No céu & no inferno
11 Cordilheira Cáucaso
Notas iniciais
— Eu gostaria de ir imediatamente, já que você concordou.
Não quero lhe dar tempo para pensar melhor, nem tempo para descobrir o que estou planejando, por enquanto só vou confiar em mim mesma, as esfinges eram extremamente raras, quase extintas segundo eu me lembro, seus enigmas eram relativamente difíceis e sua forma de estrangular e depois comer aqueles que não os decifravam era realmente nojenta.
Uma esfinge também era bem dura na queda, o que significa que mata-la não era uma opção no momento.
— Tudo bem Lilith, vá para o seu quarto e apronte uma mochila para a viagem, logo seu acompanhante ira lhe buscar — seus olhos brilhavam em minha direção, não gostei nada disso, com toda a certeza do mundo que ele estava aprontando alguma coisa.
— E quem vai ter a honra de me acompanhar numa viajem quase suicida?
— Uma pessoa que torna-rá essa viagem menos mortal, para todos — um sorriso se abre em seu rosto de um jeito que me deixa realmente preocupada.
Não me despeço antes de sair, eu realmente ainda não gosto dele, ainda não o considero realmente meu pai, não do jeito mais importante, com amor e carinho, do mesmo jeito em que vejo os humanos e seus núcleos familiares, se eu sobreviver a essa pequena aventura e mais futuramente pensar em ter uma família, eu quero que ela seja como uma família humana, cheia de amor e carinho, confiança e alegria com dias ensolarados no parque.
Chego ao meu quarto rapidamente, arrumo minha mochila como se minha vida dependesse disso, quando estou totalmente pronta eu penso no que Lilith me falou no sonho, tenho a sensação que achar Prometeu será a parte mais fácil dessa aventura, quer onde ele esteja sera muito mais fácil acha-lo do que contornar a situação em que estou e continuar com minha vida sem ter que escolher nenhum dos dois lados.
Meu acompanhante não tarda a chegar, quase arrebentando minha porta ao bater furiosamente nela, a unica pessoa que conheço que teria a coragem de fazer isso é Sataniel, o que realmente me deixa com um frio na barriga, já não basta esse negocio de casamento arranjado ele ainda tem que ser meu acompanhante em uma viajem que pode ou não decidir o rumo do meu destino livre.
Abro a porta contrariada com minha própria mente, mesmo achando que leva-lo é um erro, mesmo achando que ele de alguma forma vai se grudar em mim de um jeito que eu nunca vou poder apaga-lo totalmente, mesmo assim eu não consigo me irritar sabendo que será uma longa viajem onde estaremos apenas eu é ele.
— Espero que esteja pronto — digo terminando de abrir a porta, e para a minha meia alegria ele estava totalmente irritado, entrando em meu quarto sem pedir e batendo a porta ao fecha-la contra minha vontade.
— Você esta louca, enfrentar as esfinges, falar com oraculo, procurar Prometeu, por que motivo você que encontrar Prometeu pra começo de conversa?
— Você não precisa saber por enquanto, e eu não vou falar aqui, aqui não...
Meu planos tinham que continuar secretos, escondidos apenas na minha cabeça, pelo menos por enquanto, não acredito que possa haver algum traidor nesses corredores, mas alguma coisa me dizia para deixar meus planos secretos até a hora certa, quando ela seria eu ainda não sei.
— Certo, de qualquer forma sou obrigado a ir com você, mas não pense que vai me deixar no escuro para sempre.
Com isso ele fechou os olhos e instantaneamente estava com botas militares, calça camuflada e regata preta, suas tatuagens a mostra, seu cabelo meio bagunçado e aquela roupa eram realmente um deleite para os meus olhos comprometidos.
— Quando for a hora certa eu te conto, aliais esta pronto para ir? — peguei minha mochila em cima da cama e esperei, estava pronta para essa aventura mais do que estava pronta para vir morar com meu pai.
Para minha surpresa eu tinha esquecido a outra parte do trato.
— Certo, seu pai me pediu para te ensinar um pouco de magia também então aqui vai, abra um portal, como você nunca foi a Cáucaso então eu fecharei meu olhos e pensarei no local, você deve segurar minha mão e falar em pensamento "Rogo aos portais, aqueles que cuidam de nossa passagem para que me concedam um de seus bens, a porta eterna" se concentre nisso e em mim, eu estarei pensando no local e você na porta, pronta?
Claramente ele não esperou, estendeu a mão direita que eu segurei firmemente, fechou os olhos com seu rosto pensativo, eu fiquei com a parte difícil, fechei os olhos, senti da onde vinha o meu poder, bem profundamente, a agitação, o fogo, a luz e as trevas, todos juntos, pensei fortemente e varia vezes nas palavras que Sataniel me disse, foi como sentei uma coisa se moldando em suas mãos, quando abri olhos la estava ela, uma porta dourada, linda.
— Bom trabalho novata, agora você é como todas as crianças demônio haha
— Com a diferença que ela são criadas sabendo e aprendendo a controlar seus poderes, e eu apenas ia sobrevivendo dia apos dia.
Aquilo acabou com a risada dele, apontei para a porta e fui abri-la, foi realmente uma coisa magnifica, a primeira vez que atravessei um portal, para o escritório de Lucifer eu ainda esta traumatizada com meu tio tentando me matar, mas agora era diferente, a porta se abria para um mundo diferente, lindo, selvagem, a cordilheira cáucaso estava na minha frente, um pouco de neve cobria o seu topo me dando uma emoção que jamais senti, nem sabia como nomeá-la.
— Vamos princesa, temos trabalho a fazer.
Sataniel passou por mim, entrando naquele mundo e me deixando para traz, senti um medo inexplicável de ser deixada para traz, agora vejo que ter companhia nessa viajem não é nada mal pois o mundo era tão grande para eu me aventurar sozinha por ele.
— Me espere — corri atras de Sataniel.
As cordilheiras eram enormes, levaria dias para achar as esfinges, até por que não sabíamos exatamente aonde Prometeu havia sido preso, que seria aonde a esfinge e o oraculo estariam escondidos.
Andamos por algumas horas, mas nossa parada foi necessária, a noite começava a tomar o seu lugar, e por mais que estivéssemos seguros, ainda assim não era bom ficar andando a noite sem rumo, logo Sataniel teria que abrir um portal e ir se alimentar, acho que eu demoraria dias antes de sentir fome novamente, mas não era bom gastar minhas forças tentando não tropeçar no escuro.
Por sorte Sataniel era muito bom no uso de magia e nos fez um pequeno chalé, pequeno mesmo, já que era apenas um quarto com uma bela lareira já acesa, não reclamei, eu não tinha o por que reclamar, pelo menos havia uma cama quente uma mesinha abastecida com água e chocolate quente.
— Ainda não vai me falar o que fazemos aqui?
— Ainda não, e não seja apressado, tudo tem sua hora e lugar de acontecer.
— Se você diz.
Sem se preocupar se eu iria ver ou não Sataniel tirou as roupas ficando apenas de cueca, deitou na cama e estalou os dedos fazendo o pequeno quarto/chalé ficar na escuridão, não segui o seu exemplo, tirei apenas as calças e vesti um short de dormir, prendi meu cabelo e deitei ao seu lado, senti que ele estava com raiva de mim por não lhe contar o plano, durante o dia havia passado milhares de vezes pela minha cabeça lhe contar, mas nunca parecia a hora certa.
Mesmo exitada por passar uma noite na mesma cama que meu "Noivo" , tive infelizmente que deixa-lo quieto, ele não queria falar comigo, e o dia de amanha seria longo e cansativo demais para eu perder o sono com assuntos tão triviais.
fechei meus olhos de dei boas vindas a escuridão do mundo dos sonhos que me puxava cada vez mais forte ao seu lado.
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