tem que ser agora...
– Isso! — Se levantou rapidamente. — É isso Ben!
– Isso o quê? — Perguntei confuso.
– Drama. A gente precisa fazer drama! — Ana estava com olhos de esperanças, mas eu não tinha entendido.
– Acho que essa não é a moral da história...
– Não! Mas pensa comigo...
[...]

Ana tinha um plano, eu não estava tão confiante que daria certo, mas ela me implorou para tentarmos, era a nossa única chance.

* * *

– Eiiiiii!!!! Alguém! Por favor! — Eu não entendia o que Anastásia estava fazendo, ela estava gritando por ajuda de um modo sensual, como numa tinha visto antes.
– Ana?
– O quê? — Sussurrou
– O que está fazendo? — Estava confuso.
– Cala a boca e ataca quando eu falar 'agora'. — Disse ela falando pelos cantos da boca.
– Mas...
– Só aja quando eu falar. Agora cale a boca, ele está vindo.

Ao olhar para frente Joseph se aproximava, ele não estava nada bem. Parecia que vinha para matar um de nós.

– O que vocês querem?! — Sua voz rouca, parecia rugir.
– Ai Joseph... Eu preciso tanto ir ao banheiro... Será que...
– Não! — Joseph foi direto.
– Mas eu não posso fazer minhas necessidades aqui! Por favor Josh... — Ana estava mostrando seu lado sensual nunca visto por mim, para Joseph.

Ele se aproximou com outras intenções, sua face mudou rapidamente e ele começou a olhar para Ana com um olhar quarenta e três. Querendo algo.

– E o que eu ganho com isso? — Joseph estava perto da cela passando as mãos em Ana, enquanto a própria passava as mãos em seus ombros acariciando de leve.
– Não vamos falar disso aqui na frente do meu irmãozinho, certo? — Eles olharam para mim me subestimando.
– Por favor... — Disse sem graça.
– Okay, deixa eu pegar as chaves. — Joseph levou sua mão até o bolso e pegou duas enormes chaves.

Ao abrir a porta, Ana saiu e começou a passar as mãos em Joseph, ela era muito sensual, e sua beleza ajudava muito. Escorregou seus dedos finos e cumpridos até o bolso de trás de Joseph e tirou a arma dele enquanto cochichava em seu ouvido. Eu via tudo de trás ainda preso. Só não iria saber reagir, eles já estavam longe estavam longe.

– Agora! — Ana gritou e correu um pouco pra longe de Joseph. — Meu coração começou a bater forte.
– O que eu faço?! — Gritei. Joseph ficou parado, calmo.
– Vire de costas. — Assim que Ana me pediu para fazer isso eu ouvi um barulho semelhante a um tiro. O que provavelmente viria a ser. Quando me virei Joseph estava caido no chão agonizando enquanto Ana pegava sua chave em um dos bolsos.
– Vem Ben, vamos sair daqui. — Ana abria as portas de pressa.
– Você não vai se livrar da arma? — Perguntei assustado.
– Ainda não. — Afirmou.

Peguei minha bolsa com o meu diário e corremos todos os corredores da imensa associação, Ana havia dito que existia outros andares acima. Nós corríamos sem parar até chegarmos no refeitório onde ela fora presa.

– E agora? — Perguntei aflito, minhas pernas estavam trêmulas de tanto correr.
– Agora saímos. Venha. — Ana abriu a porta onde eu entrara pela primeira vez. — Vamos sair daqui.
– Não vão não.

Quando Ana abriu a porta nos deparamos com a empregada e dois guardas. Eu estava um pouco atrás, Ana estava mais a frente.

– Vocês não vão mais sair. — Disse a empregada.
– Benjamin, corre! — Anastásia gritou.

Eu me virei e corri mais rápido, em fração de segundos ouvi tiros, dois tiros de uma única vez. Eu pensei ter sido atingido quando parei e olhei para trás para apressar Ana, ela estava jogada ao chão e os guardas e a empregada estavam parados no mesmo lugar.

– Ana!! — Foi dor imediata, eu senti meu corpo parar dos pés até a cabeça e não demorou até eu cair no chão. — Ana...

Minhas pálpebras fechavam tentando expulsar as lágrimas que inundara meus olhos fazendo com que minha visão ficasse embaçada enquanto me dobrava no chão, a pior sensação que eu sentira em toda a minha vida, meus braços tentavam alcançar Ana, eu já sentia a dor tomar meu coração.

Notas finais
Criticas construtivas são sempre bem-vindas ! Se inspirar é diferente de plágio, acredito que qualquer um com amor e força de vontade consiga fazer qualquer coisa nessa vida, incluindo escrever.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.