No Tempo Delicado do Amor
3 Capítulo 3
Pov Elisa
Encostei na bancada olhando para o celular, não sabia o que responder a Sam, já havia dito que não precisava de carona.
-O que tanto tem de interessante nesse celular que você sorri tanto? — disse Liv entrando na cozinha. — Hum, mensagem do Samuel, por isso esse sorriso de orelha a orelha.
-Aff Olivia, não estou sorrindo — fechei a cara — Estava pensando no que responder a ele.
-Que sim oras bolas, aliás o carro nem tá funcionando. — disse dando de ombros.
-E você me diz isso agora? — voltei minha atenção para ela — Como assim não tá funcionando?
-É, ontem eu pedi pro Nico ir no mercado depois que você saiu, ele foi tentar usar o carro e não tava pegando. — olhei incrédula — tadinho ele foi a pé, o meu amor.
— E por que não me disse ontem? Vou ter que ligar pro mecânico. Ele estava funcionando quando chegamos do shopping, juro que não entendo. — disse desligando a água para o café. — Bom vamos de táxi então!
— Ahh Lis, não acredito! Aceita logo a carona, não vai matar ninguém. — ela bufa. — Se você não responder eu mesma respondo. — disse tentando pegar meu celular.
— Tá bem, eu não acredito que vou fazer isso. — disse saindo de perto dela.
[08:35]Bom dia Sam, tudo bem, e com você? Então descobri agora que meu carro não está funcionando. Vou ter que levar no mecânico na segunda, se você puder nos dar carona aceitamos sim. — Lisa
-Pronto! Já mandei mensagem pra ele. — soltei o celular na mesa.
-Viu? Nem doeu. Ahh vou chamar o Nico, quando ele responder me chama! — disse saindo da cozinha.
[08:36]Sério Lis? Bom então tá, passo aí às 9h pode ser?- Sam
Respondi Sam logo em seguida.
[08:36]Pode ser Sam! Está ótimo. Desculpa incomodar. — Lisa
Escutei o barulho da mensagem e conferi.
[08:38]Você nunca incomoda Lis!! Estarei aí às 9h. - Sam
Pov Olivia
Eu sei, mentir é feio! Mas, sinceramente… quando é por amor, acho que existe uma brecha emocional, né? Estou tentando ajudar minha amiga. A Elisa ainda não tem a menor noção do que está sentindo — e tudo bem, ela é lenta pra perceber o próprio coração —, mas eu vejo. Vejo no olhar dela, no jeito como ela fala dele, no cuidado involuntário que ela tenta disfarçar. É de Samuel que ela gosta, mesmo que nem passe pela cabeça dela admitir isso agora. E, se ela ainda não percebeu, eu vou dar só um empurrãozinho inocente.
— Nick, acorda, meu bem! — chamei meu noivo, sacudindo de leve o ombro dele.
— Bom dia, fadinha — murmurou, sorrindo sonolento, ainda com aquela cara amassada que eu achava a coisa mais linda do mundo.
— Nick, levanta! Temos que ir já. Samuel vai vir nos buscar — falei, sentando no pé da cama com a energia de quem já tinha armado o plano perfeito.
Ele piscou algumas vezes, tentando alcançar meu grau de empolgação.
— Por quê? A Lis não vai de carro? — perguntou, já se sentando.
— Ah é… se ela perguntar, diga que o carro não tá funcionando. — respondi com um sorriso que entregava 100% das minhas intenções.
O olhar dele se acendeu.
— Dona Olívia! O que você aprontou? — perguntou com divertimento, como se já soubesse que vinha drama.
— Nada demais — falei levantando a mão, teatral — só estou tentando ajudar nossa amiga a estar mais próxima do amor. — E soltei um risinho cúmplice, satisfeita do meu próprio plano. — Então, se ela perguntar, eu pedi pra você ir no mercado, você tentou ligar o carro e ele não funcionou. No fim você foi andando comprar…
— Comprar o quê, Olívia? Nem saí de casa ontem. — Nick rebateu, arqueando uma sobrancelha.
— Sei lá, tomates. Não sei, essa parte você inventa. Mas se ela perguntar, essa é a história. — expliquei, gesticulando como se fosse óbvio.
Ele suspirou fundo, daquele jeito dramático que ele usa quando já percebeu que perdeu a discussão antes mesmo de começar.
— Ai ai, Olívia… ela vai ficar fula da vida com você. E comigo também, poxa. — disse ele, levantando da cama enquanto resmungava — Mas ok! Estou contigo nessa.
Sorri satisfeita. Ele sempre dizia isso, mas no fim me acompanhava em todas.
E, sinceramente? Se tudo desse certo, a Elisa que me agradeça depois.
-OLIVIA! — grita Lis da cozinha.
— Melhor eu ir. Você tem 20 minutos pra estar pronto, tomar café e arrumar suas coisas — disse chegando perto da porta.
-Melhor mesmo. Com o humor que ela deve estar, — disse com a escova na mão — Jesus! Salve-se quem puder.
Fechei a porta rindo, Lis iria me perdoar como todas as outras vezes que fiz algo às escondidas. Eramos melhores amigas desde que nos conhecemos e nunca brigamos. Desci as escadas, fui em direção a cozinha.
-Voltei! — respondi. — Sam está vindo mesmo? — perguntei entrando.
Pov Elisa
-Sim! — respondi a Liv. — Nico acordou?
-Agora pouco. Está se arrumando. — assentiu. — Que horas o Sam chega?
— Chega por volta das 9h. — bufei irritada.
— Ótimo! — exclamou — amiga melhora essa cara, vai assustar alguém assim.
Dei um olhar mortal para Olivia, juro que se pudesse matava essa baixinha intrometida. Nico apareceu logo em seguida na cozinha.
-Bom dia Lis! — me dando um abraço e se sentando ao lado de Livi.
-Bom dia Nico! — cumprimentei — Amigo, por que não disse nada do carro ontem?
-Ahh Li! Perdão, esqueci de dizer. — disse sem jeito — mas prometo levar no mecânico na segunda pra você.
Não sei porque, mas esses dois estão me escondendo algo, tenho um vago pressentimento. Tomamos café rapidamente, Olivia se ofereceu para lavar a pequena louça que sujamos. Subi para pegar minhas coisas, conferi uma última vez se não tinha esquecido nada e desci para a sala aguardar Sam chegar.
Depois de alguns minutos, Liv e Nico desceram também, não demorou muito para meu celular apitar com uma mensagem de Sam. "Estou aqui em baixo" dizia na mensagem.
-Vamos o Sam já chegou. — disse para os dois.
Nico fechou a porta, descemos pelo elevador e saímos para a rua. Sam estava lindamente com uns jeans preto, camiseta azul e óculos encostado em seu carro.
-Oi Lis! — Sam disse sorrindo.
-Oi Sammy! — sorri.
-Olivia. Nick! — Sam cumprimentou os dois.
-Oi Sam. — disseram os dois.
-Vamos então? — disse — Nico quer colocar as bolsas aqui atrás?
Nick pegou nossas mochilas e foi com Sam colocar no porta-malas do carro, ficamos eu e Liv aguardando os dois. Eu tentava me manter casual, mas por dentro já estava torcendo para sentar atrás com ela — precisava desse “escudo emocional” para não ficar tão nervosa ao lado do Samuel.
Quando eles voltaram, Sam disse:
— Entrem!
Tentei entrar no banco de trás do carro, já dando um passo à frente, mas meus amigos simplesmente se enfiaram na minha frente e se acomodaram atrás como dois ninjas apressados. Eu fiquei parada por um segundo, piscando devagar, sentindo aquela mistura de sério isso? com eu sei que vocês fizeram de propósito queimando dentro de mim. Era tão descarado que até doía.
Sam soltou um riso baixo — como se tivesse percebido tudo — e abriu a porta do passageiro para mim. Meu rosto pegou fogo na hora, não tinha para onde fugir.
— Obrigada, Sammy. — agradeci, vermelha igual a um pimentão, desejando que a terra me engolisse por alguns segundos.
— Cavalheirismo nunca sai de moda. — respondeu ele, dando uma piscadela antes de fechar a porta.
Fiquei ali sentada, tentando me recompor enquanto ele dava a volta para entrar no carro. Parte de mim estava irritada com a Olivia e o Nick pelo teatrinho óbvio; outra parte estava nervosa demais por ter ficado tão perto do Samuel para conseguir sustentar a raiva. E, no fundo, bem no fundo, uma pontinha de mim… talvez tivesse gostado da situação. Só que eu jamais admitiria isso. Pelo menos não ainda.
— Vocês se importam se eu colocar uma música para acompanhar a viagem? — perguntou mexendo no celular.
— Não, pode colocar o que quiser. — disse Liv. Ele assentiu e colocou sua playlist.
— Vai demorar? — perguntou Nico bocejando.
-Um pouquinho. — disse Sam.
-Mas, achei que íamos pra casa dos seus pais? — perguntei colocando o cinto.
— E vamos! — disse arrancando com o carro. — acho que mamãe esqueceu desse pequeno detalhe. Não é a casa aqui em Portland, mas em Troutdale. Vocês já conheceram as Cataratas Multnomah? — perguntou.
— Não — respondeu Liv. — Já ouvi falar, mas não cheguei a ir. — disse Nico.
— Você e Luke sempre comentam da casa, mas nunca fui às cataratas. — respondi.
— Pois é pra lá que estamos indo. — Sam respondeu. — Papai foi ajudar a clínica de um amigo dele, mamãe resolveu passar o fim de semana por lá e quer levar todo mundo.
Agora entendia por que o pai deles não estava no jantar. Talvez Susana tenha marcado o fim de semana para que Roberto pudesse comemorar junto com Sam.
A viagem estava sendo sensacional, Sam e eu estávamos conversando sobre diversos assuntos e o papo fluía sem problema algum.
-Olivia e Nico dormiram. — disse ele.
Olhei para trás, eles estavam encostados um no outro, dormindo profundamente.
-Devem não ter dormido bem. — concordei.
Reparei que ao fundo tocava Gravity, do John Mayer. Aquela melodia sempre mexia comigo… tinha algo de leve e, ao mesmo tempo, profundo. Fiquei curtindo a música em silêncio por alguns segundos; eu simplesmente amava ouvir e cantar canções, era quase como respirar.
— Amo essa música. — disse para Sam, deixando escapar um sorriso sem perceber.
— Também amo essa música. — respondeu ele rapidamente, como se ficasse feliz por termos algo em comum. — Agora fiquei interessado… além de John Mayer, do que mais você gosta, Lisa?
Meu coração deu aquele pulinho bobo.
Era só uma pergunta simples, mas vinda dele parecia ganhar um significado enorme.
— Bom, eu gosto de tudo. Sou bem eclética no meu gosto musical. — disse sorrindo, tentando parecer natural. — Gosto muito de músicas que falam sobre o amor, a vida… sobre qualquer coisa.
E era verdade — mas também era o tipo de resposta segura, que não revelava o quanto certas músicas me deixavam vulnerável.
Ainda não estava pronta para mostrar tudo.
— Entendi. — disse ele. — Também sou eclético no meu gosto musical. Minha música favorita é Never Gonna Be Alone, do Nickelback.
Sorri sozinha.
Uma música sobre amor e promessa… bem a cara do Samuel.
— Gosto muito também. Acho que a minha favorita é More Than Words, do Extreme. — concordei, já imaginando a canção na minha cabeça.
— Nossa! Essa música é sensacional. — disse empolgado, e a empolgação dele me fez sorrir ainda mais. — Sabe, eu gosto de um grupo… mas acho que se eu contar você vai rir de mim.
— Qual? — perguntei, inclinando um pouco a cabeça para ele. — Prometo não rir.
Ele hesitou por meio segundo, e depois:
— Backstreet Boys! — soltou um riso baixo, como se estivesse contando um segredo embaraçoso. — Sempre quis ser como o Brian, sucesso entre as garotas, haha.
Acabei soltando uma risada verdadeira, daquelas que escapam antes de você pensar.
— Eu amo Backstreet Boys. — disse. — Mas o meu favorito sempre foi o Nick. — soltei um riso, lembrando da minha adolescência.
E, por um instante, o carro pareceu menor… mais acolhedor… como se aquela conversa simples sobre música estivesse trazendo a gente para um lugar mais íntimo, onde eu conseguia ouvir não só a playlist, mas também o meu próprio coração batendo um pouco mais rápido. De repente, os acordes inconfundíveis de My Love, do Little Texas, invadiram o ambiente. Meu coração acelerou na hora, como se alguém tivesse apertado um interruptor dentro de mim. Aquela era uma das minhas músicas favoritas, daquelas que parecem guardar um pedacinho da nossa alma.
— Meu Deus! Faz uma eternidade que não ouço essa canção! — exclamei, sentindo meus olhos brilharem sem que eu pudesse controlar. As palavras da música ecoavam dentro de mim com uma força quase assustadora, como se tivessem sido escritas especialmente para aquele exato momento: “You've been looking for love…”
Fechei os olhos por alguns segundos, deixando a melodia me envolver. Era como se cada nota me tocasse delicadamente por dentro, despertando coisas que eu nem sabia que estavam adormecidas.
— My love, are you ready for my love? — cantei, a voz saindo embargada pela emoção. A frase preencheu o carro, carregada de algo que eu não soube definir — uma mistura de entrega, saudade, esperança… e talvez um desejo que eu não estava pronta para reconhecer.
Quando abri os olhos, vi Sam me olhando, surpreso com a intensidade com que eu cantava.
— Uau, Lis! Que voz linda! — ele exclamou, e o jeito sincero como falou me deixou completamente derretida por dentro.
Sorri, sem conseguir esconder a felicidade genuína que aquilo me causava.
— Obrigada, Sam. A música sempre foi meu refúgio… meu lugar para expressar tudo o que sinto.
A música continuou inundando o carro, abafando qualquer outro som, como se tivesse criado um mundo só nosso ali dentro. E então, de repente, ouvi Sam começar a cantar o refrão. Senti um arrepio subir pela minha espinha.
— “Meu amor, você está pronta para o meu amor?” — ele cantou, com aquela voz suave e intensa que eu nunca tinha prestado tanta atenção.
O carro parecia menor, o ar parecia mais denso.
E eu… eu simplesmente não sabia onde colocar as mãos.
— “Meu amor, meu amor está pronto para você.”
Quando seus olhos encontraram os meus, justo quando o carro parou no sinal vermelho, o impacto foi tão forte que meu coração pulou no peito como se tivesse sido pego no flagra.
E então ele cantou mais um trecho — olhando diretamente para mim:
— “Se você está procurando um coração que é sempre real…”
Eu quase esqueci de respirar.
— “Meu amor, meu amor está pronto para você.”
Era quase impossível não sentir que aquelas palavras eram para mim. Tive que desviar o olhar antes que ele percebesse o quanto aquilo mexeu comigo.
— Sua voz também é linda, Samy. — murmurei, procurando uma segurança emocional que simplesmente não estava ali.
— Obrigado, Lisa, mas não mais que a sua. — disse ele sorrindo.
E foi aí que minhas pernas ficaram fracas.
Eu nunca tinha reparado nas covinhas dele daquele jeito — tão profundas, tão marcantes, tão perigosamente encantadoras. De repente, Samuel deixou de ser apenas “o irmão do Lucas” por alguns segundos.
De repente… ele era só ele.
E isso deixou tudo ainda mais confuso.
O sinal abriu e ele seguiu adiante.
— Sou apenas afinado — acrescentou. — Acho que as aulas de piano me ajudaram a ter um ouvido melhor.
Enquanto ele dirigia, uma dúvida estranha começou a me assombrar.
Será que foi impressão minha… ou ele realmente cantou aquele trecho para mim?
Eu não queria tirar conclusões precipitadas — não podia — mas aquela troca de olhares… aquela intensidade toda… era difícil ignorar.
Será que estou lendo demais nas entrelinhas?
Ele é meu amigo. Eu gosto muito dele, claro. Ele é… lindo, forte, educado, carinhoso sem forçar, o tipo de homem que faz qualquer coração acelerar. Mas interesse romântico?
Eu nunca tinha parado para pensar nisso.
Ou… talvez tivesse, mas escondido tão fundo que eu mesma não percebia.
Afinal, ele é irmão do meu chefe.
E Samuel deve ter mulheres incríveis atrás dele, lindas, deslumbrantes, sofisticadas — mulheres que combinam com ele de verdade. Mulheres que provavelmente não ficariam travadas como eu fiquei agora.
E eu?
Eu era só… eu.
Uma simples assistente, comum, nada demais.
Não fazia nenhum sentido imaginar algo entre nós.
Mas, mesmo assim… aquela música ainda ecoava no meu peito, como se tivesse despertado algo que eu não conseguia mais empurrar para longe.
Pov Samuel
Senti a mudança de humor da Elisa como um soco no estômago. Um segundo antes ela estava radiante, toda brilho, luz, emoção pura… e no instante seguinte parecia que algo a tinha atingido por dentro, como se uma sombra tivesse escorregado sobre ela. Meu peito apertou na hora.
Será que eu disse algo de errado?
Ou pior… será que ela percebeu o que eu quis dizer quando cantei aquele trecho? Será que a intensidade escapou da minha voz mais do que eu pretendia?
— Tudo bem, Lisa? — perguntei, tentando manter o tom leve, mas a preocupação transbordava mesmo assim.
— Sim, Sam. — respondeu ela.
Mas sua voz… não tinha nada de “sim”. Era um “não” cuidadosamente disfarçado.
E aquilo me destruiu por dentro.
Uma angústia quente começou a subir pelo meu peito, queimando cada pensamento.
E se eu tivesse estragado tudo?
E se ela tivesse sentido que eu queria mais do que amizade e isso a tivesse afastado?
A simples ideia de perder essa conexão — essa que cresce entre nós mesmo quando tentamos fingir que não — me deixava paralisado.
Eu estava caindo por ela. Cada sorriso, cada olhada despretensiosa, cada conversa… tudo só me empurrava mais fundo. E, agora, parecia que eu podia ter dado um passo além do que ela estava pronta para receber.
A necessidade de saber o que se passava dentro dela era quase física. Como um nó no estômago puxando cada vez mais forte. Eu queria abrir o jogo. Queria dizer tudo. Queria revelar o que aquela música realmente significava para mim, o que ela significava.
Seguimos a viagem. Depois de alguns minutos, Lis começou a falar sobre outros assuntos, e tentava sorrir de novo. Parecia que estava tudo bem. Ou pelo menos parecia que ela queria que eu acreditasse que estava.
Mas, dentro de mim, a decisão já tinha sido tomada.
Preciso dizer realmente o que sinto a ela.
Abrir meu coração, tirar esse peso do peito que cresce todos os dias.
E descobrir se… de alguma forma… mesmo que pequena… ela sente algo por mim também.
Antes que o medo me faça perder a chance. Antes que o silêncio destrua o que ainda pode virar amor.
Pov Olivia
Estava escutando tudo, mesmo tentando parecer desligada. Me encostei no Nico e fingi dormir, mas meus ouvidos estavam mais atentos do que nunca. De canto de olho, dava pra ver os dois à nossa frente conversando animadamente, tão naturalmente que até parecia que aquele clima entre eles sempre existiu e só eles ainda não tinham se dado conta. Falavam de tudo, riam, compartilhavam pequenas coisas… e eu só observava, analisando cada detalhe como a melhor amiga metida que sou.
Mas então, de repente, um silêncio caiu entre eles — pesado, quase palpável. Um silêncio que quem está de fora percebe na hora. Acho que a Lis finalmente notou a intenção do Sam ao cantar a música… aquela tentativa tão sutil (mas nem tanto) de mostrar o que sente. E, conhecendo a Lis, isso deve ter mexido com ela de um jeito que ela mesma não sabe explicar. Não porque ela não sente nada — mas porque ela ainda não sabe identificar o que é.
Ela deve estar confusa, tentando processar tudo internamente como sempre faz.
E eu? Eu só pensei uma coisa: eu vou ajudar minha best a perceber seus sentimentos.
Nem que eu tenha que montar um mapa emocional completo pra ela.
Continua…
Fale com o autor