No céu & no inferno
6 Going To Hell
Notas iniciais
Termino de arrumar minhas malas com tudo que preciso, ainda tenho um sono insuportável, e uma vontade inegável de sair pela porta com minha mala e nunca mais voltar, descido que tenho que matar minha fome antes de ir a qualquer lugar com Lúcifer.
Desço as escadas e encontro meu tio pela primeira vez fazendo algo que não seja assistir Tv, seu semblante e cansado e ele murmura sozinho enquanto olha para o chão, sinceramente ele não é nada parecido com minha mãe e muito menos comigo, mas sim parecido com meu pai, descido parar e tentar falar com ele.
— Gabriel? — falo alto o bastante para lhe chamar a atenção.
— Quem é você? — ele pergunta com os olhos mais atentos do que eu já vi em meus míseros anos terrestres.
— Sua sobrinha, filha de Isabel — digo vagarosamente para ele entender, agora ele parece frustrado e com raiva.
— Minha sobrinha acabou de nascer, você não é minha sobrinha — diz se levantando.
— Sou Lilith, filha de Isabel e Lúcifer, você que pareceu um vegetal humano por anos — falo baixo constatando o fato.
Não que eu quisesse fazer parte dessa família, mas não reconhecer uma pessoa que mora com você deis que nasceu e meio que uma sacanagem.
— Por favor me diga que você não é Lilith ! — Gabriel praticamente implora.
— Pois eu sou, e é bom você se acostumar com o fato — digo teimosamente.
Por um instante não acontece nada, olho meu tio mais atentamente, ele tem os cabelos castanhos e olhos esverdeados, não parece ter mais que vinte cinco porem as aparências no mundo sobrenatural enganam muito facilmente, como a luz que começa a brilhar muito intensamente em sua mão direita, parece apenas uma luz mas então vira uma espada.
— Me perdoa Lili, eu não quero, mas ele esta me forçando, ele a quer morta, foi por isso que eu me aposentei, não queria mais ser forçado a matar — diz Gabriel vindo para cima de mim.
Mau tenho tempo de desviar do primeiro golpe, quero entrar em estado de choque, porem acho que se entrar em um estado assim poderia ser morta, começo a desviar dos seus golpes mas estou mau alimentada e não poderei desviar para sempre, uma hora a espada vai me acertar, e quando acertar eu estarei morta.
— Angelica Paralysis — Grita alguém da porta
Meu tio sorri para mim antes de cair ao chão totalmente paralisado, com ódio da mais recente tentativa de assassinato ( uma novidade nada bem vinda ) vou para cima de Gabriel chutando suas costelas com toda minha força, continuo a chutar ate que alguém segura minha cintura me tirando do chão, começo a gritar, sede de sangue turva meus olhos.
— Calma ai garotinha, o anjo não vai te fazer nenhum mau, não no meu turno — diz uma voz masculina, a voz pertencente a pessoa que me segura, respiro fundo e me acalmo, e só mais um dia no escritório.
— Me solta seu nojento, sera que não toma banho não, senti seu cheiro de podre lá da esquina — minto descaradamente enquanto ele me solta — Aliais garotinha é a senhora sua mãe — digo me virando para ele.
Se estivéssemos em outra situação, uma em que ele não tivesse acabado de salvar minha vida da tentativa de assassinato do meu próprio tio, e se eu ainda tivesse a capacidade eu provavelmente estaria babando.
O cara não é só lindo, ele é o cara mais gostoso que eu já vi, seus olhos são de um azul intenso, seu corpo é magro mas ao mesmo tempo forte, seus braços são tatuados e presumo que outras partes de seu corpo também são, ele provavelmente tem uns dez centímetros a mais do que a minha media, e sua boca e aquele tipo de boca que qualquer garota com juízo ficaria longe, pois ela sabe que um beijo poderia ser sua perdição.
Bom eu nunca tive juízo, acho que não devo começar agora, sorrio em apreciação.
— Terminou a avaliação? — pergunta o estranho nada tímido, abro mais meu sorriso — Espero que tenha gostado princesa, por que teremos um mês incrível juntos — ele ri, eu me apavoro.
E mais do que claro que ele é um demônio, e para ter paralisado um arcanjo ele deve ser um demônio muito forte magicamente, relaxo, acho que estou começando a gostar da ideia de passar um mês inteirinho no sub-mundo, talvez eu até mesmo consiga perder a virgindade ( sim, sou uma garota má, mas não sou uma prostituta ) talvez a perda da minha inocência deixe meu querido "papai" bravo.
— Acredito que a ideia de ir para o inferno ficou muito mais atraente agora — digo para mim mesma, e olho profundamente nos olhos do estranho — Se você veio me buscar as malas estão lá em cima, no quarto mas bacana da casa, o meu!
Ele apenas estala os dedos e as malas aparecem ao meu lado, então ele estala os dedos novamente e ela desaparecem, não sei aonde ela foram parar, por via das duvidas não me preocupo, se ele as fez sumir ele teria que faze-las reaparecer em algum momento.
— Se tudo esta pronto acho melhor a gente ir embora antes que o arcanjo aqui acorde — diz o estranho.
— Vamos — digo perdendo a vontade
Ele fala algumas palavras estranhas e uma porta aparece bem na nossa frente, antes de entrar ele bate na porta algumas vezes, acho muito estranho mais não falo nada, não ligo para a loucura alheia, entramos pela porta e vamos parar em um escritório, o mesmo escritório da boate damons, Lúcifer esta sentado esperando calmamente, bufo irritada.
— Espero que ela não tenha dado muito trabalho Sataniel — diz meu pai com um sorriso largo, Hum então o nome do estranho é Sataniel, que ironia do destino.
— Nada que eu não possa lidar chefe, deveria ter me dito que a princesa e tão linda, eu não teria relutado tanto em busca-la — diz Sataniel meio brincalhão, sorrio por ser elogiada, meu pai fecha a cara e sorrio mais ainda.
— Olha o respeito garoto, se eu ver você olhando feio para minha filha as coisas não vão ficar muito legais para o seu lado, ela ainda e uma criança — diz meu pai me ofendendo.
— Olha aqui! eu não sou uma criança, e outra, você me viu aquele dia com aquele cara, então não me considere uma criança, sou bem crescida! — falo irritada, vou me sentar no sofá e Sataniel me olha surpreso.
— Desculpe chefe mas a princesa tem razão, bom vou me retirar — antes de sair pela porta que entramos Sataniel me lança um sorriso — Nos vemos por ai gatinha — ele diz indo embora.
Confesso que quase derreti no sofá, sim com toda certeza que nos veríamos novamente.
— Não quis lhe ofender filha mas Sataniel e meu braço direito e digamos que eu vejo muito bem como ele é com as mulheres, se ele um dia lhe tratasse assim, digamos que sua cabeça estaria em uma estaca nos portões do castelo — diz ele preocupado.
As únicas partes do seu monologo que peguei foi que Sataniel era experiente e as desculpas, o resto eu deletei da minha mente como eu sempre faço quando não to afim de conversar.
— Não me importa, bom presumo que estamos no inferno, o que tem de bom para fazer nesse muquifo? — pergunto irônica
— Pedirei para uma das Súcubos lhe mostrar o seu quarto, depois e a hora da janta — ele sorri — Vou lhe ensinar a caçar de verdade.
Como minha mãe, eu não confio nele, não gosto dele, mas essa é uma oportunidade de aprendizado, uma que eu não vou negar, afinal não e aquele velho ditado "Mantenha seus amigos perto, e seus inimigos mais perto ainda" bom, eu não tinha amigos, mas o que não me faltava eram inimigos.
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