Quando Gabriel apareceu naquele acampamento, Luna estremeceu. Estremeceu de raiva e de medo, pensou “que merda ele tá fazendo aqui?? Eu disse para ele cuidar dos meninos”, mas assim que terminou esse pensamento um saqueador se levantou e tentou atingi-lo por trás. Ela agiu, não tinha tempo para racionalizar a presença dele. A faca voou na face do saqueador, tirando a vida em segundos, mas surpreendendo Gabriel, que gritou por não perceber que alguém tinha se aproximado por detrás dele.

Depois disso, tudo aconteceu quase que em um clarão para ele. Luna atacou um por um daquele acampamento, mostrando monstruoso costume. Não hesitou e nem pensou. Gabriel assustado, só saiu do estado de completo choque quando ela terminou, deixando somente o cheiro de sangue e suor no ar.

— Lu? — chamou Gabriel, hesitante. Ela estava estranha, não respondeu e começou a cavar um buraco com as próprias mãos, ignorando totalmente a presença dele ali.

— Vou ter certeza que eles não deixem rastros. — ela murmurou. E cavou por um bom tempo, ate se dar por satisfeita. Quando ela terminou, empilhou todos os corpos que matou no buraco. Então, ele se aproximou dela, mesmo com medo.

— Lu? — Ela não respondeu.

— LU?! — gritou e agarrou seu pulso, numa tentativa desesperada de chamar sua atenção.

— Me solta! — Luna finalmente olhou para Gabriel, que agora via a bagunça que ela estava.

— Não ate me dizer por que não quer fala comigo!

— Não!! — Ela olhou pra ele com os olhos arregalados.

— Lu, confia em mim! Por favor! no meio dessa merda toda eu confiei em você e quero que você também consiga confiar em mim!! — As palavras dele pareceram um tapa na cara dela, que baixou a cabeça e depois de muito segurar... chorou. Chorou porque o peso da situação, da sua preocupação e da preocupação de Gabriel finalmente caíram sobre ela...

— EU PROMETI TE PROTEGER, OKAY?! EU PROMETI PROTEGER ELES! E TER VOCE, AQUI, NO MEIO DESSE MERDA TODA... ME FEZ IMAGINAR... QUE ERA AQUI QUE VOCE IRIA MORRER... EU NÃO POSSO TI PERDER!

Ela voltou seu olhar para Gabriel, que pode ver refletido nos seus olhos o quanto ele significava para ela. E percebeu, também, o quanto ela significava para ele. Esse momento de realização fez seu coração doer, “amar dói”, pensou.
Então, numa tentativa de acalma-la, trouxe para si e apertou-a, num abraço de urso que só ele sabia fazer. Abraço-a, afagou-lhe os cabelos e fez carinho nas suas costas. Tudo de um jeito que só ela sabia fazer. Esperou que ela se acalmasse para, enfim, dizer:

— Foi por esse mesmo motivo que eu vim também... eu também não posso te perder — E olhando bem fundo nos seus olhos, beijou-a.

E beijou-a. Um beijo daqueles que parecem unir dois corpos e duas almas, capaz de cessar preocupações e acalmar o mais atormentado dos corações. Beijo-a como se para confirmar algo que já suspeitava: que a amava.

Notas finais
Oi, tudo bom? Obrigada (o) por ler minha historia. Escrevi essa one shot como treino, então criticas construtivas serão bem vindas. Até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!