No Rugido Do Leão
8 Capítulo 8 - Cavalos...cavalos....
Notas iniciais
– Belle! Vai mais devagar! — gritou Samantha.
– Vamos logo! Pode descansar na hora de dormir! — respondeu Belle.
Samantha tropeçava em seus próprios pés, mas talvez não fosse culpa dela. Você também não conseguiria se manter muito equilibrada se sua irmã mais nova estivesse muito empolgada e te arrastasse pelo castelo, enquanto você usa um vestido longo medieval.
– Desculpe! — gritou Samantha, enquanto ouvia a bandeja de Amber cair no chão, derramando leite por todo o carpete. — Eu sinto muito mesmo!
Mas Belle não estava disposta a parar de correr nem por um segundo. Logo elas deixaram a área dos corredores e chegaram ao pátio interno. Mas Abelle nem sequer parou. Atravessaram o grande pátio de pedra, até saírem pelos portões internos do castelo, onde Abelle finalmente parou.
– Aleluia! Finalmente paramos! — Samantha disse, deixando-se cair na grama verdinha, exausta. — Onde é que estamos?
– Chegamos! — Belle sorriu, alegre.
Samantha ergueu os olhos. Ali, ela viu soldados novatos e cavalos em um cercado. Rip-Chip pulava na cerca, de um estrado a outro, gritando e sacudindo a espada para cima e para baixo. Era engraçado ver aqueles rapazotes tentarem seguir os comandos do general rato, e caindo de cavalos tão imponentes. Parece que não eram as únicas a ter essa opinião, já que haviam vários soldados experientes apoiados na cerca de segurança, rindo dos rapazes.
– Vamos lá, seus molengas! — gritou um, rindo à beça.
– Como esperam proteger Nárnia se nem conseguem montar em um cavalo? — provocou outro.
– Qual é! Até um rato consegue isso! — gritou um terceiro.
– Repita se for homem, humano miserável! — Rip-Chip voltou-se para ele. — Não tenho medo de cortar sua garganta aqui e agora!
Mas os soldados gritaram risonhos, pois outro novato caíra no chão, e seu pé ficara preso na correia, sendo arrastado por toda a arena; e causando riso geral.
Um dos cavalos se aproximou do nervoso e raivoso Rip-Chip, meio cansado desse treino caótico.
– Eu creio que os rapazes aprenderiam melhor com alguém, digamos... — começou o cavalo.
– Um pouco mais alto? Também pensei nisso, mas não darei meus alunos para esses bastardos! — Rip-Chip lançou um olhar de ódio aos soldados.
– Eu diria, alguém da classe mais nobre; são famosos pela paciência ao ensinar... — comentou o cavalo — Vejo ali duas candidatas perfeitas!
– É, tem toda razão, meu caro! — disse Rip-Chip, olhando para as primas do Rei — Não há pessoas mais qualificadas, a não ser o Rei!
– Milades, poderiam se aproximar, por gentileza? — chamou o cavalo.
Perto dos portões, Samantha assistia a cena, ainda não acreditando que estava nela.
– Eu posso estar louca, e sei que estou, — ela disse — mas aquele cavalo chamou a gente?
– Estamos em Nárnia, meu bem! — riu Belle, correndo em direção ao cercado.
Passada a euforia, elas se aproximaram com reverência, fascinadas pela figura ilustremente encantadora. Primeiro sentiram medo, mas aquele cavalo era tão belo, que logo estavam acariciando sua crina macia e castanha como nozes frescas.
– Queira perdoar-me, — falou Rip-Chip — mas, como foi com o peregrino?
– Bom, — Sam disse, sem tirar os olhos do cavalo, talvez por orgulho, talvez por mágoa — foi uma conversa civilizada.
– Ele estava ferido, mas já estava bem melhor! — comentou Belle — É uma pena Caspian ainda estar zangado conosco. Teria aproveitado melhor se não estivesse de tão mau-humor!
Samantha ainda estava muito magoada. Caspian era seu primo, e mesmo assim não a compreendia. Ela sabia que não podia deixar uma vida perecer, mas o preço era muito pesado. Ela olhou para a crina do cavalo, pensando em algo bom para dizer, para tentar esquecer o incidente.
– Rip-Chip, — ela disse, enfim — quero agradecer por você ter cuidado dele. Agiu como um verdadeiro cavaleiro; e um bom amigo.
– Bem, — ele ficou meio sem-jeito, e fez uma reverência — sempre que precisar, pode contar comigo, alteza!
– É verdade! Não teríamos conseguido salvá-lo sem você! — agradeceu Belle.
O ratinho nobre ficou muito sem-jeito. Nunca recebera tantos elogios! Sentia-se o lorde mais sortudo de Nárnia. Então outro novato caiu do cavalo. É, eles precisam de ajuda.
– Então? — Belle sorriu.
– Depois de você! — respondeu Sam.
Conseguir a atenção de elmos brilhantes é uma coisa muito difícil; são adolescentes com armas, é meio difícil intimidá-los.
– E.... Viemos aqui para ajudá-los a... — a voz de Samantha mal podia ser ouvida.
– Hey! Calem a boca! — gritou Belle.
Todos olharam para elas, assustados. Mas pelo menos estavam quietos.
– Obrigada. — sussurrou Sam, e voltou a falar — Senhores, estamos aqui a pedido do G. Rip-Chip para ensinar a nobre arte da montaria. Um cavalo não é apenas um meio de locomoção; ele é um amigo, um companheiro de batalha. A amizade entre um cavalo e seu cavaleiro deve ser tal, a ponto de um confiar sua vida ao outro.
– Começaremos pelo básico. — continuou Belle — Primeiro, coloque-se ao lado direito de seu cavalo e diga seu nome, se for um cavalo falante, deverá dizer o dele. — e ela olhou para o cavalo — Sou Abelle Alice Brown.
– Sou Phillip William Amin Cásper IX. — respondeu o cavalo.
Sam não conteve o riso. Francamente, sua irmã foi humilhada por um cavalo! Isso sim é engraçado!
– Bom, chamarei só de Phill. — disse Belle, tentando se recompor.
– Só porque foi a senhora quem pediu! — disse o cavalo.
– Ótimo, agora que já se conhecem, vem o próximo passo: montar. — continuou Samantha.
Ouviu-se cochichos entre os novatos. É, esse é o mais difícil.
– Montar um cavalo passa a ser difícil se você tiver medo dele, portanto, sempre que forem montar, apresentem-se, isso ajuda a manter a calma. — falou Sam — Muito bem, coloquem o pé direito na correia, e segurando a cela, montem. É importante começar sempre pelo lado direito, até vocês pegarem a prática.
Quando todos conseguiram, quem assumiu foi Belle. Ela explicou que o bom cavaleiro se equilibra com os joelhos, permitindo o cavalo se locomover com mais agilidade. Nessa parte, a maioria caiu. Os soldados não perderam a oportunidade de rir às custas deles, dizendo que estavam perdendo para uma lady de vestido. É cruel, mas Belle sabia que era verdade.
Meia hora de tombos depois, e os novatos já estavam levando seus cavalos para o estábulo, ansiosos por um banho e um bom vinho para esquecer a aula humilhante.
– Você foi muito bem, milade! — elogiou o cavalo.
– Fica fácil depois que se conhece o cavalo! — sorriu Belle.
– Eu te disse! — concluiu Sam.
Os soldados experientes as convidaram para uma boa dose de vinho, para descansar e compartilhar conhecimentos. Belle se sentia feliz como nunca antes se sentiu.
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