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4 Primeiro Dia de Aula
Notas iniciais
Era uma quarta-feira fria, Kyoku havia acabado de voltar do colégio, ela jogou sua mochila na cama e viu a fotografia de sua irmã no porta retrato que estava em cima da cômoda e sentiu saudades. Ela se jogou na cama e pegou seu celular, Amy havia mandando uma mensagem há duas horas atrás:
amanda roberta feiosa [11:16]: ei, nao esquece q hj tem aula de música mais tarde às 3
Kyoku suspirou:
— Ahh, por que eu me matriculei nisso?
A garota foi para a cozinha comer alguma coisa, mas não tinha nada que a atraia na geladeira, então ela pegou alguns ovos, leite, óleo, farinha e sal e começou a fazer panquecas. Após queimar a primeira panqueca, o resto ficou perfeito, Kyoku comeu as cinco panquecas sozinha e resolveu mexer no seu computador. Enquanto ela assistia alguns vídeos, mensagens chegavam em seu celular, mas a mesma nem se dava conta de lê-las.
Depois de ver vários vídeos, chegou uma notificação de um canal que só posta vídeos às três da tarde, demorou uns segundos para Kyoku se tocar, quando a ficha caiu ela se levantou da cadeira rapidamente e começou a pegar suas coisas.
— Caralho, eu tô muito fudida, quem se atrasa no primeiro dia de aula?
Kyoku lia as mensagens que chegaram durante seu trajeto até a escola de música, quase todas eram de Amy:
amanda roberta feiosa [13:20]: me responde e fala q vc não vai esquecer de ir
amanda roberta feiosa [14:07]: kyoku pelo amor de deus
amanda roberta feiosa [14:43]: to indo lá na escola, não esquece de ir
amanda roberta feiosa [14:58]: kyoku caralho onde vc ta? já vai começar a aula mano
amanda roberta feiosa [15:03]: tchau a gente tá entrando, não falta semana que vem
Ao chegar na entrada da escola, Kyoku entrou correndo até sua sala, apesar de ter um pouco de dificuldade em achar a sala de aula, conseguiu encontrá-la.
— Oi! Me desculpa o atraso, eu perdi a noção do tempo. — Suando e hiperventilando, ela entrou na sala com todos a olhando, Amy parecia desapontada mas aliviada ao mesmo tempo.
— Tudo bem, acabamos de entrar na sala mesmo, pode se sentar em algum lugar. — Kyoku então se sentou entre Nick e Amy.
— Porra! Eu te mandei um monte de mensagem, desgraçada. — Amy sussurrou para Kyoku.
— Eu vi só depois que eu saí de casa, eu tava vendo vídeo e nem me toquei.
— Bom, meu nome é Alex Johnson, sou o professor de música de vocês e sei tocar inúmeros instrumentos. Quero que façam o mesmo que acabei de fazer, se apresentem, digam seus nomes e o instrumento que tocam. — O professor pegava sua caderneta para ver a lista de chamada. — Amy Roberts, pode se apresentar, por favor?
— Bom, eu me chamo Amy Roberts, eu tenho dezesseis anos e toco baixo.
— Mó gostosa! — Um dos alunos sussurrava para o outro.
— Jane Clark, pode se apresentar?
Uma garota de cabelo ruivo se levantou resmungando.
— Meu nome é Jane Clark, eu toco o teclado, tenho quinze anos blá blá blá, eu só to aqui porque minha mãe me obriga. — Ela se jogou na cadeira fazendo un barulho alto.
— …Katherine White?
— Oi! Eu me chamo Katherine White, eu toco o saxofone e espero que todos nós sejamos bons amigos!
— Droga, ela roubou minha fala! — Rubby murmurou.
— Kiyoko Yamaguchi.
— Oi, gente! Meu nome é Kiyoko Yamaguchi mas podem me chamar de Kyoku, não muda muito mas mesmo assim eu prefiro, eu tenho dezesseis anos e eu gosto de flores e… comida italiana e… ah, sim! Eu toco bateria!
— Ótimo. Lorraine Stoker, se apresente, por favor.
— Oi, meu nome é Lorraine mas me chamem de Lolo, por favor. Eu tenho quinze anos e toco flauta transversal.
— Lynh… Tren?
— Olá, meu nome é Lynh Trần, eu sou meio vietnamita, tenho dezesseis anos e toco a harpa.
— Michael White.
— Eu me chamo Michael White e quem quiser pode me chamar de Mike. Sim, eu sou irmão da Katherine e eu toco o trompete.
— Certo. Nick Ranai.
— Meu nome é Nick, eu toco violão. — Nick nem sequer se levantou para se apresentar.
— Nicolle Terblanche?
— Oi, meu nome é Nicolle Terblanche e meus amigos me chamam de Naki, eu sou meio africana, tenho dezessete anos e toco guitarra, eu sei cantar também, caso precise.
— Perfeito, agora Rick Adams.
— Olá, meninas. Meu nome é Rick Adams, tenho dezessete anos e eu toco o violoncelo.
— Ruan Flores?
— Hola! Eu me chamo Ruan Flores, eu sou originalmente do México então não liguem se eu tiver alguns problemas em pronunciar algumas palavras, eu tenho dezessete anos e toco o clarinete.
— Ai, to apaixonada — Amy dizia a Kyoku.
— Sei, aquelas paixão que dura dois dias e depois já se apaixona por outra pessoa, né?
— Rubby Watanabe. — O professor se surpreendeu ao ler o sobrenome. Rubby corou.
— Oi, eu me chamo Rubby Watanabe, vocês devem conhecer meu pai, Richard Watanabe, — Assim que Rubby disse o nome de seu pai o professor ficou boquiaberto. — ele me ensinou a tocar piano quando eu tinha sete anos e é isso que eu toco até hoje… — Rubby se sentou rapidamente.
O professor demorou alguns segundos para processar que a filha do pianista Wanatabe estava em sua classe.
— Professor?
— Ah, sim! É… Tahira Green. — Uma garota de cabelo loiro e olhos de mel se levantou, Kyoku então percebeu.
— GENTE, ESSA AÍ NÃO É MINA LÁ DO SHOPPING QUE… — Amy rapidamente tapou a boca de Kyoku e puxou ela. A garota corou e fingiu não ter ouvido, apesar de Kyoku ter quase gritado.
— Cala a boca, Kyoku. Nossa, indisciplinada.
— Oi, meu nome é Tahira Green, eu tenho dezesseis anos de idade e toco violino. — Naki observava a menina com curiosidade, seu nome e aparência lhe eram familiares.
— Bom, essa foi a última apresentação. Vou entregar uma partitura para cada um de vocês tocarem, façam duplas e um trio.
Os grupos ficaram divididos com Rick, Mike e Ruan fazendo o único trio, Lynh e Tahira, Amy e Kyoku, Rubby e Lolo, Nick e Jane e Naki e Katherine. Alex distribuiu as partituras e pediu para que a tocassem usando seus instrumentos.
Algumas conversas paralelas aconteceram enquanto os alunos tentavam praticar.
— Ei, gata, por que a gente não fica depois da aula? — Rick sussurrou para Amy que estava ao seu lado.
— Se for pra ficar com alguém eu quero esse seu amigo aí do seu lado
— Ah, qual é! Eu sou bem mais bonito! — Kyoku fingia não estar escutando mas estava atenta a conversa dos dois.
— Haha! Acho que você tá precisando de óculos, querido.
— Tá falando isso porque nunca me beijou.
— Ô seu filho da puta, ela falou que não, você é surdo é? — Kyoku os interrompeu impaciente.
— Tá, tá. Devem ser duas sapatonas mesmo.
— Acho que não é isso que você vai pensar depois da aula perto dos banheiros. — Amy respondeu dando um sorriso malicioso dando e piscando com um olho só, o que fez Rick ficar feliz e confiante.
— Você vai ficar com ele? — Kyoku perguntou sussurrando, ela parecia estar com nojo.
— Claro que não né, vou pegar aquele latino gato, isso sim.
Após todos terminarem de praticar, o professor pediu para que todos tocassem ao mesmo tempo, o que fez uma música linda.
A aula havia acabado, todas estavam na frente da escola conversando, menos Amy.
— Gente, cadê a Amy? — Rubby perguntou reparando que faltava uma pessoa.
— Acho que eu sei, e é melhor a gente não ir lá se é que me entendem. — Respondeu Kyoku dando um sorrisinho.
Rick andava até os banheiros sorrindo achando que ia poder beijar a garota mais bonita que ele já viu, quando ele finalmente chegou, lá estava ela… beijando outro cara. Ruan beijava o pescoço de Amy enquanto executava um sorriso diabólico. Rick ficou profundamente irritado e saiu de lá batendo os pés, até a entrada da escola.
— É, eu sabia. — Kyoku observou Rick bravo indo embora da escola. Amy entra na roda de conversa um pouco depois do garoto se distanciar.
— Amy, seu batom tá todo borrado. — Lolo diz colocando a mão em sua boca indicando onde estava borrado.
— Opa, acho que eu exagerei na sobremesa, hehe.
— Eu já venho. — Naki ia em direção a Tahira que estava sentada sozinha. — Oi, Tahira. Acho que você não se lembra de mim, né?
— Lembro, você tava no shopping aquele dia…
— Não sei se você se lembra mas você me chamava de Nics.
— Pera, é você?! Ai meu Deus, não sei como eu esqueci! Ahh, Nics, que saudade! — Tahira a abraçou quando percebeu que Naki era uma antiga amiga de infância. — Ah, minha mãe chegou. Tchau, Nics!
Naki retornou a suas amigas e as contou que Tahira era uma antiga amiga, todas se surpreenderam.
Cada uma foi pra sua casa após terem conversando por uns quinze minutos, menos Lolo, que foi para a casa de Rubby pois iria dormir lá. Chegando na mansão Wanatabe, Lolo ficou encantada, a casa estava deslumbrante como nunca, cada decoração dava um ar delicado ao lugar, faziam anos que ela não entrava naquele lugar imenso.
— Lorraine! Quanto tempo! — Dizia Glória, mãe de Rubby, abraçando a menina.
— Oi, Glória. — Lolo respondeu sendo sufocada pelos seios avantajados de Glória.
— Cadê o papai? — Rubby perguntou.
— Ah, seu pai saiu comprar umas coisas, mas não se preocupe, ele já volta.
— A gente vai lá no meu quarto, tá?
As garotas foram até o quarto de Rubby, Lolo ficou espantada ao ver o quarto todo bagunçado com roupas para todos os lados, se fosse para comparar com o resto da casa ela poderia deduzir que aquele quarto nem fazia parte da mansão. Rubby mostrou um jogo para Lolo chamado Garry's Mod e elas jogaram RPG nele.
— Vem, por aqui! — Rubby exclamava interpretado um personagem.
— Oh, não! Tá cheio de monstros! – Lolo continuava a interpretação.
As meninas também jogaram um jogo de dança que Rubby tinha, mas no meio do jogo Lolo tropeçou numa blusa que estava jogada no chão do quarto e caiu.
— Ai!
— Ai, Lolo! Desculpa! Eu preciso arrumar meu quarto…
— Não foi nada… — Lolo então olhou no relógio. — Ei, Rubby, já são duas da manhã…
— Que?! Meu Deus, a gente não vai conseguir acordar pra ir na escola amanhã!
— É, vamos dormir. Boa noite.
— Boa noite, Lolo.
Os dias foram passando e cada vez mais as garotas ficavam mais íntimas de Tahira por causa de Nicolle, Tahira acabou virando um membro do grupo e fazia uma confusão ao chamar Nicolle de Nics, deixando Nick e as outras confusas; então resolveu começar a chamar a amiga de Naki como todas as outras chamavam.
O inverno chegava ao fim.
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