Notas iniciais
Bom, comecei a escrever isso aqui ano passado, mas só fui terminar agora por n motivos. Não sei se tá perfeito, mas eu revisei e mexi bastante nisso aqui.
A ideia era pra essa história ser um spin-off de um Reigisa que eu ia escrever com esse universo alternativo, mas como minha inspiração foi pro saco, fica só isso aqui mesmo :V (Quem sabe algum dia eu escreva esse Reigisa)
Enfim, vamos à história, deixarei minhas considerações sobre religião pras notas finais.
Ah, e só pra avisar, eu sou uma merda escrevendo putaria.

O sinal soou alto e escandaloso como sempre, avisando aos alunos e à toda vizinhança de que era horário de almoço.

— Aaah, Sousuke, estou tão cansado — Kisumi resmungou enquanto se espreguiçava.

Sousuke viu, mesmo que por um segundo, um sorriso malicioso passando pelos lábios do outro.

— Eu também estou — ele respondeu ao código ridículo inventado por Kisumi, enquanto guardava os livros em sua sacola de couro.

— Preciso ir no banheiro, mas só vou depois do almoço. — Kisumi continuou.

— Entendi. — Sousuke se levantou e saiu da sala, ouvindo os passos apressados de Kisumi o seguindo.

O Colégio Interno São José era uma renomada escola católica para moços. Suas mensalidades altíssimas faziam com que ele só fosse acessível aos filhos de famílias muito ricas — o caso de Kisumi —, e a alguns raros bolsistas — o caso de Sousuke.

A escola tinha, ao todo, cinco prédios: dois domitórios, uma biblioteca e dois prédios de salas de aula, além de um refeitório, três quadras de esportes e duas capelas.

Era um lugar bonito e bem cuidado, mas nem todos gostavam de estar ali.

Sousuke desceu os lances de escada com Kisumi na sua cola, falando sem parar sobre assuntos irrelevantes. Eles atravessaram o jardim que ficava entre o refeitório e o prédio onde estavam com passos talvez apressados demais.

O refeitório estava lotado como sempre, e Sousuke revirou os olhos quando pensou em como eles demorariam a comer. O cheiro de comida e o som das conversas e dos talheres batendo nos pratos eram tão familiares que lhe davam raiva.

Eles levaram cerca de dez minutos para pegar o almoço e se sentar em um lugar vago em uma das oito mesas longas.

O ensopado de carne era aguado, e tinha muita cebola e pouca batata. Sousuke o engolia sem nem tentar sentir o gosto, o qual ele já sentira várias e várias vezes nos últimos dois anos.

Os dois comeram rápido demais, e logo estavam atravessando aquele jardim novamente, seguindo o caminho contrário da maioria dos alunos, que ia para os dormitórios.

Dessa vez, Kisumi ficou calado enquanto subia os lances de escada, como ele sempre ficava em situações como aquela.

Eles chegaram ao quarto e último andar, e seguiram para o banheiro que ficava no final do corredor. As salas de aula estavam completamente vazias, e Sousuke preferia vê-las assim. Ele gostaria de entender por que havia tanto ódio por aquela escola dentro de seu peito.

As sacolas de livros ficaram em cima da pia, e Sousuke empurrou Kisumi para dentro de uma das cabines sem nenhum cuidado, atacando seus lábios da mesma forma.

Os beijos e o calor do corpo de Kisumi eram uma das poucas coisa de que Sousuke gostava naquele lugar, mesmo que não sentissem nada muito profundo um pelo outro.

Os padres professores fizeram um ótimo trabalho ensinando a todos os rapazes daquela escola que Deus fez Adão e Eva por um motivo, e que homens que se deitavam com outros homens tinham um lugar garantido no inferno. Entretanto, por mais que Sousuke orasse, sua atração por meninos não desaparecia.

E era por isso que ele aceitava se trancar em uma cabine de banheiro fria e apertada com Kisumi por alguns minutos toda semana.

(Talvez a ideia de que ele não era o único errado ali fosse mais prazerosa do que os atos em si.)

Kisumi afrouxou a gravata do uniforme do outro, seus olhos lílases brilhando como sempre, e Sousuke não segurou o gemido quando sentiu os lábios dele em seu pescoço.

O único cuidado que eles tinham era de não deixar marcas em seus corpos. As aulas de educação física sempre eram seguidas de banhos coletivos, e eles não podiam levantar suspeitas.

As mãos de Sousuke foram parar na bunda de Kisumi, apertando-a enquanto ele colocava o joelho entre suas pernas. Kisumi gemeu baixinho contra o pescoço de Sousuke, que sentiu a ereção do outro pulsar contra sua coxa.

A parede da cabine tremeu quando Sousuke foi empurrado contra ela, enquanto Kisumi o beijava e apalpava seu pênis quase ereto.

A forma como as línguas se moviam não era nada bonita, na verdade, chegava a ser nojenta, mas Sousuke não se importava. Ele precisava se aliviar, ou iria enlouquer.

Kisumi enfiou a mão dentro das calças do outro, agarrando o pênis e passando o polegar pela cabeça. Sousuke chiou, e jogou a cabeça para trás, batendo-a na parede da cabine.

E quando ele se deu conta, suas calças já estavam em seus joelhos e a língua de Kisumi em seu pênis, lambendo-o da base à ponta.

Entre os dois, Kisumi era, sem dúvida nenhuma, o mais experiente. Nas primeiras vezes, Sousuke até se sentiu intimidado. Ele nunca havia chegado a aquele ponto com um garoto antes, mas era bem óbvio que aquela não era a primeira vez de Kisumi.

Os dedos de Sousuke se emaranharam nos fios rosa quando os lábios envolveram a cabeça de seu pênis. Ele não segurou os gemidos, arfando soltando um xingamento ou outro.

Os lábios de Kisumi desciam cada vez mais pelo membro, e os sons que Sousuke fazia foram ficando cada vez mais altos. Quando ele sentiu a cabeça bater no fundo da garganta do outro, Sousuke fechou os olhos e começou a mover os quadris para frente e para trás, sem nem se importar em perguntar se ele estava preparado para aquilo ou não. Kisumi engasgou com a primeira estocada, mas não parou. Ele desabotoou a própria calça e começou a se tocar por cima da cueca.

Nenhum dos dois tentava se segurar na hora de fazer sons, já que aquele prédio sempre estava deserto a aquela hora do dia. Sousuke grunhia cada vez mais alto, e Kisumi emitia sons obscenos e absolutamente nojentos.

Aquela cabine parecia ficar mais apertada a cada segundo, e Sousuke só queria acabar logo com aquilo para sair dali.

Não demorou muito para ele chegar ao seu ápice, grunhindo e puxando os cabelos de Kisumi, deixando o sêmen escorrer pelos seus lábios e queixo. Ele tirou o pênis da boca do outro sem nenhuma cerimônia e se sentou sobre a tampa do vaso, de olhos fechados e soltando um suspiro.

No começo, Kisumi costumava abraçá-lo depois que terminavam, mas como o abraço nunca era retribuído, ele parou. Por mais que fizessem todo tipo de coisa dentro daquele banheiro, Sousuke não tinha a mínima vontade de manter qualquer tipo de relação com Kisumi fora de lá. Ele parecia ficar um pouco chateado com toda a frieza do moreno, mas, sinceramente, Sousuke não dava a mínima.

— Anda, se arruma. — Kisumi chacoalhou o ombro dele, jogando um pedaço de papel higiênico sobre seu colo.

Eles ajeitaram as roupas sem trocar uma palavra. Apesar de nunca admitirem, ambos sempre sentiam um pouco de vergonha de se encarar depois de fazer aquilo, por mais que aquilo tivesse virado parte da rotina de ambos ao longo de dois anos.

Agora, eles voltariam para o dormitório para se preparar para as aulas da tarde e passariam alguns dias sem se falar, até um deles ficar com vontade de se aliviar naquele banheiro novamente. (Essa pessoa, geralmente, era Kisumi).

O que nenhum dos dois esperava era encontrar o padre diretor parado na porta do banheiro com uma expressão nada amigável. Como ele soube e por que ele estava ali eram algumas das várias perguntas que surgiram na cabeça dos dois rapazes naquele instante.

Sousuke sentiu o sangue correr frio por suas veias enquanto ele tentava processar o que acabara de acontecer. Por mais que ele odiasse aquela escola com todas as suas forças, ele nunca antes desejou tanto não ser expulso de lá. Era óbvio que seus pais ficariam sabendo do que aconteceu, e Sousuke tinha certeza absoluta de que eles não ficariam nada felizes em saber que seu filho tinha aquele tipo de relação com outro homem, entretanto, ele nem fazia ideia do que ia acontecer quando soubessem.

Sua vida mudaria radicalmente dali pra frente, disso ele tinha certeza.

— Senhores Yamazaki e Shigino — o padre finalmente disse. — Poderiam, por favor, me acompanhar até a minha sala?

Notas finais
Eu estudei em um colégio católico por um tempo quando eu era menor, (aliás, o nome do colégio também era São José), e eu acredito que isso foi o principal motivo de eu me afastar de religião.
Eu acho que existe muita hipocrisia nesse meio, principalmente nessa história de preconceito. Esse colégio que eu estudei tinha muito bullying, inclusive, eu passei por isso lá, acontecia na frente dos professores e levou MESES para alguém fazer alguma coisa sobre isso. Cadê aquela história de amor ao próximo?
Não sei me expressei direito aqui, mas espero que ninguém se sinta ofendido. Não tenho absolutamente nada contra pessoas religiosas, só detesto quem usa a religião para fazer discurso de ódio.
Enfim, espero que tenham gostado, deixem seus comentários ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!